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domingo, 31 de janeiro de 2010

Avivamento em Shantung - Parte IV


Embora talvez pouco conhecido pela maioria dos cristãos, o Avivamento de Shantung é considerado um dos avivamentos mais significativos na China e foi, com certeza, o mais poderoso que já houve no meio dos batistas. Shantung (ou Shandong) é uma província no litoral nordeste da China. Pouco antes da invasão do país pelo Japão em 1937, no meio da turbulência política causada por atividade comunista na região, Deus enviou uma poderosa onda de avivamento que durou aproximadamente dez anos (1927-1937). A seguir, a quarta parte de uma série de relatos e testemunhos dessa importante visitação.

Veja a outras partes deste testemunho!


Um dos instrumentos que Deus usou para iniciar o avivamento em Shantung foi a missionário norueguesa, Marie Monsen, como vimos em capítulos anteriores. A seguir, algumas informações adicionais sobre sua maneira de ministrar, relatados por uma colega de ministério.

 Em novembro de 1931, na província de Honan, um grupo de missionários estava aguardando o retorno da nossa companheira de missão, Marie Monsen. Em 1927, Deus a havia usado poderosamente nas províncias de Chili, Shantung e Shansi para avivar as igrejas lá. Parecia-nos estranho que Deus a tivesse levado do nosso meio para despertar igrejas em outros locais enquanto nós continuávamos ansiando e orando por um avivamento em nosso próprio campo.

 Os missionários mais antigos há muito oravam com perseverança e lágrimas por causa da falta de vida nas igrejas. Mas, com as notícias da visitação de Deus em outros lugares, nossas orações tomaram nova vida. Cada carta de Marie Monsen trazia novo ímpeto para nós, intensificando nossas orações com o passar do tempo, até que se tornaram uma espécie de chamada de emergência.

 Finalmente, tivemos a notícia de que ela estaria conosco na conferência anual da missão em Chenping, de 13 a 15 de novembro. Havia uma sensação geral de expectativa durante nossa viagem para o local da conferência, e não fomos desapontados nisso. Foi uma experiência realmente inesquecível.

 O primeiro texto que ela usou foi de João 3: “Necessário vos é nascer de novo”. A maior parte de sua pregação consistia em perguntas curtas, lançadas com seriedade santa e penetrante: “Por que você é cristão? Não é porque deseja entrar no céu? O que Jesus diz aqui? ‘Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.’ Você não pode ver, não pode...” Estas palavras penetravam como chumbo no coração dos ouvintes.

 O texto seguinte foi Apocalipse 20.12, a respeito dos pecados que estavam registrados nos livros com tanta clareza e definição. Também em Jeremias 17.1, sobre os pecados escritos “com um ponteiro de ferro”, gravados “na tábua do coração”, de tal forma que ninguém pode apagá-los.

 Outro texto usado foi em Marcos 14.3-11, sobre Judas. “Ele era um pregador do evangelho”, ela disse. “Era membro da igreja, um discípulo. Mas era falso, um ladrão. Você é um pregador do evangelho ou é um ladrão?”

 Ela se dirigia, em primeiro lugar, aos líderes e obreiros das congregações. Falou do texto em Provérbios 28.13 a respeito de encobrir os pecados. Todos nascem com a inclinação de encobrir os próprios pecados. Também usou Isaías 59.1-4 (“vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus”); Isaías 64.6 (“todas as nossas justiças como trapo de imundícia”); 1 Coríntios 6.9 e Marcos 7.21-23, junto com a pergunta: “Este texto contém um catálogo de pecados; leia e veja se seus pecados estão relacionados aqui”.

 Em seguida, falou de João 1.14: “cheio de graça e de verdade”. “Ele não permitirá que você permaneça cheio de falsidade e engano. Se você tão-somente reconhecer seus pecados diante de Deus, eles se tornarão brancos como a neve (Is 1.18).”

 Finalmente, exortou os convertidos a permanecerem na vontade de Deus. “Os não convertidos deixaram a vontade de Deus para trás. Os convertidos têm a vontade de Deus diante de si. Alguns estão dentro dela, outros estão fora. Tentam esticar a vontade de Deus para conformá-la à vontade própria.”

 No final de cada reunião, ela ficava em pé perto da porta, e poucos conseguiam passar sem serem indagados: “Você já nasceu de novo?”

 “Cortava o coração como a ponta de uma espada”, eles relatavam depois. Na reunião seguinte, a espada penetrava de novo: “Você ainda está no caminho da destruição?”.

 Muitos iam conversar com ela e confessar seus pecados, mas ela os mandava embora, às vezes por três ou quatro vezes. Não estavam sentindo verdadeira necessidade. “Ore para que o Espírito de Deus o ilumine a respeito de seus pecados”, era a advertência que recebiam. Ela nunca cansava de alertar-nos: “Não colha fruto que não está maduro”.

 Depois da conferência, houve uma série de reuniões especiais para obreiros e líderes. Aqueles que estavam presentes testemunharam de manifestações poderosas do Espírito Santo durante aqueles dias. Marie Monsen passou uma noite inteira em oração para obter coragem de chegar ao Pastor Han Liu Ging e dizer que temia que ele ainda não tinha vida nova em Deus. Ele passou a sentir grande convicção do Espírito e, depois de dois dias, encontrou libertação.

 Mais tarde, ele relatou que algo derreteu no seu interior quando Marie o chamou à parte. Ele sentiu que o amor de Deus a impelia e que precisava render-se. Posteriormente, tornou-se um auxiliar de Marie durante uma série de reuniões e foi usado por Deus para espalhar o avivamento.

 A estratégia de Marie era primeiro destruir a falsa segurança dos membros de igreja. Ela falava a respeito dos diversos tipos de remendos que os não regenerados usavam para se encobrirem e convencerem a si mesmos que eram convertidos. Depois ela falava a respeito de pecados, um por um. Segundo ela, foi só depois de vários dias de luta em oração que alcançara disposição de “descer no lamaçal e na podridão do pecado” e falar abertamente do sexto mandamento, contra o adultério. Quando obedecia e trazia esse pecado específico à luz, porém, uma das fortalezas mais resistentes de Satanás se rompia, enfim. 

 Outro texto que pesava muito no espírito dela era: “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo”(Hb 10.31). Com essas palavras, muitas pessoas eram levadas a ficar face a face com Deus.

 Finalmente, as palavras de promessa graciosa das Escrituras vinham como bálsamo nas feridas abertas. “Se Jesus, que não tinha pecado, não tivesse assumido o pecado em nosso lugar, Deus nunca poderia ter dito ‘Venha’ ao pecador. Quando você estiver bem sério sobre seus pecados, Deus, que não pode suportar o pecado, falará palavras de consolo ao seu coração.”

 Em cada série de reuniões, não havia um movimento muito pronunciado nem grandes resultados visíveis. Ela sempre estava atenta para impedir manifestações emotivas muito fortes ou confissão pública. Tudo era conduzido sem alarde. Depois de Marie ir embora, ficava evidente que o Espírito de Deus havia deixado marcos profundos. E podíamos começar a fazer a colheita de almas. 



Fonte: O Arauto da Sua Vinda, Ano 27 nº 1 - Janeiro/Fevereiro 2009

sábado, 30 de janeiro de 2010

O Pecado do Orgulho Espiritual - William Gurnall



 Uma espécie de orgulho espiritual que cresce como erva daninha no meio do trigo e que Satanás usa para atacar o cristão é o orgulho da graça. Os dons nos são dados para agir; a graça nos é dada para ser. Estamos falando aqui sobre a medida da graça ou dos atributos de santidade que Deus concede a uma pessoa. Sabemos que tudo o que possuímos nesta vida está sujeito à corrupção –nada do que o cristão tenha ou que faça está isento deste verme do orgulho. O orgulho é o maior responsável pelas áreas fracas nas nossas virtudes, que são altamente vulneráveis. Não é a natureza da nossa graça, mas o sal da aliança de Deus que preserva a pureza dela.

 De que maneiras, então, pode um santo tornar-se orgulhoso de sua graça?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Como se Arrepender - James MacDonald


O texto a seguir foi adaptado de uma mensagem ministrada na Conferência “Heart-Cry for Revival” (Clamor do Coração por Avivamento) em abril de 2008, na Carolina do Norte, EUA.


 Em determinada época da minha vida, tive um sonho que Deus usou para falar comigo. Eu estava passando por um período muito seco, espiritualmente. Começava a orar por algo e logo mais parecia estar mendigando do que orando. Tome muito cuidado com essa atitude de mendigar a Deus por coisas, porque passa a ideia de que precisa mais daquela coisa do que dele. É como se estivesse dizendo: “Tu não és suficiente para mim, Senhor; preciso daquilo”.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Óleo à Meia Noite - William Cawman





“Dêem-nos um pouco do seu óleo, pois as nossas candeias estão se apagando... Não, pois pode ser que não haja o suficiente para nós e para vocês” (Mt 25.8-9 NVI).

 Óleo, quando usado nas Escrituras no sentido espiritual, sempre significa a unção da presença de Deus sobre uma vida. Nos tempos do Velho Testamento, quando Deus comissionava uma pessoa para uma missão específica, o óleo era derramado sobre a sua cabeça como um sinal da presença de Deus com aquela pessoa. Os sacerdotes eram ungidos com óleo, e era um pecado muito sério quebrar aquela confiança sagrada.

 No Novo Testamento, Deus diz: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9). Novamente em Apocalipse 1.6 “...e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém.” É uma responsabilidade muito séria tornar-se um cristão do Novo Testamento. Deixar de trazer sempre consigo a unção fresca e imediata do Espírito Santo sobre a vida diária é tão desastroso quanto foi o fogo estranho de Nadabe e Abiú.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Orando as Notícias - Dave Butts


 Foi meu pai quem primeiro abriu a porta para que eu olhasse os acontecimentos do mundo como relacionados à Palavra de Deus e ao desdobramento dos seus propósitos no planeta Terra. Tem sido uma aventura alegre e fascinante acompanhar as notícias na televisão ou no jornal e vê-las como algo muito além do que a descrição de acontecimentos que estão fora do meu controle. Ao contrário, os próprios fatos reais que acontecem ao nosso redor são uma clara indicação de que Deus está de fato no controle de tudo.

 Na grande maioria das vezes, os cristãos sentem-se impotentes e à mercê de um mundo muito vasto. Ver ou ler o relato de acontecimentos nacionais ou internacionais pode parecer um exercício fútil ou, pior ainda, causar uma sensação de ansiedade e de tristeza. Uma das maneiras de lidar com isso é simplesmente isolar-se do mundo. Você pode desligar a televisão na hora do noticiário e parar de ler jornais e revistas. Com isso, você pode sentir um alívio temporário, mas com certeza não contribui em nada para mudar a situação.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A Origem e a Cura dos Pecados do Coração - William Gurnall


 “Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e, sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6.12).

 O apóstolo Paulo nos adverte a respeito de uma guerra contra potestades invisíveis do mal que induzem ao pecado, na qual os santos estão envolvidos durante todo o tempo em que vivem neste mundo. Existem espíritos maus que são responsáveis principalmente por induzirem os santos à“maldade espiritual”. Nenhum pecado pode ser cometido sem ocasionar consequências espirituais, mas alguns são mais especificamente “espirituais” do que outros. Como exemplo, podemos citar os pecados que são mantidos dentro dos limites do coração. Paulo os chama de impureza do espírito, distinguindo-os da impureza da carne: “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne, como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2 Co 7.1).

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Aviva a Tua Obra, ó Senhor - T. T. Shields


 Eis uma oração que precisa ser feita por todos os santos: “Aviva a tua obra, ó Senhor!” (Hc 3.2).

 Há ocasiões em que a necessidade de um avivamento é visível. Em outras, é conhecida somente por Deus. Pode não haver nenhum lapso aparente, nenhuma incoerência clara, nenhuma falha flagrante. A conduta e o caráter podem parecer irrepreensíveis como sempre. Mesmo assim, é possível que haja uma deficiência de apetite espiritual, uma ausência de comunhão com o Bem-Amado, uma negligência na oração pessoal, um desleixo no estudo da Palavra de Deus, um descuido no cultivo pessoal da alma. Em tais casos, embora não se perceba qualquer sintoma externo de falha, é só uma questão de tempo e virá à tona, a menos que haja um avivamento interno.


domingo, 24 de janeiro de 2010

Avivamento em Shantung - Parte III


Embora talvez pouco conhecido pela maioria dos cristãos, o Avivamento de Shantung é considerado um dos avivamentos mais significativos na China e foi, com certeza, o mais poderoso que já houve no meio dos batistas. Shantung (ou Shandong) é uma província no litoral nordeste da China. Pouco antes da invasão do país pelo Japão em 1937, no meio da turbulência política causada por atividade comunista na região, Deus enviou uma poderosa onda de avivamento que durou aproximadamente dez anos (1927-1937). A seguir, a terceira parte de uma série de relatos e testemunhos dessa importante visitação.

 Charles Culpepper, presidente do seminário batista em Shantung, na cidade de Hwanghsien, foi uma das peças importantes que Deus usou durante o avivamento naquela região. Depois que a missionária norueguesa, Marie Monsen, perguntou para ele se já havia sido batizado no Espírito Santo, Culpepper ficou profundamente incomodado e iniciou uma busca intensa em oração que levou quatro anos até receber a resposta. Na segunda parte desta série, vimos como ele foi poderosamente batizado no Espírito Santo enquanto, simultaneamente, Deus já estava visitando outras cidades na província.

 Logo após o batismo de Culpepper, Deus começou a agir na escola que os missionários mantinham na mesma cidade. A história do que aconteceu está na continuação do testemunho do próprio Culpepper.
 Avivamento nas Escolas

 Na noite daquele domingo [um dia após o meu batismo no Espírito], uns três ou quatro casais reuniram-se em nossa casa, outra vez. Oramos por aproximadamente duas horas, e o grupo inteiro de 10 a 12 pessoas foi tremendamente visitado. Todos ficaram cheios de alegria, alegria transbordante e indizível, cheio de glória. Rimos, choramos, louvamos a Deus por muito tempo. Estávamos cheios de gozo, mas não sabíamos o que Deus estava para fazer. Ele estava preparando tudo para um grande avivamento, trabalhando em nossos corações, não só em Hwanghsien, mas em vários outros lugares ao mesmo tempo.

 A missão batista tinha uma escola em Hwanghsien, para alunos de 12 a 18 anos. Havia umas 600 garotas na escola feminina e uns 1000 garotos na escola masculina. Na segunda-feira, as escolas estavam recomeçando as aulas, depois das férias de inverno. Embora fosse uma escola missionária, só havia uns 150 garotos e 120 garotas batizados. Os outros eram, quase todos, de famílias cristãs, mas que ainda não tinham experimentado uma conversão. 

 Ao chegarem à escola naquela segunda de manhã, os alunos encontraram um ambiente já fortemente carregado com a presença do Espírito Santo. Sem que ninguém organizasse nada ou tomasse qualquer iniciativa, os alunos começaram a sentir forte convicção de pecados. Tomados de surpresa, os professores nos chamaram, no seminário, para ir até lá e ajudá-los.

 Quando cheguei lá, havia quatro ou cinco garotos e o mesmo número de garotas em salas desocupadas. Sentindo grande convicção de pecados e chorando, confessaram que haviam mentido aos pais, colado nas provas, roubado objetos uns dos outros e sido desonestos em outras ocasiões. Ficamos com eles por algumas horas, até acertarem a vida com Deus e alcançarem a paz.

 Pensamos que no dia seguinte tudo voltaria ao normal e que as aulas começariam para valer. Mas não foi o que aconteceu. O diretor das duas escolas mandou um recado para mim e para o Pr. Wong (um dos pastores chineses), dizendo que Deus estava enviando um avivamento e que ele iria cancelar as aulas por um tempo. Pediu que eu assumisse uma reunião por dia (às 10 horas da manhã) e o Pr Wong, a outra (às 19 horas).

 Os alunos enchiam a capela, mais ou menos 1.500 pessoas, em cada reunião. Um bom grupo daquelas 200 pessoas que haviam sido visitadas na semana anterior [veja a parte II desta série] estava presente também. Ficavam em pé, em volta do auditório, nas paredes.

 Começávamos a reunião, eu lia alguns textos nas Escrituras e explicava como podiam ser salvos. Mal terminava a explicação, sem esperar o início dos cânticos, os garotos e as garotas da escola já corriam para frente, chorando e caindo de joelhos. Aqueles que já haviam encontrado com Deus na semana anterior vinham e ajoelhavam-se ao lado de cada um, ajudando-os a achar o caminho da conversão e da paz com Deus. Dezenas de alunos tiveram experiências com Deus em cada reunião. Ao final de dez dias, cada uma das 600 alunas já estava convertida. Dos 1000 garotos, 900 tiveram experiências de salvação.

 Numa ocasião, no meio da primeira semana, depois de ter pregado e feito o convite, dezenas de alunos vieram para frente e oramos com cada um. Estávamos quase prontos para encerrar a reunião quando um dos professores veio correndo e disse: “Irmão Culpepper, um rapaz, lá no fundo, embaixo da cadeira, está chamando você”.

 Fui até lá e ajoelhei-me ao seu lado. Ele disse: “Sr. Culpepper, o senhor não me conhece. Sou um ateu, sou comunista. A escola não sabe disso, ninguém sabe. Mas temos aqui uma célula de uns oito ou dez alunos que também são comunistas. E estávamos planejando matar o senhor e todos os missionários. Queríamos queimar as igrejas, exterminar o cristianismo. Hoje ouvi falar sobre esse avivamento. Falei: ‘Não existe nenhum Deus e não existe nenhum fenômeno que possa ser chamado de avivamento. Aquele missionário está hipnotizando as pessoas, e eu vou lá esta noite para impedi-lo’. Cheguei aqui e ouvi o senhor pregar, vi as pessoas indo para frente, confessando os pecados e chorando. Então eu disse: ‘Vou calar esse homem agora!’. Comecei a levantar-me do meu lugar, mas nem cheguei a ficar totalmente em pé quando algo me atingiu bem no coração. Sei que foi Deus que me derrubou e me jogou aqui embaixo desta cadeira. Agora aqui estou e quero lhe dizer, sr. Culpepper, que o senhor está certo e eu estou errado.”

 Na noite seguinte, o Pr. Wong estava dirigindo a reunião. Um garoto do meu lado caiu da cadeira e ficou esticado no chão rígido como uma tábua, rangendo os dentes e apertando os punhos. Depois de despedir a reunião, quando os outros haviam ido embora, os professores ficaram em volta do rapaz, orando por ele. Mas ele disse: “Não orem por mim, levem-me para casa para morrer”. Continuamos a orar, e finalmente ele disse: “Oh, Deus, se não me matares, confessarei meus pecados”. Em seguida, confessou praticamente a mesma coisa que o primeiro do grupo comunista havia confessado.

 No final, metade daquele grupo de 10 comunistas foi convertida e metade fugiu.

 Avivamento nas Igrejas

 Na semana seguinte, um dos pastores veio falar comigo. Ele era responsável por uma igreja que eu conhecia bem. Por dois ou três anos, eu havia dado assistência lá. Com um total de 30 e poucos membros, geralmente a frequência nos cultos oscilava entre 15 e 20 pessoas. Era uma igreja seca, sem vida. Nada do que fazíamos surtia qualquer resultado. Quando havia um ou dois convertidos dentro do período de um mês, ficávamos muito felizes.

 Mas, naquela semana depois do avivamento na escola, esse pastor chegou e disse: “Irmão Culpepper, o povo está chegando aos montões. Estão enchendo a casa e a área do lado de fora. Preciso de ajuda.”

 Fui naquela mesma noite, e realmente o local estava abarrotado. Tinha gente dentro do pequeno edifício e em todo o espaço em volta dele. Tentavam ouvir através das janelas e das portas. Fizemos reuniões durante uma semana, e cada vez que eu pregava, dezenas de pessoas vinham para frente. Ao todo, 100 pessoas fizeram uma decisão por Jesus, e batizei 86 pessoas no mesmo dia.

 Eu estava transbordando de alegria. Nunca havia batizado mais do que cinco ou seis pessoas, talvez 8, no mesmo dia. Geralmente, tínhamos que esperar dois ou três meses para ajuntar esse número. Meu gozo estava completo, quase insuportável, de poder ficar quase como espectador, vendo Deus agir e fazer milagres tão tremendos!
Poucas semanas depois, outro pastor veio, desta vez de uma região mais distante, a uns 150 km da missão. Fui para a cidade dele, e tivemos duas semanas de reuniões. Deus agiu poderosamente, e 300 pessoas se converteram. Batizei 203 em um só dia. Mais uma vez, senti tanta alegria que mal conseguia contê-la.

 Na província de Pingtu, onde o avivamento começou (antes de chegar à nossa província), houve 3000 conversões no primeiro ano. Jamais sonhamos em ver tantas conversões em apenas um ano. O número de igrejas dobrou-se, triplicou-se. Não havia mais problemas financeiros na obra de Deus, pois as pessoas traziam seu dinheiro, traziam seus corações. Elas cantavam, decoravam os salmos, creio que memorizaram mais de 30 salmos e os adaptaram a melodias chinesas. Amavam a Bíblia, liam muito a Palavra de Deus. Coisas maravilhosas aconteciam todos os dias.

 É claro que o inimigo não estava satisfeito e não ficou sem ação, não deixou que avançássemos sem oposição. Usou todos os seus recursos para nos atacar. Tentou impedir-nos, confundir-nos, imitar-nos. Tentou de tudo para parar a obra de Deus. Contudo, Deus deu-nos discernimento. Para isso, dou todo o crédito a ele. Não éramos nós os “entendidos” ou os “espertos”. Era simplesmente Deus concedendo discernimento ao seu povo.

 Testemunhos da Ação de Deus

 Houve vários casos de restituição. Um dia, estávamos orando, todos de joelhos. No final, quando nos levantamos, vimos um pacote de dinheiro em cima da mesa. Havia moedas (de valor equivalente a um dólar) e algumas notas. Junto com o pacote, havia uma nota escrita pela esposa de um dos pastores, dizendo que era o dinheiro do dízimo que ela roubara do Senhor, retendo-o para si mesma.

 Em outra ocasião, um diácono da igreja veio ao culto de santa ceia trazendo uma cesta carregada de moedas (também com valor aproximado de um dólar cada). Estava pesada, tinha umas 500 moedas. Ele chegou e colocou a cesta em cima da mesa da ceia do Senhor. Dentro da cesta, havia um bilhete explicando que era o dízimo que roubara de Deus durante muito tempo. Várias outras pessoas começaram a sentir o mesmo toque de Deus para acertar a vida nessa área.

 Certa manhã, um homem chegou à reunião de oração com o rosto inchado e vermelho, lágrimas escorrendo pelas faces. Foi naquela primeira semana, quando a reunião começou numa terça e continuou, sem interrupção, durante quatro dias. Sempre havia gente na sala de oração, às vezes pouco mais de dez pessoas, em outras até 200. Naquela manhã específica, havia umas 50.

 “Vocês sabem”, ele nos disse, “que minha esposa não é convertida. Deus mostrou-me ontem à noite que ela não é convertida por causa de mim. É impossível ela se converter. Estou vivendo uma vida hipócrita.

 “Vocês não conhecem minha esposa. Tenho medo dela, pois é um verdadeiro terror. Ela não quer que eu dê meu dízimo à igreja. Então tenho mentido para ela. Tiro o dízimo do meu dinheiro e depois chego em casa e digo que é só isso que tenho.

 “Também em outro assunto eu a tenho enganado. Ela não quer que eu vá para os cultos. Acha que é uma perda de tempo. Sempre há tanta coisa para arrumar, para consertar em casa, e ela quer que eu faça essas coisas no lugar de perder tempo indo para os cultos. Se eu insistisse em ir para os cultos, ela ameaçava seguir-me até o local e entrar na reunião, gritando, caindo no chão, fazendo um escândalo e me envergonhando. Vocês não conhecem minha esposa – ela seria capaz de fazer exatamente isso! Tenho medo dela!

  “Então, aos domingos, falo que preciso ir ao mercado. Vou ao culto primeiro e depois passo no mercado e faço algumas compras. É assim que a tenho enganado.

 “Mas ontem à noite, Deus tratou duramente comigo. Preciso ir para casa e confessar que tenho mentido para ela. Preciso contar tudo que tenho feito. Quero que orem por mim.”

 Em seguida, ele saiu, enquanto o grupo ficou em oração. Depois de uma hora ou mais, ele voltou, os olhos ainda cheios de lágrimas, só que desta vez eram lágrimas de alegria. Em seguida, contou-nos como Deus operara.

 Ao bater na porta, a esposa saiu xingando, pois ele não voltara para casa na noite anterior. Xingou e humilhou o marido com todo o vocabulário que conhecia. Mas ele disse: “Pare de xingar. Voltei para casa para confessar meus pecados para você”.

 Quando ouviu as palavras “confessar pecados”, a esposa parou. Pela primeira vez na vida, algo calou os seus lábios. Ela estava surpresa, atônita. Ele, então, entrou e contou-lhe tudo que Deus lhe havia mostrado como pecado em sua vida. Ao terminar, ele disse: “Agora já lhe contei tudo que Jesus apontou em minha vida”.

 “Foi Jesus que mandou você me contar tudo isso?”, ela perguntou.

 “Sim, foi Jesus. Eu não poderia continuar vivendo sem confessar essas coisas, sem acertar minha vida com você.”

 “Então, acho que preciso de Jesus na minha vida também”, ela respondeu.

 Foi assim que, no espaço de umas duas semanas, ela se converteu e também todos os seus filhos.

 Sentimento de Indignidade

 Esse foi apenas um exemplo das coisas maravilhosas, dos milagres que Deus operou naqueles dias. Em tudo, nos sentíamos muito insignificantes, era apenas assistir, ficar de lado observando enquanto Deus agia. Eu me sentia tão indigno que queria morrer, sumir de tão indigno.

 Senti-me como os discípulos, quando Jesus estava no barco deles e ordenou que se dirigissem para o meio do lago e lançassem as redes. “Senhor”, eles responderam, “trabalhamos a noite inteira e não pegamos nada. Porém, sobre tua palavra, o faremos.”

 Abaixaram as redes e pegaram peixes para encher dois barcos. Ficaram tão estupefatos que caíram aos pés de Jesus. “Senhor”, disse Pedro, “retira-te de mim, porque sou pecador.”

 Era exatamente assim que me sentia. Antes do avivamento, labutávamos, nos esforçávamos, empurrávamos, usávamos nossos métodos e recursos, tudo que podíamos imaginar para ganhar pessoas para Cristo, para achar o avivamento, para fazer a obra de Deus. Depois, quando o avivamento chegou, de acordo com a ordem de Deus, ele desceu com o poder do seu Espírito. Vimos multidões sendo salvas. Coisas impressionantes aconteceram, e isso continuou por mais ou menos 15 anos.

 O Propósito de Deus no Avivamento

 Havia períodos de explosão, quando o avivamento espalhava-se como chamas de fogo fora de controle durante alguns meses. Depois, acalmava-se, entrando em uma fase mais quieta em que o Espírito Santo aprofundava a obra. Nesses períodos, havia mais ensinamento, mais estudo da Palavra. Depois de algum tempo, as chamas irrompiam outra vez.

 O avivamento espalhou-se por toda nossa província de Shantung e por mais cinco províncias no norte. Continuou sem parar por quase 15 anos, até a chegada dos comunistas. Até durante a guerra com o Japão, quando todos os missionários foram expulsos, os pregadores e obreiros chineses continuaram levando a Palavra.

 Tenho muita convicção de que Deus, sabendo o que viria para a China (a guerra com os japoneses e, depois, a vinda dos comunistas), enviou o avivamento para preparar o seu povo. Ele sabia que todos os missionários, todos os auxílios e suportes que foram dados para fundamentar e fortalecer a Igreja na China seriam retirados. E ele queria que os próprios chineses, os pastores e obreiros e todos os homens e mulheres na igreja pudessem realmente conhecer a Deus, face a face, e ser cheios de poder.

 Hoje, quando não há mais missionários lá, ninguém pode pregar abertamente e as igrejas estão fechadas, as pessoas lá têm a presença de Deus. Não têm permissão de possuir Bíblias, não podem reunir-se em igrejas. Porém, têm um sistema subterrâneo, um jeito de superar isso que é maravilhoso. E Deus está ali com eles.

 Creio firmemente que Deus queria prepará-los para o que viria e, por isso, enviou esse grande avivamento no tempo apropriado. Agora, recebemos notícias deles por vias que não podemos revelar.

 Embora seja ilegal possuir Bíblias, eles ainda têm algumas. Nunca podem levar uma Bíblia a uma reunião. Mas usam uma senha secreta e reúnem-se em grupos de quatro ou cinco pessoas, em noites escuras, debaixo de uma ponte ou outro local afastado. Escondem uma página da Bíblia dentro de um tubo de bambu, ajoelham-se juntos, embaixo de uma coberta, usando uma lanterna, choram juntos, lêem uma passagem, oram e consolam um ao outro. Para eles, a Bíblia é um tesouro de valor infinito. Dariam tudo para desfrutar das oportunidades que temos aqui no mundo livre.

 Deus sabe o quanto precisamos de um avivamento como aquele em nossos dias, aqui no mundo ocidental. No avivamento, Deus mesmo age. Ninguém mais nos poderá ajudar. Somente Deus.

 Fonte: Shantung Revival, testemunho em áudio, gravado em 1966, e disponível no sitewww.sermonindex.net


Fonte: O Arauto da Sua Vinda, Ano 26 nº 6 - Novembro/Dezembro 2008