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sábado, 6 de novembro de 2010

Como Sei Que Deus Responde à Oração - Parte VI - Rosalind Goforth

Rosalind Luther e seu esposo.
Ela é neta de Rosalind e
Jonathan Goforth.
Eles estão no Centro de Arquivos
Billy Grahan lendo cartas (2007)
Acompanhe a sexta parte dessa série maravilhosa!

Jonathan e Rosalind Goforth foram missionários canadenses na China de 1888 a 1934. Durante esse período, tiveram onze filhos (cinco dos quais morreram como bebês ou muito novinhos), passaram por perseguições e dificuldades, e testemunharam grandes moveres do Espírito de Deus, trazendo convicção, arrependimento e conversões.

Este é o sexto capítulo na série de relatos extraídos de um livro escrito por Rosalind. Nos dois capítulos anteriores [4 e 5], Rosalind testemunhou as experiências que tiveram durante a terrível Rebelião Boxer (1898-1901) e como o Senhor livrou sua família milagrosamente da morte várias vezes durante a viagem penosa para chegar ao litoral e sair temporariamente do país.


Outros capítulos dessa história:


Aprendendo Rendição Total ao Senhor

Um dos resultados do nosso gracioso e misericordioso livramento dos Boxers foi um desejo intensificado de fazer com que nossas vidas fossem mais úteis no serviço do Senhor – que pudéssemos nos gastar inteiramente em favor daquele que nos poupou. Nosso Pai celestial viu esse desejo e o aceitou, guiando-nos seguramente no caminho para a total rendição, num nível que eu nunca antes conhecera.

É indiscutivelmente verdadeira a afirmação de que “Deus jamais fica devendo para ninguém”. Quando pede e recebe nosso tudo, ele, por sua vez, concede algo que não tem preço: sua própria presença. O preço da nossa entrega não é grande quando comparado com o que recebemos de volta. É nossa cegueira e indisposição de ceder que dão a impressão de ser um preço elevado.

Muitas pessoas já me pediram para contar esta história que relato a seguir. Convicta de que possa conter lições valiosas para outros, concordei, embora para isso tenha que tirar o véu de uma parte muito sagrada e privativa da minha vida.

Após a experiência com os Boxers, meu marido, Jonathan, voltou para a China em 1901. Eu segui somente no verão de 1902, com os nossos filhos, deixando os dois mais velhos em escolas em Chefoo, a caminho para nossa província de Honan. Jonathan me encontrou em Tientsin, de onde viajamos de barco no rio durante vinte e quatro dias, até chegar ao nosso destino. Durante essa viagem, nos longos e calmos dias no barco, ele expôs para mim um plano cuidadosamente detalhado sobre o futuro do nosso trabalho missionário.

Jonathan explicou que seis missionários, vindos de um posto missionário destruído pelos Boxers, estavam agora radicados permanentemente em Changte, na missão que nós havíamos iniciado vários anos antes. Assim sendo, não havia mais necessidade de nós nesse lugar. Ele sentia que o tempo chegara em que devíamos nos dedicar à evangelização das grandes regiões ao norte e nordeste de Changte, regiões até então quase sem contato com o Evangelho, por falta de obreiros. Seu plano era que nós, marido e mulher, com nossos filhos, fôssemos morar e trabalhar no meio do povo.

Para isso, seria necessário alugar locais temporários no centro das vilas e aldeias, nos quais ficaríamos durante um mês numa primeira visita, para iniciar o trabalho. Depois deixaríamos um evangelista para continuar a obra enquanto seguiríamos para outro local. Além de iniciar trabalhos novos, voltaríamos para visitar os lugares por onde passamos, com a maior freqüência possível.

O que essa proposta significou para mim dificilmente poderá ser compreendido por quem não conhece a China e as condições de vida dessa época. Varíola, difteria, escarlatina e outras doenças contagiosas eram epidemias crônicas; e não havia absolutamente quaisquer condições sanitárias fora das regiões governadas por estrangeiros.

Quatro dos nossos filhos já haviam morrido. Para levar os três pequeninos que estavam comigo e expô-los a tais condições e perigos parecia-me literalmente como se fosse com eles para o precipício e saltasse no escuro, esperando ser guardado de todo perigo. Porém, por outro lado, eu tinha suficiente conhecimento do idioma e experiência para fazer o trabalho, a necessidade era realmente imensa e não havia nenhuma outra missionária ou cristã nativa para tomar o meu lugar. Lá no meu íntimo eu sabia que o chamado era de Deus, mas não tinha disposição de pagar o preço. Meu único argumento para não entrar nessa vida era o grande risco que representaria para as crianças.

Vez após vez, Jonathan me exortava dizendo que o “lugar mais seguro para você e para os nossos filhos é o caminho da obediência”, que eu não conseguiria guardá-los em segurança no conforto do nosso lar em Changte, mas que “Deus pode guardá-los em qualquer lugar”. Ainda assim, eu me recusava. Logo antes de chegar ao nosso posto missionário, ele me suplicou a reconsiderar minha decisão. Quando dei a resposta negativa final, suas únicas palavras foram: “Temo pelas crianças”.

No primeiro dia, depois que chegamos em casa, nosso queridinho Wallace adoeceu. Durante semanas, lutamos para preservar sua vida. Finalmente, a crise passou e ele começou a recuperar-se. Logo meu marido saiu em sua primeira viagem, sozinho! Apenas um ou dois dias depois da sua partida, nosso precioso bebê, Constance, com um ano de idade, apresentou a mesma doença que Wallace tivera. Desde o princípio, parecia haver pouca ou nenhuma esperança. Os médicos, uma enfermeira e todo o grupo missionário se uniram na luta para salvar sua vida. Foi enviada uma mensagem para chamar o pai dela, mas quando ele chegou a criança já estava perdendo consciência. Algumas horas depois, enquanto estávamos ajoelhados em volta da sua cama, esperando pelo fim, meus olhos de repente foram abertos para enxergar o que eu estava fazendo: eu havia ousado lutar contra o Deus Todo-Poderoso!

Nos momentos que se seguiram, Deus se revelou a mim com tamanho amor, majestade e glória que pude me entregar a ele com alegria indizível. Só então foi que percebi que cometera um erro terrível e que eu podia de fato confiar meus filhos aos cuidados de Deus, não importava em que lugar estivéssemos. Uma só coisa parecia clara: que agora eu devia seguir ao Senhor para onde quer que me levasse. Vi finalmente que Deus precisa estar mesmo em primeiro lugar. Antes do precioso corpinho ser colocado no seu lugar, já estávamos nos preparando para nossa primeira viagem.

Deus foi fiel à visão que me deu? Ou ele permitiu que as crianças sofressem nos anos que se seguiram, nos quais passávamos vários meses por ano no meio do povo? Ao escrever estas linhas, dezoito anos já se passaram após aquela primeira viagem e posso dizer que nenhum outro filho nosso faleceu. Nunca fomos tão livres de enfermidades quanto nessa vida que iniciamos, viajando e vivendo entre o povo chinês. Nunca tivemos tanta evidência do favor e da bênção de Deus em inúmeras maneiras.

Sem uma exceção, em cada lugar em que permanecemos um mês, ficou um grupo de pessoas que, com o tempo, se transformava numa igreja.

Descobri, para minha surpresa, que pude dar mais tempo aos meus filhos, que pude protegê-los melhor nessas viagens, do que quando estava na missão de Changte. Na missão, por ser uma área bem extensa, muitas vezes as crianças ficavam longe das minhas vistas durante horas a fio. Já nos locais menores, em que vivíamos durante as viagens, elas estavam sempre perto do meu alcance e da minha visão. Mesmo quando grupos de mulheres estavam ouvindo o Evangelho, eu conseguia orientar os seus estudos. Quando olho em retrospectiva, meu coração se enche de imensa gratidão pela maravilhosa graça e força que Deus me deu para essa vida que nos chamou a viver.

Uma Companheira na Obra

Houve tantas respostas à oração, que jamais poderia lembrar ou contar todas. Uma das primeiras veio no dia depois que a nossa Constance faleceu e foi uma das que teve efeito maior e de mais longo alcance na nova vida e obra que estávamos iniciando.

Quando pensava em enfrentar as multidões de mulheres pagãs todos os dias e no que estaria envolvido no trabalho de evangelismo entre elas, eu sentia que havia uma necessidade urgente acima de todas as outras: uma obreira nativa. Enquanto orei, pedindo direção, o Senhor trouxe à minha mente uma pessoa chamada Wang Hsieh-sheng.

Entretanto, quando lhe apresentei meu pedido para que me acompanhasse nas viagens, ela caiu em prantos, dizendo: “Não tenho coragem. Só me resta um filho e seria um risco muito grande para sua vida”.

Vendo como se sentia, não quis insistir, mas disse-lhe que fosse orar a respeito por um dia, e que depois me trouxesse a resposta após o sepultamento da minha filhinha, à noite. Quando ela voltou à noite, seu rosto brilhava entre as lágrimas ao me dizer: “Oh, minha mãe e pastora, eu irei. Se você está disposta a arriscar a vida dos seus filhos em favor das minhas irmãs, muito mais devo tomar semelhante risco!”

Durante todos os anos seguintes, a Sra. Wang foi minha amada companheira, dividindo todas as responsabilidades e dificuldades da vida que levamos, e também as alegrias. Quanto mais tempo passava, mais percebi o quanto fora enviada por Deus para fazer essa obra. Mesmo depois que tive de me afastar da vida itinerante, ela ainda permaneceu, trabalhando em favor de suas irmãs na igreja de Changte.

O Cuidado de Deus pelas Crianças

Em muitas ocasiões, minha fé era severamente testada e receio que na maioria não tenha sido aprovada. Como Deus é paciente conosco na nossa fraqueza humana! “Como um pai se compadece... assim o Senhor se compadece.” Os chineses me diziam muitas vezes: “Seus filhos parece que nasceram para essa vida”. Mas era, sem dúvida alguma, a bondade de Deus. Ele sabia como era difícil a nossa vida e como teria sido quase impossível continuar com a obra se as crianças tivessem sido teimosas ou intratáveis. Vez após vez, tivemos que acordá-las antes do amanhecer para iniciar a viagem de carroça e não me recordo de uma única vez em que ao menos choraram. Simplesmente despertavam o suficiente para se vestirem e perguntar sonolentos: “Nós vamos sair de novo, mamãe?” Tão logo nos acomodávamos na carroça, adormeciam outra vez.

Certa ocasião, chegamos numa vila, mas o lugar em que iríamos ficar não era adequado para as crianças. Era simplesmente horrível. De cada lado da casa havia um chiqueiro, um chiqueiro chinês! Na frente da porta, havia de oito a dez grandes recipientes, cheios de substâncias em fermentação, guardadas ali durante todo o verão e que aumentavam ainda mais os variados e opressivos odores. Eu temia muito pelas crianças e queria ir embora imediatamente, mas meu marido parecia estar calmamente convicto do poder do Senhor de guardá-los de todo mal.

Na segunda noite, nosso filho mais novo ficou febril. Jonathan estava dirigindo uma reunião com os homens. Eu estava quase dominada de temor que nosso filho tivesse contraído difteria. Ajoelhando-me ao lado dele, clamei ao Senhor como somente uma mãe em tais circunstâncias sabe clamar. Finalmente, exausta, adormeci de joelhos. Acordei quando meu marido entrou no quarto, coloquei minha mão na cabeça da criança novamente e vi que a febre havia abaixado. No dia seguinte, ele já estava bem. Alguém pode duvidar quando digo que sei que Deus responde à oração?

Uma Receita Divina

Na cidade de Linchang, uma mulher veio com uma criança que estava com o pé severamente queimado. Além de estar com o pé muito inchado, a inflamação subia até uma parte da perna. A criança estava com febre e sua condição parecia ser muito grave. Aconteceu que nessa viagem eu havia esquecido de trazer os remédios básicos que tinha costume de ter comigo e, assim, falamos com a mãe que não podíamos fazer nada. Entretanto, ela suplicou com tanto sentimento que não pude deixá-la assim; levantando meu coração em oração, pedi ao Senhor para me guiar, se havia algo que eu pudesse fazer.

Enquanto eu orava, veio à minha mente a idéia de cataplasma (papa medicamentosa) de pão. Para mim, a idéia parecia praticamente absurda. Nunca ouvira falar de que alguém tenha usado tal substância para essa finalidade, mas resolvi obedecer. Duas vezes por dia, o pé era lavado e colocado na cataplasma, e foi algo espetacular ver como sarou depressa. Estivemos nesse lugar durante dez dias e, quando saímos, o pé estava quase totalmente curado. A mãe, o pai, a própria criança e toda a família se converteram. Algum tempo depois, ao passar por esse lugar, examinei o pé e não havia nem sinal de cicatriz no local.

Cheguei a comentar essa experiência com um médico, um bom tempo depois, e ele disse: “Bom, não houve milagre algum nisso! Foi simplesmente aplicar uma eficiente higienização e dar chances para a natureza fazer o restante!”

Respondi para ele: “Doutor, para mim o milagre não foi tanto na aplicação da cataplasma, mas em Deus me mostrar o que usar. Agora, vejo ainda mais o milagre, pois o senhor confirmou que era uma excelente estratégia para deixar o pé livre de sujeiras e protegido de infecções!”

Proteção Divina

Uma demonstração maravilhosa da providência soberana de Deus era a forma como ele nos protegeu, especialmente as crianças, de contrair doenças. Os chineses carregavam seus filhos nos braços por toda parte, mesmo quando tinham doenças contagiosas.

O seguinte exemplo mostra como seria impossível sabermos com antecedência que perigos havia ao nosso redor. Estávamos numa vila, pregando durante um dia. Eu havia levado minha pequena Mary, com três anos de idade. Uma mulher cristã, muito bondosa e atenciosa, cuidou de nós, trazendo água e alimento para Mary e para mim.

De tão ocupada que eu estava, pregando para as mulheres naquele lugar, nem pensei em perguntar por que o bebê dessa mulher, que ficava o tempo todo nos seus braços, estava com o rosto coberto. Foi só quando estávamos indo embora que o fato chamou minha atenção e perguntei o que era. Em seguida, ela descobriu o seu rosto e, para meu horror, vi que a criança tinha varíola. Durante semanas, observei constantemente a Mary para ver se havia qualquer sinal de febre, mas nada se manifestou.

Através de repetidas experiências semelhantes a essa, descobri que Jonathan estava com a razão quando me disse: “O lugar mais seguro para você e para os nossos filhos é no caminho da obediência”.

Quando me recordo desses anos de constantes andanças com nossos filhos, não tenho palavras para contar toda a bondade do Senhor para com eles e para comigo. Embora houvesse muitos lugares difíceis e enormes provações, eram tão-somente oportunidades para experimentar graça especial e auxílio sobrenatural. Muitas vezes, desanimada quase ao ponto de nunca mais querer sair com os filhos ao campo outra vez, chegava evidência de que o Senhor estava usando nossa vida em família, vivenciada no meio do povo, para ganhar muita gente a Cristo. Logo vinha nova coragem e estava pronta para partir para a próxima missão.

Verdadeiramente, vale a pena confiar plenamente nele, pois aqueles que confiam de todo o coração descobrem que jamais serão envergonhados.

Fonte: Arauto Ano 23 nº 5 - Setembro/Outubro 2005

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