Missionários!!



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Missão e missões - Maria Clara Lucchetti Bingemer

Gilson Moura | 12.7.10 | Deixe seu comentário

Maria Clara
Há vários paradigmas e modelos de missão ao longo da história. O momento histórico e a diversidade geográfica, de um lado, e a teologia subjacente, do outro, são variáveis fundamentais para entendermos as convergências ou as continuidades e, também, as diversidades e as descontinuidades. Há algumas constantes que perpassam a espiritualidade missionária, como podem ser vistas a partir da vida de muitos missionários e missionárias. Uma característica da espiritualidade missionária, e certamente ocupando o lugar central, é a paixão pelo Cristo vivo e pelo Reino.

A pessoa de Cristo inspirou e continua motivando a opção profunda dos missionários e das missionárias. Não é possível que alguém trilhe este caminho sem ter sido arrebatado pelo Cristo Pascal. Somente quem tem um vínculo e uma intimidade excepcional com o Mestre pode percorrer o caminho da missão sem retorno. A busca e a construção desta intimidade podem ser diferenciadas. Os caminhos da proximidade com o Mestre podem seguir diferentes métodos, mas ninguém pode se aventurar no empreendimento da missão sem ter sido arrebatado pelo amor do Senhor. Cada vocação, e especialmente a missionária, pressupõe um chamado íntimo e radical por parte do Mestre. Este chamado decorre de uma experiência e de um encontro transformador da vida. É este o ponto de partida para o caminho da missão e que explica a adesão radical do discípulo. Em todas as figuras e as testemunhas que vemos ao longo da história, a paixão pelo Cristo missionário é o eixo motivador da própria espiritualidade.
É um Cristo, no entanto que está situado e caminha junto com os pobres deste mundo. Os deserdados, os danados da terra, os sem esperança, os feridos no caminho revelam o rosto sofrido de Cristo. Qualquer experiência de Jesus que não passa através da solidariedade com os abandonados, faz da experiência religiosa uma aventura romântica e intimista, mas não atinge o núcleo da experiência religiosa cristã. Dar a vida, como Jesus, é preciso, fazendo-se companheiro dos despossuídos. A ótica do Reino e a paixão pelo sonho de Jesus fazem da espiritualidade missionária um caminho sem retorno. Historicamente, a aventura missionária nem sempre teve uma perspectiva reino-cêntrica. Hoje, após o Concílio Vaticano II, ficou clara a origem trinitária da missão, como fonte, método e fim, e, também, o serviço aos valores do Reino. Na história da missão, no entanto, vários modelos focalizaram diferentemente o objetivo da missão. É conhecido o modelo da "salvação das almas", a qualquer custo. Várias testemunhas, inseridas nesta teologia da missão, sonhavam "salvar uma alma e depois morrer". Pouco atentos ao contexto histórico que era o seu, transplantavam um modelo de evangelização e fundamentavam-se na exclusividade do batismo, como horizonte primeiro. Muitas vezes, ingenuamente, os missionários andavam de mãos dadas com os vários processos de colonização.

Mais tarde, a perspectiva da implantação da Igreja (plantatio Ecclesiae) absorveu toda a ação missionária. Formaram-se, assim, muitas comunidade cristãs espalhadas no mundo todo. No fundo, este modelo continuava sendo muito eclesiocêntrico. A perspectiva do Reino, com toda sua aproximação metodológica, é algo de muito recente e está re-focalizando o caminho da missão. O profetismo também nunca esteve ausente do caminho da missão, sendo mesmo seu núcleo central . Há, também, o sentido do envio e da saída, sobretudo física, da própria terra de origem. A missão é um longo caminho que não tem mais retorno. O sentido do "sair da própria terra" significa a radicalidade de pertencer somente a Deus e ao seu projeto. Quem conduz a missão é Deus . Não há outro projeto a ser implementado se não o Reino de Deus. É ele que toma conta completamente da vida dos missionários e das missionárias para conduzi-los aonde ele quer e segundo a maneira que ele quer.

Esta radicalidade é revelada através do ato de entrega e do fato de não pertencer mais a si mesmo. Concretamente, traduz-se no processo de deixar tudo, a pátria, os amigos, os pais, as pessoas mais queridas e os lugares mais familiares para ser conduzidos pelo Mestre. Em época de "globalização, quando parece que as distâncias se encurtam e as divisões territoriais não são tão rígidas como aos tempos do surgimento dos Estados Nacionais, há a necessidade de manter vivo o sentido do "além fronteiras", também geográficas, para significar a entrega total ao projeto do mestre. A exemplo de Abraão, o pai da fé de algumas grandes religiões, continua explicito o sentido da saída, sem saber aonde se vai e sem conhecer tudo sobre o que fazer.

Confia-se somente na promessa de Deus. O mesmo Jesus, movimentando-se ao interior da Palestina e sem ter saído fisicamente de seu contexto cultural, indica a categoria do deslocamento e o abandono nas mãos de Deus como processo radical do seguimento. O sentido do caminho de Jesus, como enviado e primeiro grande missionário, começa quando deixou o lugar que lhe pertencia, como Deus, e se encarnou no meio de nós, pondo sua tenda no meio dos seres humanos. Ele tinha a condição divina, e não considerou o ser igual a Deus como algo a que se apegar ciosamente. Mas esvaziou-se a si mesmo, e assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana. E, achado em figura de homem, humilhou-se e foi obediente até a morte." (Fil. 2. 6-8).

A primeira grande epopéia missionária começou com a Igreja primitiva. Em poucos anos houve cristãos que se espalharam para todo o mundo conhecido, testemunhando a universalidade da mensagem de Jesus. Os Atos dos Apóstolos representam a atividade e a consciência missionária das primeiras comunidades cristãs.Sem saída, portanto, não há missão. Quem retiver a própria vida vai perde-la, mas que a oferecer, irá ganha-la para sempre.

Extraído de Aviva Missões

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Sobre o autor: Meu nome é Gilson de Moura, sou cristão evangélico há mais de 30 anos. Não sou pastor, apenas um professor. Contudo, como todo cristão, sou um Missionário, porém mais "com as ideias" do que com os joelhos e bolso. Como todo ser humano deveria ser, também sou um Adorador do Deus Vivo! Casado com a Mari, pai da Camila e do Daniel. Autor do Blog Missões e Adoração.

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