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Cristianismo e cultura - Henrique Alves da Silva

Gilson Moura | 14.7.10 | 1 Comentário

Nos mêses de julho comemora-se o aniversário do Congresso Internacional de Evangelização, que aconteceu na cidade suíça de Lausanne. O evento representou um marco na história das missões contemporâneas e alavancou a evangelização ao redor do Planeta. Ao final do Congresso foi produzido um documento conhecido como "O Pacto de Lausanne", que consta de 15 Artigos e uma Conclusão. É uma autêntica confissão de fé moderna, que reafirma as crenças básicas do Cristianismo, com forte ênfase na evangelização. O Pacto é também um tributo à unidade da igreja. Quero destacar, do Artigo 10 uma crítica muito sugestiva:

As missões, muitas vezes, têm exportado, juntamente com o evangelho, uma cultura estranha, e as igrejas, por vezes, têm ficado submissas aos ditames de uma determinada cultura, em vez de às Escrituras.

Os redatores do Pacto mexeram em casa de marimbondos. É fato que, ao ser transmitido, o evangelho carrega muito da cultura do transmissor. Nada de mais se dermos um desconto às ambigüidades humanas. Mas a situação se complica quando a avaliação do que é evangelho passa pela reprodução, tintim por tintim, do modelo cultural recebido. Nesse caso os evangelizados são também colonizados ao tentarem reproduzir os hábitos e costumes dos missionários. Podemos verificar um tal desvio comportamental em muitas de nossas igrejas. Por vezes nos esquecemos que somos latinos tropicais e assumirmos uma cosmovisão euro-americana. Tem igreja que é pouco mais do que uma estação repetidora das centrais difusoras do Norte. Esquecemos que somos bandeirantes e não pioneiros; meridionais e não setentrionais; brasileiros e não ianques.

Não proponho que sujemos o prato em que comemos. Devemos reconhecer o esforço missionário do outro hemisfério. Entretanto, o preço desse reconhecimento não nos pode tornar culturalmente alienados. Quer queiramos ou não, somos parte de um caldo cultural tupiniquim. O que seria de nós, só pra imaginar, se tivéssemos sido evangelizados por esquimós? Já sei: estaríamos cultuando em iglus, usando peles de foca e cantando hinos com melodias polares! Nada mais estranho, não?

Pois bem, que contornos culturais envolvem o evangelho que vivemos? Cultura por cultura, prefiro a nossa. É mais nossa. Que a deles fique com eles! O tempo da tutela já passou. Se o evangelho tem de ter cores , que sejam as nossas. Com decência e ordem podemos expressar a fé de um modo mais nosso, mais brazuca, mais caldo de cana, menos coca-cola.

Extraído do site Aviva Missões.

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Sobre o autor: Meu nome é Gilson de Moura, sou cristão evangélico há mais de 30 anos. Não sou pastor, apenas um professor. Contudo, como todo cristão, sou um Missionário, porém mais "com as ideias" do que com os joelhos e bolso. Como todo ser humano deveria ser, também sou um Adorador do Deus Vivo! Casado com a Mari, pai da Camila e do Daniel. Autor do Blog Missões e Adoração.

1 Comentário

  1. sylvia azevedo escreveu:

    Ó DEus como é bom Gilson, ler tal artigo, que nos leve mesmo ao coração do Senhor, fico muito feliz por existirem pessoas assim com essa dose equilibrada (rs..) de ação 90% esforço físico e 10% espiritual.Muito boa essa!!Vou usá-la na minha ministração!
    Um grande abraço, de sua irmã em Cristo!

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