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Transformação, testemunho e diálogo - Carlos Eduardo B. Calvani - parte 1

Gilson Moura | 10.5.10 | Deixe seu comentário

Transformação, testemunho e diálogo: reflexões missiológicas a partir de Tillich - Carlos Eduardo B. Calvani - Parte 1
"Toda vez que membros da igreja se encontram com aqueles que estão fora da igreja, são missionários da igreja, voluntária ou involuntariamente. Seu próprio ser é missionário” 
(Paul Tillich 1886-1965)
A igreja de Cristo nasceu com forte impulso missionário. Tal como Jesus espalhara a mensagem do Reino por onde passava, em palavras e atos libertadores, também era desejo dos apóstolos espalhar a boa mensagem por todos os lugares. A primeira atividade missionária registrada no livro dos Atos acontece já no dia de Pentecostes, quando Pedro prega aos judeus e um grande número de pessoas aceita a Palavra e recebe o santo batismo. A proclamação começa com a interpretação dos escritos judaicos a partir da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Mas a missão continua através de outros atos: o testemunho de vida comunitária (At 2.42-47) que despertava a simpatia das pessoas e as atraía ao convívio da primeira comunidade; a restituição de mobilidade a um coxo na porta do Templo, que motiva outra pregação pública e a primeira prisão dos apóstolos (At 3 e 4) e prossegue nos muitos relatos de “sinais e prodígios” dos apóstolos, sempre visando o bem do povo. O testemunho missionário começa em Jerusalém e derredores, alcança a Samaria (At 8) e, após a conversão de Saulo se espalha até chegar à Europa. A estratégia de Paulo em sua primeira viagem missionária era de anunciar o evangelho a partir das sinagogas e tradições judaicas. Mas logo o apóstolo compreendeu que o evangelho não é apenas para uma etnia ou para um povo privilegiado, mas para toda humanidade e, com a intensificação das perseguições judaicas, passa a anunciar a mensagem libertadora aos não-judeus. O ingresso desses na igreja marcou a primeira grande instabilidade na comunidade dos seguidores de Cristo. Chegou-se a um acordo mais ou menos pacífico no concílio de Jerusalém (Atos 15) onde o testemunho de Pedro foi decisivo (At 15.7-11), evocando, certamente, sua própria admiração com a ação livre de Deus na casa do centurião Cornélio, um romano “piedoso e temente a Deus” (At 10 e 11).
Desde então, a mensagem do evangelho se espalhou pelo mundo de diversas formas, pela coragem, desprendimento, ousadia e dedicação de mulheres e homens. A história das missões narrada pelo bispo Stephen Neill [1] traz inúmeros relatos sobre essa atividade. A era missionária não começou, como querem alguns, com os movimentos reavivalistas e evangelicais do século XIX. Naturalmente, houve diferentes interpretações de missão e, em muitos casos, uma desastrosa simbiose entre a mensagem eterna do evangelho e as formas culturais daqueles que o transmitiam. Hoje em dia, praticamente todas as denominações que compõem a Igreja cristã têm departamentos ou secretarias com orçamento e funcionários dedicados à tarefa missionária. Em alguns casos essa ainda é compreendida como implantação de igrejas num determinado local, onde se colocará a placa da denominação. Há também quem compreenda a missão como um esforço para persuadir pessoas a abandonarem uma determinada igreja e se filiarem a outra, onde supostamente o evangelho é pregado com integridade e os benefícios espirituais e materiais são superiores aos oferecidos pelo outro grupo. Tais questões nos remetem à urgência de refletirmos sobre alguns aspectos da missiologia à luz de alguns desafios e problemas atuais, tais como: a incontornável necessidade de conviver com pessoas de diferentes religiões (ou mesmo com pessoas sem-religião) num mesmo espaço social; a identificação do modo como agem os poderes demoníacos em nosso mundo globalizado e capitalizado e, finalmente, o tipo de testemunho dado pelos cristãos de diferentes igrejas, o que nos remete à questão ecumênica. Esses assuntos não são de competência exclusiva dos missiólogos, mas merecem ser abordados a partir de outras perspectivas. Neste artigo, pretendo apresentar algumas pistas oferecidas por Paul Tillich.

Falecido em 1965, Tillich é mais conhecido no Brasil pela obra Teologia Sistemática. Mas ele também escreveu sobre outros assuntos e de vez em quando fazia inserções na Pastoral. Seus livros de sermões se tornaram best-sellers nos EUA nos anos 60 e alguns de seus artigos sobre cultura, política, educação cristã e missões têm sido redescobertos e relidos nos últimos anos. Ele nunca escreveu uma obra específica sobre missiologia e seria esforço inócuo tentar apresentar a “missiologia de Tillich”. O máximo que podemos fazer é recolher aqui e ali pinceladas sobre o assunto, apresentadas em artigos curtos ou em trechos de palestras sobre diálogo inter-religioso. Selecionei três artigos ainda não traduzidos para o português e desconhecidos da maior parte dos estudantes de missiologia no Brasil que serão analisados cronologicamente, bem como algumas menções sobre o assunto na Teologia Sistemática. Perceberemos nesses textos, uma argumentação por vezes ambígua e paradoxal, oscilando entre a ingenuidade e a lucidez, as convicções de fé pessoais de Tillich e uma grande abertura ao diálogo macro-ecumênico.

Extraído do site Aviva Missões.

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Sobre o autor: Meu nome é Gilson de Moura, sou cristão evangélico há mais de 30 anos. Não sou pastor, apenas um professor. Contudo, como todo cristão, sou um Missionário, porém mais "com as ideias" do que com os joelhos e bolso. Como todo ser humano deveria ser, também sou um Adorador do Deus Vivo! Casado com a Mari, pai da Camila e do Daniel. Autor do Blog Missões e Adoração.

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