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Os desafios do cristianismo - Robinson Cavalcanti

Gilson Moura | 21.5.10 | Deixe seu comentário

O cristianismo, hoje em dia, positivamente, cada vez se universaliza mais. Está presente na maioria dos países, etnias e classes sociais, e sua força missionária está em expansão. No entanto, o cristianismo atual tem de enfrentar sérios desafios e obstáculos, tanto externos quanto internos.

Não se pode menosprezar o desafio do Islã, que se expande, não aceita a laicidade do Estado, a liberdade religiosa com igualdade perante a lei. Os Estados islâmicos são espaços de restrição, discriminação e repressão ao cristianismo missionário. A imigração a partir deles já afeta a cultura européia. O zelo expansionista desses Estados, alimentado pelos petrodólares, é real e crescente. O nacionalismo bramânico, na Índia, ou o budista, em Myanmar (ex-Birmânia), também atestam o endurecimento das outras grandes religiões em relação à fé cristã.


No Ocidente — historicamente um espaço geopolítico do cristianismo — sofremos a violenta devastação causada pelo secularismo. Assistimos à drástica redução do número de freqüentadores dos cultos, à indiferença, ao materialismo prático consumista e à negação de valores cristãos. Uma minoria de praticantes exerce uma religiosidade individualista e subjetiva, sem impacto na vida cultural. Essa falha vem sendo preenchida por diversos tipos de misticismo.

Internamente, o cristianismo sofre de dois grandes males: o liberalismo e o neofundamentalismo.

O liberalismo moderno — filho do racionalismo e neto do iluminismo — cede, rapidamente, lugar ao liberalismo pós-moderno, ou revisionismo. A verdade não mais é atingida apenas pela razão; simplesmente ela não pode ser atingida. Não há verdade revelada; não há verdade objetiva e universal, mas apenas o relativismo da verdade de cada um. A autoridade das Sagradas Escrituras e da tradição apostólica, o caráter único da Igreja como agência do reino, e a unicidade de Jesus Cristo como Senhor e Salvador são negados e combatidos. Portanto, morrer pela boca dos leões ou pela mão dos gladiadores se torna algo exótico ou ridículo.

O neofundamentalismo possui uma eclesiologia débil e equivocada, baseada na sociologia e não na teologia. Fragmenta de forma trágica e interminável as “denominações”, dilacerando o Corpo de Cristo — Igreja una, santa, católica e apostólica — ao promover o espírito sectário e intolerante, o antiintelectualismo, o legalismo, o moralismo, a irresponsabilidade social e cívica, e a proliferação de distorções doutrinárias (e de usos e costumes). Esses males adoecem os membros da comunidade de fé, que deveria ser terapêutica e agência de transformação histórica. A liderança da Igreja — rígida, autofágica, ambiciosa, carreirista, narcisista, triunfalista — abandona os seus soldados feridos, foge dos riscos. É incapaz de se unir, de expressar gestos de solidariedade, ou de elaborar respostas adequadas aos desafios atuais.

Mea culpa, mea maxima culpa . Que o Senhor da Igreja tenha piedade de nós. Que ele purifique e reavive o seu Corpo, ilumine o nosso discernimento, a nossa dependência do Espírito Santo, o nosso conhecimento e compromisso com a Palavra, e aumente a nossa paixão missionária. Que faça, poderosamente, florescer entre nós uma ortodoxia com compaixão.



Extraído do site Aviva Missões.

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Sobre o autor: Meu nome é Gilson de Moura, sou cristão evangélico há mais de 30 anos. Não sou pastor, apenas um professor. Contudo, como todo cristão, sou um Missionário, porém mais "com as ideias" do que com os joelhos e bolso. Como todo ser humano deveria ser, também sou um Adorador do Deus Vivo! Casado com a Mari, pai da Camila e do Daniel. Autor do Blog Missões e Adoração.

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