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sábado, 22 de maio de 2010

A missão segundo o modelo de Jesus Cristo - Júlio Zabatiero

O modelo missionário a ser seguido pela Igreja é o praticado pelo nosso Senhor Jesus Cristo. As características básicas da missão de Jesus Cristo foram: (1) Enviado pelo Pai, como Seu representante na terra, a fim de revelar a Sua graça e demonstrar a Sua justiça (Jo 1,12-14; Rm 3,21-26), Jesus viveu praticando a vontade do Pai, sendo fiel a Ele e rejeitando o caminho de Satanás (Mt 4,1-11); (2) Ungido, guiado e dirigido pelo Espírito Santo (Lc 4,18-21), de quem recebia a energia e o poder para servir ao Pai e à humanidade, e em cujo poder foi ressureto (Rm 1,1-4); e (3) Encarnado como ser humano, dentro da cultura e sociedade judaicas (Jo 1,1-11), e assumindo a condição de escravo, sendo obediente até a morte e morte de cruz (Fp 2,5-11), Jesus tornou-se plenamente solidário com a humanidade em sua necessidade e sofrimento, sem, porém, pecar (Hb 2,14-18).

A pós-modernidade como a face “deste presente século” (Rm 12,1-2) 

Assim como Jesus, enviado pelo Pai e ungido pelo Espírito, encarnou-se na sociedade e cultura de seu tempo, também a Igreja deve se encarnar na sociedade e cultura de seu próprio tempo. A cultura de nosso tempo é a forma de vida chamada de “pós-modernidade”. Como a cultura no tempo de Jesus, ela oferece oportunidades e desafios para a missão da Igreja. Seguindo o exemplo de Jesus, a Igreja deve se encarnar de forma crítica na pós-modernidade. As duas características básicas da encarnação missionária são: (a) o discernimento do Espírito (Cl 1,9-11), a fim de podermos distinguir entre o pecado e a justiça, o certo e o errado, o bem e o mal, a verdade e o erro em nossa cultura e sociedade; e (b) a compaixão (Mc 6,34), para podermos anunciar o Evangelho da salvação às pessoas que estão escravizados pelos poderes do pecado e da morte, e que caminham cegas, como ovelhas perdidas, sem pastor.


1. O desafio da fidelidade 

1.1. A religiosidade peregrina e perambulante 
A forma predominante da religiosidade pós-moderna é a da peregrinação. A religião é vista pelas pessoas como um meio para conseguir resolver os problemas que a ciência, a técnica e a política não conseguem resolver. As necessidades de saúde física, saúde emocional, amor e companheirismo não são supridas adequadamente na sociedade pós-moderna. Por isso, as pessoas buscam religiões que satisfaçam essas necessidades. Entretanto, como somente Jesus Cristo pode satisfazer plenamente as necessidades humanas – e transformar o nosso ser interior – a pessoa sedenta busca resposta nas várias religiões que se apresentam no “mercado de bens simbólicos” – dá uma passeadinha pelo caminho de São Tiago, toma um chazinho do Santo Daime, vai pedir a bênção da Mãe Tereza, ou do Pai João, entrega um dinheirinho na Universal, pega uma águinha benta na Catedral ... A religiosidade pós-moderna não sabe o que é fidelidade, a não ser a fidelidade ao interesse próprio, que pode ser chamada de egoísmo. E até no meio evangélico já se começa a ver a penetração dessa perambulação pós-moderna, com os crentes assistindo a todos os programas de TV e rádio, ouvindo todos os CDs que consegue comprar, freqüentando todas as reuniões de diferentes igrejas, etc. Onde houver uma oferta de bênção, aí também o crente estará. A fidelidade a Deus começa em casa. Para podermos dar testemunho aos peregrinos pós-modernos, precisamos aprender a fidelidade, seguindo o exemplo de Jesus!

1.2. A pregação do Deus dinheiro e a vida sacrificial 
A outra face da religiosidade pós-moderna não tem “cara” de religião. Por isso mesmo, é muito mais perigosa, porque muitos não a reconhecem. A religiosidade pós-moderna tem como seu grande “deus” o dinheiro – seja na forma de Capital, seja na forma de lucro, seja na forma de desejo dele – que cobra uma séria e rigorosa disciplina sacrificial de vida. Para que as economias funcionem bem, os países exigem “sacrifícios” de seus cidadãos (desemprego, apertar os cintos, corte de gastos com saúde, educação, transporte, moradia; privatizações sem fim ...), e na expectativa de ter dinheiro para poder consumir, as pessoas se submetem ao estilo de vida sacrificial exigido pelo Mercado. Nesse estilo de vida sacrificial, a compaixão e a solidariedade não têm lugar. É cada um por si, e o “deus” dinheiro por todos. Só que o deus dinheiro e seu profeta, o mercado, são deuses rigorosos que não conhecem a compaixão. Não aceitam as pessoas que não conseguem competir e vencer. Eles as excluem – do acesso à saúde, à moradia, à vida, à dignidade, e exigem total fidelidade – mesmo excluídos, têm de aceitar a sua condição e reconhecer o seu “pecado capital”. Quem não consegue “vencer” é sacrificado no altar do lucro, da produtividade e da qualidade total. Lembremo-nos do que ensinava Jesus: “ninguém pode servir a dois senhores ...” (Mt 6,24)

1.3. A fidelidade ao verdadeiro Deus e a Seu povo 
O primeiro grande desafio missionário da pós-modernidade é o da fidelidade ao Deus verdadeiro. Só pode fazer missão o povo que anda na presença de Deus e procura fazer a sua vontade. Nas palavras de Jesus, “buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6,33). Somente quando o povo de Deus se submete ao reinado de Deus e tem a Sua justiça como critério de vida e missão, é que pode fazer frente ao caráter peregrino e sacrificial da religiosidade pós-moderna. Neste tempo em que as informações voam distâncias e tempo através dos satélites e televisões, rádios, Internet ... Neste tempo em que temos um volume de informações imenso, mas pouco sabemos realmente de importante, é fundamental a fidelidade ao verdadeiro Deus. Doutra forma, nossa mensagem cairá no vazio do excesso de informações. As pessoas só crerão no Deus verdadeiro se virem a Sua verdade amorosa, justa e compassiva em ação na vida dos filhos e filhas de Deus. Como diz uma canção brasileira a respeito do culto: “E ao sairmos daqui, que poderemos fazer? Deixar que o mundo veja em nós a Cristo e o Seu poder.” Para fazer missão na pós-modernidade, é preciso que nossa vida seja missionária, que nosso comportamento seja semelhante ao de Jesus Cristo, que recusou todas as tentações satânicas, todas as tentações de dinheiro, prestígio, consumo e poder, e foi fiel ao envio do Pai, e submisso à direção do Espírito Santo. Como Jesus, precisamos conhecer a Palavra de Deus para vencer as tentações (Mt 4,1-11).

2. O desafio do discernimento 

2.1. A vida não refletida, apenas sentida ... 
Uma das características fundamentais da chamada pós-modernidade é o abandono da reflexão crítica racional. Reconhecendo a incapacidade da razão resolver todos os problemas humanos, as pessoas que aderem ao novo modo de ser pós-moderno preferem levar a vida a partir dos sentimentos e desejos, e não da reflexão, ou, em linguagem bíblica, do discernimento. Sentir é mais importante do que saber, e sentir-se bem é o que realmente importa para o indivíduo pós-moderno. Essa ausência de reflexão é conseqüência da negação das utopias (propostas de transformação social e econômica) e da afirmação do “fim da história” (a crença de que o estágio atual do capitalismo neo-liberal é a forma mais completa da evolução humana). Se nada há adiante de nós, se já alcançamos a forma mais evoluída possível de organização social, econômica e política, para que refletir criticamente sobre a realidade? Basta viver, e curtir a vida. Basta sentir e deixar-se levar pelos sentimentos. Para que pensar, se os governantes irão fazer o que for necessário para a vida melhorar? Para que pensar, se o mercado “livre” é capaz de organizar a atividade das pessoas, distribuir oportunidades e castigos? Vamos aproveitar a vida! Ou, nas palavras de um antigo filósofo, “comamos e bebamos porque amanhã morreremos”! Precisamos de uma renovação de nossa vida litúrgica, que está cedendo ao irracionalismo pós-moderno. Como conseqüência do irracionalismo, na vida da igreja, nossos cultos têm cada vez menos conteúdo e cada vez mais emoção. Cada vez menos Palavra de Deus, e cada vez mais desejos e sonhos humanos. Cada vez procuramos menos agradar a Deus, e mais a nós mesmos – afinal, “o culto não é para a gente se sentir bem?” Liturgias irracionais não ajudam a Igreja a enfrentar a pós-modernidade. A rejeição da razão não é a solução para os males da racionalidade moderna, voltada inteiramente para a técnica e a eficácia. Ao invés de vivermos levados pelos sentimentos, precisamos de uma racionalidade ampla, humana, plena. Precisamos de uma “razão comunicativa”, que, ao invés de se centrar na técnica e eficácia, tenha seu eixo na relação pessoal e social com o “outro” (próximo, na linguagem bíblica). Como cristãos, em particular, precisamos de uma inteligência crítica, que nos torne capazes de “dar a razão da nossa esperança a quem nos perguntar” (I Pedro 3,15).

2.2. A vida sem integridade, apenas com interesses e desejos 
Uma vida vivida em função dos sentimentos, além de negar a capacidade humana de crítica e pensamento construtivo, também nos torna fáceis presas de nossos interesses e desejos pecaminosos. Vários são os sintomas da crise da razão e do reinado do sentimentalismo. Por exemplo: a desestruturação da vida familiar, em função de uma visão meramente romântica do amor, mediante a qual “João ama Maria, que gosta de José, que ama Antônia, que prefere Pedro, mas está triste porque ele ama José ...”. Outra causa da desestruturação familiar é o afastamento cada vez maior entre pais e filhos, a falta de comunicação eficaz entre as gerações dentro de casa, a tentativa de cada lado impor a sua vontade e seus desejos. Além da desestruturação da vida familiar, outro exemplo da crise da razão é o abandono da integridade como padrão ético de comportamento. Tudo vale para a realização dos desejos pessoais – uma mentirinha, um jeitinho, uma fezinha ... A palavra não precisa ser cumprida, os compromissos não são levados a sério, os relacionamentos pessoais servem apenas enquanto se “leva vantagem”; entre os adolescentes e jovens a moda é “ficar”, pois quem “fica” não se compromete com a outra pessoa. Não há integridade nos negócios, nas relações pessoais, na política, no exercício do poder público. Neste sentido, a pós-modernidade não é tão “pós” assim, pois a falta de integridade é uma característica da pecaminosidade humana. Todavia, em nossos dias, como nos tempos de Paulo, a ausência de integridade tem se tornado o ponto mais crítico da ética individual e social (cp. Rm 1,28-33). O mais preocupante, porém, é a penetração da falta de integridade nos meios evangélicos! Líderes internacionais de missões e pastoral, como Frank Dietz e Warren Wiersbe têm escrito livros defendendo a necessidade da volta da integridade à vida cristã, particularmente entre os líderes do povo de Deus. Como poderá Deus nos escutar se não vivemos de forma íntegra a Sua vontade? (cf. Amós 5,21a-24). Como anunciar o Deus da justiça sem integridade? Como crerão se não virem em nós a verdade de Deus em ação?

2.3. A vida cheia do Espírito Santo, refletindo e crescendo no saber de Deus 
Contra o irracionalismo da pós-modernidade, a resposta bíblica é a vida cheia do Espírito Santo. Em sua exortação aos efésios, Paulo disse: “Sede verdadeiramente atentos a vosso modo de viver: não vos mostreis insensatos (sem juízo, sem razão), sede, antes, pessoas sensatas, que põem a render o tempo presente, pois os dias são maus. Não sejais portanto sem juízo, mas compreendei bem qual é a vontade do Senhor ... sede cheios do Espírito Santo” (Ef 5,15-18). A exortação paulina é muito apropriada para os nossos dias. Precisamos de uma renovação da vida intelectual da Igreja. Precisamos de que o povo de Deus assuma a sua função de teólogos e teólogas! Pois é isso que Paulo está pedindo de nós. Estar atentos a nosso modo de viver, sermos sensatos, significa refletirmos sobre a nossa realidade à luz da Palavra de Deus, movidos pelo Espírito. E a teologia é exatamente isso! Na modernidade, a teologia era rejeitada em troca da “prática”, na pós-modernidade ela é rejeitada em troca da “beleza”. Mas nós precisamos urgentemente dela. De uma teologia prática, bela, racional e cheia do Espírito Santo. Precisamos de uma teologia baseada no discernimento do Espírito, que nos faça andar de modo digno do Senhor, que nos faça crescer no conhecimento de Deus, que nos faça transbordar em boas obras missionárias (cf. Cl 1,9-11). Nossas igrejas precisam redescobrir o valor da reflexão séria e profunda sobre a vida baseada na Palavra de Deus. Precisamos de pastores que devolvam ao púlpito o seu vigor teológico, precisamos de mestres que devolvam à educação cristã seu vigor pedagógico e reflexivo. Precisamos de renovação de nossa vida eclesial, de nossos programas e encontros, de forma que a reflexão ocupe um lugar tão importante quanto a comunhão, a oração e a adoração a Deus. A renovação da vida dos “leigos” é fundamental para que a Igreja possa realizar sua missão no mundo pós-moderno. O primeiro grande desafio para o laicato pós-moderno é a vida de discernimento. Precisamos de um povo cheio do Espírito Santo, capaz de refletir sobre a vida sensatamente, capaz de interpretar a Bíblia fielmente, capaz de anunciar a Palavra inteligentemente!


3. O desafio da compaixão 

3.1. Vivendo em uma sociedade e economia sem compaixão 
A sociedade capitalista neo-liberal pós-moderna é perversa e sem compaixão. Nela só há lugar para as pessoas capazes e competentes, que conseguem cumprir todas as exigências do mercado de trabalho e de consumo. Cada vez mais as empresas exigem maior qualificação para seus trabalhadores, e cada vez mais as máquinas substituem as pessoas no desempenho de funções e realização de serviços – e com isso aumenta o desemprego, a economia informal e a marginalidade. Todavia, o capitalismo neo-liberal afirma que esse é o único caminho para a prosperidade das nações! Decretando o “fim da história” o capitalismo neo-liberal tomou o lugar do marxismo como a religião messiânica sem Deus. Nas pertinentes palavras de um teólogo brasileiro, “não nos esqueçamos que o sistema de mercado, para conseguir totalizar-se como ‘único caminho’ para o bem comum ... exigia ser considerado como societas perfecta (sociedade perfeita) e ‘única religião verdadeira’, fora da qual não há salvação para ninguém, ainda que a condenação lhes tocasse a muitos. Para tanto era necessário um deus absconditus (deus oculto) de uma infinitude realmente ‘perversa’, quer dizer, que virasse tudo ao revés (per-verter) e direcionasse tido em uma mesma direção: a autovalorização, sem limite, do Capital. Já não se trata, obviamente, da simples acumulação de dinheiro e riquezas. Estamos diante de um deus infinitamente insaciável, para o qual todos os sacrifícios serão insuficientes.” (Hugo Assmann, Clamor do Pobres e ‘Racionalidade’ Econômica, pp. 44s.) A sociedade pós-moderna, dominada pelo “deus Capital” gera um sistema social de exclusão, mediante o qual um número cada vez maior de pessoas é excluído do mercado de trabalho, da educação, da saúde, da dignidade, da própria vida! As pessoas excluídas são os “bodes expiatórios” dos pecados da ineficiência econômica e da falta de competitividade produtiva. Em primeiro lugar o bem-estar da economia, depois, cuidemos das pessoas ... A chamada “globalização” da economia traz consigo uma perversa globalização da miséria e do sofrimento humano. Só tem valor aquilo que dá lucro, aquilo que aumenta a produtividade e a qualidade, aquilo que é “total”. Nessa sociedade “qualidade total” pouco lugar há para os seres humanos, que são parciais, incompletos, pecadores. Recusados, ou elogiados, pelo “deus escondido”, as pessoas cada vez mais se refugiam nas drogas, na violência, nas religiões sem compromisso, no sexo sem amor, no individualismo, no consumismo; ou simplesmente caem para o submundo da miséria, da fome da marginalidade. É a todas essas pessoas que iremos pregar o Evangelho, pessoas sacrificadas ao altar do Capital, submissas ao mando do seu profeta, o Mercado. Pessoas sem compaixão, porque acreditam que a competitividade é o melhor meio de eliminar a pobreza e o sofrimento humano. Pessoas sem compaixão, porque são vítimas sacrificiais de uma economia perversa, e se tornaram brutalizadas pelo sofrimento. Neste contexto, o segundo grande desafio para a Igreja é a vida de compaixão!

3.2. Compaixão e solidariedade na proclamação do Evangelho 
Precisamos de compaixão e solidariedade para proclamar o Evangelho! Ao olhar para as pessoas e para as multidões de seus dias, Jesus as via como “ovelhas sem pastor” e demonstrava-lhes compaixão. A compaixão (solidariedade) era o motor de suas ações a favor das pessoas (v. Mt 9,36; 14,14; 15,32; 20,34; Mc 6,34; 8,2; Lc 7,13, etc.). Jesus demonstrava, através de seus atos, a compaixão de Deus pelos seus filhos e filhas escravizados ao pecado; demonstrava a solidariedade do Deus encarnado para com a humanidade pecadora (cf. Hb 2,14-17; 4,15-16). Para pregar o Evangelho não posso ver o “outro” como adversário – a batalha espiritual não pode gerar inimigos, mas, sim, pessoas reconciliadas com Deus e, conseqüentemente conosco e com elas mesmas – geramos, com a pregação do Evangelho, amigos e amigas de Jesus Cristo (15,14-15). Para pregarmos o Evangelho precisamos resistir à tendência desumanizadora e brutalizante de nossa sociedade pós-moderna; precisamos resistir à tentação de vivermos apenas em função de nós mesmos e de nossos interesses e desejos. Precisamos de solidariedade, compaixão: sentir o sofrimento do outro, como o nosso próprio sofrimento. Participar na libertação do outro, como se a nossa própria libertação disso dependesse. Se somos amigos e amigas de Cristo, fazemos o que Ele manda. E o que Ele manda? “Eu vos escolhi para irdes produzir frutos e para que o vosso fruto permaneça ... O que eu vos ordeno é que vos ameis uns aos outros” (Jo 15,16-17). A Igreja existe para anunciar o Evangelho – essa é a grande comissão de Jesus (Mt 28,18-20 e paralelos), e esse é o poder do Espírito (At 1,8) – e se ela não o faz, deixa de ser povo de Deus, e se identifica com o mundo; torna-se sal sem sabor, não prestando para nada. O maior adversário da proclamação do Evangelho na pós-modernidade não é Satanás, mas a falta de compaixão, a falta de solidariedade para com os pecadores, a falta de amor uns para com os outros. O problema da evangelização não está nas técnicas, nos projetos, nas estratégias, nos recursos financeiros. Há muitas formas diferentes de se evangelizar e fazer missões. O problema é que não temos recursos humanos. Não temos crentes dispostos a viver compassiva e solidariamente, fazendo da pregação do Evangelho uma parte natural de seu dia-a-dia. Deus chama a Seu povo, nestes dias do mundo pós-moderno, para viver em compaixão e solidariedade para com os pecadores e pecadoras de nosso tempo. Sejamos solidários com os pobres e excluídos que clamam por socorro. A partir dessa solidariedade, tenhamos compaixão de todas as pessoas. Anunciemos, com toda força de nossos pulmões, o Evangelho de Jesus Cristo, a boa notícia de que Deus reina e pode mudar a vida das pessoas e das nações!

3.3. Compaixão e solidariedade na diaconia cristã 
Assim como Jesus fez acompanhar sua pregação de sinais visíveis do amor de Deus pelos pecadores, também a Igreja compassiva, na pós-modernidade, fará sua pregação da salvação ser acompanhada dos sinais do Reino. Quem ama, é compassivo e solidário com a pessoa toda, não faz divisão entre “alma” e “corpo”, pregando para salvar “a alma” e deixar o “corpo” morrer. Jesus cuidava das doenças do corpo, das doenças espirituais, dos problemas econômicos e sociais. Paulo, o evangelista aos gentios, recebeu a recomendação de “nos lembrar dos pobres, o que eu tive muito cuidado de fazer” (Gl 2,10). A diaconia cristã é a expressão concreta da compaixão evangelizadora da Igreja. A diaconia é o meio pelo qual a Igreja pratica as boas-obras para as quais cada cristão foi chamado por Deus (Ef 2,10). Na pós-modernidade, precisamos discernir quais são as boas-obras mais urgentes, ou quais as formas mais importantes de ação diaconal. No âmbito da economia, por exemplo, a esmola já perdeu a sua eficácia (que tinha em períodos muito antigos na história econômica da humanidade). O socorro econômico através da esmola é insuficiente para livrar os pobres da miséria. É preciso ações mais eficazes. Por exemplo: projetos sociais de capacitação profissional, projetos sociais de desenvolvimento comunitário; movimentos sociais de luta contra o desemprego, contra a fome; movimentos políticos pela adoção de mecanismos de defesa econômica dos cidadãos, garantidos pelo Estado – por exemplo: renda mínima, salário educação, etc. No âmbito da saúde, é preciso também atuar através de projetos de desenvolvimento (ambulatórios, clínicas voluntárias, etc.), e de movimentos sociais e políticos (campanhas contra certos tipos de câncer, instituições especializadas no atendimento a certos tipos de doenças e deficiências, etc.; movimentos políticos que visem forçar o Estado a cumprir as metas de saúde pública mínimas para garantir a dignidade dos cidadãos). No âmbito da cultura, é preciso que as Igrejas atuem no despertamento de formas criativas de ação cultural – seja na música, no teatro, nas artes plásticas, na literatura, etc. É importante atuar em movimentos que visem o controle, pela sociedade, dos bens culturais produzidos e difundidos pelos meios de comunicação de massa (TV, rádio, cinema, etc.). Em uma palavra, é preciso que a Igreja atue de forma a contribuir para que a cidadania seja uma verdade prática, e não apenas um direito constitucional. Para que a mensagem do Reino pregada pela Igreja seja entendida, é necessário que a Igreja demonstre os sinais do Reino através de sua vida e da vida de seus membros. Na pós-modernidade, em que a pessoa só é vista como consumidora, ou como produtora de bens, precisamos ajudar a resgatar a condição cidadã das pessoas, com todas as implicações sociais, econômicas e políticas da cidadania. Como cidadãos do Reino de Deus, somos chamados a lutar para sermos cidadãos de um país justo e livre e para demonstrar solidariedade plena para com os não-cidadãos! Para isso o Espírito que ungiu Jesus, também pode nos ungir (cf. Lc 4,18-21; 7,18-23)


Conclusão 
A pós-modernidade apresenta à Igreja problemas e oportunidades imensos. Para superar os problemas e aproveitar as oportunidades, precisamos do discernimento do Espírito e da compaixão de Jesus. Por isso, o primeiro desafio da missão da Igreja na pós-modernidade é a qualificação da Igreja como povo de pessoas cheias do Espírito Santo, que sabem discernir e ser solidárias. Como povo de ministros e ministras de Deus, discernindo a vontade de Deus e sendo solidários com os pecadores, atuaremos no mundo como testemunhas de Jesus Cristo. Nossa pregação e nossas obras demonstrarão verdade e o caminho do Reino de Deus, e farão com que as pessoas desejem servir a Cristo e não a Mamon!


Extraído do site Aviva Missões.

Um comentário:

  1. Gostei da matéria. Creio que dentro do referido está a fisputa politica, com candidatos que se dizem da verdade e querem foraçar os irmãos a votarem. Caso não votem no candidato da igreja estão debaixo de maldição. E muitos com receio e medo acreditam e votamos em oportunistas dentro da igreja. E muitas vezes nossas igrejas fazem alianças com polticos inexcrupulosos.

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