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domingo, 31 de janeiro de 2010

Avivamento em Shantung - Parte IV


Embora talvez pouco conhecido pela maioria dos cristãos, o Avivamento de Shantung é considerado um dos avivamentos mais significativos na China e foi, com certeza, o mais poderoso que já houve no meio dos batistas. Shantung (ou Shandong) é uma província no litoral nordeste da China. Pouco antes da invasão do país pelo Japão em 1937, no meio da turbulência política causada por atividade comunista na região, Deus enviou uma poderosa onda de avivamento que durou aproximadamente dez anos (1927-1937). A seguir, a quarta parte de uma série de relatos e testemunhos dessa importante visitação.

Veja a outras partes deste testemunho!


Um dos instrumentos que Deus usou para iniciar o avivamento em Shantung foi a missionário norueguesa, Marie Monsen, como vimos em capítulos anteriores. A seguir, algumas informações adicionais sobre sua maneira de ministrar, relatados por uma colega de ministério.

 Em novembro de 1931, na província de Honan, um grupo de missionários estava aguardando o retorno da nossa companheira de missão, Marie Monsen. Em 1927, Deus a havia usado poderosamente nas províncias de Chili, Shantung e Shansi para avivar as igrejas lá. Parecia-nos estranho que Deus a tivesse levado do nosso meio para despertar igrejas em outros locais enquanto nós continuávamos ansiando e orando por um avivamento em nosso próprio campo.

 Os missionários mais antigos há muito oravam com perseverança e lágrimas por causa da falta de vida nas igrejas. Mas, com as notícias da visitação de Deus em outros lugares, nossas orações tomaram nova vida. Cada carta de Marie Monsen trazia novo ímpeto para nós, intensificando nossas orações com o passar do tempo, até que se tornaram uma espécie de chamada de emergência.

 Finalmente, tivemos a notícia de que ela estaria conosco na conferência anual da missão em Chenping, de 13 a 15 de novembro. Havia uma sensação geral de expectativa durante nossa viagem para o local da conferência, e não fomos desapontados nisso. Foi uma experiência realmente inesquecível.

 O primeiro texto que ela usou foi de João 3: “Necessário vos é nascer de novo”. A maior parte de sua pregação consistia em perguntas curtas, lançadas com seriedade santa e penetrante: “Por que você é cristão? Não é porque deseja entrar no céu? O que Jesus diz aqui? ‘Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.’ Você não pode ver, não pode...” Estas palavras penetravam como chumbo no coração dos ouvintes.

 O texto seguinte foi Apocalipse 20.12, a respeito dos pecados que estavam registrados nos livros com tanta clareza e definição. Também em Jeremias 17.1, sobre os pecados escritos “com um ponteiro de ferro”, gravados “na tábua do coração”, de tal forma que ninguém pode apagá-los.

 Outro texto usado foi em Marcos 14.3-11, sobre Judas. “Ele era um pregador do evangelho”, ela disse. “Era membro da igreja, um discípulo. Mas era falso, um ladrão. Você é um pregador do evangelho ou é um ladrão?”

 Ela se dirigia, em primeiro lugar, aos líderes e obreiros das congregações. Falou do texto em Provérbios 28.13 a respeito de encobrir os pecados. Todos nascem com a inclinação de encobrir os próprios pecados. Também usou Isaías 59.1-4 (“vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus”); Isaías 64.6 (“todas as nossas justiças como trapo de imundícia”); 1 Coríntios 6.9 e Marcos 7.21-23, junto com a pergunta: “Este texto contém um catálogo de pecados; leia e veja se seus pecados estão relacionados aqui”.

 Em seguida, falou de João 1.14: “cheio de graça e de verdade”. “Ele não permitirá que você permaneça cheio de falsidade e engano. Se você tão-somente reconhecer seus pecados diante de Deus, eles se tornarão brancos como a neve (Is 1.18).”

 Finalmente, exortou os convertidos a permanecerem na vontade de Deus. “Os não convertidos deixaram a vontade de Deus para trás. Os convertidos têm a vontade de Deus diante de si. Alguns estão dentro dela, outros estão fora. Tentam esticar a vontade de Deus para conformá-la à vontade própria.”

 No final de cada reunião, ela ficava em pé perto da porta, e poucos conseguiam passar sem serem indagados: “Você já nasceu de novo?”

 “Cortava o coração como a ponta de uma espada”, eles relatavam depois. Na reunião seguinte, a espada penetrava de novo: “Você ainda está no caminho da destruição?”.

 Muitos iam conversar com ela e confessar seus pecados, mas ela os mandava embora, às vezes por três ou quatro vezes. Não estavam sentindo verdadeira necessidade. “Ore para que o Espírito de Deus o ilumine a respeito de seus pecados”, era a advertência que recebiam. Ela nunca cansava de alertar-nos: “Não colha fruto que não está maduro”.

 Depois da conferência, houve uma série de reuniões especiais para obreiros e líderes. Aqueles que estavam presentes testemunharam de manifestações poderosas do Espírito Santo durante aqueles dias. Marie Monsen passou uma noite inteira em oração para obter coragem de chegar ao Pastor Han Liu Ging e dizer que temia que ele ainda não tinha vida nova em Deus. Ele passou a sentir grande convicção do Espírito e, depois de dois dias, encontrou libertação.

 Mais tarde, ele relatou que algo derreteu no seu interior quando Marie o chamou à parte. Ele sentiu que o amor de Deus a impelia e que precisava render-se. Posteriormente, tornou-se um auxiliar de Marie durante uma série de reuniões e foi usado por Deus para espalhar o avivamento.

 A estratégia de Marie era primeiro destruir a falsa segurança dos membros de igreja. Ela falava a respeito dos diversos tipos de remendos que os não regenerados usavam para se encobrirem e convencerem a si mesmos que eram convertidos. Depois ela falava a respeito de pecados, um por um. Segundo ela, foi só depois de vários dias de luta em oração que alcançara disposição de “descer no lamaçal e na podridão do pecado” e falar abertamente do sexto mandamento, contra o adultério. Quando obedecia e trazia esse pecado específico à luz, porém, uma das fortalezas mais resistentes de Satanás se rompia, enfim. 

 Outro texto que pesava muito no espírito dela era: “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo”(Hb 10.31). Com essas palavras, muitas pessoas eram levadas a ficar face a face com Deus.

 Finalmente, as palavras de promessa graciosa das Escrituras vinham como bálsamo nas feridas abertas. “Se Jesus, que não tinha pecado, não tivesse assumido o pecado em nosso lugar, Deus nunca poderia ter dito ‘Venha’ ao pecador. Quando você estiver bem sério sobre seus pecados, Deus, que não pode suportar o pecado, falará palavras de consolo ao seu coração.”

 Em cada série de reuniões, não havia um movimento muito pronunciado nem grandes resultados visíveis. Ela sempre estava atenta para impedir manifestações emotivas muito fortes ou confissão pública. Tudo era conduzido sem alarde. Depois de Marie ir embora, ficava evidente que o Espírito de Deus havia deixado marcos profundos. E podíamos começar a fazer a colheita de almas. 



Fonte: O Arauto da Sua Vinda, Ano 27 nº 1 - Janeiro/Fevereiro 2009

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