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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Objetivos de 2010 atingidos

Olá Irmãos e Amigos do Blog Missões e Adoração!

Pelas misericórdias de Deus, todos os meus objetivos de 2010 para o Blog Missões e Adoração foram alcançados:
  • Permanecer com o Blog aberto. A maioria dos blogs "morrem" em 3 anos! Nosso blog fará 4 anos em março de 2011.
  • Uma postagem por dia! 365 postagens no ano!
  • Novo modelo de template. Consegui um que valorizou o conteúdo abrangente de mais de 1000 postagens!
  • Aumento do número de visitas! Mais de 34000 páginas visualizadas por mês!
  • Canal de bençãos! Tivemos inúmeros contatos relatando as bençãos decorrentes da leitura dos textos, vídeos e testemunhos.
  • Receber algum dinheiro por doação! Recebi contribuições para o blog, e apliquei o dinheiro em projetos para o site visando 2011! Glórias a Deus! Que Ele faça multiplicar as finanças das pessoas que contribuíram!
Minha gratidão a irmãos, amigos e principalmente a Deus! Minha razão de viver (ou de morrer!).

Em 2011, muitas novidades!

sábado, 13 de novembro de 2010

Oh venham coroar Jesus o Salvador

Partitura da Música Crown Him with many Crowns! 
Na cerimônia de encerramento do III Congresso Global de Evangelismo na Cidade do Cabo um magnífico coral entoou a música "Crown Him with Many Crowns". A mesma música cantada em 1910, em Edinburgh, na primeira reunião de 300 líderes evangélicos para discutir o Evangelismo Mundial. Em 2010, foram mais de 1200 líderes reunidos! A mesma música: Vamos coroar Jesus com nossas coroas que receberemos na glória!

George Job Elvey
Além dos tradicionais instrumentos, inseriram tambores africanos! A música ficou linda!

A música "Crown Him with Many Crowns" é baseada em Apocalipse 19:12. É o hino 341 do Hinário Luterano. A letra foi escrita por Matthew Bridges (não achei foto dele na Web) em 1851 (nasceu em 14/07/1800 em The Friars, Maldon, Essex, Inglaterra; morreu em 06/10/1894, Sid mouth, De von, Inglaterra). A música por George J. Elvey em 1868 (nasceu em 27/03/1816 em Canterbury, Inglaterra; morreu em 09/12/1893, Windlesham, Surrey, Inglaterra). Tom de Diademata como na ilustração ao lado.

O vídeo do encerramento:

Acompanhe a letra em inglês e uma tradução pessoal dela.
1. Crown Him with many crowns – O coroe com muitas coroas
The Lamb upon His throne; - O cordeiro no seu trono;
Hark how the heavenly anthem drowns – Ouça! Como o hino celeste emudece
All music but its own. - Todas as músicas, mas ela própria
Awake, my soul, and sing - Desperta a minha alma e cantar
Of Him who died for thee - Daquele que morreu por ti,
And hail Him as thy matchless King - E O aclama como teu rei escolhido
Through all eternity. - Por toda a eternidade.

2. Crown Him the Virgin's Son, - Coroe o filho de virgem
The God incarnate born, - O Deus encarnado nasceu
Whose arm those crimson trophies won – Com Seu braço forte ganhou troféus
Which now His brow adorn; - que agora adornam Sua fronte
Fruit of the mystic rose, - fruto do místico levantar (é a ressurreição, não é "rosa mística")
As of that rose the stem; - que levantou o tronco
The root whence mercy ever flows, - A raiz da misericórdia que sempre flui
The Babe of Bethlehem. - Do bebê de Belém

3. Crown Him the Lord of Love. - Coroe o Senhor do Amor
Behold His hands and side, - entre suas mãos e seu lado
Rich wounds, yet visible above, - Ricas feridas ainda visíveis
In beauty glorified. - na beleza glorificada
No angel in the sky - Nenhum anjo no céu
Can fully bear that sight, - pode levar totalmente a visão
But downward bends his wondering eye – mas se inclina diante de seus olhos maravilhosos
At mysteries so bright! - de mistérios tão brilhantes

4. Crown Him the Lord of Life – coroe o Senhor da Vida
Who triumphed o'er the grave – Que triunfou sobre o túmulo
And rose victorious in the strife – e levantou-se vitorioso na contenda
For those He came to save. - para aqueles que Ele veio salvar
His glories now we sing – Sua glória agora nós cantamos
Who died and rose on high, - Que morreu e subiu nas alturas
Who died eternal life to bring – Que morreu para trazer a vida eterna
And lives that death may die. - e vidas já que a morte morreu

5. Crown Him the Lord of Heaven, - Coroe o Senhor dos céus
Enthroned in worlds above, - entronizado no mundo superior
Crown Him the King to whom is given – Coroe o Rei a quem é dado
The wondrous name of Love. - o nome maravilhoso do amor
Crown Him with many crowns – O Coroe com muitas coroas
As thrones before Him fall; - como os tronos diante dEle caem
Crown Him, ye kings, with many crowns - O coroe com muitas coroas, vós reis, com muitas coroas
For He is King of all. - pois Ele é o rei de todos 
Pr. Werner Kaschel 
O pastor batista Werner Kaschel, que pastoreou na década de 40 a Primeira Igreja Batista de Americana, e muitas outras depois disso, fez uma adaptação para om português dessa maravilhosa música. Ele faleceu neste mês e está agora coroando Jesus nos céus!
Oh venham coroar 

1. Oh, venham coroar Jesus, o Salvador,
Cordeiro que desceu do céu, e é digno de louvor!
Despertem, pois, irmãos, p’ra o Redentor louvar.
Jesus por nós morreu na cruz e agora é Rei sem par.

2. Oh, venham coroar a encarnação do Amor!
A fronte e as mãos feridas têm sinais de intensa dor.
Os anjos lá no céu não podem contemplar
a glória excelsa de Jesus, intensa, a rebrilhar.

3. Oh, venham coroar quem vida nos doou!
A morte e todo o Seu poder Jesus já derrotou.
Agora Cristo está à destra do bom Deus
e ali no céu conservará os redimidos Seus.

4. Oh, venham coroar o Cristo Criador,
e queiram anjos bendizer o nosso Redentor!
Unidos, pois, assim, em coro singular
entoaremos a Jesus louvores sem cessar.
O arquivo midi para você cantar junto!








Fontes:


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A Perda de Poder Espiritual Pode Ser Recuperada - Wesley Duewel

Quando o Espírito Santo nos enche, ele transmite pureza e poder. A pessoa que dedica tudo o que tem como sacrifício vivo em entrega absoluta (o termo que Andrew Murray gostava de usar) e que busca o enchimento do Espírito recebe uma nova dimensão de vida espiritual. O Espírito Santo limpa e purifica o interior da pessoa num grau nunca antes conhecido e, ao mesmo tempo, enche-a com um poder divinamente superior.

Depois de ser cheio do Espírito, à medida que a pessoa anda na luz da Palavra e da direção do Espírito, ela procurará constantemente agradar o Senhor. Momento por momento, aprende a depender do Espírito que habita nela e é capacitada a vencer sobre a tentação. Com a ajuda do Espírito, a pureza pode ser preservada. Num certo sentido, podemos nos manter em pureza (1 Tm 5.22) por meio de obediência meticulosa ao Espírito (1 Jo 3.3) e por julgar todas as coisas, retendo o que é bom e evitando o mal (1 Ts 5.21-22). Dessa forma, podemos proteger-nos das máculas e manchas do pecado (2 Pe 3.14).

Entretanto, o poder espiritual tem características diferentes. Ele não pode ser preservado indefinidamente. O poder do Espírito é a energia dele que flui dentro do nosso espírito e através dele. Mas a energia pode esgotar-se. O poder precisa ser renovado. Há uma bela ilustração desse segredo espiritual em Zacarias 4.

Deus deu uma visão significativa para Zacarias para fortalecer e encorajar os dois líderes ungidos que estavam reconstruindo o templo depois do cativeiro: Josué, o sumo sacerdote, e Zorobabel, o governador. Grande oposição havia atrasado a obra durante 20 anos.

Deus usou simbolismo para ilustrar e confirmar sua poderosa afirmação: “Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel: Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6). Deus mostrou a Zacarias em visão um candelabro de ouro que fornecia luz por meio de um vaso que canalizava azeite a sete lâmpadas (simbolizando a plenitude de luz). O azeite no vaso provinha de dois tubos de ouro que saíam de duas oliveiras vivas. As lâmpadas queimavam e produziam luz enquanto o azeite fluía.

O poder do Espírito é o elemento essencial para fazer a obra de Deus, porém, se não for renovado continuamente, pode esgotar-se. Não podemos ministrar hoje no poder de ontem. Não podemos cumprir todo o propósito de Deus com base nas memórias de bênçãos e capacitações passadas. Deus não quer que vivamos no passado e, sim, na apropriação atual, momento por momento, do seu poder.

Pode haver ocasiões raras em que Deus nos usa apesar de nós mesmos. Provavelmente, foi assim que usou Sansão, Balaão e o rei Saul, em alguns momentos. Entretanto, a norma de Deus é que só podemos dar o que já recebemos. Deus quer que sejamos diariamente capacitados para sermos diariamente usados para sua glória. Que Deus nos perdoe se as únicas vezes em que pode nos usar com poder são as ocasiões em que é compelido a agir, a despeito de nossa condição espiritual.

Como se Perde o Poder Espiritual

Jesus Cristo não iniciou seu ministério enquanto não recebeu uma concessão especial do poder do Espírito Santo. Ouça suas palavras: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar aos pobres...” (Lc 4.18). Pedro resumiu o ministério de Cristo dizendo: “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e poder” (At 10.38). Jesus usou no seu ministério terrestre o mesmo poder que nós devemos usar hoje – o poder do Espírito. Ele optou por ministrar não por meio de sua divindade inerente, mas pela unção do Espírito.

Lucas 6.19 explica: “E todos da multidão procuravam tocá-lo, porque dele saía poder, e curava a todos”. Este era o poder do Espírito. Quando a mulher que sofrera por doze anos tocou a orla do manto de Jesus, ele disse: “Alguém me tocou, porque senti que de mim saiu poder” (Lc 8.46).

O que era válido para Jesus é válido para você. Quando ministra para as pessoas, você usa poder espiritual. Se quiser ser usado por Deus, se quiser curar as feridas da humanidade, o poder de Deus precisa estar sobre você e fluir continuamente através de você.

1. Poder espiritual vai se esgotando naturalmente pelo ministério. Quanto mais você ministra, mais você precisa da renovação de poder. Quanto mais ocupado você se torna, mais você precisa ter seu poder renovado, mais você precisa de refrigério e reabastecimento espiritual. Não é apenas uma questão de cansaço mental ou exaustão física. Sem renovação espiritual, logo você passará a viver apenas de memórias.

Certa vez, quando alguém perguntou para Lutero sobre seus planos para o dia seguinte, ele respondeu: “Trabalhar, trabalhar, desde cedo até tarde. Na verdade, tenho tanta coisa para fazer que vou passar as três primeiras horas em oração”. Muito ministério sem oração adequada e renovação espiritual leva ao esgotamento de poder espiritual. A entrada não acompanha a saída. Você está dando tão constantemente aos outros que sua própria vida está exaurida espiritualmente? Você já conheceu, no passado, mais poder de Deus em sua vida e mais da unção dele do que está experimentando atualmente?

2. Poder espiritual é esgotado por envolvimento em assuntos não espirituais. Vivemos num mundo que é essencialmente secular. Não estamos numa ilha; convivemos com toda espécie de sociedade humana. Deus não deseja que sejamos reclusos, isolados das influências contaminadoras da vida. Devemos ser luz e sal no nosso mundo. Contudo, a fonte de luz é consumida pela combustão, e o suprimento de sal é esgotado pela utilização dele.

Não precisa haver conflito entre trabalho e espiritualidade. Pessoas que trabalham muito são os melhores obreiros cristãos e os melhores guerreiros na oração. Muita gente é preguiçosa demais para ser abençoada por Deus. Não querem pagar o preço da autodisciplina para poder achar tempo para a Palavra de Deus e oração. Permitem que quase qualquer coisa tenha prioridade sobre reabastecimento espiritual. Não aprenderam a lição de Zacarias 4. Tentam vencer pelo próprio poder em vez de buscá-lo no Espírito de Deus.

Em muitos tipos de trabalho, há oportunidades maravilhosas para momentos breves de oração, louvor, comunhão espiritual e expressões de amor pelo Senhor. Mas, na maioria das vezes, vivemos como se o Senhor não estivesse ao nosso lado. Nós o ignoramos. Enchemos nossas mentes com fantasias, autopiedade e planos fabricados por nós mesmos. Podemos investir momentos com Deus enquanto estamos nos lavando, nos vestindo, andando a pé ou de carro e fazendo mil e uma outras atividades, se realmente quisermos.

Porém, há atividades ou ambientes em que isso é mais difícil. O ambiente em alguns lugares não é favorável a atividade espiritual e pode até ser hostil. Não dá para respirar a atmosfera de barulho, leviandade, sugestionabilidade, piadas imorais, materialismo ou blasfêmia do nome de Deus sem sentir seus efeitos – a não ser que recorra constantemente ao Senhor. Você começará a sentir uma perda cada vez maior de poder espiritual. Como Ló (2 Pe 2.7), você se sentirá constantemente angustiado e quase atormentado.

É necessário achar tranquilidade de alma para experimentar comunhão espiritual e renovação. Algumas pessoas estão tão acostumadas ao entretenimento do rádio e da televisão que quase nem sabem como usar um tempo em silêncio para buscar refrigério espiritual e renovação interior. Nos tempos bíblicos, o sacerdote se lavava antes de ministrar no tabernáculo ou no templo. Nós também precisamos tomar banhos espirituais ou, pelo menos, refrescar o rosto, simbolicamente, com momentos frequentes de comunhão com o Senhor.

3. Falta de unidade com outros cristãos causa vazamento de poder espiritual. Davi disse que unidade, como o orvalho do céu, traz refrigério e bênção espirituais (Sl 133.3). Desunião faz o contrário. Seca a alma, faz definhar a vida espiritual e anula refrigério e discernimento espiritual. O poder é dissipado por atitudes críticas, pensamentos de ressentimento, falta de perdão e amargura de coração.

Nada causará vazamento mais rápido da bênção, do poder e da unção de Deus em sua vida do que pensamentos indelicados sobre outras pessoas. Palavras maldosas, fofoca, rir à custa dos outros e conversas negativas cortam a fonte do poder e a doçura da presença de Deus. Qualquer coisa contrária ao carinhoso amor do Espírito Santo será devastador para o suprimento de poder espiritual.
Você é suficientemente sensível para reconhecer logo aquilo que entristece o Espírito Santo? Tudo o que atingir o povo de Deus toca na menina dos olhos de Deus (Zc 2.8). Com apenas um comentário crítico, você consegue anular a bênção que recebeu depois de horas de oração. O Espírito Santo é o meigo Espírito de perfeito amor. Um dos papéis dele é derramar em abundância o amor de Deus no nosso coração e, através de nós, para os outros (Rm 5.5). Não podemos correr o risco de magoar sua natureza amorosa.

Paulo trata esse assunto de forma direta e abrupta: “Tu, porém, por que julgas a teu irmão? E tu, por que desprezas o teu?” (Rm 14.10). “Quem és tu que julgas o servo alheio?” (Rm 14.4). Pensamentos críticos sempre entristecem o Espírito.

“E não entristeçais o Espírito de Deus... Longe de vós toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias... Antes sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou. Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo vos amou” (Ef 4.30 - 5.2).

4. Falta de obediência esvazia o poder espiritual. Deixar de andar continuamente na luz de Deus ou de aceitar e usar oportunidades dadas por ele pode causar perda de poder do Espírito. Deus constantemente nos concede oportunidades de realizar pequenas obras por Jesus. São coisas voluntárias, não obrigatórias; dependem da intensidade do nosso amor por Jesus e da nossa disposição de agradá-lo com pequenos gestos de amor.

Assim como uma expressão ativa de amor por Jesus aumenta a presença e bênção dele em sua vida, da mesma forma a negligência de tais gestos de amor pode resultar em perda da doce consciência da presença dele.

Deixar de estar atento para expressar o amor de Deus em pensamento, palavra ou ação pode resultar em desleixo espiritual e perda gradativa da presença e poder do Espírito em sua vida. Você tem a mesma sensibilidade para descobrir o que agrada a Jesus que tem quando se trata de um companheiro ou amigo mais íntimo?

Adiar a obediência, ignorar os toques sutis do Espírito, permitir que seu coração entre em controvérsia com o Senhor, resistir à perfeita vontade de Deus para você – essas coisas podem interromper o fluir do poder de Deus para sua vida. O poder espiritual é governado pelas leis espirituais de Deus tão infalivelmente quanto a energia elétrica e nuclear são governadas pelas leis naturais.

5. Autogratificação, um estilo de vida luxuoso, voltado para si mesmo, pode enfraquecer seu poder espiritual. O Dr. R. A. Torrey, professor da Bíblia e companheiro de obra de D. L. Moody, era profundamente convicto dessa verdade. Ele escreveu:

A autogratificação causa vazamento de poder. Quem quiser o poder de Deus precisa levar uma vida de abnegação... Eu não acredito que pessoa alguma consiga levar uma vida de luxo, gratificando todos seus apetites naturais, buscando prazer em iguarias e gulodices – e, ao mesmo tempo, desfrutar da plenitude do poder de Deus. A satisfação da carne e a plenitude do Espírito não andam de mãos dadas...

Se quisermos conhecer a constância do poder do Espírito, precisamos ser vigilantes e levar uma vida de simplicidade, livre de autogratificação e excessos, dispostos a sofrer aflições “como bom soldado de Jesus Cristo” (2 Tm 2.3). Confesso francamente que tenho medo de luxo, não na mesma proporção que teria do pecado, mas numa escala bem próxima. O luxo é muito sutil; porém, ao mesmo tempo, é um forte inimigo do poder. Há demônios hoje que não saem “senão por meio de oração e jejum”.

O Espírito Santo sempre quer alcançar os outros, sempre é sensível ao bem-estar de toda a igreja e do mundo. Egocentrismo é o contrário de ser centrado em Cristo e no Reino. Os cristãos podem gastar seu tempo de diversas maneiras, satisfazendo a si mesmos, vivendo de modo oposto ao espírito de renúncia e santidade, sem reconhecer as necessidades de um mundo em sofrimento e os desafios da extensão do Reino de Cristo. As palavras de Jesus (“sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos...”) serão aplicadas aos cristãos da nossa geração tanto quanto o foram às pessoas da época dele. Como o Espírito pode abençoar-nos com derramamentos de poder quando estamos tão pouco preocupados com aquilo que comove o seu coração?

6. Autossuficiência e orgulho enfraquecem o poder espiritual. Pode-se perder poder quase instantaneamente por causa do orgulho. Deus não divide sua glória com mais ninguém. Ele condescende em fazer sua obra por meio de pessoas cheias do Espírito, mas retira seu poder, muitas vezes de forma abrupta, quando alguém estende a mão de orgulho para tomar para si mesmo a glória que pertence somente a Deus. Eis um dos motivos por que Satanás trabalha tão frequentemente com a tentação do orgulho.

Billy Graham afirma constantemente que se “Deus tirasse sua mão da minha vida, meus lábios se tornariam lábios de barro”. Somos tão-somente vasos “de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2 Co 4.7).

Deus pôde revelar-se a Moisés de maneira tão plena, num relacionamento mais íntimo, mais face a face do que com qualquer outro ser humano (Dt 34.10), e operou milagres mais poderosos por meio de Moisés do que por qualquer outra pessoa (Dt 34.12) porque Moisés era a pessoa mais humilde na face de toda a Terra (Nm 12.3).

Uzias foi grandemente amparado por Deus até que se tornou forte e deixou seu coração se exaltar (2 Cr 26.15,16). A história de muitos líderes cristãos poderia ser relatada com as mesmas palavras. Deus operou poderosamente em favor de Ezequias até que seu coração ficou inacreditavelmente vaidoso por causa da resposta à sua oração (2 Cr 32.25). Nabucodonosor foi honrado e usado por Deus até que se exaltou (Dn 5. 20).

A própria queda de Satanás foi por causa de orgulho (Ez 28.2,5,17; 1 Tm 3.6). O orgulho torna-nos mais semelhantes a Satanás do que a Cristo. O orgulho faz com que Deus afaste seu rosto de nós. Deus se opõe aos orgulhosos, mas dá graça aos humildes (Tg 4.6; 1 Pe 5.5).

Qualquer passo de autossuficiência é o primeiro passo para o orgulho. Qualquer aceitação de louvor a si mesmo provavelmente está negando a Deus o louvor que lhe é devido. Autoconfiança pode até ser um sinal de humildade se estiver baseada no auxílio que sempre vem de Deus e se permanecermos em total dependência dele. Contudo, autoconfiança pode ser carnal, pode ser uma forma carnal de depender de nós mesmos, roubando-nos da doce presença do Senhor e do seu grande poder.

Qualquer poder manifestado no ministério de alguém que não foi marcado por profunda humildade é poder falsificado. Não é o poder de Deus. Pode ser poder psicológico. Pode até ser o poder de Satanás que se deleita em fazer pose como anjo de luz (2 Co 11.14).

7. Leviandade excessiva pode causar enfraquecimento de poder espiritual. O humor é um dom de Deus para nós, mas deve ser usado somente de maneira apropriada e em grau moderado. O próprio Deus obviamente aprecia humor saudável. Foi por isso que nos criou com capacidade de apreciar humor e de dar risadas. Contudo, existe um tempo, um lugar e um limite para o humor que Deus abençoa. Mesmo humor saudável, se for excessivo, pode dissipar o poder de Deus. Tenho notado que logo antes de uma responsabilidade espiritual especial, mesmo quando nem sei o que me espera, Satanás tenta envolver a mim e a outros com brincadeiras para fazer-nos perder o discernimento e a sensibilidade espiritual.

Satanás tem prazer em roubar-nos da unção e do poder de Deus logo antes de uma crise espiritual ou de um momento em que teremos grande necessidade de força sobrenatural. A presença e o poder do Espírito que vêm por meio de várias horas de oração podem ser perdidos em cinco minutos de humor impróprio ou de humor num momento impróprio.

8. O pecado sempre mina e destrói o poder do Espírito. Desobediência consciente, pecado contra a luz, pecado contra outra pessoa e deixar de andar, de algum modo, na luz de Deus impedirão a consciência da presença de Deus e o sorriso do favor dele. O pecado impede o poder do Espírito de encher sua vida para que seja usada por Deus. O pecado rouba a oração de sua eficácia. “Se eu tivesse guardado o pecado no coração, o Senhor não me teria ouvido” (Sl 66.18). Isso se refere, é claro, à definição bíblica de 1 Jo 3.4, que é quebrar intencionalmente a lei de Deus a despeito de ter luz clara a respeito.

Quando Israel desobedeceu a Deus e quebrou a aliança com ele, Deus não deu atenção às suas lágrimas e orações (Dt 1.45). Assim como Sansão perdeu tanto o cabelo quanto o poder de Deus porque brincou com desobediência e pecado, obreiros cristãos igualmente têm perdido completamente o poder de Deus em sua vida.

Imagens: Zondervan
Às vezes, não percebemos que desobedecemos ao Senhor; só sentimos no coração que entristecemos, de algum modo, o Espírito. Por um lado, isso pode ser uma mera acusação de Satanás na sua estratégia de desanimar e derrotar-nos. Por outro lado, pode ser um toque do Espírito. Ele é tão amoroso e fiel que falará conosco ou tocará nosso coração se chegarmos a entristecê-lo sem ter plena consciência do que fizemos. Se desenvolvermos um ouvido atento, buscando a direção de Deus, ele não terá dificuldade em conseguir nossa atenção e nos alertar.

Graças a Deus, há perdão e purificação à nossa disposição. Sempre há um caminho aberto para voltar ao favor, à presença e ao poder de Deus (1 Jo 2.1,2). Se tivermos contrição, se nos humilharmos diante do Senhor, se nos arrependermos naquilo que é necessário, o perdão pode abrir as portas para o pleno favor de Deus, e a fonte inesgotável do seu poder será disponível outra vez.

Extraído de Ablaze For God (Incendiado Para Deus), de Wesley L. Duewel.
Fonte:  O Arauto da Sua Vinda - Ano 28 nº 2 - Maio 2010

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Poder Através da Impotência - Dennis Kinlaw

O artigo a seguir foi adaptado de uma mensagem proferida na conferência "Heart-Cry for Revival" (Clamor do Coração por Avivamento), em abril de 2004, em Asheville, Carolina do Norte, EUA.

Na segunda carta de Paulo aos Coríntios, do capítulo 10 ao capítulo 13, temos uma passagem muito interessante que nos revela fatos sobre o apóstolo os quais não temos em nenhum outro lugar. Vemos ali seu coração de pastor e seu cuidado com relação a um rebanho ao qual tivera o privilégio de apresentar o evangelho e, depois, de conduzir à fé em Jesus. Eram seus filhos e, no capítulo 11, ele abre seu coração em palavras comoventes e afetuosas, revelando o sonho e anseio que o moviam: apresentá-los "como virgem pura a um só esposo, que é Cristo" (v.2). Que filosofia interessante de ministério pastoral é esta: apresentar seu povo como virgem pura a Cristo!

Em Atos 18, lemos a respeito da sua primeira visita a Corinto e de como iniciou pregando na sinagoga, até que o expulsaram de lá. Quando isso aconteceu, Deus o orientou a não sair daquele lugar porque coisas maiores aconteceriam. E assim continuou na cidade por mais um ano e meio, ensinando a Palavra de Deus. Na ocasião em que escreveu sua segunda carta aos coríntios, Paulo estava se preparando para visitá-los pela terceira vez.

A preocupação que move o coração de Paulo em toda a carta é o bem-estar desses seus filhos em Cristo. O problema era que mestres estavam entrando e ensinando coisas contrárias ao que haviam aprendido. Paulo queria lhes advertir que essas pessoas estavam apresentando outro Cristo, outro espírito e outro evangelho. Em toda essa carta e, especialmente, nos últimos quatro capítulos, sua ênfase era a preservação da pureza do evangelho no meio dessas pessoas que foram conduzidas a Cristo por intermédio dele.

Veja comigo a introdução do capítulo 11 a fim de captar um pouco da sua paixão. "Quisera eu me suportásseis um pouco mais na minha loucura" (2 Co 11.1). Em sua argumentação, Paulo precisou falar um pouco a respeito de si mesmo, fazendo algo que lhe era muito desagradável. Por isso diz: "Quisera eu me suportásseis um pouco mais na minha loucura. Suportai-me, pois. Porque zelo por vós com zelo de Deus".

É importante salientar o fato de que a palavra zelo na Bíblia quase sempre seria melhor traduzida por ciúme. Paulo tinha ciúme do afeto e da lealdade de seus filhos espirituais quando eram desviados do seu verdadeiro alvo.

E aí vem este texto maravilhoso: "...visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo. Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo. Se, na verdade, vindo alguém, prega outro Jesus que não temos pregado, ou se aceitais espírito diferente que não tendes recebido, ou evangelho diferente que não tendes abraçado, a esse, de boa mente, o tolerais. Porque suponho em nada ter sido inferior a esses tais apóstolos" (2 Co 11.2-5).

Numa passagem como esta, podemos sentir a paixão de Paulo pela proteção da pureza do Evangelho. Isso deve ter grande significado para nós hoje que buscamos o avivamento, pois nunca houve um avivamento em que a teologia não fosse restaurada. Nunca houve um avivamento em que Cristo não fosse reconhecido como o eterno Filho de Deus, o Deus que desceu até nós.

Paulo estava defendendo seu apostolado de maneira até atípica em relação aos seus outros escritos. Mas seu interesse não era se exaltar e, sim, defender a pureza do Evangelho. Os coríntios estavam dizendo que havia outros apóstolos maiores que ele, superapóstolos (2 Co 11.5, NVI). O problema não era a superioridade deles, mas o tipo de doutrina que estavam ensinando, o tipo de espírito e o tipo de evangelho. Para combater essas falsas idéias, Paulo precisou falar de suas próprias experiências, o que nos forneceu dados biográficos que não teríamos se não fossem esses falsos obreiros (veja 2 Co 11.21-33).

Por que Paulo precisou defender seu apostolado e falar de suas credenciais pessoais? Porque o próprio Jesus identificava o Evangelho com seus servos e seus servos com o Evangelho. Quando enviou os doze em Mateus 10, ele disse que quem recebia seus discípulos recebia aquele que os enviou, e quem recebia Jesus recebia o Pai (Mt 10.40). Se o povo rejeitasse os discípulos, ficaria sem Jesus, e, sem Jesus, não teria tampouco o Pai. Era assim que Jesus identificava o servo de Deus com o próprio Deus. Isso pode ser confirmado também em João 13.20. Conseqüentemente, não há lugar para frouxidão espiritual na vida de um servo do Senhor. Se eu não estiver limpo, o que passarei aos outros?

Paulo estava pronto para defender seu apostolado porque sentia uma identificação entre sua mensagem e sua pessoa. Não era uma questão de exaltação, mas de proteção ao Evangelho. Se o Evangelho fosse prostituído, o prejuízo seria de Jesus, e havia uma paixão em Paulo por Jesus que o impedia de ficar passivamente observando enquanto o Evangelho era diluído ou alterado. Se quisermos ver um avivamento, precisamos estar interessados na teologia que o tornará possível.

Paulo não estava à vontade ao falar desse modo. Disse que falava como um louco, mas que "vocês me forçaram a falar assim". Os tais apóstolos, os super-apóstolos estavam ridicularizando Paulo mais ou menos desta forma: "Ele é totalmente desprezível quando você o vê pessoalmente. Ele escreve essas epístolas impressionantes que impactam profundamente a quem lê. Mas espere vê-lo em pessoa. Não impressiona ninguém". Ainda mais, diziam que no fundo não era um bom pregador. Nunca fora treinado pelos mestres da retórica, portanto não era um perito em técnicas de pregação.

Esse era o ponto principal dos seus acusadores porque, como o objetivo destes era persuadir as pessoas a segui-los, o estilo e a técnica eram tudo para eles. Já Paulo não tinha muito interesse em estilo, mas em conteúdo. Seu interesse era na verdade do que estava dizendo. Eu tenho tomado muita coragem a partir desse fato. Posso não estar falando algo muito inteligente ou eloqüente, mas se a Palavra de Deus estiver presente, Deus pode usá-la para fazer uma diferença na vida das pessoas.

Paulo se Gloria na Fraqueza

As pessoas que criticavam Paulo claramente se sentiam espiritualmente superiores a ele. Há indícios de que tinham bastante orgulho das suas experiências espirituais e que falavam muito de visões e revelações.

A resposta de Paulo foi relatar uma grande experiência sua. A história foi contada na terceira pessoa, talvez por ser sagrada demais para contar na primeira (2 Co 12.1-6). Um homem, ele disse, foi arrebatado ao terceiro céu, catorze anos antes, e esteve no próprio paraíso, ouvindo coisas que ninguém seria capaz de descrever, proibidas de serem repetidas. Porém Paulo não queria falar sobre visões ou experiências espirituais, mas sobre Cristo. Era como se tivesse escrito: "Quero falar sobre ele e vou fazer isso mostrando o contraste entre mim e ele". Paulo disse que se gloriava não no seu apostolado, não nas suas visões, experiências pessoais ou habilidades de pregação. Antes queria falar a respeito de suas fraquezas.

Nos últimos quatro capítulos de 2 Coríntios, as diversas formas da palavra fraco (ser fraco, fraqueza, fraquejar) aparecem treze vezes. A palavra no grego é asthenos. O prefixo "a" é um elemento negativo, como em ateu (aquele que não crê em Deus, theos). A palavra sthenos significa força, portanto asthenos é a ausência de força.

Se sou fraco, preciso ser fortalecido, mas se não tenho força alguma, preciso receber força. Por quase toda minha vida, pedi: "Senhor, fortalece-me para fazer tua obra; levanta-me e torna-me eficaz; assim conseguirei realizar a obra". Mas Paulo está dizendo o contrário: "Tire todas as minhas forças do caminho para que não haja dúvida alguma sobre quem está fazendo a obra".

Paulo estava dizendo que queria gloriar-se na sua impotência. Sua visão era esvaziar-se a si mesmo e livrar-se da mistura de suas habilidades humanas mais a operação de Deus. Tinha de tirar tudo isso do caminho para que Deus pudesse ser glorificado.

Veja em Zacarias 4.6 como esse era um antigo tema bíblico. Quando Deus queria fazer algo por seu povo, ele disse: "Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos". As duas palavras usadas aqui - força e poder - representam todas as capacidades humanas.

Veja também Gálatas 2.20: "Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne..." É algo incrivelmente complexo, porque não sou eu, mas ainda estou aqui. Não eu, mas Cristo em mim.

Chegando ao Fim de Nós Mesmos

Lemos em Isaías 40.31: "Os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam". No hebraico, o texto literal é assim: "Os que esperam no Senhor trocam [no sentido de permutar] suas forças". Esta palavra hebraica, chalaph, implica uma permuta de forças em que você cessa de fazer as coisas usando sua força natural e recebe, em substituição, o poder e a força do Espírito, que começa a fluir e a operar em sua vida.

Em síntese, nós nunca somos as causas; apenas as ocasiões. Nunca somos a causa de algo que tenha significado eterno, somente uma ocasião. Você não vai querer interferir no agir daquele que é a causa, pois ele precisa estar no controle absoluto. Quando isso acontece, o resultado é maravilhoso. Ao chegar ao ponto em que o Espírito Santo está livre e pode fluir e realizar sua obra, você descobrirá que este é o maior momento que já viveu.

Paulo fala no capítulo 8 de Romanos sobre a carne e o Espírito. Você pode viver na carne e produzir morte, ou viver no Espírito e ter vida. Cristo veio para que eu pudesse viver no Espírito. Essa é a maior ênfase de Paulo nesta passagem.

Vamos pensar numa ilustração bíblica. Lembra-se das duas ocasiões em que Moisés tirou água da rocha? Em Êxodo, Moisés contou para Deus que o povo estava se queixando de sede. Deus mandou que ferisse a rocha com a vara e a água sairia. E foi assim que aconteceu (Êx 17.1-7). Em Números 20.1-13, o povo estava murmurando outra vez. Irritaram a Moisés e ele ficou impaciente e irado. Deus mandou falar com a rocha e a água sairia. Moisés se colocou diante do povo que estava em contenda com Deus, falou duro com eles e feriu a rocha com a vara duas vezes. A água fluiu, mas Deus disse a Moisés e Arão que cometeram um grande erro. "Não fareis entrar este povo na terra que lhe dei".

Acho que entendo por que Deus disse isso. Se ele deixasse Moisés entrar na terra prometida, a mensagem seria contaminada. A fonte da água não é obra de Deus e obra minha. É somente obra de Deus. Deus não podia deixar que essa mensagem ficasse contaminada. Não há salvação em coisa alguma que eu e você façamos, a menos que Deus esteja nela, operando através de nós. Precisa ficar muito claro que só Deus pode salvar.

O Espinho na Carne

De acordo com o relato em 2 Coríntios 11.21-33, Paulo se sacrificara muito em favor de Cristo e recebera visões dos céus (2 Co 12.1-6). Para evitar que se exaltasse além da medida e pensasse de forma muito soberba acerca de si mesmo, foi-lhe enviado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás para esbofeteá-lo (2 Co 12.7).

Paulo não gostou do espinho e pediu a Deus três vezes que o retirasse. No fim, deixando claro que não deveria mencionar esse pedido mais uma vez sequer, Deus lhe disse: "A minha graça te basta". O poder de Deus "se aperfeiçoa na fraqueza", ou seja, na impotência.

Eu creio que em algum ponto na vida de cada um de nós neste mundo caído, para alcançarmos qualquer medida de graça, algo terá que acontecer para nos mostrar que precisamos ser totalmente dependentes de Deus e não dos dons ou de qualquer outra habilidade que tivermos.

Por que Deus nos envia essas coisas que nos causam desgosto e sofrimento? Para nos conduzir à verdadeira dependência dele. Ele quer nos manter na posição em que o tom do nosso testemunho não seja corrompido, mas que tenha a pureza que vem dele.

Conclusões Importantes

Em conclusão, devemos pensar sobre três coisas. A primeira é a importância da pureza do Evangelho, porque se o Evangelho não for puro, não há esperança. Isso fica dramaticamente claro em alguns contextos eclesiásticos. Nesses lugares, nunca haverá avivamento enquanto não houver uma mudança radical na teologia.

Em segundo lugar, a graça não pode ser armazenada. Depois de estar na vida cristã há tanto tempo quanto eu, é fácil dizer: "Eu já sei o suficiente sobre a graça. Posso lidar com esta situação". Não, você não pode lidar com coisa alguma sem Deus. Um dos motivos que pregadores se enredam em pornografia ou outros laços malignos é que pensam que têm uma grande conta bancária de graça divina que lhes valerá em qualquer crise. Porém, não se pode armazenar graça. Isso não é ruim, contudo; é benéfico, porque ajuda-nos a manter contato constante com Deus e a sempre andar perto dele.

A terceira coisa é que precisamos de um mestre - e Deus nos deu um: o Espírito Santo. Isso significa que devemos viver sensíveis aos impedimentos do Espírito em nosso interior, andando no Espírito, prontos a atender quando ele quer nos advertir, estimular ou bloquear.

Há também algumas perguntas que devemos fazer. Você está limpo ou há algo no seu interior que precisa ser purificado? Como Paulo, meu desejo é apresentar você como virgem pura a Cristo, de forma que o seu amor por ele não seja contaminado com outras coisas e torne-se o fator dominante da sua vida. Você está limpo? "Purificai-vos, os que levais os utensílios do Senhor", disse Deus em Isaías 52.11. Há poder no sangue de Jesus que pode purificar até os mais profundos recessos do coração humano.

A segunda pergunta é: Você sabe por que Deus o colocou no lugar em que você está? Ele tem um propósito para você ali e uma obra para fazer. Isso está bem claro para você? Que fardo ele lhe deu para carregar?

E, em terceiro lugar, você já fez aliança com o Senhor de pagar qualquer preço que seja necessário para completar o encargo que lhe deu? Já se comprometeu, dizendo: "Senhor, tudo que tenho está no altar a fim de que possas realizar o propósito para mim aqui"? Seu coração está dividido? Já fez a oração de George Matheson: "Cativa-me, Senhor, e então serei livre"? Ele é o único que pode cativar a totalidade do nosso coração.

Que possamos dizer: "Senhor, estou fazendo uma aliança contigo. Vou apegar-me a ti até que teu propósito se cumpra, seja qual for o preço, Deus, seja qual for o preço!"

Dennis Kinlaw é o fundador da "Francis Asbury Society", sediada em Kentucky, nos EUA. Participou de um avivamento na Faculdade Teológica de Asbury em 1970, da qual era presidente na época. Mais informações sobre o seu ministério no site: www.francisasburysociety.com/kinlaw.htm.

Fonte: Arauto Ano 23 nº 6 - Novembro/Dezembro 2005

Imagem: Universidade Teológico de Seul

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Conhecendo Deus Por Meio da Oração - Anônimo

Horace Bushnell
Oração é muito mais do que meramente pedir alguma coisa a Deus, embora este seja um aspecto muito valioso dela, principalmente porque serve para nos lembrar da nossa absoluta dependência do Senhor. Porém, a oração também é comunhão com Deus – é conversar com ele, não somente para ele. Passamos a conhecer as pessoas quando falamos com elas. Conhecemos Deus da mesma maneira. A consequência mais importante da oração não é a libertação do mal ou a obtenção de algo desejado, e sim o conhecimento de Deus.
E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro” (Jo 17.3). Sim, a oração nos faz descobrir mais de Deus, e esta é a maior descoberta da alma. Os homens ainda clamam: “Ah! se eu soubesse onde o poderia achar! então me chegaria ao seu tribunal” (Jó 23.3).

O cristão ajoelhado sempre o “acha” e é achado por ele. A visão celestial do Senhor Jesus cegou os olhos de Saulo de Tarso na sua queda, mas ele nos conta que, mais tarde, quando estava orando no templo em Jerusalém, caiu em êxtase e viu Jesus: “... vi o Senhor” (Atos 22.18, NVI). Foi então que Cristo lhe deu a grande comissão de ir para os gentios.

A visão é sempre uma precursora de chamado e decisões ousadas. Foi assim com Isaías. “Eu vi o Senhor...alto e sublime, e o seu séqüito enchia o templo” (Is 6.1). O profeta, aparentemente, estava no templo orando quando isso aconteceu. Sua visão também foi um prelúdio para uma chamada para o serviço: “Vai...” (v.9). Observe que não se pode ter uma visão de Deus sem orar. E onde não há visão, o espírito perece.

Sede Somente Por Deus
Certa vez, um amigo de Horace Bushnell esteve presente enquanto aquele homem de Deus orava. Veio sobre ele uma maravilhosa sensação da proximidade de Deus. Ele testemunhou:
“Quando Horace Bushnell escondeu o rosto em suas mãos e orou, tive receio de estender minha mão no escuro porque poderia tocar em Deus”.
Será que era a mesma sensação do salmista de antigamente quando clamou: “Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa” (Sl 62.5)? Creio que grande parte do nosso fracasso na oração se deve ao fato de não termos investigado “o que é a oração”. É bom estar consciente de que sempre estamos na presença de Deus. É melhor ainda contemplá-lo em adoração. Mas o melhor de tudo é ser íntimo com ele como um amigo – e a oração é exatamente isso!

Verdadeira oração no nível mais alto e apurado procede de um espírito sedento por Deus – somente por Deus. Oração autêntica vem dos lábios de quem fixou o coração nas coisas lá do alto. Que homem de oração era Zinzendorf! Por quê? Porque buscava mais o Doador do que os dons. Ele dizia: “Tenho apenas uma paixão: é ele, somente ele”.

É claro que sabemos que Deus nos convida a levar nossos pedidos a ele. Ninguém tem dificuldade em obedecer-lhe nesse aspecto, e podemos ficar em paz na certeza de que a oração tanto agrada a Deus quanto supre todas as nossas necessidades. Mas só uma criança muito estranha buscaria a presença do pai apenas quando desejasse algum presente da parte dele! E não ansiamos, todos nós, por um nível de oração mais elevado do que este da simples petição? O que é necessário para alcançá-lo?

Parece-me que somente dois passos são necessários – ou seria melhor dizer dois pensamentos? Em primeiro lugar, precisa haver uma percepção da glória de Deus e, depois, da sua graça.

Reconhecimento da Glória de Deus
Você acha que existe alguém, entre nós, que se dedica suficientemente a meditar sobre a extraordinária grandeza da glória de Deus – e mais do que isso, a maravilhar-se dela? E você supõe que qualquer um de nós tenha apreendido o profundo significado da palavra “graça”? E não seria justamente por isso que nossas orações geralmente são ineficazes e impotentes (e às vezes nem podem ser chamadas de oração) – porque vamos entrando na presença de Deus sem pensar e sem nos preparar, sem reconhecer a majestade e a glória do Deus de quem estamos nos aproximando, e sem refletir sobre as infinitas e excelsas riquezas de sua glória em Cristo Jesus? De onde esperamos obter nossa bênção? De fato, precisamos aprender a “pensar de maneira grandiosa nas coisas de Deus”.

Não seria melhor, então, que antes de depositar nossas petições diante de Deus, nos voltássemos primeiro a meditar sobre sua glória e, depois, sobre sua graça – pois ele nos oferece tanto uma quanto a outra. Precisamos elevar nosso espírito a Deus. Coloquemo-nos, por assim dizer, na presença de Deus e dirijamos nossa oração ao Rei dos reis e Senhor dos senhores, ao único que tem imortalidade e que habita na luz inacessível; ao qual seja honra e poder sempiterno (1 Tm 6.16). Rendamos a ele adoração e louvor por causa de sua grandiosa e extraordinária glória. Consagração não é suficiente. Precisa haver adoração.

Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos”, exclamam os serafins; “toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6.3). “Glória a Deus nas maiores alturas”, proclama uma “multidão da milícia celestial” (Lc 2.13,14). Entretanto alguns de nós tentam ter intimidade com Deus sem parar para “tirar as [nossas] sandálias dos [nossos] pés” (Ex 3.5).

De fato, recebemos o direito de nos aproximar da sua glória com ousadia. Nosso Senhor não pediu em oração que seus discípulos pudessem ver sua glória? (João 17.24). Por quê? E por que “toda a terra está cheia da sua glória”? O telescópio revela a glória infinita. O microscópio revela a glória minuciosa, perfeita nos mais minúsculos detalhes. Até o olho nu consegue ver suprema glória na paisagem, no brilho do sol, no mar e no céu.

O que significa tudo isso? Essas coisas são apenas uma revelação parcial da glória de Deus. Não foi um desejo de autopromoção que levou nosso Senhor a orar: “Pai... glorifica a teu Filho” e ”agora, glorifica-me, ó Pai” (João 17.1,5). O nosso amado Senhor queria que compreendêssemos sua infinita confiabilidade e seu poder ilimitado de tal modo que pudéssemos chegar a ele em simples fé e confiança.

Prenunciando a vinda de Cristo, o profeta declarou que “a glória do Senhor se manifestará, e toda a carne a verá” (Is 40.5). Precisamos agora obter um vislumbre daquela glória antes de podermos orar de maneira correta. Por isso, nosso Senhor disse: “Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome” (Lc 11.2). Não há nada como um vislumbre de glória para afastar o medo e a dúvida.

Expressando a Glória de Deus
A maioria de nós precisa de ajuda para enxergar a glória do Deus invisível a fim de podermos louvá-lo e adorá-lo adequadamente. William Law disse:
“Quando você começa a orar, use expressões dos atributos de Deus que o tornem consciente de sua grandeza e poder”.
Esse ponto é de uma importância tão tremenda que nos aventuraremos a deixar aqui algumas sugestões para ajudar nesse sentido. Algumas pessoas começam o dia olhando para o céu e dizendo: “Glória seja ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”. A oração: “Ó Senhor Deus santíssimo, ó Senhor Todo-poderoso, ó Salvador santo e misericordioso!” geralmente é suficiente para trazer sobre a alma uma solene reverência e um espírito de santa adoração. Uma estrofe de um hino pode servir ao mesmo propósito:
Meu Deus como és maravilhoso!
Como brilha a tua majestade.
Como é belo o teu santo assento
Nas profundezas da brilhante luz!
Quão maravilhoso, quão belo
Deve ser ver-te como tu és;
Teu saber infinito, teu poder ilimitado
Tua pureza sem par.
Senhor meu Deus, quando eu maravilhado,
Fico a pensar nas obras de tuas mãos
O céu azul de estrelas pontilhado
O teu poder mostrando a criação
Então minh´alma canta a ti Senhor
Grandioso és tu! Grandioso és tu!
Grandioso és tu! Grandioso és tu!

Isto nos leva às alturas celestiais, como também as palavras seguintes:
Santo, Santo, Santo, Deus Onipotente,
Tuas obras louvam teu nome com fervor
Santo, Santo, Santo, justo e compassivo,
És Deus triuno, excelso criador!

É preciso gritar, e gritar com freqüência: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador” (Lc 1.46,47). Podemos captar o espírito do salmista e cantar: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Senhor Deus meu... estás vestido de glória e de majestade” (Sl 104.1). Quando é que aprenderemos que “no seu templo todos clamam Glória!” (Sl 29.9). Clamemos nós também: Glória!

Tudo o que ele é, e tudo o que ele faz é glória. A sua santidade é “gloriosa” (Êx 15.11). O seu nome é “glorioso” (Dt 28.58). A sua obra é “gloriosa” (Sl 111.3). O seu poder é “glorioso” (Cl 1.11). A sua voz é “gloriosa” (Is 30.30).

Tudo o que é brilhante e belo,
Todas as criaturas, grandes e pequenas,
Todas as coisas sábias e maravilhosas,
Todas elas foram criadas pelo Senhor Deus para a sua glória.

Refletindo a Sua Glória
Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente” (Rm 11.36). Este é o Deus que nos convida a irmos até ele em oração. Este Deus é o nosso Deus, e ele tem “dons para os homens” (Sl 68.18). Deus diz que todos os que são chamados pelo seu nome foram criados para a sua glória (Is 43.7). A sua igreja será uma igreja “gloriosa” – santa e sem mácula (Ef 5.27). Você já conseguiu entender plenamente que o Senhor Jesus deseja dividir conosco a glória que vemos nele? Este é o maior presente dele para mim e para você, os seus redimidos.

Acredite, quanto mais tivermos da glória de Deus, menos iremos atrás de seus dons. Não haverá glória para nós somente naquele dia “quando vier para ser glorificado nos seus santos” (2 Ts 1.10), mas também aqui e agora – hoje. Ele quer que sejamos participantes de sua glória. Não foram estas as palavras do próprio Senhor? “Dei-lhes a glória que a mim me deste”, diz ele (Jo 17.22). E qual foi a ordem de Deus? “Levanta-te, resplandece, porque já vem a tua luz, e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti.” Não, é ainda mais do que isso: “a sua glória [do Senhor] se verá sobre ti”, diz o inspirado profeta (Is 60.1,2).

Deus deseja que as pessoas digam sobre nós o que Pedro disse a respeito dos discípulos da igreja primitiva: “sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus” (1 Pe 4.14). Não seria isto uma resposta à maioria das nossas orações? Poderíamos pedir algo melhor? Como podemos obter essa glória? Como é que vamos refleti-la? Somente como resultado de oração. É quando nós oramos que o Espírito Santo recebe as coisas de Cristo e as revela a nós (Jo 16.15).
Foi quando Moisés orou: “Rogo-te que me mostres a tua glória”, que ele não somente viu, mas também participou de uma parcela daquela glória, pois seu rosto brilhou com a luz que emanava dele (Ex 33.18; 34.29). E quando nós também contemplarmos a “glória de Deus na face de Cristo” (2 Co 4.6), não só veremos um vislumbre daquela glória, mas um pouco dela passará a brilhar através de nós.

Essa é a verdadeira oração e o mais sublime resultado dela. Não existe qualquer outra maneira de obter essa glória para que Deus seja glorificado em nós (Is 60.21). Quando pudermos declarar com João: “Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo” (1 Jo 1.3), as pessoas também dirão de nós: “Eles estiveram com Jesus!”.

À medida que elevamos nosso coração em oração ao Deus vivo, recebemos a beleza da santidade, assim como uma flor fica linda por estar sob os raios do sol. O próprio Senhor não foi transfigurado enquanto orava? E a “aparência” (Lc 9.29) do nosso rosto também será transfigurada, e teremos nosso Monte de Transfiguração quando a oração ocupar seu devido lugar na nossa vida. As pessoas verão no nosso rosto “o sinal externo e visível de uma graça interior e espiritual”. Nosso valor diante de Deus e dos homens está na proporção exata em que revelamos a glória de Deus aos outros.

Uma Nova Visão da Glória de Deus
O que é oração? É um sinal de vida espiritual. Esperar vida espiritual de um coração que não ora é o mesmo que esperar vida de um homem morto! Nossa espiritualidade e capacidade de dar fruto são sempre proporcionais à realidade das nossas orações. Portanto, se tivermos nos afastado do lar, nessa questão da oração, tomemos uma decisão hoje: “Levantar-me-ei e irei ter com meu Pai e lhe direi: Pai...”.

“O segredo do fracasso é olhar para os homens em vez de olhar para Deus. O sistema eclesiástico tremeu quando Martinho Lutero viu Deus. O ‘grande despertamento’ irrompeu poderosamente quando Jonathan Edwards viu Deus. A Escócia caiu prostrada quando John Knox viu Deus. O mundo se tornou a paróquia de um homem quando John Wesley viu Deus. Multidões foram salvas quando George Whitefield viu Deus. Milhares de órfãos foram alimentados quando George Müller viu Deus. E ele é ‘o mesmo ontem, hoje, e para sempre’.”

Já não é tempo de buscarmos uma nova visão de Deus – de Deus em toda a sua glória? Quem pode dizer o que acontecerá quando a igreja vir Deus? Mas não esperemos pelos outros. Procuremos essa visão da glória de Deus, cada um de nós por si mesmo, com o rosto desvendado e o coração puro.

Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” (Mt 5.8).

O Dr.Wilbur Chapman escreveu para um amigo:
“Aprendi algumas lições importantes sobre a oração. Em uma de nossas missões na Inglaterra a frequência era muito pequena. Mas recebi um recado dizendo que um missionário americano...vinha trazer a bênção de Deus sobre o nosso trabalho por meio da oração. Ele era conhecido como ‘o homem que orava’ (John Hyde). Quase instantaneamente a maré mudou. O salão ficou lotado e, no meu primeiro apelo, cinquenta homens aceitaram Cristo como Salvador. Quando estávamos saindo, eu disse: ‘Sr. Hyde, peço-lhe que ore por mim’. Ele veio até o meu quarto, passou a chave na porta e ajoelhou-se; cinco minutos se passaram sem que uma sílaba saísse dos seus lábios. Eu podia ouvir meu coração latejando e as batidas do coração dele. Senti lágrimas quentes correndo pelo meu rosto. Eu sabia que estava com Deus. Então, com o rosto para cima, com as lágrimas escorrendo, ele disse ‘Ó Deus!’. Depois, por mais cinco minutos pelo menos, ele continuou em silêncio. Finalmente, quando sentiu que estava falando com Deus, jorrou da profundeza do seu coração petições pelos homens tais como nunca antes ouvira. Quando levantei-me dos meus joelhos, eu já sabia o que é a verdadeira oração. Acreditamos que a oração é poderosa e cremos nela agora como nunca antes.”

O Dr.Chapman costumava dizer:
“Foi uma temporada de oração com John Hyde que me fez reconhecer o que é verdadeira oração... e gerou um anseio que dura até hoje de ser um verdadeiro homem de oração”.

E Deus, o Espírito Santo, pode, de fato, nos ensinar.

Extraído de The Kneeling Christian (O Cristão de Joelhos).
Fonte: O Arauto da Sua vinda - Ano 28 nº 2 - Maio 2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Dez Mentiras a Respeito do Pecado - Jeremiah Bass

Este artigo foi extraído do Jornal O Arauto da Sua Vinda e fala sobre o Pecado. Também escrevi algumas coisas sobre Pecado!

Pecado, Pecadinho, Pecadão - parte 1
Pecado, Pecadinho, Pecadão - parte 2
Pecado, Pecadinho, Pecadão - parte 3

Não achei nenhuma foto do senhor Jeremias Bass! Nem no site do Life Action, nem em outro lugar!

"Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira" (Jo 8.44).

Este versículo nos fala muito a respeito da natureza do diabo. O diabo é um mentiroso. As mentiras são a sua língua nativa, e ele as usa ardilosamente. Elas são o seu principal instrumento para a ruína e destruição da humanidade. Na verdade, o diabo assassina através das suas mentiras.

Paulo tece um comentário sobre as mentiras do diabo numa advertência aos crentes de Corinto: "O que receio, e quero evitar, é que assim como a serpente enganou Eva com astúcia, a mente de vocês seja corrompida e se desvie da sua sincera e pura devoção a Cristo" (2 Co 11.3). Observe as palavras "a mente de vocês" - esta é a área que está sob ataque constante do diabo. A corrupção da mente é uma das principais maneiras de o diabo desviar as pessoas de Cristo (veja também 2 Ts 2.9-10; 1 Tm 4.1).

É imperativo, portanto, desmascarar as artimanhas de Satanás de tal modo que não abracemos as suas mentiras. O grau da nossa santificação é proporcional à extensão da nossa crença e prática da verdade (Jo 17.17). Devemos estar preparados para resistir aos ataques do diabo familiarizando-nos com os seus desígnios.

Primeira Mentira - O Pecado Traz Realização
Não existe um pecado que não seja influenciado por essa racionalização. Pensamos que o pecado nos torna mais felizes. Mas, na realidade, o pecado é a causa principal de toda a miséria e infelicidade, tanto nesta vida como na vida por vir. Morte, doença, desavenças, guerra, fome, vício (de qualquer espécie), famílias desmanteladas, ódio, dor, sofrimento e uma miríade de outros males, tudo isso encontra a sua origem no pecado. Não havia nenhuma dessas coisas antes que o pecado tivesse entrado no mundo, e quando os céus e a terra forem recriados em justiça, também lá não estarão (Ap 21.2-4).
O pecado contradiz diretamente o propósito para o qual nós fomos criados, e jamais seremos felizes num tal estado. Bem no âmago da nossa humanidade, Deus nos fez com o desejo de buscá-lo (At 17.24-28), de aprender os seus mandamentos (Sl 119.73) e de servi-lo com alegria (Sl 100.1-3). A Escritura mostra com muita clareza que a alegria e a satisfação vêm somente do Senhor (Sl 16.11). Nunca seremos verdadeiramente felizes até que realizemos o propósito de Deus para as nossas vidas.
Isso deveria ser evidente, já que Deus é a fonte de todas as bênçãos, tanto naturais quanto espirituais. Como o doador é maior do que o dom, é razoável supor que a nossa alegria em Deus deveria ser maior do que a nossa alegria pelos dons. É uma afronta a Deus encontrar maior satisfação nos seus dons do que nele próprio. Fazendo isso, estamos trocando o Criador pela criatura.
É muito importante lembrarmos que o pecado pode oferecer somente prazer temporário (Hb11.25). A satisfação do pecado não só não dura, como também sempre acaba em miséria maior ainda (1 Jo 2.17). Portanto, a questão verdadeira é: queremos prazer temporário ou alegria duradoura?

Segunda MentiraO Pecado é Facilmente Derrotado
Uma das coisas em que o diabo quer que acreditemos, a fim de que a nossa vigilância diminua, é que o pecado não é um inimigo perigoso. Mas a Bíblia nos ensina que o pecado é tão poderoso que, a menos que o poder sobrenatural de Deus intervenha, nós nos tornamos seus escravos e permanecemos sob a escravidão das suas ordens (Jo 8.34). Embora nascidos de novo, a depravação é uma força poderosa dentro de nós, como testemunha o apóstolo a respeito da sua própria experiência (Rm 7.14-25).
O que complica o assunto é que o pecado é enganoso (Hb 3.13); nem sempre aparenta ser mau. O escritor de Hebreus faz referência ao pecado "que tenazmente nos assedia" (Hb12.1). Por essa razão, a Bíblia nos ordena a tomarmos muito cuidado com o pecado e a lutarmos com força contra ele. Paulo disse que esmurrava o seu corpo e o mantinha sob controle a fim de não ser reprovado (1 Co 9.24-27). Em outro lugar, comparou a vida cristã a uma batalha (2 Tm 2.3). Para derrotar o pecado, precisamos estar armados para a guerra (Ef 6.10-20). John Owen deu o seguinte conselho sábio: "Mate o pecado ou o pecado matará você... Não existe um dia sequer em que o pecado não derrote se não for derrotado, e não prevaleça se não for subjugado; e assim será enquanto vivermos neste mundo."

Terceira MentiraVocê Pode Lidar com o Pecado Sem Recorrer a Cristo
O perigo desta mentira é que ela leva à frustração e ao desespero. Infelizmente, muitas pessoas que aceitam esta mentira descobrem que não podem competir em condições de igualdade com a depravação que existe dentro delas e, por isso, desesperançadas, desistem de lutar contra o pecado.
Quando o evangelho é apresentado no Novo Testamento, o foco é sempre na obra de Cristo e na paz com Deus que encontramos nele (2 Co 5.17-21). A Bíblia exorta as pessoas a primeiro abraçarem a Cristo e, só depois disso, a buscarem a santidade. O evangelho não é um simples apelo a um viver moral e, sim, a uma transformação sobrenatural. Ninguém é capaz de vencer o pecado separado de Cristo e do Espírito Santo (Rm 8.13). Deus não é honrado quando tentamos remediar a nossa situação pecaminosa sem a sua graça, por isso é inimaginável supor que Deus irá abençoar um sistema de justiça produzido pelo próprio homem.

Quarta MentiraÉ Impossível Atingir os Padrões de Deus
É uma tendência humana culpar as circunstâncias ou as outras pessoas pelos nossos escorregões no pecado. Preferimos pensar que, diante das circunstâncias, seria impossível deixar de pecar. Queremos pensar dessa maneira porque alivia as nossas consciências e nos isenta de responsabilidade quando pecamos. Afinal de contas, como Deus pode nos responsabilizar por aquilo que é impossível?
Há um sentido em que a santidade de Deus, de fato, representa um padrão impossível para a humanidade pecadora. Quando os discípulos ouviram Jesus explicar o custo do discipulado para o jovem rico, perguntaram: "Então, quem pode ser salvo?" (Lc 18.26). Jesus respondeu: "O que é impossível para os homens é possível para Deus" (v.27). Portanto, é um erro fundamental desculpar-se do comportamento pecaminoso, já que Deus prometeu graça para obedecer a quem o busca pela fé.
Não existe pecado que não possamos vencer nem tentação que não possamos resistir pela graça (1 Co 10.13; 2 Co 12.9; Fp 4.13). Deus quebra o poder do pecado na nossa conversão. Este é o ponto focal de Paulo no sexto capítulo de Romanos: estamos mortos para o pecado; portanto não precisamos viver nele (vv.1-2). A graça de Jesus remove a carga pesada da obrigação de guardar os mandamentos de Deus (1 Jo 5.3).

Quinta MentiraVocê Não Precisa Tratar com o Pecado Imediatamente
Procrastinação é um pecado do qual todos nós somos culpados e a respeito do qual temos costume de brincar. Mas a demora nas coisas espirituais pode ser fatal. A Bíblia nos diz que "agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação" (2 Co 6.2). E o escritor de Hebreus, citando o Salmo 95, exorta-nos a ouvir hoje a voz de Deus (Hb 3.7,13,15).
Por que isso se torna tão necessário?
Primeiro, quanto mais o pecado permanece em nós sem que haja arrependimento, mais difícil será nossa mudança, devido à força do hábito. Quanto mais acalentamos um desejo pecaminoso ou uma atitude errada, mais o pecado ficará entranhado na nossa natureza. Será menos e menos notado. Terá um lugar mais permanente nas nossas afeições. A nossa resistência a ele irá se tornando cada vez mais fraca.
Segundo, é necessário porque a conseqüência maligna do pecado começa a fazer efeito no momento em que consegue entrada na alma. Foi somente um leve toque na arca que matou Uzá, e é somente uma simples brincadeira com o pecado que pode matar a alegria espiritual e os frutos nas nossas vidas.

Sexta MentiraPosso Pecar Sem Sofrer Conseqüências
"Se eu pecar, nada de mal vai realmente me acontecer." Não pensamos assim, às vezes, especialmente se o pecado é "pequeno"? É espantoso observar os multiformes enganos do diabo neste assunto. Por um lado, ele convence as pessoas de que não existe um verdadeiro inferno e que, portanto, não faz mal pecar. Por outro lado, para aqueles que acreditam no inferno, ele os convence de que não há perigo, no caso deles, de irem para lá! Mas sempre há conseqüências para o pecado, porque Deus é um Deus de justiça que odeia o pecado.
Em Êxodo 34.7, Deus testificou que de nenhuma maneira livrará o culpado. Se não precisasse existir qualquer conseqüência do pecado, Jesus nunca teria morrido numa cruz pelos pecadores. Ele mesmo o declarou, quando clamou: "Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice" (Mt 26.39). E, realmente, não era possível, porque a fim de que Deus fosse justo e justificador dos ímpios, foi preciso punir os seus pecados na pessoa de Jesus (Rm 3.25-26).
Jesus não é a única testemunha das conseqüências do pecado; também o são todas as multidões que estão no inferno, sofrendo a vingança do fogo eterno (ver Mt 10.28; 25.46; 2 Ts 1.8-9; Jd 6-7).
"Mas se eu sou redimido por Cristo", alguém poderia perguntar, "como é que posso ser punido pelos meus pecados?" Se cremos em Jesus, não somos propriamente punidos pelos nossos pecados; pelo contrário, nosso Pai nos disciplina misericordiosamente a fim de que sejamos participantes da sua santidade (Hb12.5-11). Deus ama demais a santidade para permitir que os seus próprios filhos venham a chafurdar no pecado. Portanto, disciplina pelo pecado é a marca registrada do amor de Deus pelos seus filhos, e deve ser esperada sempre que pecarmos (Sl 119.67,71; Tg 5.14-15). Na verdade, se não somos disciplinados, não somos filhos de Deus.
Fazemos bem em lembrar que o mero fato de tais castigos não serem eternos não significa que as conseqüências do pecado sejam indolores para os crentes. Às vezes, até um redimido tem de viver com as conseqüências de um pecado seu pelo resto da sua vida (observe o que o Rei Davi teve de suportar por causa do seu pecado com Bate-Seba). Isso já é razão suficiente para não pecar. O nosso Pai não somente tem uma equipe para afastar os nossos inimigos, mas também uma vara para corrigir os nossos erros. Sejamos gratos a ele por isso, porque é para o nosso bem.

Sétima MentiraDeus Não Vai Me Julgar, Porque Todo o Mundo Faz o Mesmo
O diabo, às vezes, engana-nos fazendo-nos adotar uma mentalidade de grupo que justifica certos pecados porque a maioria das pessoas os considera comportamento normal. Entretanto, devemos sentir medo quando estamos seguindo a maioria. O cristianismo, pela sua própria natureza, é uma religião de contracultura. Seguir a Cristo é como nadar contra a correnteza. Jesus disse: "Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela" (Mt 7.13-14).
Uma vez, eu li um pequeno panfleto com uma história imaginária de uma pessoa diante de Deus, desculpando-se de seus erros com o argumento de que todo o mundo vivia da mesma maneira. Deus, então, respondeu: "Bem, se você pecou com a maioria, você pode ir para o inferno com a maioria". É essa resposta que podemos esperar se pautarmos a nossa vida por semelhante filosofia destrutiva.

Oitava MentiraDeus Não Vai Me Julgar, Porque Não Sou Tão Mau Quanto os Outros
Se não racionalizarmos o nosso pecado por incluir-nos na multidão, o diabo vai tentar nos levar a racionalizá-lo excluindo-nos da multidão. Essa atitude era a essência do farisaísmo, e é sempre uma ilusão fatal.
Talvez exista um pecado na sua vida que Deus queira trazer à luz, mas você vem resistindo à convicção do Espírito, argumentando que não é uma pessoa tão má em relação às outras. Mas esse é um pensamento ilusório e contrário às Escrituras. Em primeiro lugar, deixa de levar em conta que Deus não somente estabelece o padrão; ele é o padrão. "Sejam santos, porque eu sou santo" (1 Pe 1.16). A questão não é como nos comparamos com outras pessoas e, sim, como nos comparamos com Deus.
Segundo, deixa de levar em conta o fato de que Deus não fica satisfeito com obediência incompleta. Deus quer tudo dos nossos corações, tudo das nossas vidas e o mínimo possível de pecado. Quando tentamos estabelecer meios compromissos com Deus, estamos roubando de nós mesmos tremendas bênçãos espirituais. D.L.Moody, certa vez, ouviu um homem dizer: "O mundo ainda não viu o que Deus pode fazer com, em e através de um homem cujo coração esteja totalmente devotado a ele." Mas o homem estava errado. O mundo já tinha visto homens tais como Calvino, George Whitefield, Jonathan Edwards, McCheyne e Spurgeon. É somente quando estivermos dispostos a nos consagrar como esses homens fizeram que sentiremos o mesmo gosto do seu sucesso. Mas nunca o experimentaremos enquanto nos satisfizermos a nós mesmos, avaliando-nos pela comparação com os outros.

Nona MentiraDeus Vai Perdoar Você, Por Isso Vá em Frente e Peque
A Bíblia fala de homens que se insinuaram na igreja, inspirados por Satanás, para espalhar esta doutrina demoníaca. Paulo faz referência a esses homens que dizem: "Façamos o mal, para que nos venha o bem" - e depois acrescenta: "a condenação dos tais é merecida" (Rm 3.8). Judas nos adverte contra aqueles que transformam a graça de Deus em libertinagem (Jd 4). A Bíblia torna bem claro que é impossível desfrutar o perdão e continuar vivendo no pecado.
Paulo ainda escreveu em Romanos 6.1-2: "Que diremos então? Continuaremos pecando para que a graça aumente? De maneira nenhuma! Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele?" É impossível porque sempre que Deus perdoa um homem, ele também transforma a sua natureza. A graça muda de tal forma a pessoa que esta não vai mais querer viver em pecado!
Quando uma pessoa é dominada pelo desejo de fartar-se do pecado é uma indicação de que ela nunca nasceu de novo. Um dia, conta-se, Spurgeon e um outro homem estavam caminhando numa rua e passaram por um bêbado deitado na sarjeta. Disse o homem: "Ué, Sr. Spurgeon, eis aí um dos seus convertidos!" "Deve ser mesmo um dos meus", replicou Spurgeon, "porque de Deus com certeza não é!"

Décima MentiraDeus Nunca Vai Perdoar Você, Por Isso Vá em Frente e Peque
Mais uma vez, vemos quão versátil é Satanás nos seus enganos. Ele sabe que precisa preparar uma mentira apropriada para cada tipo de pessoa. Para aquele que é inclinado ao desespero, o diabo espera por oportunidades de assoprar nos seus ouvidos que todas as tentativas de uma recuperação posterior serão inúteis porque ele já foi longe demais. Tentará convencê-lo que cometeu o pecado imperdoável, que agora pode muito bem se entregar totalmente ao pecado porque de todo jeito já está indo para o inferno.
A verdade é que Cristo perdoará todo aquele que vem a ele. "Todo aquele que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei" (Jo 6.37). Isso foi verdade quando nosso Senhor falou estas palavras e ainda é verdade agora. Não permita que o diabo amplie a sua condenação tentando-o a se abandonar totalmente ao pecado e ao desespero. As misericórdias do Senhor duram para sempre. A porta da graça está aberta para todos aqueles que se aproximam através de Jesus.

Conclusão
Como é que podemos derrotar as mentiras do diabo? Somente pela Palavra de Deus. É a verdade que nos dá base sólida e que não permite que sejamos levados por qualquer vento de doutrina. É a verdade que santifica. É a verdade que é a mola-mestra do crescimento à maturidade em Cristo. É a chave para derrotar o diabo.
Leitura da Bíblia, meditação e memorização da Bíblia, e encarnação da Bíblia - experimentando as suas verdades nas nossas vidas - são para sempre as únicas ferramentas disponíveis ao povo de Deus para sobrepujar o inimigo. Como em todas as coisas, Jesus é o nosso modelo para lidar com as mentiras do diabo. Quando tentado por Satanás no deserto, ele citou as Escrituras em resposta a cada mentira (Mt 4.1-10). "Está escrito" deve ser a nossa senha tanto quanto foi a dele.

Extraído do Jornal Heartcry, uma publicação de Life Action Ministries (www.LifeAction.org), um ministério de avivamento e despertamento espiritual. P.O. Box 31, Buchanan, Michigan, EUA, 49107-0031.

Fonte: O Arauto da Sua Vinda -  Ano 23 nº 6 - Novembro/Dezembro 2005

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Divino Companheiro de Todas as Horas - B. Simpson

"Mas eles o constrangeram dizendo: Fica conosco, porque é tarde e o dia já declina. E entrou para ficar com eles" (Lc 24.29).

A história do caminho para Emaús, que Lucas nos conta com tanta simplicidade dramática, proporciona um quadro ímpar do Cristo ressurrecto no coração de sua igreja, sem paralelos em qualquer dos outros relatos da ressurreição.

O Cristo dos quarenta dias aí representado, embora seja o mesmo Cristo da Judéia e da Galiléia, ascendeu agora a um novo plano, mais espiritual, mais misterioso e sobrenatural. Ele estava elevando os pensamentos dos discípulos para compreenderem a natureza da amizade divina que passariam a ter com ele, sem perder em nada sua antiga benevolência e ternura, já tão bem conhecidas. Procuraremos aqui extrair desse relato alguns pontos que podem esclarecer quem é este Cristo de hoje.

Aquele que encontrou os dois discípulos no caminho para Emaús é o mesmo que nos acompanha hoje em nossa caminhada na Terra. É uma Presença permanente, um Amigo sempre presente, e sua voz suave se faz ouvir de geração em geração: "E eis que estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos" (Mt 28.20). Tudo tão simples e tão natural quanto o cair da noite enquanto conversavam, assim ele continua ao nosso lado, através de todos os caminhos e veredas da vida.

Há um novo elemento em sua humanidade, pois passou pela sepultura e ressurgiu transformada, transfigurada e glorificada. Como disse o apóstolo Paulo, "ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já o não conhecemos desse modo" (2 Co 5.16).

Quando Maria caiu a seus pés e tentou segurá-lo no seu relacionamento antigo, Jesus ternamente a advertiu: "Não me detenhas; ...subo para meu Pai e vosso Pai" (Jo 20.17). Em breve ela teria um encontro mais elevado e o conheceria em um novo plano de manifestação espiritual e comunhão.

Os discípulos nem o reconheceram a princípio. Quantas vezes ele está conosco sem que o percebamos, e só quando sua presença já se afastou é que nos lembramos de como ardia nosso coração e bradamos com alegria: "Era o Senhor!". Quantas provisões divinas, quantas respostas de oração, quantos toques de compaixão humana o trazem para perto de nós, pois é quando nos sentimos mais sozinhos que ele está mais próximo.

O Cristo que conhece cada uma de nossas circunstâncias e condições ajusta-se à nossa vida. Ele entrou com a maior naturalidade na conversa dos discípulos de Emaús. Notou que estavam tristes, tomou o fio da conversa e transformou-a em uma maravilhosa mensagem de bênção. Assim ele vem a nós, exatamente no lugar em que nos encontramos. Não precisamos ascender a elevados pináculos espirituais para trazer o Senhor Jesus até nós. Não há circunstância alguma em que ele não possa misturar-se e trazer seu amável companheirismo.

Ele nos fala através de sua Palavra: "E começando por Moisés e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras" (Lc 24.27). E hoje, da mesma forma, ele vem até nós pela sua Palavra. Se conhecêssemos mais as Escrituras, se as estudássemos com mais afinco, veríamos que Cristo está sempre pronto a nos encontrar em suas páginas e ouviríamos suas grandes e ricas promessas. "O testemunho de Jesus é o espírito da profecia" (Ap 19.10). Será que já aprendemos a reconhecer sua face em cada página e sua voz em cada promessa?

Ele faz nossos corações arderem quando abre para nós as páginas das Escrituras. Sua Palavra não é meramente luz intelectual, mas vida espiritual e fogo dos céus. Os olhos do nosso coração precisam estar mais iluminados que as nossas faculdades de compreensão. Pouco adianta ler a Bíblia como uma mera tarefa ou estudo. Precisamos lê-la com o coração em chamas e com amor ardoroso, como sua carta de amor para nós e como o espelho de sua face.

Intimidade Ainda Maior

Mas o Senhor quer uma intimidade conosco ainda maior que a revelação de sua Palavra. Ele anseia por revelar-se ao coração amoroso por meio de uma visitação e manifestação pessoal. Foi assim com os discípulos quando, ao chegarem a Emaús, ele permitiu que o constrangessem a entrar em sua casa.

Há um elemento de intensa humanidade e divertida dramaticidade na declaração de que "fez como quem ia para mais longe" (Lc 24.28). Esse gesto foi somente porque queria ser pressionado. Jamais ficaria como um hóspede indesejado. Queria uma demonstração do seu amor insistente; que o constrangessem a ficar.

Ele jamais invadirá nossas vidas ou nos forçará a abrir nossa porta. "Eis que estou à porta e bato", ele clama. "Se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele comigo" (Ap 3.20). Por essa razão, ele às vezes retém a resposta à nossa oração e não nos revela sua face, a fim de que nosso desejo aumente e nosso apelo chegue com mais insistência amorosa ao seu coração.

Mas como ele sente alegria em responder quando percebe que é bem-vindo!

Veja como foi comovente o convite dos discípulos de Emaús: "Fica conosco, porque é tarde e o dia já declina" (Lc 24.29). Como esse apelo amoroso tem soado através dos séculos como o clamor de corações saudosos e solitários ansiando pela presença do Salvador! Quantas vezes desde então essa oração subiu até ele das almas solitárias, entristecidas, oprimidas e abatidas! E nunca subiu em vão ao seu coração amoroso. Tal como na natureza as correntes quentes da atmosfera fluem com ímpeto para preencher o vácuo, assim também o coração faminto e vazio sempre encontrará por perto o Salvador. "Pois dessedentou a alma sequiosa e fartou de bens a alma faminta" (Sl 107.9).

Em toda experiência cristã existe uma realidade que corresponde à cena de Emaús. O Senhor Jesus de fato vem e torna-se real para a alma amorosa e ansiosa. "Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada" (Jo 14.23).

Quando ele entrou naquela casa em Emaús, não era mais o acanhado e disfarçado estranho, mas imediatamente tomou seu lugar e deu-se a conhecer. Sentando-se à cabeceira, tomou o pão, abençoou-o e o partiu. E quando eles o tomaram, "...abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram". O antigo sorriso de reconhecimento não deixava dúvida. Era o seu abençoado Senhor, seu precioso Cristo, e seus corações se encheram de alegria, uma alegria tão profunda que ele precisou retirar a visão e desaparecer de suas vistas.

"Mas ele desapareceu da presença deles." Isso tem um profundo significado. Tivesse ele ficado por mais tempo, todo o significado de sua nova forma de relacionamento teria sido mal compreendido. Doravante, seria por fé e não por vista. Houve um momento de visão e de memória visual, mas agora teriam de levantar-se e caminhar somente pela fé, prosseguindo sempre pela simples base de uma vida de confiança.

Nada mais nocivo que estar sempre em busca de sensações espirituais e alegria emocional. A atmosfera e a atitude normal do cristão é a confiança e a comunhão pela oração. "Porque andamos por fé e não por vista" (2 Co 5.7). Como demoraram a aprender essa lição! Noutra ocasião, o cético Tomé chegou mesmo a exigir uma prova exterior da presença do Mestre, e o Senhor o repreendeu, mesmo concedendo o que pedira: "Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram" (Jo 20.29).

Não percamos a bênção, mas, ao mesmo tempo, procuremos aprender a depender de sua Palavra e a contar com sua presença invisível, testificando junto com o salmista, com fé inabalável: "Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei" (Sl 16.8).

O irmão Lawrence escreveu um livro muito útil, A Prática da Presença de Deus, mostrando um exercício espiritual que podemos usar com grande proveito. Um outro servo de Deus nos conta como toda manhã senta-se em sua biblioteca e coloca uma cadeira para o Mestre ao seu lado, e, juntos, durante todo o seu tempo de estudo, eles conversam, oram e planejam o trabalho do dia. Quando ele sai para seus afazeres, tem consciência, não de uma visão de êxtase ou de alguma revelação sobrenatural, mas de uma atmosfera iluminada, perfumada pelo sopro do céu e de um coração iluminado pela presença e amizade do Senhor.

Saiamos também em nosso caminhar diário andando junto com ele até que nossos olhos se abram e vejamos sua face e estejamos com ele na glória.
Com permissão de Alliance Life, publicação oficial da Aliança Cristã e Missionária

Fonte: Arauto Ano 23 nº 6 - Novembro/Dezembro 2005

Imagem: Wikipedia

domingo, 7 de novembro de 2010

Como Sei Que Deus Responde à Oração - Parte VII - Rosalind Goforth

Acompanhe a sétima parte dessa história maravilhosa: as respostas de Deus às orações de Seus filhos Jonathan e Rosalind Goforth!

Eles foram missionários canadenses na China de 1888 a 1934. Durante esse período, tiveram onze filhos (cinco dos quais morreram como bebês ou muito novinhos), passaram por perseguições e dificuldades e testemunharam grandes moveres do Espírito de Deus que trouxeram convicção, arrependimento e conversões.

Este é o sétimo capítulo na série de relatos extraídos de um livro escrito por Rosalind e contém vários incidentes de respostas sobrenaturais à oração, não necessariamente em ordem cronológica.


Outros capítulos dessa história:


Durante Período de Licença no Canadá

Em 1908, tive que voltar ao Canadá com cinco dos nossos filhos, deixando meu marido na China com o trabalho missionário. Ao chegar a Toronto, meu filho mais velho estava às portas da morte por causa de repetidos ataques de febre reumática. Lembrei-me das ocasiões anteriores em que fora milagrosamente resgatado da morte, e minha fé foi fortalecida. Contudo, enquanto orava, ficou muito claro para mim que a resposta à minha petição dependia da entrega de mim mesma e da minha vontade ao Senhor.

Eu havia feito um propósito de não assumir compromissos de falar em igrejas ou conferências dessa vez, mas de me dedicar totalmente ao cuidado dos meus filhos. Naquele momento, porém, confessei o pecado de planejar minha própria vida e fiz aliança com o Senhor de fazer qualquer coisa que ele me ordenasse, desde que meus filhos estivessem com saúde e com todas suas necessidades provisionadas.

Para que isso pudesse acontecer, havia várias condições aparentemente impossíveis, ou muito difíceis, de serem satisfeitas. A primeira era a cura do meu filho. Antes impossibilitado até de levantar sua cabeça da maca, logo estava tão bem que se recusou a ficar de cama. Ao ser examinado pelo médico, não foi encontrado vestígio algum da enfermidade, e dentro de um mês estava freqüentando normalmente a escola.

As outras condições foram todas cumpridas pelo Senhor: a provisão financeira, alguém para cuidar dos meus filhos nas minhas ausências, saúde para mim e para as crianças. Aprendendo a confiar no Senhor para todas as nossas necessidades, até as mais corriqueiras ou insignificantes, entreguei-me à vontade de Deus e passei a aceitar convites das igrejas.

Durante aquele tempo, o Senhor providenciou frutas (maçãs) para as crianças, enviadas de forma milagrosa e gratuita, às vezes de lugares distantes, além de muitas outras provisões necessárias.

Saúde Só Para Falar por Deus

Um dos meus convites veio da sociedade de senhoras da Igreja Presbiteriana de Winnipeg, no Canadá. Durante a viagem de trem para lá, peguei uma gripe muito forte, que afetou minha garganta e pulmões. Fiquei muito preocupada, pois elas estavam pagando minha viagem e haviam organizado vários compromissos para falar. Antes de chegar ao meu destino, entreguei minha vida nas mãos do Senhor para que me concedesse força e capacidade para falar nas reuniões.

Nunca poderei me esquecer dos dias que se seguiram, pois a fraqueza no corpo, a febre e os problemas de garganta eram removidos somente enquanto estava dirigindo a palavra nas reuniões. Em cada caso, embora minha voz, antes e depois da ministração, fosse tão rouca que quase não podia ser ouvida, ficava normal durante meu compromisso.

Em uma das ocasiões, eu até havia pedido a um irmão, o Dr. Gordon, para ficar preparado para me substituir, caso eu não conseguisse falar. Logo antes de me passarem a palavra, subi na plataforma atrás dele, enquanto orava. Como clamei a Deus por ajuda e coragem! A igreja estava lotada, minha garganta estava fechada, como se estivesse num torno mecânico, e me sentia fraca e enferma.

Assim que Dr. Gordon me apresentou, fui para o púlpito com uma incrível sensação de calma e confiança absoluta. Parecia que podia até sentir alguém semelhante ao Filho do homem bem do meu lado. Nunca tive uma experiência mais completa de ser tão-somente um canal. Durante mais de uma hora falei de forma que todos pudessem ouvir sem dificuldades; no entanto, tão logo me sentei novamente, a garganta voltou a se fechar como antes. E assim continuou até o final dos meus compromissos naquele lugar.

Deus se Importa Até com Isso...

Um dia, alguns meses depois, verificando a situação das crianças, vi que havia tanta necessidade de costurar e fazer roupas novas, que fiquei abismada. Vi que seria totalmente impossível costurar e continuar assumindo compromissos. O dilema era se devia ou não cancelar as reuniões que já havia assumido. Meu marido me incentivou a comprar roupas feitas, mas sabendo o quanto isso custaria caro, não tive coragem.

Fui para um lugar sozinha e coloquei minha carga diante do Senhor, pedindo que confirmasse se devia ou não continuar falando a respeito da obra missionária na China, através de enviar fundos suficientes para comprar roupas para nossos filhos.

Poucos dias depois, eu estava testemunhando numa reunião na província de Ontário. No final da reunião, um senhor idoso colocou uma oferta em minhas mãos. Perguntei se ele queria destiná-la para alguma finalidade específica, e ele respondeu: "É para seus filhos. Use de algum modo que a libere para a obra de Deus". Elevei meu coração em gratidão a Deus e aceitei a oferta como o sinal que havia pedido ao Senhor.

Um Tutor Para Nossa Filha

Quando estávamos nos preparando para voltar à China, um problema sério se levantou no meu caminho. Nosso filho mais velho já tinha idade para enfrentar a vida sozinho, mas não a nossa filha que tinha dezesseis anos. Era necessário encontrar um tutor responsável com quem pudéssemos deixá-la.

Entrei em contato com três pessoas diferentes que achei que sentiriam alguma responsabilidade em relação a uma filha de missionários, mas todas as três se eximiram. Vi, então, que não deveria tentar abrir as portas por mim mesma, mas esperar no Senhor. Orei para que, se ele quisesse que eu voltasse para a China, enviasse-me uma pessoa para cuidar da minha filha.

Pouco tempo depois recebi a visita de uma senhora que havia dedicado sua vida ao treinamento de moças. Seu maravilhoso caráter cristão a qualificou como a melhor pessoa para cuidar da minha filha. Ela me contou que em sua juventude havia desejado dedicar sua vida para servir ao Senhor na China, mas o caminho se fechara. Agora sentia que o Senhor queria que se oferecesse para cuidar da nossa filha.

Vários anos se passaram desde então, e ela ultrapassou minhas mais altas expectativas. Raramente uma resposta mais definitiva tem vindo do nosso Pai amoroso ou uma que trouxesse maior alívio e socorro. Essa oferta, chegando assim tão claramente como resposta às minhas orações, parecia ser prova inconfundível que o Senhor guardaria a filha que estávamos entregando aos seus cuidados.

Dependendo Dele como Pai

Quando faltavam poucos dias para nossa longa viagem para a China, Ruth, uma das crianças menores, estava brincando do lado de fora e voltou para casa com seu casaco de inverno todo rasgado. De alguma maneira, o casaco se prendera no arame farpado e ficou em frangalhos. Era o único casaco mais pesado que ela tinha, e eu não tinha condições de adquirir outro antes da viagem de navio. Nem consegui achar um que servisse nas lojas, pois já não era mais estação do frio. Levei a necessidade ao Senhor e a deixei com ele, crendo que, de algum modo, ele providenciaria.

Poucos dias depois, uma amiga me telefonou pedindo para ir ver um presente que sua mãe deixara para mim. Que alívio senti quando encontrei, entre outras coisas, um belo casacão vermelho, que serviu perfeitamente para Ruth!

Esta nova evidência do cuidado soberano do Senhor por cada uma das nossas necessidades me comoveu profundamente. Aqueles que nunca conheceram tais demonstrações do cuidado amoroso do nosso Senhor nos pequenos detalhes da vida dificilmente compreenderão a maravilhosa sensação que essas experiências nos trazem.

Dando Toda Glória Para Deus

Foi durante aquele tempo no Canadá que adquiri o hábito de receber de joelhos a direção para a mensagem que deveria dar numa determinada reunião. Fiquei muitas vezes maravilhada ao receber, como num lampejo, todo o esboço do que deveria falar sobre a China.

Como nunca tive costume de preparar anotações nem mesmo um esboço do que deveria falar, muitas vezes me encontrei em situações em que me senti totalmente sem recursos próprios. Posso testificar que Deus nunca deixou de me conceder o auxílio necessário e o poder divino para transmitir o que recebera. Ao mesmo tempo, como é lamentável ter de confessar que logo que terminava de entregar a mensagem, o pensamento soprado por Satanás chegava: "Como me saí bem hoje!"

Não é incrivelmente maravilhosa a bondade e a tolerância do Senhor - espantoso que ele se dignasse em conceder auxílio novamente quando o solicitamos?!

Com profunda gratidão e louvor ao nosso Deus sempre fiel, posso testificar que qualquer pequeno serviço que pude realizar foi feito somente pela sua graça e em resposta à oração.

Fonte: Arauto Ano 23 nº 6 - Novembro/Dezembro 2005