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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Preparando o Caminho Para Visitação Divina - Richard Owen Roberts

O texto a seguir foi adaptado de uma mensagem ministrada na Conferência “Heart-Cry for Revival” (Clamor do Coração por Avivamento) em abril de 2006, na Carolina do Norte, EUA. É a segunda numa série de quatro sobre o assunto de visitações divinas.

O Salmo 73 termina com uma frase comovente: “Quanto a mim, bom é estar junto a Deus…” (ou, de acordo com uma das versões em inglês: “A proximidade a Deus é o meu tesouro”). Durante toda minha vida, tenho aprendido que as ocasiões mais preciosas, os dias mais maravilhosos, até mesmo os mais esplêndidos momentos são aqueles de intimidade, quando o próprio Deus se aproxima. Não há período mais maravilhoso na história da Igreja do que as épocas de visitação divina, quando Deus está próximo. Não é esse o anelo de nossos corações? E não é essa a necessidade de nosso país e de todas as nações da terra?

 Atualmente, o assunto que mais ocupa meu pensamento é a preparação para essa visitação divina.

 João Batista Mostra um Contraste

 Em Lucas 3, João Batista mostra, de forma proposital, um contraste: primeiro, um contraste entre ele mesmo e Cristo; depois, um contraste entre seu batismo e o batismo de Cristo. Para contrastar sua pessoa com a pessoa de Cristo, João disse às pessoas que vinham a ele: "Eu, na verdade, vos batizo com água, mas vem o que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (v. 16). Observe a humildade de João. Humildade não é negar a verdade. Humildade é estar totalmente consciente da verdade e, de forma deliberada, tomar o seu devido lugar.

 Um dos problemas mais sérios dentro da igreja hoje é o orgulho, puro e simples. Não importa quão importante você pensa que é, ou que pensamentos alguém tenha a respeito de si mesmo, não há ninguém que possa se comparar com João Batista. Nosso Senhor deixou bem claro que "entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João..." (Lc 7.28). Contudo, João entendeu que por mais importante que ele ou seu ministério fosse, comparado a Cristo, ele não era nada.

 Você não precisa subestimar seu valor para ser humilde. Na verdade, quanto mais transparentes formos em relação à verdade, maiores serão as chances de sermos humildes. Anular a si mesmo é o orgulho praticado de forma inversa, fora de seu padrão normal. Nós gostamos de fingir ser menos do que realmente cremos ser. Não havia nenhum fingimento, nenhuma hipocrisia, nenhuma pretensão em João Batista. Ele sabia quem era. Com certeza, soube quando ainda era muito novo, pois sua mãe deve ter lhe falado das circunstâncias sobrenaturais que cercaram seu nascimento. Mas também sabia quem Cristo era. E o fato de saber quem Cristo era o capacitou a reconhecer que, em comparação, ele não era nada.

 Hoje, quando se trata de humildade, poucos cristãos sabem como se aproximar do assunto. Você infla e mantém o orgulho quando se compara com pessoas indiferentes ou inferiores em seu redor. Uma pessoa musculosa se sente bem perto de alguém que é franzino; os inteligentes têm uma sensação de superioridade quando estão na companhia de indivíduos que não desenvolveram suas faculdades mentais. A única cura para o orgulho espiritual é fazer comparações não com os outros pobres e miseráveis irmãos pecadores, mas com o Salvador. Na proporção em que mantiver os olhos fixos em Cristo, você descobrirá que não é nada.

 No meu caso, tenho muita convicção de ser um homem chamado por Deus. Sei disso desde criança. Mas também sei que não passo de um servo do Altíssimo e, mesmo que eu chegue a atingir uma certa estatura, por maior que seja, isso seria nada comparado a ele.

Grande parte dos cristãos usa a Bíblia de forma equivocada. Tem o hábito de ler a Bíblia como se estivesse procurando alguma guloseima para saborear, um versículo para inflar o ego, algo que sirva de sustento para mais um dia difícil. Usamos a Bíblia como se fosse um livro escrito a nosso respeito, como se as personagens principais fôssemos nós.

 Se você tem agido assim, gostaria de sugerir que tomasse uma decisão: daqui para frente você vai fixar seus olhos no Deus que se revela a si mesmo nas Santas Escrituras. Procure manter o foco em Deus até que esteja totalmente envolvido na grandeza dele e profundamente consciente da sua tolice e insuficiência. João era um homem humilde porque entendia o perigo de desviar seus olhos daquele que realmente importava.

 Vemos também, na passagem acima, o contraste entre o batismo de João Batista e o batismo de Jesus Cristo. Muitos colocam uma ênfase bem maior no batismo nas águas do que no batismo com o Espírito Santo e com fogo. Por mais importante que seja o batismo nas águas, ele não se compara com o batismo com o Espírito Santo e com fogo. Quando não entendemos isso, decretamos para nós mesmos a sentença da mediocridade. Viver a vida cristã ou, pior ainda, ser um ministro de Jesus sem a chama vivificadora do Espírito Santo ardendo fortemente no seu interior é tentar viver o cristianismo sem os seus recursos divinos. Por isso, rogo que você medite profundamente na declaração de João Batista: no contraste que faz entre sua pessoa e a pessoa de Jesus Cristo, e entre o seu batismo e o batismo de Jesus Cristo.

 A Obra de João Batista

 Há uma lista que abrange toda a obra de João Batista registrada em Lucas 1.16-17 e 76-77.

 1) Converter muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus;

 2) Ir adiante do Senhor como precursor no espírito e poder de Elias;

 3) Converter o coração dos pais aos filhos;

 4) Converter os desobedientes à atitude e prudência dos justos;

 5) Habilitar para o Senhor um povo preparado;

 6) Ir adiante do Senhor e preparar-lhe os caminhos;

 7) Dar ao seu povo conhecimento da salvação mediante o perdão dos seus pecados.

 Essa foi a obra que Deus deu a João Batista, e graças a Deus ele a realizou – e a realizou muito bem. Quem dera que hoje existissem alguns precursores como ele! Talvez Deus queira que você se prepare para ser um precursor. Qual o sentido de orar por avivamento e não se preparar para ele? Se realmente cremos que Deus vai nos visitar de novo, será que estaríamos prontos para isso? Imagine o que aconteceria se Cristo viesse nos visitar hoje, de forma dramática e poderosa!

 Pare e pense nos milhões de pessoas hoje na igreja que crêem que o objetivo central do evangelho é sua própria saúde e bem-estar. Pense naquelas pessoas que se declaram crentes e que, na verdade, supõem que Cristo veio para salvá-las do inferno e depois deixá-las nas garras do pecado. Já parou para pensar no absurdo que é ensinar e pregar que Cristo salva uma pessoa do inferno para depois permitir que continue em sua vida de pecado?

 Que idéia de Deus será que nós temos? Imagine um Deus que tem tanto ódio do pecado que prepara um lugar – o inferno – como cárcere eterno para aqueles que não se arrependem. Depois, ele envia seu Filho com ordens para morrer em favor daqueles pecadores não-arrependidos para libertá-los da condenação do inferno, sem se importar se permanecem ou não no mesmo estado de não-arrependimento! É mais ou menos isso que é ensinado em muitas igrejas hoje. A grande maioria dos crentes hoje tem somente um interesse: escapar do fogo do inferno. São crentes que amam o pecado e pretendem permanecer nele. Ficam irritados quando um pregador se posiciona contra o que estão fazendo.

 Temos um grande trabalho de preparação à nossa frente, antes que tenha algum sentido em clamarmos por avivamento! Precisamos preparar o caminho. Uma grande visitação poderia apagar-se em questão de dias e nos deixar, num certo sentido, piores que já estamos. Sabemos muito pouco sobre a santidade de Deus ou sobre o que é arrependimento – e pouco nos importamos! Deus queira que cada leitor seja despertado para ser um precursor, ajudando a preparar o caminho para sua visitação entre nós. Este não será a obra de um indivíduo apenas, nem mesmo de centenas ou milhares; ele terá de levantar um grande exército!

 Um Caminho de Santidade

 Em Lucas 3, encontramos uma citação de Isaías 40.3-5: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo vale será aterrado, e nivelados todos os montes e outeiros; o que é tortuoso será retificado, e os lugares escabrosos, aplanados. A glória do Senhor se manifestará, e toda a carne a verá, pois a boca do Senhor o disse.”

 Hoje, o trabalho de preparação necessário se assemelha à construção de uma estrada. Um caminho de santidade precisa ser preparado para que o Senhor possa chegar até nós, e nós possamos chegar até ele. Se você estivesse envolvido na construção de uma estrada, que tipo de pensamentos ocuparia sua mente? Não é verdade que os engenheiros de estradas se preocupam com problemas como drenagem, durabilidade, capacidade, força, segurança, velocidade e acessibilidade? Há muita coisa envolvida na construção de uma estrada. Diga para si mesmo: “Eu sou um construtor de estrada. Eu tenho uma tarefa. Eu tenho que preparar o caminho do Senhor”.

João proclamava no deserto. Você nunca será popular se proclamar esse tipo de mensagem hoje. Mas quem precisa de popularidade? Precisamos do Senhor e precisamos preparar o seu caminho para chegar a nós.

 Observe as coisas específicas mencionadas em Lucas 3.4. A primeira é: “Endireitai as veredas do Senhor”. A igreja hoje percorre um caminho muito tortuoso. Fica dando voltas em torno das grandes verdades das Escrituras, sem fazer um caminho reto de enfrentar a verdade claramente e caminhar dentro dela.

 Em segundo lugar, todo desfiladeiro ou vale deve ser aterrado. Os vales de dúvida, de incredulidade, de autopiedade, de feridas profundas, de vergonha, de medo, de paixões desordenadas – todos precisam ser aterrados. E isso precisa começar em nossas próprias vidas. Será que os vales de minha vida estão aterrados? Senão, é hora de pôr a mão na massa! Como podemos esperar ser usados por Deus quando nossos próprios corações estão desordenados?

Além de todo vale ser aterrado, todo monte precisa ser nivelado (v.4). A montanha de orgulho deve vir abaixo. A montanha de imaginações secretas deve ser destruída. A montanha de obstinação e rebelião deve ser desmoronada e, certamente, a montanha de obras mortas deve desaparecer.

 “O que é tortuoso será retificado.” Doutrinas tortuosas, práticas tortuosas, relacionamentos tortuosos, pensamentos tortuosos, auto-elogios tortuosos. E todas as estradas esburacadas devem tornar-se planas: tais como nossas inconsistências, nossos altos e baixos, nossos períodos quentes e frios, nossas fases de abertura e de isolamento, de confiança e de suspeita. Muitos de nós estamos repletos de inconsistências.

 Recentemente, chegou às minhas mãos um livro de J. Edwin Orr sobre avivamentos que descreve uma visita do autor a Wheaton, Illinois, nos EUA, na década de 1950, época em que um moço chamado Jim Elliot, além de vários outros, foi poderosamente tocado pelo Espírito Santo. Algum tempo depois, esse mesmo Jim Elliot e mais quatro foram ao Equador para alcançar os índios Auca e sacrificaram suas vidas ali. Muitos outros em Wheaton College também se entregaram à obra missionária. Houve uma grande visitação de Deus naquela ocasião.

 Nesse livro, o autor cita um trecho do diário de Jim Elliot. Elliot reconhecia que não havia sido muito cuidadoso em manter um diário, mas ouvira Orr mencionar a importância disso e também de se estabelecer um tempo diário com o Senhor pela manhã. Nessa época, ele escreveu em seu diário: “Tenho sido profundamente tocado a fazer isso e vou fazê-lo da maneira mais honesta possível. A primeira coisa que tenho que reconhecer é minha total inconsistência em separar tempo para o Senhor durante os anos. E agora, pela graça de Deus, lutarei contra isso”.

 Todos que conhecem sua história sabem que ele realmente foi vitorioso. Deus moveu e abençoou sua vida de forma maravilhosa. Se todo caminho tortuoso for retificado, todo lugar alto for nivelado, todo lugar baixo for aterrado, toda estrada irregular for aplanada, então “toda carne verá a salvação de Deus”. Não é esse o anseio ardente do seu coração?

 Frutos Dignos de Arrependimento

 Observe agora Lucas 3.7,8: "Dizia ele, pois, às multidões que saíam para serem batizadas: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão.”

 Até que ponto você está realmente preocupado com os frutos dignos de arrependimento? No meio das multidões que foram ouvir João, estavam os que Jesus mais tarde chamaria de “escribas e fariseus, hipócritas” (Mt 23.13). Aparentemente, estavam ali, buscando o batismo como os demais. Tempos atrás, quando eu meditava sobre isso, de repente lembrei que há uma passagem em Lucas que torna claro que João não batizou aqueles hipócritas (Lc 7,29,30). Senti um alívio tremendo.

 No entanto, alguns pastores estão batizando todos, escribas, fariseus e hipócritas. Há tempos, perguntei a um pastor se ele já tinha batizado conscientemente uma pessoa não convertida, e ele reconheceu que sim. Quando indaguei o motivo, ele disse: “Você tem que entender que assumi o compromisso de levantar uma mega-igreja”. “Claro”, disse eu, “e você precisa entender que o sangue de cada uma dessas pessoas será requerido de suas mãos.”

 Mas quero perguntar outra vez: “Você tem fruto digno do seu arrependimento?”. E, pensando além de si mesmo: “Você prega arrependimento? Se prega, você exige fruto digno de arrependimento?” Como vamos preparar o caminho do Senhor se negligenciamos o arrependimento? De que adianta falar fervorosamente sobre arrependimento e não exigir frutos dignos de arrependimento?

 Mas há ainda um outro problema muito importante que precisa ser analisado no versículo 9: “E também”, disse João para os que queriam ser batizados, “já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.” Precisamos nos preocupar com o machado do evangelho. Muitos de nós (se porventura o estivermos usando) estamos utilizando o machado para cortar os galhinhos da árvore. Estamos dando toda nossa atenção ao fruto do pecado. Ainda nem chegamos perto da raiz do pecado. João levou o machado do evangelho à raiz da árvore.

 Há uma grande diferença entre servir a Deus com dons naturais e servi-lo com graça. Pense um pouco e responda: “Como tem servido a Deus? Com meus dons ou com a graça de Deus?” Muito tempo, muita seriedade na oração e profunda meditação são necessários para se ter certeza de que em todos os momentos de nosso serviço a Deus nossos dons estão cobertos pela graça divina. Devemos sempre ministrar a Deus no Espírito, nunca na carne. Irmãos amados, se quisermos preparar o caminho do Senhor, teremos de garantir que nossos dons estão tão saturados com a graça divina quanto estavam os de João Batista. Para isso, vamos precisar do machado do evangelho para chegar à raiz e separar entre o natural e o que vem de Deus.

Você consegue imaginar um homem mais dotado ou mais abençoado do que João Batista? E qual era sua mensagem? “...produzi, pois, frutos dignos de arrependimento.” Você pode notar na passagem que três diferentes grupos vieram até João: as multidões (v.10), os publicanos (v.12) e os soldados (v.14). Para cada grupo, João falou algo relevante e específico.

 Finalmente, para terminar sua mensagem, ele proferiu algo muito importante no versículo 17: “A sua pá, ele a tem na mão, para limpar completamente a sua eira e recolher o trigo no seu celeiro; porém queimará a palha em fogo inextinguível”.

Que aconteceria se o Senhor viesse agora com sua pá? O quanto não haveria de pura palha para ser queimada em fogo inextinguível?

Aplicações Práticas

 Muitos de nós, mesmo não estando culpados de pecados grosseiros da carne, podemos estar culpados de terríveis pecados do espírito. Com toda certeza, orgulho é o maior pecado que se pode cometer contra Deus. Por isso, imploro a você que trate com o seu orgulho e que o faça de maneira bem bíblica.

 Temos também pecados de omissão. Como a igreja necessita buscar arrependimento por sua falta de oração! Vivemos dias trágicos em que a oração tem sido tratada de forma tão leviana e negligente nas igrejas em geral.

 Depois, temos a questão de obras mortas. Como podemos nos arrepender delas se nem sabemos o que são? Em primeiro lugar, uma obra morta é qualquer coisa que fazemos esperando merecer algum favor de Deus. Grande porcentagem das conversões da igreja não passa de obra morta. As pessoas esperam ganhar algum mérito – escapar do fogo do inferno. Não se preocupam em viver para Deus, mas tão-somente com a possibilidade de existir um inferno para onde possam ser enviadas. Por isso, cumprem o que um pregador néscio e sem fundamentos os ensina a fazer a fim de conseguirem salvação. Esse tipo de conversão é uma obra morta – a obra morta de fazer algo esperando receber um favor de Deus.

 Uma obra morta é também fazer algo que não pode ser vivificado pelo Espírito Santo. Por exemplo, Salmo 66.18 diz: "Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido”. Esse versículo mostra que a oração pode se tornar uma obra morta. Não há nenhuma possibilidade da oração de um coração egoísta e orgulhoso ser vivificada e aceita pelo Espírito Santo. Os sermões de um pregador podem ser maravilhosos e emocionar multidões e, mesmo assim, não passarem de obras mortas, porque o Espírito Santo não pode vivificar nem abençoar um pregador que abriga pecado em seu coração.

 Todo trabalho feito para a obra de Deus que não pode ser inflamado pelo Espírito Santo nada mais é que uma obra morta. Em outras palavras, qualquer coisa que façamos no poder da carne, sem depender da capacitação do Espírito Santo, é uma obra morta. Muitos homens pregam domingo após domingo, sem passar tempo algum batalhando na oração e suplicando a Deus por um novo batismo com o Espírito Santo e com fogo.

 Preparar o caminho do Senhor, então, significa que devemos tratar com questões como pecado, obras mortas, falsos ensinamentos e, ainda, práticas falsas. O que você acha que Jesus tinha em mente quando disse: "A minha casa será chamada casa de oração” (Is 56.7; Mt 21.13)? Você acha que ele só quis dizer que haveria na igreja algumas pessoas dedicadas à oração? Eu creio que quis dizer que cada cristão estaria orando junto com outros cristãos.

 Pare e pense nas palavras de Jesus em Marcos 3.25. Nosso Senhor fez questão de afirmar claramente que uma casa dividida contra si mesma não permaneceria em pé. Existe um sentimento comum hoje nas igrejas de que algumas pessoas têm o dom de oração, outras, o dom do ensino, e assim por diante. Só ora quem tem dom de orar, só ensina quem tem dom de ensinar. Se sua igreja é uma igreja em que somente alguns oram, é uma casa dividida contra si mesma. E um dos grandes motivos que levam milhares a abandonarem o ministério hoje é o fato de a casa estar tão terrivelmente dividida que não sabem como continuar no ministério para o qual Deus os chamou. Mais triste ainda é o fato de que muitos deles não estão apenas trocando o ministério por uma ocupação secular, estão saindo por problemas morais.

 No final do Sermão da Montanha, Jesus contou a história de dois homens, um dos quais construiu sua casa na areia, e o outro, na rocha (Mt 7.24-27). A igreja que tem só uma parte dos membros orando é uma igreja construída na areia. O cristianismo autêntico exige que todos os membros de uma congregação sejam homens e mulheres de oração.

 Pastor, por que você não determina, diante de Deus, que cada um dos crentes vai participar regularmente da vida de oração da igreja? Precisamos estabelecer alvos elevados e santos, e eu não consigo imaginar nada mais urgente do que transformar a casa de Deus numa casa de oração.

 Ainda gostaria de questionar a forma como o evangelho tem sido pregado às crianças. A igreja em geral tem levado a elas uma mensagem de baixo nível intelectual, sem levar em consideração que as crianças são seres inteligentes com grande capacidade de assimilar a verdade divina. Tratamo-las como se não fossem capazes de entender, de levar as coisas de Deus a sério. Se parássemos para ouvir o testemunho de muitos adultos, veríamos que eles abraçaram a fé e entenderam coisas profundas da Palavra quando ainda eram bem novos. Quem dera a igreja parasse de subestimar o potencial de nossas queridas crianças! Em vários dos avivamentos poderosos do passado, foi a reunião de oração das crianças que provocou impacto profundo.

 Verdadeira Comunhão Cristã

 Não posso deixar de falar algo sobre a prática da comunhão cristã. A maioria de nós pensa que comunhão significa ser bom vizinho, ser amigável e bondoso com as pessoas. Infelizmente, são poucas as igrejas que praticam a verdadeira comunhão cristã. Qual foi a última vez que alguém se aproximou de você e disse com genuíno espírito de amor: “Irmão, estou preocupado com você. Como está sua vida espiritual?” Você pode ter participado de uma igreja há vinte anos, e isso nunca ter ocorrido com você. Que aconteceu com o velho conceito das “classes” Metodistas, em que cada indivíduo era pastoreado e recebia cuidados pessoais com grande diligência?

 Minha esposa Maggie e eu já vivenciamos uma situação bem trágica por falta de comunhão. Na época, eu estava ministrando uma série de estudos sobre o verdadeiro significado de hospitalidade cristã em uma igreja bem grande. De repente, ficamos sabendo que um casal de idosos, membros fiéis na nossa própria igreja, havia ido para casa depois do culto matinal de domingo e almoçado juntos. Terminado o almoço, de prévio acordo, o marido pegou uma arma e atirou na cabeça de sua esposa e depois na sua própria.

 Ainda temos coragem de dizer que praticamos comunhão cristã? Como foi possível ninguém ter tomado conhecimento da existência de um casal tão desesperadamente deprimido, ao ponto de fazer entre si um pacto de suicídio? Isso mostra que precisamos levar a sério o assunto de comunhão cristã.

 Numa outra ocasião, na tarde de um domingo, depois que falei de modo bem claro sobre comunhão cristã, meu espírito ficou agitado e não conseguia tirar da mente um estudante universitário da África que Maggie convidara certa vez para jantar em nossa casa. Veio à minha mente que o rapaz já estivera em nossa casa umas cinco ou seis vezes, e tudo que havíamos feito era oferecer-lhe um pouco de hospitalidade com uma pitada de tempero cristão.

 Então fui até minha esposa e disse:

 “Maggie, estou muito preocupado com aquele moço, fulano.”

 “Eu também”, respondeu ela.

 “Pegue o telefone, entre em contato com aquele moço e peça para vir aqui assim que puder.”

 Ela ligou, e ele apareceu na terça-feira para jantar. Depois do jantar, eu e ele nos sentamos confortavelmente para conversar. Eu disse: “Primeiro quero lhe pedir desculpas. Temos lhe oferecido hospitalidade, mas nunca lhe oferecemos verdadeira comunhão cristã. Hoje à noite, preciso lhe perguntar: Como está se sentindo espiritualmente?”

 Imediatamente, ele caiu num pranto alto e desesperado, além de qualquer coisa já presenciada naquela sala. A cadeira giratória em que estava sentado sacudia e vibrava com seus soluços. Por um bom tempo, eu não conseguia entender uma palavra sequer do que dizia. Depois percebi que, enquanto chorava, dizia repetidamente: “Ninguém se importa com minha alma! Ninguém se importa com minha alma!”

 Quando conseguiu controlar seu choro, disse: “Você é a primeira pessoa, desde que eu vim para os Estados Unidos, que perguntou sobre minha vida espiritual. Na minha terra, eu sabia de cor cerca de 500 hinos, os quais estava sempre cantando ou assobiando. Eu tirava tempo para orar quatro vezes ao dia, sem falhar. Eu andava e conversava com Deus. Mas desde que cheguei aqui, esqueci todos os hinos. Faz meses que não consigo orar. Na verdade, no dia em que sua esposa me ligou, eu tinha feito planos para me suicidar. Se não fosse por aquele telefonema, eu estaria morto hoje.” Deus, em sua graça e misericórdia, estendeu sua mão para tocar aquele jovem e o restaurar.

 Precisamos estar alertas e preparados! A igreja precisa levar os problemas mencionados acima a sério e, com urgência, começar a fazer algo para ajudar as pessoas na sua jornada no Reino de Deus.

 Sabemos que o papel de João Batista foi maravilhoso e singular. Nenhum de nós será chamado para ser precursor do Senhor da mesma forma que ele foi. Porém, hoje há uma necessidade gritante de outra visitação divina. E para isso acontecer, é preciso preparar o caminho do Senhor. Você está disposto a fazer o possível e o impossível para que isso aconteça? Que ao fazê-lo, o Senhor crie em você uma expectativa maravilhosa de que o próprio Jesus estará em breve conosco, manifestando sua glória e fazendo seu Reino avançar.



  Richard Owen Roberts é autor, conferencista e estudioso de longa data de avivamentos espirituais.


Fonte: Arauto Ano 25 nº 3 - Maio/Junho 2007

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