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quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Avivamento no País de Gales Parte III – Quando o Fogo Caiu - Nancy Leigh DeMoss, Maurice Smith, Rick Joyner

 De acordo com alguns estudiosos, o avivamento no País de Gales, um minúsculo principado da Grã-Bretanha, que ocorreu de 1904 a 1905, foi um dos maiores avivamentos na história, dado o curto tempo de duração e o impacto que causou, não só nas regiões circunvizinhas, mas através do mundo inteiro. Sem dúvida alguma, foi um dos grandes acontecimentos que viriam a marcar significativamente o início do século XX. Nesta série de artigos, o foco principal será como Deus usou instrumentos comuns para trazer acontecimentos extraordinários.

 Depois da “grande reunião de Blaenanerch”, em 29 de setembro de 1904, que foi descrita na Parte II desta série, Evan Roberts tentou voltar para os seus estudos em Newcastle. Mas o fogo que Deus acendera no seu coração, quando o “dobrou” aquele dia, continuou a arder, e tanto ele como seu colega de quarto, Sydney Evans, tiveram dificuldades para se concentrar nas suas lições de grego. Um desejo ardente de ganhar almas os consumia.

 O diretor da escola preparatória (para o exame de admissão para o seminário), Evan Phillips, era veterano de um outro avivamento, muitos anos antes, em 1859. Descrevendo os acontecimentos daqueles dias, ele disse: “Evan Roberts era como uma pedra radioativa no nosso meio. Havia um fogo que emanava dele e que consumia, tirava o sono, desentupia os canais de lágrimas e impelia as pessoas à oração”.

 Deus Fala em Visão
Num certo domingo à noite, no mês de outubro, durante o culto na capela, Evan teve uma visão insistente.Vi, claro como se estivesse diante dos meus olhos, a sala de aula da minha antiga escola na vila onde fui criado. Lá, sentados em fileiras, estavam alguns ex-colegas junto com muitos outros jovens, e eu estava discursando para eles. Impaciente, tentei apagar a visão, sacudir minha cabeça e voltar à realidade, mas ela insistia em voltar vez após vez. Ouvi, então, uma voz no meu ouvido interior, tão clara como qualquer voz que já ouvira, dizendo: “Vá falar com essas pessoas”.

 Durante muito tempo, eu não quis aceitar. Contudo, a pressão foi aumentando e aumentando. Não consegui ouvir uma palavra do sermão daquele culto. Finalmente, não consegui mais resistir e respondi a Deus: “Bem, Senhor, se for a tua vontade, irei”.

 No mesmo instante, a visão desapareceu, e toda a capela ficou cheia de uma luz tão ofuscante que mal conseguia distinguir o pastor no púlpito. Entre mim e ele havia uma glória como a luz do sol no céu.

 Logo depois, Evan foi conversar com o diretor da escola, Evan Phillips. “Estou ouvindo continuamente uma voz, dizendo que devo voltar para casa e falar com os jovens de lá sobre Cristo. Será que é a voz do Espírito ou a voz do diabo?”

“O diabo não traz tais pensamentos para nós”, aconselhou-o sabiamente o diretor. “Você ouviu a voz do Espírito.”

Uma Recepção Fria
Evan Roberts chegou em casa numa segunda-feira, dia 31 de outubro de 1904. Ninguém o estava esperando.
“O que você está fazendo aqui?”, os pais lhe perguntaram. “Você não deveria estar na escola? Está doente?”
“Eu vim aqui para fazer umas reuniões especiais com os jovens”, ele respondeu.
"Mas estivemos no culto ontem à noite, e o pastor não disse nada a respeito”, contestaram.
“Ele ainda não sabe”, foi a resposta de Evan.
Em seguida, foi conversar com o pastor. Contou-lhe que viera trazer uma palavra de Deus para os jovens. O pastor foi um pouco relutante. Disse que o solo era cheio de pedras e que não seria uma tarefa fácil. Se ele quisesse, porém, poderia conversar com aqueles que se dispusessem a permanecer depois da reunião de oração, naquela mesma noite.

 Era uma reunião de oração. Assim que o pastor despediu as pessoas, Evan se levantou. Apenas dezessete pessoas ficaram, talvez em parte por sentirem pena do moço que estava em pé, desajeitado, lá na frente.

 A reunião não foi muito fácil. Evan contou sobre a visão que tivera, sobre as suas experiências e sobre sua convicção de que logo Deus enviaria um poderoso avivamento. As pessoas não correspondiam muito, e Evan parou para orar três vezes durante seu longo apelo. Apesar da relutância que os ouvintes tinham em confessar publicamente a sua fé, quando a reunião foi encerrada às dez horas da noite, todos haviam levantado e confessado a Cristo, inclusive um irmão e três irmãs da sua própria família.

 O resultado foi uma grande mudança no ambiente em sua casa. Começaram a fazer o culto doméstico e, uma semana depois, durante uma reunião de oração, o pai de Evan orou em voz alta pela primeira vez. Um dos maiores avivamentos da história estava alcançando, logo no começo, a própria família daquele que seria o seu maior líder.

 O pastor ficou tão impressionado com a primeira reunião que convidou Evan para falar novamente na terça. E assim continuou durante toda aquela semana, com um número de participantes cada vez maior.

 Uma Palavra de Deus Que Virou Fundamento
 Na quarta-feira, depois do culto, um grupo ainda continuou com ele até mais tarde. “Eu tenho uma palavra de Deus para vocês”, Evan lhes declarou.

 A palavra tinha quatro pontos. Naquela noite, com certeza, ele não imaginava que esses quatro pontos passariam a ser o fundamento e a linha mestra de todo o avivamento que estava prestes a irromper em Gales. Os quatro pontos eram estes:

  1. Arrependa-se de todo pecado conhecido e abandone qualquer hábito duvidoso. É preciso haver confissão e arrependimento. Se houver alguma coisa em sua vida que cause dúvida, se não tem certeza se está certa ou errada – então, elimine-a imediatamente!
 2. Reconcilie-se, se houver alguma barreira com qualquer pessoa. Restitua, se tiver causado prejuízo a alguém. Acerte qualquer mal, não deixe nenhuma sombra. Não podemos ser perdoados por Deus, se não perdoarmos nosso irmão.
 3. Obedeça ao Espírito imediatamente. Faça o que o Espírito o inste a fazer. Se quisermos a presença dele, devemos oferecer-lhe obediência pronta, implícita, inquestionável.
 4.  Confesse a Jesus publicamente. Não é um ato único, após a conversão. É um estilo de vida.

 Eram pontos simples e objetivos. Ele estava descrevendo a essência do cristianismo. Você pode ser livre dos seus pecados. Você pode ter certeza de que seus pecados foram perdoados. Depois, comece a andar com Deus. Ouça o que ele vai lhe dizer. Obedeça-lhe. E, finalmente, fale com os outros a respeito do que ele fez em sua vida.

 A Vinda do Espírito
Na sexta-feira daquela primeira semana, o culto estava cheio. Havia jovens e velhos, pessoas de várias igrejas e denominações. Evan descreveu o que aconteceu nessas primeiras reuniões da seguinte forma:
A grande marca desta obra de Deus é que as pessoas estão sendo despertadas e estão aprendendo a obedecer. Aquelas que já eram religiosas tiveram uma experiência nova e muito abençoada. Nunca imaginaram a alegria que vem quando se confessa Jesus abertamente.
 Solicitei essas reuniões para falar com jovens, mas os adultos e velhos estão correndo para participar também.
 No domingo, o pastor pediu a Evan para continuar por mais uma semana. À noite, ele falou com o povo sobre a importância da obediência. Ele enfatizou:
Estou entregando esta reunião nas mãos do Espírito Santo. Lembre-se: o Espírito Santo não é “alguma coisa”, é uma pessoa. Quando entrego a reunião nas suas mãos, estou entregando nas mãos de uma pessoa.
Durante a reunião, que durou seis horas, Evan circulou entre as pessoas, instando com elas para confessarem a Jesus. No final, ele pediu que apenas as sessenta e tantas pessoas que haviam confessado a Jesus ficassem mais um pouco. Por volta da meia-noite, ele lhes pediu que orassem, uma após outra: “Envie o Espírito Santo agora, por amor a Jesus”. Cada pessoa fazia essa oração em voz alta. Depois que todos oraram, começaram outra vez, orando assim: “Envie o Espírito Santo agora, com mais poder, por amor a Jesus”.

 Enquanto oravam assim, duas mulheres foram batizadas no Espírito Santo e gritavam de alegria. Em seguida, houve um derramamento geral. Alguns clamavam por misericórdia. Outros ficavam prostrados em agonia de convicção, ou até desmaiavam. O barulho era uma mistura de choro, clamor, cânticos e louvor; jamais se ouvira algo semelhante naquele lugar. Eram mais de três horas da manhã quando Evan finalmente chegou em casa. E assim terminou a primeira semana do grande Avivamento de Gales.

 Reuniões de Poder e Reuniões de Batalha
 Segunda-feira, dia 7 de novembro, era o dia da reunião de oração. Como em tantas outras igrejas, era uma das reuniões menos freqüentadas da semana. Mas, naquele dia, a capela estava superlotada pela primeira vez na sua história. Evan Roberts pregou sobre o último capítulo de Malaquias.

 Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas... (Ml 4.2)

 Evan espantou os ouvintes ao declarar com ousadia que essa Escritura seria cumprida imediatamente no País de Gales. Era como Jesus, quando leu Isaías 61.1-3 na sinagoga no início do seu ministério (Lc 4.21) e declarou que aquela profecia havia se cumprido diante dos olhos deles. Evan Roberts também era um jovem, conhecido por todos em sua cidade como simples trabalhador nas minas de carvão. Como o povo acreditaria em suas palavras?

 Deus, entretanto, tratou de confirmar sua presença. Novamente, Evan levou as pessoas a orar, uma após outra, para “Deus enviar o Espírito Santo agora, por amor a Jesus”. Depois de completar uma rodada completa, começaram de novo. Antes de completar a segunda vez, a congregação inteira sentiu uma “influência irresistível”. Alguns ouviram um forte estrondo, “o lugar ficou temível”. Muitos clamavam e choravam em agonia. O senso da presença do Espírito estava muito forte.

 Porém, na noite seguinte, terça-feira, o ambiente ficou pesado na reunião. Dispuseram-se a orar, mesmo assim, e perseveraram até às quatro da manhã. A mãe de Evan foi embora antes do final, reclamando que estava muito tarde e que todos teriam de trabalhar logo de manhã. No outro dia, porém, Evan e seu irmão encontraram a mãe em agonia, chorando em desespero, por ter perdido uma oportunidade de vigiar junto com seu Senhor. Ela sentiu a dor e a solidão de Jesus no Getsêmani, pouco antes da cruz, quando seus discípulos não conseguiram permanecer com ele. Era como se ela tivesse abandonado o Senhor num momento crítico semelhante àquele.

 Deus estava ensinando ao povo que nem todas as reuniões são de gozo e poder, como na noite anterior. Às vezes, ele precisa trabalhar no silêncio, na batalha, na aprendizagem da perseverança.

 Ao mesmo tempo que isso estava acontecendo em Loughor, a cidade de Evan, Deus estava operando simultaneamente em vários outros lugares em Gales. De forma totalmente independente, sem um instrumento humano para levar de um lugar para outro, o Espírito estava agindo soberanamente, visitando vidas, trazendo arrependimento e profundas conversões. As chamas realmente estavam espalhando-se rapidamente.

 Um “Caos Organizado”
De acordo com um dos historiadores do avivamento, as reuniões deste ponto em diante poderiam ser descritas como um “caos organizado”, controlado pelo Espírito. Não havia ordem humana, nem tentavam mais dar abertura à reunião ou fazer um planejamento. Eram caóticas, em termos da lógica humana, mas havia uma perfeita ordem do Espírito.

 Uma pessoa se levantava para citar uma passagem bíblica, enquanto outras sentiam-se tocadas pelo Espírito e clamavam por misericórdia, em arrependimento. Depois, como se alguém tivesse dado um sinal, todos começavam a cantar.

 Evan não pregava no sentido convencional. Talvez sentisse uma certa repulsa pela retórica humana da maioria dos pregadores da época, que era muito popular nas igrejas. Ele se comunicava com o povo em sua própria linguagem.

 “Este é o caminho”, ele dizia. “O que eu experimentei, você também pode receber. É possível, você poder receber o que eu tenho. É excelente, é maravilhoso, é brilhante. Transformará sua vida”.

 Ele era muito real e prático. Suas palavras geravam uma ressonância no coração deles; o calor, a simplicidade, a intensidade os cativava. Era impressionante como as pessoas correspondiam, como gente de todas as idades e de todas as denominações vinha e era tocada por Deus.

 Ao ver alguns confessando os pecados, outros percebiam que Deus podia perdoar-lhes também e transformar suas vidas. Enquanto clamavam a Deus, as emoções cresciam.

 Tudo isso era mesclado com a trilha sonora dos hinos galeses. Quando os galeses cantavam seus grandes hinos, agora com o entusiasmo e o fogo do Espírito Santo, não havia nada igual. Eram composições e letras, em grande parte, dos metodistas do século dezoito. Faziam parte, podemos dizer, do próprio DNA do povo galês. Agora, porém, incendiadas pelo Espírito Santo, as pessoas estavam percebendo, pela primeira vez, o verdadeiro significado da letra que haviam cantado por décadas.

 Um grande mover de Deus estava nascendo. Como Evan Roberts e os outros líderes enfrentariam o enorme poder contido nesse mover e os perigos que o acompanhariam? Continuaremos a seguir a sua trajetória no próximo capítulo.


 Extraído do site www.reviveourhearts.com, do ministério de Nancy Leigh DeMoss, do texto “When the Fire Fell” (Quando o Fogo Caiu), de Maurice Smith, www.parousianetwork.org. e do livro “O Mundo em Chamas”, de Rick Joyner, Shemá Produções.

Fonte: Arauto Ano 25 nº 2 - Março/Abril 2007

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