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quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Avivamento do País de Gales - Parte V - Nancy Leigh DeMoss, Maurice Smith

 Parte V – Efeitos do Avivamento

 De acordo com alguns estudiosos, o avivamento no País de Gales, um minúsculo principado da Grã-Bretanha, que ocorreu de 1904 a 1905, foi um dos maiores avivamentos na história, dado o curto tempo de duração e o impacto que causou, não só nas regiões circunvizinhas, mas através do mundo inteiro. Sem dúvida alguma, foi um dos grandes acontecimentos que viriam a marcar significativamente o início do século XX. Neste último capítulo na série de artigos, examinaremos os efeitos do avivamento, tanto imediatos quanto de longo prazo. Foi mero “fogo de palha” ou causou algum impacto mais duradouro?



 Nem sempre é possível colocar uma data precisa para o início de um avivamento. Geralmente o associamos a uma reunião especial ou a uma ocasião em que Deus começou a agir de modo especial. Contudo, se pesquisarmos, sempre encontraremos uma série de acontecimentos anteriores, como preparação de instrumentos e oração individual ou coletiva, que estavam em andamento muito antes da explosão maior vir à tona.



 Mais difícil ainda é identificar o final de um mover divino. Afinal, um avivamento não é uma mera campanha ou série de reuniões especiais, como às vezes o termo é usado, e não pode ser programado, iniciado e encerrado de acordo com planos humanos.



 Um mover de Deus geralmente não acaba instantaneamente; vai perdendo fôlego pouco a pouco, até que as pessoas concluam: “Parece que agora tudo está voltando ao normal”. E, quando se procura descobrir o que aconteceu, vários motivos podem ser apontados: tentativas humanas para organizar a obra do Espírito, orgulho, falta de sabedoria e discernimento no uso de dons, ênfase exagerada na busca por experiências, divisões.



 O Avivamento de Gales Acabou Muito Rápido?



 De acordo com a maioria dos historiadores, o avivamento em Gales durou aproximadamente dezoito meses, de novembro de 1904 a abril de 1906. Embora tentasse não ocupar uma posição de liderança ou centralidade no avivamento (como vimos no capítulo anterior), Evan Roberts foi o instrumento que Deus usou para acender as chamas e para mantê-las acesas durante o período em que se alastraram pelo país. Ele não foi o único instrumento, mas era o principal e mais conhecido.



 Alguns meses depois do início do avivamento, a intensidade das viagens e reuniões começou a desgastar a saúde física de Evan Roberts. Já em março de 1905, havia sintomas problemáticos. Mesmo assim, ele continuou ativo até abril de 1906, quando, próximo de uma crise nervosa, retirou-se do ministério público para recuperar-se na casa da família Jesse Penn-Lewis. Nunca mais voltou ao cenário público, mas dedicou-se a uma vida de intercessão.



 Na verdade, o avivamento ainda continuou por mais algum tempo sob a liderança de vários outros evangelistas e homens de Deus, tais como Seth Joshua (que vimos na Parte II), mas não com o mesmo ímpeto de antes.



 Quando se pergunta por que o avivamento de Gales acabou em tão pouco tempo, há pelo menos duas respostas. A primeira, mais óbvia aos observadores humanos, foi realmente o fato de Evan Roberts ter-se retirado da cena de ação. Mesmo em moveres sobrenaturais, como avivamentos, Deus usa instrumentos humanos. Limitações humanas podem afetar um mover de Deus.



 A segunda, menos evidente, mas não menos importante, é a seguinte: Avivamentos não são a vida normal da igreja. São intervenções divinas que podem afetar poderosamente um país ou época na história. Entretanto, nunca foram planejados por Deus para continuarem indefinidamente. Nas palavras de Kevin Adams, historiador do Avivamento de Gales, “um avivamento vem para vivificar e despertar a igreja; depois, ela precisa continuar cumprindo sua missão divina”.



 O aspecto mais importante de um avivamento não é a duração do fenômeno ou visitação em si – é o impacto que gera na igreja e na sociedade e a permanência dessas mudanças.



 Efeitos Imediatos do Avivamento



 Nos primeiros seis meses do avivamento, estima-se que mais de 100.000 pessoas foram convertidas. Algumas já eram membros de igreja, mas nunca tiveram uma verdadeira experiência viva com Deus. Outras eram mais facilmente identificadas como “pecadoras”, gente que antes não queria saber de Deus ou da igreja.



 O efeito nas vilas, aldeias e locais de trabalho em todo o País de Gales era muito marcante. O ambiente nas minas de carvão, onde grande parte dos homens da região trabalhava, mudou completamente. Os mineiros, que já tinham de se levantar muito cedo para começar o trabalho, chegavam meia-hora antes para a reunião de oração. Às vezes, havia 200 pessoas ou mais, lá embaixo na mina, participando de uma reunião de avivamento. Os chefes e supervisores estavam lá também. Havia alegria e entusiasmo no ar. Os homens cantavam durante o trabalho e conversavam com colegas sobre arrependimento e conversão.



 Há várias histórias registradas sobre a mudança de clima nas minas. Um empregado estava com medo de perder o emprego, porque sua tarefa era cuidar dos cavalos e, agora, todos os mineiros convertidos estavam cuidando com muito mais responsabilidade, cada um do seu próprio cavalo. Mas isso não era o “pior”: os cavalos também estranharam a mudança. Acostumados a serem tratados com aspereza, palavrões e agressões, de repente ninguém mais gritava ou dava chicotadas. Os homens haviam sido “amansados” pela operação do Espírito, e os cavalos não lhes obedeciam mais – não estavam acostumados a serem tratados com mansidão!



 O grande vício do povo na época era a bebida alcoólica. Os bares foram esvaziados. Muitos faliram e foram obrigados a fechar as portas. Com a queda na bebida, houve queda marcante nos índices de criminalidade. A vida nas famílias foi transformada, porque os homens ficavam em casa e davam mais atenção para esposas e filhos.



 No Avivamento de Gales, pelo que sabemos, não houve curas ou milagres. Não aconteceu nenhuma transformação de água em vinho, mas houve uma outra transformação, mais sutil, porém tremendamente sobrenatural: a transformação de cerveja em roupas e alimentos para as famílias carentes que antes passavam necessidade por causa do vício da bebida.



 Um médico foi entrevistado por um jornalista durante o avivamento. “O que o senhor está achando do avivamento?”



 “Estou achando maravilhoso”, respondeu o médico. “As pessoas estão acertando todas as suas dívidas antigas. Contas que achei que nunca mais receberia estão sendo pagas.”



 Um batismo de honestidade, um batismo de perdão, um batismo de reconciliação. Nos tribunais de justiça, às vezes não havia casos para serem julgados. A polícia ficava ociosa e, em um lugar, passou a formar quartetos para cantar nas igrejas, para ocupar seu tempo.



 Efeitos Duradouros



 Embora o avivamento tenha acabado em menos de dois anos, seus efeitos continuaram por muito tempo. Mesmo os críticos admitiram que, depois de cinco anos, 80% dos convertidos ainda se encontravam firmes nas igrejas. Não foi um “fogo de palha”, como tantas vezes se tem visto, em que os números desaparecem logo após o fim dos fenômenos sobrenaturais.



 Outro ponto importante a notar é que os efeitos do avivamento não foram limitados à região imediata de Gales. As chamas foram se espalhando, transportadas por pessoas que viajavam ou se mudavam para outras partes da Grã-Bretanha ou do mundo. Muitos missionários saíram de lá, alcançando lugares distantes, como a Índia ou a África. Avivamentos começaram em vários outros países, diretamente influenciados pelas chamas que saíram de Gales, entre os quais o Avivamento Azusa nos EUA (1906) e o Avivamento na Coréia (1907).



 Muitos efeitos nunca poderão ser avaliados ou conhecidos. Como exemplo da transformação permanente que resultou do avivamento, podemos citar Jessie Davis, que foi entrevistada pelo historiador Kevin Adams quando já estava com mais de 80 anos, muito tempo depois do avivamento.



 “Muitas pessoas dizem que o avivamento acabou em pouco tempo. Como a senhora, que se converteu nesse avivamento, responde a essa crítica?”



 “Quero dizer isto”, ela respondeu, “a chama que foi acesa no meu coração em 1906, quando eu era jovem, nunca mais se apagou. Está acesa ainda hoje!”



 E estava mesmo, pois ela ainda mantinha uma reunião regular de oração na sua casa. Sem dúvida alguma, milhares e milhares de pessoas conheceram e se apaixonaram por Jesus na lua-de-mel de 1904, mas continuaram amando-o até o fim de suas vidas.



 Isso não aumenta sua fome e sede por uma genuína visitação de Deus nos nossos dias?





 Extraído e compilado do site www.reviveourhearts.com, do ministério de Nancy Leigh DeMoss, e do texto “When the Fire Fell” (Quando o Fogo Caiu), de Maurice Smith, www.parousianetwork.org.

Fonte: Arauto Ano 25 nº 4 - Julho/Agosto 2007

Um comentário:

  1. lindo seu blog... Que assuntos tão renovadores sobre o avivamento... já conheço muito estas histórias, mas como são tao preciosas, tão fortes, tão vivas... parabéns pelo blog... vou colocar no nosso site... um abraço! mauro
    www.tabernaculodoavivamento.org

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