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quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Avivamento do País de Gales - Parte IV - Nancy Leigh DeMoss, Maurice Smith

Parte IV – Dias de Grande Poder

  De acordo com alguns estudiosos, o avivamento no País de Gales, um minúsculo principado da Grã-Bretanha, que ocorreu de 1904 a 1905, foi um dos maiores avivamentos na história, dado o curto tempo de duração e o impacto que causou, não só nas regiões circunvizinhas, mas através do mundo inteiro. Sem dúvida alguma, foi um dos grandes acontecimentos que viriam a marcar significativamente o início do século XX. Nesta série de artigos, o foco principal está sendo como Deus usou instrumentos comuns para trazer acontecimentos extraordinários.

 Em novembro de 1904, depois de meses (e anos) de preparação, o fogo do avivamento caiu em Loughor, a cidade de Evan Roberts, no País de Gales, como vimos na Parte III desta série. Ao mesmo tempo, o Espírito estava agindo em outras cidades próximas. Às vezes, de forma espontânea, sem qualquer elo de ligação com um “centro” ou “líder” do avivamento; outras vezes, por meio de Evan Roberts ou de outros pregadores e jovens cheios do fogo recém-derramado, cidade após cidade foi alcançada e contagiada com o poderoso impacto da presença de Deus que conhecemos como avivamento.

Reuniões Ininterruptas

 O que você acharia de uma reunião que não tivesse hora para terminar, que talvez nem tivesse alguém à frente para coordenar, sem cultinho para cuidar de seus filhos pequenos, sem hinário ou retroprojetor, sem roteiro, totalmente imprevisível? Assim eram, geralmente, as reuniões que brotavam por toda parte no País de Gales durante o avivamento – com um detalhe importante: Deus estava presente!

 Veja esta descrição de uma das reuniões, relatada por J. Edwin Orr, um dos historiadores desse avivamento, que conversou diretamente com pessoas que estiveram presentes:

 Merathan Lewis era um garoto de sete anos em 1904. O pai dele trabalhava nas minas de carvão. Num dia normal de trabalho, o Sr. Lewis chegou em casa às três da tarde, quando terminava o seu turno, tomou um banho para tirar o pó preto e chamou a esposa: “Vamos à reunião”.

 Pegaram as três crianças pequenas e foram a uma igreja que tinha um grande templo, chegando lá às quatro da tarde. O local já estava abarrotado, mas, para uma mãe com três crianças, sempre se dá um jeito. Ninguém sabia se Evan Roberts viria ou não, pois havia centenas de reuniões em toda parte, e ele nunca avisava em que lugar pretendia estar.

 Nesta ocasião, porém, ele apareceu, inesperadamente, às 19 horas. Todos estavam contentes em vê-lo, mas o auditório estava tão cheio que não tinha como chegar à frente. Foi preciso subir nos ombros dos homens que estavam em pé nos corredores e depois passar por cima do púlpito. Finalmente, depois de chegar lá, Evan disse apenas duas palavras: “Vamos orar”. Foram as únicas palavras que conseguiu pronunciar, porque, em seguida, as 1800 pessoas presentes começaram a orar, todas ao mesmo tempo.

 Um homem começou a suplicar: “Deus, dá-me uma outra chance, e acertarei tudo o que está errado em minha vida”. Uma mãe clamava pelo filho que saíra de casa e nunca mais mandara notícias. Outra pessoa estava-se dedicando para servir a Deus no campo missionário. Um homem perto do Sr. Lewis deu-lhe uma cotovelada e disse: “Você pode parar de orar um pouco e me dizer como faço para ser um cristão?”

 Por volta das 22 horas, Evan Roberts foi embora, mas passou a noite em oração na casa onde estava hospedado. Às duas da manhã, o Sr. Lewis chamou a esposa para levar as crianças para casa. Foi preciso ir andando sob a garoa que caía, carregando as duas que já estavam dormindo. Às três da manhã, estavam todas na cama, mas, como já estava próxima a sua hora de trabalhar, o Sr. Lewis sentou-se numa cadeira na sala para cochilar um pouco.

 No outro dia, ao chegar do trabalho às três da tarde, tomou banho e chamou a esposa novamente: “Vamos à reunião”. Pegaram as três crianças e voltaram para o templo, onde a reunião continuava ininterruptamente, desde o dia anterior...

 Era isso que estava acontecendo por toda aquela região. Não se falava de outra coisa. Havia reuniões nas casas, grupos conversando, reuniões ao ar livre, multidões que chegavam aos templos das igrejas horas antes do início das reuniões. Pessoas que vinham para criticar, jornalistas, políticos e curiosos também eram tocados por Deus e se convertiam. Quem vinha de cidades vizinhas pegava o fogo e o levava de volta para sua região, espalhando-o ainda mais. De acordo com estimativas conservadoras, mais de trinta mil pessoas se converteram, só nos primeiros dois meses do avivamento.

 Lidando com a Popularidade

 Tente imaginar algo assim acontecendo hoje, com o poder da mídia, a força das organizações, o culto à personalidade. Quanto tempo o homem levaria para domesticar e controlar um mover de Deus?

 Embora naquele tempo a organização e a força humanas fossem mais primitivas do que hoje, a tendência da sua natureza era a mesma. E Evan Roberts, ainda que jovem e inexperiente, preocupava-se muito com essas coisas. Seu temor era de que o homem se tornasse o centro das atenções, e ele advertia constantemente que o Espírito Santo se retiraria se o povo fixasse a atenção nos líderes.

 Por essa razão, Evan fugia o quanto possível de toda espécie de publicidade. Não permitia que se tirassem fotos e recusava-se seguidamente a dar entrevistas a jornalistas que vinham de várias partes do mundo. Mesmo naquela época, as notícias corriam rapidamente, e Evan Roberts já se tornara, sem querer, um dos pregadores mais famosos do mundo.

 Evan fazia todo empenho para que as reuniões e o movimento em geral não dependessem dele. Muitas vezes, entrava numa reunião e ficava totalmente em silêncio, só orando e cantando com a congregação, e saindo depois sem ter dirigido uma palavra em público. Ele não avisava onde iria pregar e, várias vezes, cancelou compromissos quando percebia que as pessoas vinham só para ouvi-lo.

 Em uma ocasião, para impressionar o povo com a necessidade de olhar somente para Jesus, Evan perguntou para a congregação reunida: “Quantos aqui crêem nas promessas de Deus?”

 Um coro de vozes respondeu afirmativamente.

 “Vocês concordam que uma promessa dada pelo próprio Senhor Jesus seria especialmente preciosa?”

 “Sim”, responderam.

 “Vocês se lembram de que ele prometeu que, onde dois ou três estivessem reunidos, ele estaria no meio deles?”

 “Sim”, responderam novamente.

 “Vocês acreditam nisso?”

 “Sim!”

 “Acreditam mesmo?”

 “Sim, acreditamos”, bradaram mais alto.

 “Temos dois ou três aqui?”, ele perguntou à multidão de mais de duas mil pessoas.

 A congregação riu-se da pergunta.

 “Então, Jesus está aqui?”

 “Sim!”

 “Eu quero saber”, ele insistiu, “Jesus realmente está aqui?”

 “Sim, ele está”, bradaram mais alto.

 “Muito bem, então vocês não precisam de mim.” Pegando o chapéu e o casaco, Evan saiu e foi para outra reunião!

 Alguém foi embora por causa disso? Não! Reconheceram que Jesus de fato estava presente e continuaram por várias horas, orando, cantando e buscando a Deus.

 O Poder dos Cânticos

 Outra coisa que facilmente acontece durante um mover de Deus é o foco ser desviado para fenômenos, emoções ou bênçãos. Uma das marcas do avivamento de Gales eram os cânticos. Os galeses já eram um povo muito aficionado à música, acostumado a cantar grandes hinos da Igreja. Agora, com o avivamento, os cânticos ganharam uma dimensão totalmente nova. Era comum, durante as reuniões, uma parte da congregação estar cantando um hino em glorioso e reverente estado de arrebatamento, enquanto outra estava prostrada no chão, clamando a Deus em agonia por misericórdia.

 “Cantar de forma tão impressionante e maravilhosa”, relatou uma testemunha, “sem qualquer ensaio ou preparo musical, só poderia ser algo gerado pelo próprio Espírito Santo. Não havia coral, nem diretor de louvor, nem órgão ou outro instrumento musical. Eram vozes, cantando espontaneamente, com unção incrível, do mais profundo do coração. Cantavam, soluçavam, intercediam numa mistura inacreditavelmente poderosa.”

 Cantar era um dos frutos do avivamento. Inúmeras pessoas relatavam como estremeciam, riam e cantavam por horas depois de serem poderosamente batizadas no Espírito Santo. A música era um dos principais meios de liberar a presença de Deus nas reuniões e nas vidas individuais.

 Mas, com todo esse tremendo ambiente da presença de Deus e poderosa liberação do Espírito através dos cânticos, muitos vinham às reuniões só para “curtir” o ambiente. Isso sempre acontece. Evan Roberts, porém, não o aceitava. A reunião, para ele, era o lugar onde se buscava estar face a face com Deus. Não era um momento para se deliciar com a música, satisfazer-se com os gloriosos efeitos. A verdadeira experiência com Deus em um avivamento era muito mais profunda do que algo tão “superficial”, dizia Evan.

 Por isso, muitas vezes, ele mandava a congregação parar no meio de um cântico. “Parem”, ele dizia, “vocês não estão cantando do coração. Não podemos agir assim!”

 A Igreja Que Tem uma Canção

 O País de Gales tem uma topografia de vales estreitos e compridos separados por montanhas. Diziam na época que era possível atravessar o país inteiro e nunca perder o som da igreja cantando. Enquanto você subia a montanha de um lado do vale, ainda conseguia ouvir os cânticos da igreja lá embaixo. Perto do topo da montanha, quando o som dos cânticos estava quase sumindo, já começava a ouvir, no vale vizinho, o som da igreja, que ia aumentando à medida que você descia do outro lado.

 Num certo sentido, um avivamento é a igreja cantando, o que acontecia mesmo no País de Gales. Porém, não é a igreja meramente cantando – é a igreja que achou sua canção. Existe uma grande diferença entre as duas coisas. A igreja atual, por exemplo, canta muito, mas não tem uma canção (veja Sl 137.1-4). Temos muita técnica, muitos cantores, muitas músicas, muito barulho, mas não se ouve aquele som diferente que é a canção que realmente vem do Espírito, da outra dimensão.

 Quando ficarmos tão exaustos que não nos restarem mais forças para lutar, quando estivermos cansados dos programas, cansados das tentativas de sermos aceitos e reconhecidos, cansados da religiosidade que se reduz e se adapta para sobreviver numa cultura que nunca será transformada por nada aquém de um avivamento, quando chegarmos ao ponto de clamarmos em desespero a Deus – é nesse ponto que Deus nos devolverá nossa canção.

 Vivemos na esperança de que em breve Deus nos visitará outra vez e nos dará essa nova canção. Quando isso acontecer, todos saberão!

 No próximo capítulo, veremos alguns dos efeitos do avivamento na sociedade do País de Gales.



  Extraído e compilado do site www.reviveourhearts.com, do ministério de Nancy Leigh DeMoss, e do texto “When the Fire Fell” (Quando o Fogo Caiu), de Maurice Smith, www.parousianetwork.org.


Fonte: Arauto Ano 25 nº 3 - Maio/Junho 2007

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