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quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Avivamento do País de Gales - Parte II - Nancy Leigh DeMoss/Maurice Smith

De acordo com alguns estudiosos, o avivamento no País de Gales, um minúsculo principado da Grã-Bretanha, que ocorreu de 1904 a 1905, foi um dos maiores avivamentos na história, dado o curto tempo de duração e o impacto que causou, não só nas regiões circunvizinhas, mas através do mundo inteiro. Sem dúvida alguma, foi um dos grandes acontecimentos que viriam a marcar significativamente o início do século XX. Nesta série de artigos, o foco principal será como Deus usou instrumentos comuns para trazer acontecimentos extraordinários.

Antes de Deus acender a chama, ele precisava preparar um instrumento para guiar e cuidar do avivamento. Por isso, no nosso relato, precisamos voltar um pouco no tempo e falar a respeito de um homem que Deus começou a preparar vários anos antes dos acontecimentos descritos na Parte I.

Quando Deus começa um avivamento, ele não trabalha primeiro com a igreja como um todo. Ele escolhe uma ou duas pessoas com paixão, com encargo, que geralmente estão “fora do arraial”, num certo sentido. Estão fora dos programas normais da igreja. Estão carregando um fardo que os outros não conseguem compreender.

Volte às Escrituras e veja os exemplos. Deus escolhe um simples pastor, longe dos centros de atividade, e faz dele um rei. Ou toma homens comuns (como Amós, um homem do campo – Am 7.14) e os chama para serem profetas. Deus não escolhe os fortes, os capacitados. Ele procura os simples, os disponíveis.

Imagine o que Jesus faria se estivesse iniciando o cristianismo agora, no século XXI. Se ele tivesse de escolher doze homens e dizer: “Estou confiando a estes homens o futuro da Igreja Cristã, a mensagem do Reino de Deus”, imaginaríamos que procuraria nos melhores seminários, que escolheria as mentes mais brilhantes, os comunicadores mais dinâmicos.

Mas não foi isso que fez no início da era cristã. Sabe o que ele faria hoje? Iria a uma obra de construção, a uma fábrica qualquer ou aos trabalhadores rurais e chamaria seus discípulos. Porque foi isso que fez quando escolheu pescadores e outros homens comuns nos evangelhos.

A Preparação de Evan Roberts

Quando se fala do avivamento de Gales, o nome mais conhecido hoje é o de Evan Roberts. Mas, quando foi chamado por Deus, ele era desconhecido, um trabalhador comum, sem cursos ou títulos. Evan nasceu em 1878, perto do rio Loughor. Sua família era metodista e, desde cedo, levava as coisas espirituais a sério. Converteu-se com treze anos de idade.

Seu pai, como a maioria dos homens naquela região, era um mineiro de carvão e trabalhava nos túneis escuros embaixo da terra. Com apenas nove anos de idade, Evan precisou começar a trabalhar, porque seu pai quebrara a perna na mina. Com doze anos, ele saiu da escola para assumir o trabalho definitivo nas minas de carvão. Era um trabalho muito perigoso e, mais de uma vez, escapou por pouco da morte.

Em uma das ocasiões, houve uma explosão na mina, mas, como não era o seu turno, ele não estava no local. Sua Bíblia, porém, havia ficado lá e ficou queimada exatamente na página de 2 Crônicas 6, na oração do rei Salomão. Evan guardou essa Bíblia como memorial por muitos anos.

Ao contrário da maioria dos cristãos em Gales, que eram indiferentes e acomodados, Evan estava sempre insatisfeito com o nível de vida espiritual que tinha, sempre buscando ansiosamente por algo maior. Ao ver a sede do jovem, um diácono de sua igreja o aconselhou a não perder uma reunião de oração sequer, pois poderia acontecer de o Espírito Santo chegar quando ele não estivesse presente. Por isso, todas as noites da semana, Evan estava em uma reunião de oração ou estudo bíblico nas redondezas. Durante treze anos (da idade de 13 até os 26 anos), ele fez isso, orando com perseverança por um avivamento.

Com a idade de dezenove anos, Evan estava numa montanha em Gales, contemplando o vale embaixo e recitando a oração do Pai-Nosso em voz alta. Quando chegou às palavras: “Venha o teu reino”, ele ficou tão comovido que não conseguiu mais falar. Ficou parado ali, enquanto as palavras martelavam no seu interior: “Venha o teu reino, venha o teu reino”. Seu coração era assim sensível ao toque de Deus.

Durante os treze anos em que manteve o compromisso de buscar ao Senhor, havia dois temas principais nas suas orações. O primeiro era por um enchimento pessoal do Espírito Santo. Ele clamava a Deus para enchê-lo com sua presença. Em segundo lugar, ele pedia por um avivamento nacional. “Aviva Gales!”, ele suplicava. Na Bíblia da família, a passagem de 2 Crônicas 7.14 estava marcada como a base de seu clamor a Deus.

Uma noite em 1903, Evan ajoelhou-se para orar antes de dormir. De repente, a presença de Deus o envolveu de tal forma que começou a sacudir-se fortemente, balançando até a cama. Sentiu-se totalmente inundado pela presença de Deus. Seu irmão, na cama ao lado, achou que ele estava doente e, levantando-se, abraçou-o e tentou ajudá-lo.

Depois da oração, Evan foi dormir. Porém, pouco tempo depois, à uma da manhã, Deus o acordou. Até às cinco da manhã, ele permaneceu em oração. Durante os três ou quatro meses seguintes, Deus o acordava nesse mesmo horário, todas as madrugadas, e ele ficava em intercessão até às cinco. Em muitas ocasiões, sentia fortes visitações do Senhor, com tremores incontroláveis. Quando seus familiares perguntavam o que estava acontecendo, ele só respondia que era algo indescritível.

Já fazia algum tempo que Evan sentia que Deus o queria no ministério. Alguns meses antes desses encontros de madrugada com o Senhor, ele havia se matriculado numa escola preparatória a fim de ter condições de passar no exame de admissão do seminário. Essa escola era localizada na região oeste de Gales, próxima a New Quay, onde Deus estava se movendo entre os jovens, como vimos na Parte I desta série.

Uma Oração Incomum

Uma outra pessoa que teve uma parte importante no início do avivamento foi um evangelista presbiteriano, chamado Seth Joshua. Preocupado com a ênfase que era dada ao conhecimento acadêmico e com a falta de vida espiritual, ele começou a orar para que Deus mandasse um avivamento a Gales. Muitos anos depois, seu filho Peter contou como teve oportunidade de ouvir a oração do pai.

Um dia, resolvi matar aula e fui para um parque para brincar. Chegando lá, vi meu pai andando no parque e escondi-me por trás dos arbustos. Quando ele se aproximou, fiquei assustado por ver que estava chorando (algo que achei que ele jamais faria). Ele estava dizendo: “Por favor, Deus, dá-me Gales”, e continuou repetindo essa súplica enquanto eu podia ouvi-lo.

Porém, além de pedir um avivamento para Gales, Seth Joshua estava fazendo uma outra oração a Deus por algo bastante incomum. Ele estava pedindo para que Deus levantasse um moço das minas de carvão ou dos campos de lavoura, não de Cambridge ou Oxford (assim como chamara a Eliseu enquanto lavrava a terra), para despertar o povo de Deus e levá-lo de volta à sua presença. Nem imaginava que ele mesmo teria um papel neste chamado.

Em 1904, quando Evan Roberts estava estudando na escola preparatória, Seth Joshua foi pregar na igreja de Joseph Jenkins, em New Quay, onde Florrie Evans havia feito sua confissão e onde havia agora um grupo de jovens avivados. O ambiente espiritual estava muito favorável, e Deus estava operando poderosamente em muitas vidas. As reuniões se prolongavam até mais de meia-noite. Numa das reuniões, depois de meia-noite, Seth tentou encerrar o culto com uma oração. Mas, durante a oração, o Espírito começou a agir novamente, e o povo não quis ir embora. Isso se repetiu por diversas vezes. Seth Joshua testemunhou depois que nunca antes vira tamanha manifestação do poder do Espírito.

Depois disso, Seth foi para Newcastle Emlyn, para a escola preparatória, onde Evan Roberts estava. Eram todos jovens preparando-se para o ministério, mas o ambiente era frio e indiferente. Nas primeiras reuniões, Evan não estava presente porque estava doente. No terceiro dia, porém, um grupo de jovens de New Quay veio. Não houve pregação, somente cânticos, testemunhos e exortações. O fogo começou a arder, corações se derreteram e muitos começaram a pedir misericórdia de Deus por suas próprias vidas.

A Grande Reunião de Blaenanerch

Ao ouvir e ver o que Deus estava fazendo em New Quay, Evan Roberts sentiu que chegara o momento para a resposta às suas orações. Quando Seth Joshua seguiu para uma outra cidade próxima, Blaenanerch, para pregar, Evan pediu permissão do diretor da escola para ir para lá com mais alguns colegas e participar das reuniões.

Era uma quinta-feira, 29 de setembro de 1904. Evan Roberts saiu de Newcastle com um grupo de dezenove colegas da escola, às seis horas da manhã, para estar na primeira reunião que começaria às sete. Já pelo caminho, o grupo sentia a forte presença do Espírito ao cantar: “Está vindo, está vindo o poder do Espírito Santo; eu o recebo, eu o recebo, o poder do Espírito Santo”.

Ao chegarem lá, participaram da primeira reunião. No final da pregação, antes de dar um intervalo para tomar o café da manhã, Seth Joshua fez uma oração em que usou as palavras: “O Arglwydd, plyg ni”, palavras em galês que significam: “Senhor, dobra-nos”. Estas palavras atingiram Evan como se fossem uma flecha no seu íntimo. Ele sentiu uma profunda agonia como uma dor de parto e testificou mais tarde que o Senhor lhe sussurrou nos ouvidos: “É disso que você precisa”.

Esta palavra em galês, plyg (dobrar), tem um sentido muito mais profundo do que nossa palavra em português. Significa derreter, moldar, dar forma (como barro nas mãos do oleiro) – além de dobrar ou quebrantar.

Evan não quis tomar café. Quando voltaram para a reunião às nove horas, ele sabia que precisava fazer essa mesma oração em público. Enquanto esperava que outros terminassem de orar, ele disse:

Senti uma força ou energia viva entrando no meu peito. Perdi o fôlego, minhas pernas ficaram trêmulas. Caí de joelhos, suava muito, e as lágrimas jorravam – achei que estava até sangrando. Era terrível por uns dois minutos. Então clamei: “Dobra-me, dobra-me, dobra-me! Oh! Oh! Oh!” Senti que era Deus enviando o seu amor para me dobrar e eu não compreendia o que havia em mim para ser amado. Depois que fui “dobrado” (quebrantado), uma onda de paz encheu meu interior. Ao mesmo tempo, a congregação cantava com entusiasmo: “Estou chegando, estou chegando, Senhor, a ti”. O que veio à minha mente depois disso era o dia do juízo final quando as pessoas serão dobradas contra sua vontade. Senti meu coração cheio de compaixão pelas pessoas que serão obrigadas a se dobrarem diante de Deus no dia do juízo. Desse dia em diante, a salvação das pessoas pesava muito sobre mim.

Essa foi a experiência crítica na vida de Evan Roberts. Ele sempre se lembraria da grande reunião de Blaenanerch. Como os caminhos de Deus são insondáveis! Seth Joshua pedira Gales a Deus, mas Deus não lhe deu Gales – ele lhe deu Evan Roberts. E depois deu Gales a Evan Roberts!

Um Novo Homem

Quando Evan levantou-se daquela oração, ele era um homem transformado. Sentiu-se inflamado com o desejo de ir por toda a extensão de Gales para falar do Salvador.

Ao voltar para Newcastle, para a escola, não conseguiu mais concentrar-se nos estudos. Passou muito tempo orando e conversando com o colega de quarto sobre o desejo de ver Deus mover-se em todo o seu país. Começaram a conversar com outros jovens para formar equipes de evangelização.

Certa noite, depois da meia-noite, Evan voltou para o quarto depois de um período de oração. Seu colega de quarto, Sydney Evans (que depois casou-se com a irmã de Evan Roberts e foi para a Índia como missionário), viu que seu rosto estava brilhando e perguntou o que havia acontecido.

“Oh, Sydney”, ele respondeu, “acabei de ter uma visão de todo o País de Gales sendo elevado ao céu. Estamos para ver o maior avivamento que este país já experimentou, e o Espírito Santo está chegando. Precisamos estar prontos!”

Em seguida, Evan Roberts olhou para ele com um olhar penetrante nos seus olhos, do qual Sydney nunca mais pôde esquecer, e perguntou-lhe: “Você acredita que Deus possa nos dar CEM MIL ALMAS?”

É preciso lembrar que, nessa época, Evan Roberts era uma pessoa totalmente desconhecida. Ninguém tinha ouvido falar dele. Mal começara a se preparar para entrar num seminário (que nunca chegou a fazer). Mas, a partir desse dia, passou a acreditar firmemente no avivamento e na grande colheita de cem mil almas que Deus daria. E os relatórios confirmam: nos primeiros seis meses do avivamento, cem mil pessoas foram alcançadas por Jesus no País de Gales!

Extraído do site www.reviveourhearts.com, do ministério de Nancy Leigh DeMoss, e do texto “When the Fire Fell” (Quando o Fogo Caiu), de Maurice Smith, www.parousianetwork.org

Fonte: Arauto Ano 25 nº 1 - Janeiro/Fevereiro 2007

Um comentário:

  1. Carlos Barrso da IDPB Educandos Manaus-Am7 de maio de 2013 15:24

    Deus levanta pessoas não conhecidas dos homens mais conhecidas dele por ter intimidade com ele, quem tem intimidade com Deus é assim, Deus pode levantar a qualquer momento!!!

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