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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Não é o Que os Outros Fazem Que nos Prejudica – É a Nossa Própria Reação - Paul E. Billheimer

Os tesouros que nos custam mais caros são os que mais nos enriquecem. As maiores bênçãos do mundo foram geradas através dos maiores sofrimentos. Conta-se que o poeta Goethe afirmou: “Nunca tive uma aflição que não se tenha transformado em poema”.



 Os melhores traços do caráter cristão, em geral, são frutos do sofrimento. Quando estão no início de uma provação, a maioria dos cristãos se encontram num estado de frieza, com uma mente mundana e carnal; no final dela, porém, seu espírito já está abrandado, amadurecido e edificado.



 As aflições santificadas abrandam a aspereza e aplainam as quinas pontiagudas da nossa vida. Consomem as impurezas do egoísmo e do materialismo. Abatem o orgulho, moderam as ambições humanas e sufocam o fogo das paixões. Expõem o mal que existe em nosso coração, revelando fraquezas, falhas e defeitos e tornando-nos conscientes do perigo espiritual. Disciplinam o espírito obstinado. Para alguns de nós, somente a escola do sofrimento será capaz de transmitir as lições sobre paciência, tolerância e domínio próprio que precisamos aprender.



 Um dos métodos usados por Deus para aperfeiçoar o caráter cristão consiste em permitir que soframos injustamente. A maioria pensa que sofrer já é difícil, quem diria sofrer injustamente! Contudo, ao falar sobre sofrer injustamente, Pedro declara: “Pois, que glória há, se, pecando e sendo esbofeteados por isso, o suportais com paciência? Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus. Porquanto para isto mesmo fostes chamados...” (1 Pe 2.20,21).



 Chamados para Sofrer Injustamente



 Sem dúvida, estamos falando de uma ferramenta muito afiada e dolorosa para nossa alma. Você sabe, no entanto, que quando um torneiro mecânico tem um trabalho muito fino e detalhado para executar, ele escolhe a ferramenta mais afiada que possui. De modo semelhante, Deus emprega o afiado recurso do sofrimento injusto quando deseja esculpir um lindo desenho na vida do cristão. É difícil receber injúria dos outros e sempre retribuir com o bem, mas enquanto o molde divino não for profundamente gravado na estrutura de nossa alma, Deus não terá completado a sua obra em nós.



 Não podemos evitar sofrer nas mãos dos outros. É certo que isso acontecerá. No entanto, em última análise, ninguém consegue ferir-nos a não ser nós mesmos. Nenhuma injustiça que os homens cometam contra nós poderá machucar-nos a menos que permitamos que ela nos torne ressentidos e rancorosos. Um ato ou atitude só pode nos causar mal de verdade se dermos lugar à amargura e à ira.



 Entregue a Deus a sua “Mágoa”



 Porém, você pode perguntar: “Como posso evitar a amargura? Como posso deixar de me sentir magoado?” Existe a história de uma criança indígena que se aproximou de um velho líder da tribo, levando um pássaro ferido nas mãos. O velho olhou para o pássaro e disse: “Leve-o de volta e deixe-o onde você o encontrou. Se você o segurar, ele morrerá. Se devolvê-lo para as mãos de Deus, ele curará sua ferida, e o pássaro viverá”.



 Eis uma lição sobre o que devemos fazer quando somos atingidos pela dor. Nenhuma mão humana é capaz de curar um coração ferido; é preciso entregá-lo a Deus (Lc 4.18; Mt 11.28-30).



 É possível que você tenha tentado renunciar à dor e que não tenha conseguido. Você procura resistir à tentação da amargura, mas se encontra dominado por uma força maior. Deseja amar, mas seu coração está paralisado pela tristeza, e você se sente derrotado.



 O Amor É Um Princípio

 O Amor Pode Ser Severo



 É neste ponto que devemos assumir a posição da fé. Muitas pessoas confundem amor com sentimento ou emoção. Amor é mais do que emoção. O amor é um princípio de vida. Se você realmente deseja o melhor para quem o ofendeu – mesmo quando toda emoção parece estar morta – então você o está amando. O amor é mais do que um sentimento frágil; de fato, pode até ser severo. O amor não pensa em si próprio, mas sempre no bem da pessoa amada.



 O amor não age com base na emoção, mas por princípio. Emoções são instáveis. A questão não é o tipo de sentimentos que se tem, mas o que se faz com eles. Este é o indicador do verdadeiro homem interior: a vontade, e não a emoção. Muitas vezes, meu coração anseia expressar afeto por um dos meus filhos, ao mesmo tempo que reconheço que é preciso discipliná-lo para o próprio bem dele. Nesse caso, ajo por princípio e não por emoção.



 “Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus” (Rm 6.11).



 Você Tem Sentido Amargura?



 A amargura não lhe pertence contanto que você se recuse a aceitá-la e aja em benefício de quem o ofendeu. Se você está em Cristo, e Cristo está em você, o amor dele por quem não é amável é um dom que lhe pertence – mesmo que não sinta qualquer afeto consciente. É aqui que entra a prática do texto acima, de considerar. Paulo afirma que, depois de ter morrido com Cristo, essa morte se torna real na nossa vida através do ato de considerar, isto é, de assumir a posição da fé, dando como consumado e concretizado aquilo que ainda não sentimos nem vemos como realidade (Rm 6.1-14). “Tudo é vosso, e vós, de Cristo, e Cristo, de Deus” (1 Co 3.22,23).



 Se você sente o coração amargurado, recuse-se a confessar que a amargura lhe pertence e considere que o amor de Cristo é seu. É seu se ele é seu. Aceite a ofensa como se tivesse vindo de Deus e planejada para tornar-se uma bênção para você. Enxergue Deus por detrás da pessoa que o prejudicou. Considere e reivindique que o amor de Cristo lhe pertence e, ao assumir essa posição de fé, ele de fato se tornará real em sua vida. Abra mão da mágoa e coloque o coração ferido nas mãos de Deus.



 Despindo-se de Si Mesmo e Revestindo-se de Cristo



 Se você não consegue perdoar de coração, assuma uma posição de fé e diga a Deus: “Como tenho o teu amor que perdoa, eu perdôo todos de todas as coisas”. À medida que você se firmar nessa posição, recusando-se a ceder à amargura ou ao ressentimento, Deus trabalhará o espírito de perdão em sua vida, e você será liberto até mesmo da tentação da amargura.



 Em última análise, ninguém é capaz de realmente prejudicar-nos a não ser nós mesmos. Os outros podem tratar-nos de maneira injusta, acusar-nos falsamente e, assim, manchar o nosso nome. Podem até ferir o corpo, mas nada disso pode realmente ferir-nos a menos que nós mesmos permitamos que essas coisas nos levem à amargura e ao ressentimento, à tentativa de nos vingarmos ou à desforra.



 Não é o que as pessoas nos fazem que nos prejudica de fato, mas a forma como reagimos. Não se trata sequer do que sentimos por elas, mas do que fazemos com tais sentimentos. Se esses sentimentos cristalizam-se em ressentimento ou resultam na tentativa de vingança, então fomos realmente atingidos e feridos.



 Se entregarmos toda mágoa a Deus e nos recusarmos a cultivar más intenções, se tomarmos a atitude positiva de desejar o melhor de Deus para aquele que nos ofendeu e de orarmos nesse sentido, mantendo essa posição até que toda amargura e ressentimento sejam consumidos e transformados em espírito de perdão, então teremos, até mesmo, lucrado com a injustiça.



 “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). Leia também Mateus 5.43-48.



 Fé no Governo Moral de Deus



 Uma das raízes de ressentimento e falta de perdão é a nossa falta de confiança na justiça e no governo moral de Deus. Deus diz: “A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.19).

 Se realmente acreditássemos nisso, não tentaríamos fazer justiça por conta própria. Foi em virtude da total confiança que Jesus tinha no amor e na justiça absoluta do Pai, que ele agiu conforme está registrado nas Escrituras: “Quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (1 Pe 2.23).



 Quando Deus afirma que não devemos nos vingar por conta própria, isso quer dizer que ele mesmo executará a vingança. E a própria pedra angular do governo moral de Deus é sua justiça absoluta. A lei moral é muito mais imutável ainda que uma lei física qualquer. “Pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7) é uma lei mais impossível de infringir do que a lei da gravidade. O homem que fizer algo maldoso ou injusto é o que sofrerá prejuízo, não a pessoa injuriada – contanto que esta permaneça amável, sem qualquer espírito de antagonismo ou vingança no seu coração.



 Se confiarmos, de verdade, na justiça divina, não seremos tentados a tomar as coisas em nossas próprias mãos. Preferiremos orar pela pessoa infeliz que nos ofendeu. E, se nos mantivermos amáveis e abertos ao perdão, descobriremos que ficaremos mais fortes em virtude da vitória sobre o ressentimento. No fim, quando os nossos dias de treinamento forem completados, conseguiremos ver, com os próprios olhos, o quanto essas batalhas significaram para o nosso crescimento e transformação.



 Louvado seja Deus! “Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1 Ts 5.18).


Fonte: Arauto Ano 25 nº 2 - Março/Abril 2007

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