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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Entendendo os Ciclos de Visitação Divina - Richard Owen Roberts

Vivemos numa época em que muitas pessoas, dentro da igreja, estão zelosamente proclamando que o próximo evento no calendário de Deus é o fim do mundo. Sua oração mais fervorosa é: “Depressa, Jesus, volta para mim e tira-me da confusão e podridão que é este mundo!” Ao ouvi-las orando assim, dá até a impressão de que não têm um parente sequer que ainda não conhece Jesus, ou um vizinho ou colega que precise de conversão! Como alguém pode dizer que seu maior anseio é escapar de toda essa anarquia e da destruição vindoura quando há pessoas a quem professa amar que estão perdidas, sem Cristo?

 De vez em quando, ao pregar sobre avivamento, alguém vem argumentar comigo: “Você não entende, já não há mais tempo para avivamento! Já estamos no fim, no final do tempo do fim. A época de avivamentos já passou. Só falta mais um pouco de tempo, e tudo estará acabado!”

 Bem, isso pode até ser verdade, mas eu não ousaria afirmá-lo. Nosso Senhor foi interrogado a respeito da época da sua volta e ele se recusou a dar uma declaração sobre isso. Limitou-se a dizer que era informação reservada somente ao conhecimento do Pai. Portanto, como algum pregador ou entendido em profecias poderia presumir que sabe mais do que o próprio Jesus?

 O meu entendimento sobre a vinda de Cristo é o seguinte: precisamos todos viver, a todo momento, em constante prontidão; pois quando pensamos que não, aí é que o Filho do homem virá (Mt 24.44). Eu me preocupo com esta simples ordem: “Negociai até que eu volte” (Lc 19.13). Eu me recuso a ser atemorizado por aqueles que profetizam calamidade e insistem em que nossa única expectativa é pela vinda do juízo.

 Uma parte dessa terrível confusão e engano é resultado da falta de compreensão da história. Uma das frases que ouvimos freqüentemente é: “Nunca houve uma época tão escura como a nossa”. Isso é bobagem! Você sabe como era na época de George Whitefield na Inglaterra? Quando saiu da sua cidade para estudar em Oxford, ele sentiu um terrível peso de condenação por causa dos seus pecados. Procurou vários pastores e professores da faculdade, tentando achar um raio de esperança, alguém que pudesse apontar-lhe um caminho. Não encontrou ninguém, até que conheceu Charles Wesley, que o convidou para o Clube Santo. Porém, lá também, embora fossem pessoas sinceras à busca da verdade, estavam tentando se salvar através de boas obras. Ninguém ainda havia encontrado a verdadeira luz da salvação. Sem dúvida, hoje, por toda parte, há muito mais pessoas que conhecem a verdade e que poderiam apontar o caminho para quem estivesse buscando uma resposta do que naquela época!

 Com isso, não estou dizendo que vivemos numa época boa nem que está tudo bem na sociedade – ou na igreja! Só estou afirmando que não precisamos tentar pintar um quadro pior do que realmente é. Por que tentaríamos forçar uma perspectiva extrema de crise e perdição que ainda não existe na realidade? Hoje temos, no meio da indiferença e superficialidade entre os cristãos, muitos seguidores de Jesus que são sinceros e incomodados, pessoas que estão lutando com Deus em oração fervorosa, buscando com sede e perseverança uma nova visitação de Deus sobre a Terra e a Igreja. Já houve muitas épocas em que a situação foi menos promissora do que hoje.

 O Que São Ciclos de Avivamento?

 Para entender melhor o que significam os ciclos na história de Deus com o homem, vou usar uma linha reta imaginária no centro de uma folha de papel. Essa reta representa o padrão normal de relacionamento entre Deus e o homem. Agora pense sobre esta pergunta: Onde começou a história do homem no Velho Testamento – acima dessa reta ou abaixo dela? Você se lembra que Adão e Eva andavam e conversavam com Deus na viração do dia. Por um tempo, viveram acima da linha – até que entrou o pecado, quando, então, caíram para baixo dela.

 O que é um ciclo de avivamento, ou um ciclo na história de Deus com o homem? É uma trajetória que consiste em cruzar a linha do padrão normal duas vezes: uma, no sentido de cima para baixo, e a outra, no sentido de baixo para cima.

 Se você estudar a sua Bíblia e a história ali relatada, encontrará uma grande seqüência desses ciclos. Só no livro de Juízes, existem sete. Você já leu o livro de Juízes, do começo ao fim, em uma única sentada? A maioria dos cristãos não consegue obter uma boa visão do plano de Deus porque só lê a Bíblia em pequenas dosagens não seqüenciais. Há muitos momentos em que é útil ler pequenos trechos da Palavra, mas nunca deveríamos deixar de ler passagens maiores, livros inteiros, a fim de compreender o teor mais completo, no seu verdadeiro contexto.

 A primeira vez que me recordo de ter lido o livro de Juízes por completo, compreendi o plano do livro de uma forma que nunca antes havia visto. Percebi que no capítulo 2 havia um padrão que explicava o restante do livro e que se repetia sete vezes entre os capítulos 3 e 16. O povo de Deus começava numa base de relacionamento certo com o Senhor, mas depois pecava e não se arrependia. Deus, então, o sujeitava a algum tipo de justo juízo por causa dos seus pecados. Quando o juízo chegava a um ponto de severidade, causando um elevado grau de angústia e tribulação, o povo clamava a Deus com todo o seu coração por libertação. Em seguida, Deus levantava um juiz e libertador que restaurava o povo a um relacionamento certo com o Senhor, outra vez.

 Vez após vez, por toda a Bíblia, você pode constatar esses movimentos do povo na história, cruzando a linha para baixo e, depois, virando-se para subir e cruzar a linha para cima. Até na história do cristianismo, ou na história de uma nação, dá para identificar os mesmos ciclos. Há épocas em que Deus está se movendo, e as pessoas estão mais despertadas para os propósitos divinos e para uma vida de santidade; há outras em que é difícil ver sinais de esperança, tudo parece estar em declínio.

 Se você não compreender esse padrão cíclico, ao se deparar com uma época de declínio seria muito natural chegar à conclusão errônea de que as evidências são mais do que suficientes para indicar que não há mais esperança, que o fim está às portas, que não há mais tempo para um outro movimento de Deus.

 Quero deixar bem claro: não estou negando a possibilidade de estarmos no fim. O fim virá, e as Escrituras mostram claramente que isso ocorrerá numa época de escuridão, angústia e tribulação. Entretanto, eu não me arriscaria a afirmar algo que não foi revelado. Pelo contrário, vou viver a minha vida na esperança de que a igreja, apesar de ter pecado (o que, de fato, tem acontecido), apesar de ter se recusado a arrepender-se (e isso também é verdade), apesar de ter sido julgada de acordo com a justiça de Deus – ainda poderá virar-se na sua trajetória descendente e voltar para seu devido lugar, acima da linha de referência, caminhando para a glória e consumação do plano de Deus.

 Deus Está Julgando a Igreja?

 Mas, você vai argumentar, como se pode afirmar que a igreja tem sofrido o juízo de Deus? Ainda estamos aqui, nada de tão grave nos tem acontecido!

 Muitos ainda não aprenderam a distinguir entre os juízos corretivos e redentores de Deus e os juízos finais. Um juízo final é aquele que não oferece tempo nem oportunidade para arrependimento. Já um juízo redentor é uma ação misericordiosa de Deus em que ele insta conosco, acenando e convidando-nos em seu santo amor a nos arrependermos e voltarmos ao lugar de onde caímos.

 O juízo corretivo mais comum que conhecemos nas Escrituras e mesmo na história, até onde podemos constatar, é a retirada da presença manifesta de Deus da igreja. Creio que não há uma pessoa sincera, que ora e anseia pela visitação clara e real de Deus entre nós, que, ao contemplar a situação hoje, possa negar que a igreja, em geral, por toda parte, está funcionando sem a presença manifesta de Deus.

 Alguns, com certeza, irão discordar. Contudo, vamos pensar juntos. Quando Deus está presente, o que, invariavelmente, podemos esperar que aconteça? Um forte e comovente senso do horror e da repugnância do pecado. Por outro lado, deve haver também um incrível e poderoso senso da beleza da santidade de Deus e da necessidade de andar em pureza diante dele.

 Quando você não consegue distinguir entre a proporção de divórcios, mentiras, desonestidade ou outros comportamentos condenáveis dentro e fora da igreja, só existe uma possível explicação – que Deus não está CONOSCO, com sua verdadeira presença manifesta, apesar de todas as nossas afirmações ao contrário. Se ele estivesse, seríamos radicalmente diferentes.

 Estou falando sobre os ciclos de avivamento para nos oferecer encorajamento, para entendermos que, apesar da presença de Deus ter se afastado, de modo geral, da igreja, não precisamos dar tudo como perdido. Não precisamos, necessariamente, chegar à conclusão de que não tem mais jeito para nós.

 Às vezes, as pessoas me perguntam: “Irmão Roberts, não fique desanimado, não se desencoraje!” Que razão tenho eu para ficar desencorajado? Não fui chamado para trazer o avivamento; fui chamado para proclamar a mensagem. É o Pai que trará os verdadeiros resultados, quando a hora for madura para isso.

 Os Ciclos na História

 Vamos voltar ao relato bíblico. O Velho Testamento começa no jardim do Éden, acima da linha de normalidade. Agora, eu lhe pergunto: Em que ponto a história do Velho Testamento termina? Acima ou abaixo da linha? Depois de muitos ciclos, muitos cruzamentos da linha, alguns subindo, outros descendo, o Velho Testamento termina bem abaixo da linha.

 Ao observar os diversos ciclos no Velho Testamento, somos obrigados a concluir que não existe uma distância uniforme de tempo entre os ciclos; também não há uma uniformidade no ponto mínimo (mais baixo) ao qual os ciclos chegam no seu declínio ou no ponto máximo (mais alto) ao qual o povo avivado chega na fase de ascensão.

 Mesmo assim, é possível identificar um padrão à medida que os ciclos prosseguem na história do povo nesse período anterior à primeira vinda de Cristo. A cada ciclo, o povo parecia escorregar a um ponto mais baixo no pecado, no declínio, e subir a um ponto menos elevado, no avivamento, em relação ao ciclo anterior.

 Portanto, no final do Velho Testamento, o povo de Deus está muito, muito abaixo da linha de referência. O Novo Testamento, embora comece nesse ponto em que o Velho terminou, mostra desde o início a nota de esperança, com a vinda do precursor do Messias, anunciando a iminente visitação e intervenção de Deus na história da humanidade. E em que ponto o Novo Testamento termina? Graças a Deus, acima da linha.

 Apesar disso, o Novo Testamento contém várias advertências. Nas sete cartas às sete igrejas, por exemplo, em Apocalipse 2 e 3. Também, na epístola de Judas e em várias outras cartas, temos sérias advertências sobre o que sucederia depois da era apostólica se o povo de Deus não continuasse andando em arrependimento e fé.

 De fato, nos séculos da história, apesar de todos os cruzamentos para baixo da linha, temos experimentado maravilhosas visitações, conduzindo o povo de Deus, temporariamente, para o seu lugar no plano de Deus e no relacionamento com ele. E continuo vivendo na expectativa de que, apesar de nossa atual trajetória de declínio e afastamento, ainda não chegou o tempo do juízo final.

 Repito: eu posso estar errado. Deus é soberano e tem todo direito de introduzir o juízo final, se este for o tempo. Entretanto, a minha expectativa, diante das evidências, é que possamos chegar, finalmente, ao fundo do poço no nosso declínio, que nos viremos e que comecemos a ver novamente o Espírito de Deus agindo poderosamente no nosso meio. A minha expectativa é tamanha que, ao viajar para uma conferência ou uma igreja, sempre coloco alguns itens a mais na minha mala a fim de estar preparado, caso algo aconteça e eu seja obrigado a permanecer mais tempo naquele lugar! Que dia maravilhoso será quando isso realmente acontecer!

 Dois Tipos de Avivamento

 Quero mostrar mais uma distinção neste assunto de visitações de Deus. Podemos classificar os avivamentos em dois tipos: movimentos centrados em experiência e movimentos centrados na Palavra. Estou usando o termo “centrado”, porque todos os verdadeiros avivamentos contêm as duas coisas: experiências com Deus e manifestação da Palavra. Contudo, alguns foram realmente centrados mais em experiências, enquanto outros enfatizaram mais a proclamação da Palavra.

 Os avivamentos centrados em experiência sempre têm uma duração muito curta e, em geral, resultaram em pouca ou nenhuma transformação da sociedade. Os avivamentos que trouxeram grandes e duradouros resultados foram aqueles que se centraram na Palavra. Algumas importantes universidades foram fundadas ou influenciadas por avivamentos, pois no início eram escolas de treinamento para ministros da Palavra. As pregações de George Whitefield, no século XVIII, e o mover de Deus naquela época influenciaram várias universidades e centros acadêmicos.

 A própria Reforma no século XVI pode ser considerado um avivamento centrado na Palavra. O avivamento conhecido como o Primeiro Grande Despertamento (que começou na década de 1720 nos EUA) foi causado, em grande parte, pelas pregações de homens como Jonathan Edwards, George Whitefield e John Wesley. Esses homens compreendiam as grandes questões no coração de Deus, reveladas nas Escrituras, e suas pregações focavam essas questões. Não era um movimento que girava em torno de questões subjetivas ou assuntos secundários. Seria correto afirmar que esse avivamento começou por volta do ano de 1730 e estendeu-se até a morte de Whitefield em 1770. Foi uma excelente marca em termos de duração para avivamentos.

 Que efeito você acha que resultaria de um avivamento que se esgotasse em cinco dias ou seis meses? Será que é desse tipo de avivamento que precisamos? A profundidade de perversidade é tão grande no mundo e a insensibilidade da igreja tão generalizada que poderíamos quase duvidar que o próprio Deus conseguisse reverter essa situação em poucos dias ou semanas. É claro que poderia, mas sabemos pela história que não é assim que ele normalmente age.

 Nossa maior necessidade é de um avivamento centrado na Palavra. Apesar disso, grande parte dos líderes nas igrejas hoje não dá muita importância à pregação da Palavra. Ainda não acordamos para a importância da proclamação das Escrituras por meio da pregação. Que mudança maravilhosa ocorreria se todos os ministros se dedicassem a anunciar a Palavra com seriedade, assim como Deus nos capacitou a fazer!

 Precisamos levar o assunto da pregação da Palavra mais a sério. Na igreja típica de hoje, o pregador usa o pouco tempo reservado para a Palavra no culto para distribuir consolo e conforto a uma congregação que está em profundo sono espiritual. Nosso chamado é para despertar o povo do sono e chamá-lo para voltar-se para Deus.

 O grande perigo que enfrentamos hoje é o fato de a igreja ser tão centrada em si mesma. É por isso que um avivamento que enfatiza “minha experiência” só vai alimentar mais ainda esse mal que já permeia quase tudo. Precisamos de um avivamento da pregação da Palavra de Deus, com o poder do Espírito Santo, pregações que alarmem e inquietem, pregações que despertem e incomodem os que estão tranqüilos, fazendo com que fiquem tensos e alertas, ouvindo com atenção cada palavra anunciada.

 É comum ver uma congregação, no início da pregação, acomodada, dispersa, confortável nos seus assentos. Se a pregação alcançasse o seu objetivo, até o final da mensagem, estas mesmas pessoas deveriam estar atentas, inclinadas para frente, procurando agarrar-se a cada palavra, sentindo o poder e o impacto da Palavra viva de Deus. Por que não podemos buscar isso? Por que não podemos ser capacitados pelo Espírito Santo a pregar de tal forma que os membros apáticos fossem transformados em cristãos vitalmente envolvidos, buscando transformar o mundo inteiro por causa do amor de Jesus Cristo?

 Um avivamento centrado em experiência terá curta duração, causará pouco ou nenhum impacto sobre a sociedade e, muito provavelmente, não produzirá convertidos que permaneçam. Por outro lado, um avivamento centrado na Palavra terá uma duração muito maior, os convertidos terão uma base muito mais sólida para sua fé e produzirão um impacto poderoso sobre a sociedade.

 Algumas pessoas dizem: “Não precisamos de mais pregações. Já ouvimos tantas! Precisamos agora de experiência!”

 Não estou falando sobre pregação intelectual da Palavra. Como uma pessoa morta pode ouvir alguma coisa? Temos multidões de pessoas nas igrejas que estão mortas em seus pecados e transgressões e que poderiam ouvir centenas e milhares de sermões e nunca ser tocadas ou impactadas. Precisamos ser tocados pelo Espírito vivificante, precisamos ser ressuscitados pela presença de Deus, pela palavra que pode chamar um morto de volta para a vida. Quando Deus está agindo, quando ele se aproxima de nós, quando uma maravilhosa visitação acontece, sempre há pessoas preparadas para ouvir a verdadeira palavra de Deus pela primeira vez em suas vidas. Um avivamento é sempre uma grande oportunidade para a mais intensa e poderosa pregação que o Espírito Santo pode produzir.

 Há grande esperança em Deus! Vamos buscá-lo com todo o nosso coração! 

 Richard Owen Roberts é autor, conferencista e estudioso de longa data de avivamentos espirituais.

Fonte: Arauto Ano 25 nº 4 - Julho/Agosto 2007

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