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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Como o Orvalho da Manhã – Mesmo Quarenta Anos Depois - Eleanor McKinney

Que tipo de evento seria capaz de cativar o coração de uma pessoa, deixando uma impressão indelével durante quarenta anos, retendo detalhes como se tivessem acontecido ontem? Se você já experimentou um derramamento, enviado do céu, do poder santo de Deus, já sabe a resposta! É como aquela frase bem conhecida: “A sua vida nunca mais será a mesma”.



 Meu marido Charles e eu viajamos como evangelistas por cerca de dez anos e, por isso, pensávamos ter uma boa experiência em avivamento. Tivemos muitas “boas reuniões” nas quais inúmeras pessoas encontraram-se com Cristo.



 Em 1963, recebemos um convite para pastorear um igreja na Califórnia (EUA). Depois de três anos lá, parecia que estávamos tentando puxar a igreja e ela não saía do lugar; era como se estivéssemos tentando funcionar a máquina sem óleo. Verificamos que não tivemos sequer um interessado no evangelho durante um ano e meio. Pessoas não-convertidas apareciam, mas não tomavam a decisão para serem salvas. Havia muitos atritos entre membros da igreja. Estávamos quase a ponto de “jogar a toalha”. Meu marido disse: “Eu daria qualquer coisa para conseguir água do poço de Belém” (citando as palavras de Davi em 2 Samuel 23.15).



 Havia três mulheres na igreja que estavam orando juntas há algum tempo, pedindo a Deus que enviasse um avivamento. Numa manhã, na saída do culto, uma delas disse ao meu marido: “Pastor, temos orado por um avivamento e Deus vai mandá-lo”. Meu marido pensou: “Nesta igreja? Nunca!”.



 Então chegou o dia 15 de outubro de 1967. O culto da noite estava quase terminando, de forma muito costumeira. Mas, de repente, as pessoas começaram a vir para a frente, ao altar. Um dos homens, ajoelhado, chamou o meu marido e lhe disse: “Pastor, tenho que lhe pedir perdão. Tenho falado mal de você. E quero que me perdoe, porque senão não vou conseguir orar”. Meu marido respondeu: “Homem, você está perdoado. Vá em frente e ore!”.



 Umas doze pessoas haviam vindo à frente para orar. Depois que terminaram de orar, o nosso amigo visitante que tinha pregado naquela noite disse: “Quantas pessoas aqui têm orado por um avivamento?”. Algumas levantaram as mãos. Então ele disse: “Por que vocês não param de orar e começam um avivamento de verdade? Se vocês estão realmente sinceros a respeito disso, me encontrem aqui amanhã às 6 horas da manhã.”



 Na manhã seguinte, cerca de quarenta e cinco pessoas apareceram, de todas as idades, para orar. No final, o nosso amigo disse: “Vamos voltar hoje à noite para o culto”. Isso não tinha sido previamente anunciado. Na noite de segunda feira, quando viemos para o culto, havia algo diferente; o ar parecia eletrificado, era diferente de tudo que conhecíamos até então. Naquele culto, Deus começou a fazer coisas maravilhosas e poderosas que nunca antes tínhamos visto.



 Uma das coisas novas que Deus fez foi trazer convicção dos pecados, real, profunda. As pessoas passavam pela porta e imediatamente sentiam seus pecados diante delas. Entravam como se fossem os melhores cristãos do mundo, mas seus corações não estavam em paz com Deus, e ele os fazia sentir forte convicção. Isso aconteceu na noite de segunda feira.



 Deus diz na sua Palavra que o Espírito Santo “convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8). Parte da congregação não gostava disso porque sabia que teria os seus pecados expostos. No avivamento, o Espírito Santo é imprevisível. Nós não podemos colocá-lo numa forma. Pensávamos que sabíamos o que era avivamento porque tínhamos sido evangelistas durante dez anos, mas um verdadeiro avivamento trazido pelo Espírito Santo é totalmente diferente. É como Dennis Kinlaw disse a respeito do avivamento em Asbury: “Deus dignou-se a sair do céu para chegar-se a nós”.



 E ele entrou como um trator. Não veio como uma pomba silenciosa. Os primeiros a serem atingidos eram os anciãos. Eles tinham que se pôr de pé diante da congregação e confessar publicamente os seus pecados. Estavam dispostos a fazer isso porque Deus lhes fez cair tamanha convicção que não havia outro caminho para obterem paz no coração e na mente. Gotas de suor apareciam nas testas de homens adultos enquanto confessavam e oravam. Nada mais lhes importava senão acertar suas vidas com Deus. Deus tratou com o nosso orgulho. Todos precisaram humilhar-se. É essa profunda convicção que faz a diferença entre avivamentos e reuniões regulares.



 Deus começou com os anciãos da igreja, no topo, e foi trabalhando dali para baixo. As crianças observavam para ver se os seus pais iriam se acertar com Deus. Elas sabiam que havia hipocrisia em casa. Não dá para enganar crianças. Quando os pais começaram a consertar suas vidas, fazendo restituições e se desculpando com seus filhos, as crianças diziam: “Há realidade aqui!”. Foi impressionante o que Deus fez com as crianças.



 Começamos a ter três cultos por dia, e continuou assim por cerca de cinco semanas. Fazíamos uma reunião de oração às 6 horas, voltávamos às 10 e depois para a oração antes do culto da noite. Os cultos duravam em média três horas. O avivamento não parou depois de cinco semanas. Continuou por cerca de cinco anos.



 Pessoas eram salvas. Algumas vinham diretamente das ruas. Na nossa cidade, há três bases militares. Um dos jovens que freqüentava a nossa igreja era da Marinha. Ele estava na rodoviária quando foi abordado por duas prostitutas que lhe fizeram propostas. No culto daquela noite, duas moças entraram na igreja e foram direto para o altar, onde estávamos orando, para receberam Jesus como Salvador. O marinheiro nos contou que eram as prostitutas que falaram com ele na rodoviária. Um bêbado entrou, e Deus o tornou sóbrio, o salvou e o livrou do vício do álcool.



 As crianças iam para a calçada e distribuíam folhetos, convidando as pessoas ao culto. Muitas aceitavam. Algumas vinham de outras cidades, já que as noticias sobre o avivamento se espalhavam. Quando as pessoas começam a fazer restituições no comércio da cidade, os outros percebem que algo de diferente está acontecendo. Não era uma questão de simplesmente dizer “Desculpe-me”. Elas diziam: “Preciso acertar este problema”.



 Crianças Inflamadas por Deus



 Não é necessário pregar um sermão sobre evangelizar os perdidos quando há um avivamento. As pessoas não conseguem parar de falar sobre o que está acontecendo. Uma menininha de 7 anos na segunda série ganhou 23 crianças para o Senhor no playground de sua escola. Ela não deixava que os interessados fizessem uma oraçãozinha curta para aceitar Jesus. Ela os fazia ajoelharem-se no playground para serem salvas.



 Meu filho, que tinha 9 ou 10 anos, ficou na escola uma noite para encontrar-se com a sua professora. Ela queria conhecer mais a respeito da vinda do Senhor e da salvação, e ele a levou a Jesus. As crianças estavam muito inflamadas pelo Senhor. Não é que exortávamos para que falassem de Jesus; elas simplesmente não conseguiam ficar quietas.



 Elas também começaram a voltar aos lugares onde tinham errado para fazer restituição. Os pais tinham que levá-las de loja em loja para acertar as coisas que haviam furtado. Havia dois cinemas na cidade que projetavam filmes pornográficos, e o governo dizia não poder legalmente fechá-los; com oração, porém, e ações de ir até lá para testemunhar de Cristo, ambos os locais acabaram se fechando depois de algum tempo.



 Fomos também alvos de oposição na igreja. Fizeram campanha e, em um ano e meio, o meu marido foi destituído da sua posição como pastor. Ele havia falado com Deus: “Tu podes tirar tudo o que eu tenho se mandares um avivamento. Quero ver o poder de Deus em ação mais uma vez”. Deus aceitou sua oferta. Ele não somente perdeu o seu púlpito, mas também a sua reputação, porque nossos colegas chegaram ao ponto de não querer nem falar conosco. Eles não conseguiam nos entender.



 O pastor que veio substituir o meu marido não sabia como conduzir uma igreja avivada e acabou entregando o cargo em um ano e meio. Chamaram meu marido de volta para pastorear a igreja. Quando voltamos, foi como se não tivéssemos nos afastado um dia sequer. Recomeçamos exatamente onde havíamos parado e tivemos um tempo maravilhoso pastoreando uma igreja avivada. A oposição foi embora quando viu que ele estava voltando.



 Buscando a Glória e a Presença de Deus



 Não estávamos procurando manifestações. Estávamos buscando Deus e a glória da sua presença. Era isso que animava os nossos corações – o desejo de ver a glória da sua presença pelo menos uma vez. Não há substituto para isso. Não há nada neste mundo que possa nos satisfazer como isso.



 Vimos muitas vidas salvas e muitas vidas transformadas. Havia curas. Antes de terminarmos o culto, tínhamos o que chamávamos “o círculo de glória”. Qualquer um podia vir e orar no círculo. Um menino de cerca de oito anos, que nunca tinha falado uma palavra sequer na sua vida, foi trazido de Los Angeles, a cem quilômetros de distância. Os pais nos pediram para orar por ele. Depois que oramos, eu disse para ele: “Diga ‘Jesus’”. E ele disse: “Jesus”. Aquilo magnetizou os pais e toda a congregação. Então eu disse: “Diga ‘Jesus me curou’”. E ele disse: “Jesus me curou”. Levaram-no de volta para casa e ele foi matriculado numa escola pública e passou a freqüentar a escola normalmente desde então.



 Em outra ocasião, no berçário da igreja estava um bebê que tinha entre seis e nove meses que parou de respirar. A atendente do berçário ficou muito assustada porque o bebê estava ficando azulado. Ela correu do berçário para o altar na igreja, onde estávamos orando. Meu marido pegou o bebê nos seus braços e levantou a perninha dele; a perninha estava mole, sem vida. A criança estava morrendo. Oramos por ele, e quase instantaneamente voltou à vida.



 Depois que experimentamos todas essas coisas, começamos a ouvir a respeito de acontecimentos similares em outros lugares. Um pastor amigo nosso e sua esposa estavam de férias e passaram pela Faculdade Asbury em Wilmore, Kentucky no domingo depois que o avivamento chegou lá, em fevereiro de 1970. Eles nos enviaram uma fita cassete pelo correio. Depois de apenas três minutos ouvindo aquela fita, olhamos um para o outro, e as lágrimas começaram a correr nos nossos olhos. “Aconteceu a mesma coisa em Asbury; talvez eles tenham uma reputação melhor”, nós dissemos.



 Deus enviou pessoas da Faculdade Asbury para nossa região. Dois jovens vieram para Los Angeles, para a Igreja da Unidade de Cristo. Participamos daquele culto e Deus se moveu da mesma maneira lá. Ele derramou o seu Espírito. Nosso filho tinha cerca de doze anos, e ele falou para a igreja, uma igreja enorme. Os dois jovens de Asbury entregaram uma mensagem simples e fizeram o apelo. Praticamente todas as pessoas da igreja foram à frente. O pastor se converteu e a igreja recebeu um novo nome. Em Habacuque 1.5, diz o seguinte: “Vede entre as nações, e olhai; maravilhai-vos e admirai-vos; porque realizo em vossos dias uma obra, que vós não acreditareis, quando vos for contada”.



 Creio que ainda haverá um derramamento maior e espero viver para vê-lo. Já que não podemos fabricá-lo, anelamos por ele através da oração e da obediência. Creio que essas são as chaves. Pode ser que Deus peça a alguém para simplesmente fazer algo bem pequeno, e que a obediência dessa pessoa traga o avivamento. Ele está esperando por oportunidades assim. E dificilmente o avivamento virá para uma igreja sem o apoio do pastor. O pastor é um homem chave.



 Levaria horas contando como o Espírito de Deus se manifestou através de milagres de vidas transformadas, curas, reconciliações e renovação espiritual. O avivamento ainda está vivo nos corações de muitos. É por isso que comemoramos em 15 de outubro de 2007 a marca de quarenta anos desde que as nossas vidas foram mudadas drasticamente pelo miraculoso poder de Deus!



 Eleanor McKinney é a esposa do pastor aposentado Charles McKinney.

Fonte: Arauto Ano 25 nº 6 - Novembro/Dezembro 2007

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