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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Profetas versus Mestres - parte 5

Este é o quinto e último artigo sobre Profetas Versus Mestres, ondo questiono o papel do profeta e do mestre na igreja de Cristo. A partir da vida de Tertuliano, mestre da igreja no século II e III, faço questionamentos sobre essa questão: as profetadas, a santidade excludente, etc.

Os artigos anteriores estão assim organizados:
Profetadas na Igreja do século II e III

A influência das profetisas Maximila, Quintila e Priscila e do profeta Montano sobre Tertuliano foi incrível, segundo minhas leituras. E não estou só nessa conclusão. Entretanto há vozes contrárias. Justo L. Gonzalez não acredita nisso, apenas afirma que Tertuliano foi seduzido pelas promessas de rigor nos costumes da igreja. Enquanto isso, o papa Bento XVI afirma que Tertuliano fez uma busca muito individualizada pela verdade.
Acredito que houve um pouco dos dois. Montano e a Nova Profecia começaram como uma atividade normal da igreja. Não eram vistos como hereges. A palavra profética começou a pregar sobre santidade da igreja. A igreja da segunda metade do século II esta relativamente tranquila. Só era perseguido o crente que fosse denunciado por um gentio. A maioria dos cristãos começou a naufragar em sua luta diária contra o Mundo. Começaram a não ter o vigor característico da igreja das décadas anteriores. Muitos cristãos que eram acusados acabaram cultuando o imperador para não morrerem.
A igreja viu isso acontecer em suas fileiras. O Montanismo, ou Nova Profecia, começou alertando a igreja. Exortando o povo de Deus a não aceitar essa condição "mole", de espírito dôbre. Sem dúvida, um homem que conhecia as escrituras como Tertuliano aliou-se a essa pregação da santidade. Sem dúvida, qualquer crente espiritual aliaria-se ao movimento, cujo lema era a maior santidade na igreja.
O problema é que as profecias iniciais, apesar de verdadeiras e originadas do Espírito Santo, passaram a tomar um outro rumo. Deram muita ênfase em algumas verdades bíblicas, deixando outras verdades em segundo plano. Ao invés de haver um equilíbrio entre as verdades, priorizaram apenas um lado. Polarizar uma verdade! Apenas uma!
Isso levou à heresia e à criação de uma seita, a Nova Profecia ou Montanismo. Eles afirmaram ser a nova igreja de Cristo, pois, a outra havia prevaricado, adulterado! Exclusivismo! Santidade excludente!

Profetadas na Igreja do século XXI
Vemos esse fato ocorrendo nas nossas igrejas em pleno século XXI. Profetas pregando santidade. Santidade ao Senhor é o lema de tais profetas.
Na verdade, a coisa mais fácil é começar a exortar os irmãos em uma pregação levando-os ao emocionalismo. Não precisa do Espírito Santo. Posso até dar uma receita para uma pregação típica desse movimento de profetadas. Isso é fácil, qualquer um que comece a expor alguns pecados como o adultério no nível mental, a masturbação de solteiros que sobem no altar, a mentira, a inveja, ou ainda, a não entrega dos dízimos, quem pregar assim levará as pessoas a se sentirem condenadas! A emoção virá à tona e levará a pessoa a sentir remorso, e não arrependimento genuíno. Os crentes no final do culto irão até afirmar: "Como Deus te usou!"
Evidentemente a Bíblia condena tais atos que descrevi. É pecado, ou como diria Watchman Nee, são pecados. O arrependimento não vem com espírito de acusação. É apenas remorso esse sentimento triste de entristecer o  Senhor (desculpe a redundância). Afirmar que tais procedimentos são pecaminosos é bíblico.

Verdade bíblica!

Contudo há outras verdades bíblicas!

A verdade bíblica do amor de Deus! Do perdão de Deus!

Profecia correta e espiritual não é a acusação, mas sim, a exortação. A exortação bíblica sempre acaba em esperança!

Polarizar uma verdade bíblica em detrimento de outra é pecado! É heresia!

Os (falsos) profetas
Observe que as pessoas que pregam assim acabam evitando as pessoas no seu dia-a-dia. Formam trincheiras dentro das igrejas e ali se escondem com seu grupo. Não querem se contaminar com os crentes comuns. Crentes especiais! Super crentes!

Santidade excludente! Excluem a graça e a misericórdia divinas do vocabulário e apenas valorizam a justiça divina. A exclusividade nas revelações dos profetas gera o exclusivismo que é a marca registrada dos movimentos heréticos.

Pregam tanto a tristeza do coração de Deus e por uma noiva mais pura que se esquecem que o refino ou purgação do ouro e da prata não é um gesto de justiça! É um ato de amor! Vamos lá, de novo: a purificação que o Espírito Santo faz no crente em vida não é um ato de justiça, mas sim, um ato de amor!

A constante ameaça em crentes não gera arrependimento, mas sim, um sentimento de frustração. Como é frustrante tentar ser santo. Como é frustante lutar contra o pecado. Essa frustação gera ansiedade. Ansiedade hipervaloriza a concupiscência. Veja bem! Vou explicar melhor esse salto mental que fiz. A ameaça de condenação faz o crente tentar servir a Deus por medo. O pecado está sempre aos olhos, aos ouvidos, ou à mão. Leva a momentos de purificação, mas, o pecado está sempre ali, à vista! O pecado me impede de adorar, me impede de chegar-me ao monte santo. O pecado está sempre diante dos olhos. A minha concupiscência (ou desejo forte) está sempre diante de mim. Tentação sempre presente. Uma vida estressada, ansiosa, que, fatalmente leva a novas quedas. Então, o sentimento de fracasso rouba as melhores bençãos de Deus.

É isso o que a Nova Profetada faz em nosso meio. Gera crentes medrosos, roubadores da adoração a Deus. Adoração desviada para os pecados....

Características dos falsos profetas
  • pregam sempre sobre santidade;
  • não tem formação em seminários ou esta é incompleta;
  • valorizam a justiça e a ira de Deus;
  • valorizam o "entristecer a Deus";
  • listam pecados (acusação);
  • não dão margem para o genuíno arrependimento, gostam de ouvir o choro de Judas e não o choro de Pedro;
  • formam grupos seletos: "os escolhidos", não é uma mera panelinha, é A panela!;
  • esses grupos tornam-se conhecidos como "os santos";
  • tornam-se reclusos (ficam fechados em salas);
  • orientam as pessoas a evitarem fulano e siclano por serem más influências;
  • dão a sensação de não quererem se contaminar com os outros crentes;
  • dão margem a três grupos de pessoas desconfiadas, que acabam sendo chamadas de "os carnais":
    • O primeiro grupo não está nem aí para a paçoca. Até mesmo pessoas da diretoria da igreja ficam desconfiadas desses profetas, mas acabam por "dar de ombros", o famoso "deixa como está para ver como é que fica";
    • O segundo grupo começa a fazer resistência e acaba sendo afastado das funções eclesiásticas, ficam ali pelos bancos;
    • O terceiro grupo sai em debandada da igreja, vai para outra!;
  • hipervalorizam a estrutura da igreja ("nossa igreja é mais santa");
  • etc
Estes sinais foram encontrados no movimento Nova Profecia de Montano e suas profetisas.

Será que existe pessoas assim na sua igreja?

Será que você não faz parte de um grupo assim?


Evidentemente devemos deixar bem claro que as pessoas que partem por esse caminho não são o mal encarnado, não estão endemoninhadas em seu nível de possessão. Claro que não! São pessoas bem intencionadas que buscam o melhor, porém acabam por serem ferramentas de satanás. São crentes e não joio. No devido tempo, serão corrigidas pelo Espírito Santo.


Pastores e os Falsos Profetas
Muitos pastores exageram nas exortações pensando ser este um meio de fazer as ovelhas pecarem menos! O interessante é que fazem isso por amor! Porém, na verdade, estão amando a si próprios por pensarem que, assim, terão menos problemas! Como se pensasssem assim: "Quanto menos os crentes pecarem, menos problemas eu terei de resolver!". Então, dá-lhe exortação! Domingo sim, o outro também, EXORTAÇÃO! A Exortação incorreta! É incorreta porque não revelam o pecado encoberto como vemos nos profetas do Antigo Testamento (como Natã e Davi), mas sim, ACUSAM os crentes! Aliam-se ao lado de Satanás na acusação dos crentes! Satanás até gosta dessas pregações, estão substituindo a ele no papel de acusador dos irmãos!

Tais pastores entregam o púlpito para o profeta, deixando o mestre de lado. O pastor prefere a pregação do profeta porque sabe que sairá uma palavra dura! Os crentes ficarão com medo do inferno! Com medo de não serem arrebatados! Com medo da justiça divina!

Com o tempo os pastores descobrem o malogro e ficam de mãos atadas para reverter o quadro!

Até mesmo mestres são enredados por esse corporativismo acusatório!




A correção
O que fazer? Como contornar o problema? Temos que chamar os mestres de volta ao púlpito! Basta de Atos Proféticos! É Bíblia, Bíblia, Bíblia! Exegese corretas, hermenêutica e homilética genuínas, reformadas! Por que não um pouco de Tradicionalismo ou Ortodoxia!


Não importa o que nós venhamos a fazer em vida. Enquanto houver vida, Deus nos amará e dará oportunidades!

Veja bem: Nós apenas merecemos o inferno! Somos totalmente corruptos e nada nos faz desejar o bem, desejar a Deus. Desculpem os irmãos arminianos, mas a depravação é total. Nada há de bom em nós. Foi o amor de Deus que nos buscou! Foi a justiça de Deus que nos fez aceitáveis através da vida, morte e ressurreição de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Deus não olha para nós, mas para o sangue de Jesus. Somos eleitos, chamados, justificados e glorificados! (Rm. 8:30)

A pregação dessa verdade bíblica corrige o problema do falso arrependimento, da ansiedade e estresse. Ao pregar o incansável amor de Deus, o crente será constragido a derramar-se de gratidão ao poderoso Deus. O amor de Deus lança fora todo o medo!

Eu peco sim! Cometo pecados. Sou fraco. Lanço-me nas mãos de Deus e suplico: "Ajuda-me Deus! Quero te agradar"! Deus me responde: "A minha graça te basta, eu procuro adoradores! Adora-me!" Então, abro minha boca e o louvo porque Ele é santo, santo, santo! Levanto meus braços e me jogo em Seus braços! No dia-a-dia, quando peco, clamo: "Deus socorra-me!". E procuro sempre mudar de atitude! Esse é o verdadeiro arrependimento: o abandonar das obras mortas. Só o amor de Deus me leva a fazer isso!

Pregar sobre santidade não está errado! Devemos fazer isso sim, é uma verdade bíblica. Porém ao invés de valorizar ou polarizar essa verdade, porque não valorizar a família? Somente pregações de domingo à noite sobre família!? As igrejas quadrangular e do nazareno tiveram essa ideia, pregar sobre família nos cultos de domingo à noite!

Relação Profeta X Mestre
O profeta é um privilegiado!
O Espírito fala com ele e ele repete! Ele sabe que o Espírito Santo está agindo! Ele vê o movimento imediato do Espírito nos crentes! Quando o profeta entrega o mistério, o rebuliço na vida da pessoa começa a curtíssimo prazo.

O mestre não!
Ele vasculha a Palavra de Deus e expõe versículos em uma certa ordem, realiza comentários e se joga nas mãos de Deus, apenas confiando nos versículos que dizem que a Palavra não volta vazia e que ela é eficaz e cortante! Vê, quanto muito, os resultados a médio prazo! A maioria dos mestres quando prega não sabe se Deus ou as pessoas se agradaram!

O profeta precisa do Mestre para não fugir da Palavra. A falar coisas que ele quer falar e não Deus! Que ele vê e não Deus!

O mestre precisa do profeta para não viver sem a unção. A falar apenas a letra! Como Paulo disse, o conhecimento incha!

Os pastores devem equilibrar o culto com mestres e com profetas!


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