Profetas versus Mestres - parte 4
Nas três postagens anteriores demonstrei a grandeza desse homem, chamado Tertuliano.
Tertuliano como Polemista e como Apologista.
Aqui começarei a falar das profetadas e das profetisas....Mas primeiro, vamos ver quem foi Montano e a Nova Profecia.
Extraído de Heterodoxia e Ortodoxia:
Montano é um frígio que, com as duas mulheres Maximila e Priscila, pretende ter recebido o carisma da profecia. A data em que começa o movimento é discutida. Eusébio, na Crônica, a fixa para 172. Epifânio associa Montano a Marcião e a Taciano em 156. Em outro lugar porém indica 172 como data para a passagem de Tiatira ao montanismo, o que vem cobrir-se com a data mencionada por Eusébio. Parece pois podermos apontar como origem do movimento o ano de 156, enquanto 172 será a época em que atinge o apogeu na Ásia Em 177, o caso será submetido a Roma. Os confessores de Lião intervêm junto a Eleutério nesta ocasião. Maximila deve ter morrido em 179. Treze anos depois (H. E. 5,16,19), o movimento agita a Ásia toda e em particular Ancira (H. E. 5,16,4) e Éfeso (H. E. 5,18,9).O Montanismo é chamado aqui de:
O montanismo é uma explosão de profetismo. Caracteriza-o em primeiro lugar a importância atribuída às visões e revelações. As mulheres desempenham neste ponto um papel eminente. O conteúdo das revelações é essencialmente escatológico. Os tempos do Paráclito tiveram inicio com Montano. A Jerusalém nova será inaugurada por um reinado de mil anos. É preciso viver na continência e preparar-se para tanto. Surgindo na Frígia, o montanismo ai se espalhou rapidamente, mas encontrou vivas oposições, destacando-se entre elas a de Apolinário, Bispo de Hierápolis a partir de 171 (H. E. 5,16,1). Pelos anos de 193-196, sua propagação na Ásia toda suscita novas refutações, a de Apolônio sobretudo (H. E. 5,18,1,14). Eusébio nos conservou ainda importante fragmento de um autor anônimo, dirigido a Avircio Marcelo, que talvez seja o Bispo de Hierápolis, sucessor de Apolinário, de quem reencontramos o epitáfio (H. E. 5,16, 2-17,5). O montanismo estendeu-se para outras partes. Serapião de Antioquia lhe move guerra (H. E. 5,19,1). Em Roma topamos com ele sob Eleutério. Choca-se com violentas oposições nos meios romanos. Não se trata apenas de resistir à heresia, mas de controlar uma tendência, de opor-se ao espirito da igreja asiática.
um movimento ultra-canela-de-fogoAqui lemos sobre as profetisas:
Esse movimento sobrepunha os carismas aos cargos eclesiásticos. Suas revelações eram recebidas através de êxtase e glossolalia. Sua doutrina se fundamentava em textos paulinos, joaninos e no livro do Apocalipse, e justificava um profetismo com a participação e liderança de mulheres a partir do exemplo das filhas de Filipe (At 12) também de Débora e das palavras de Paulo em 1 Cor 11,5.
Nas pesquisas recentes se constata-se que não foi Montano, mas as profetisas Priscila, e especialmente, Maximila.
Para a historiografia eclesiástica, a Nova Profecia foi pintada como uma seita ascética, rigorosa, moralista e autoritária. Mas entra em contradição quando a acusa por glutonaria, de usura, de amor ao dinheiro por causa dos salários que eram pagos aos professores, afeição aos ornamentos, grande circulação de presentes nas suas comunidades e de que uma profetisa, se Maximila ou Priscila não sabemos, gostava de pintar os cabelos e os olhos, coisa condenada, inclusive, pelo próprio Tertuliano depois de sua conversão à Nova Profecia.
As profetisas se apresentavam como, intérpretes e parceiras de Deus na história das igrejas da Ásia Menor. Mencionamos aqui uma profecia de Priscila: “Cristo veio a mim e me infundiu a sabedoria, coberto de explendida veste, sob a forma de uma mulher, e se revelou (apokalypse) que este lugar é santo e que deve descer a Jerusalém Celeste”.
Essas mulheres foram tão importantes para a Nova Profecia, que, segundo tradições antigas, inclusive de inimigos da Nova Profecia, havia em Pepuza duas igrejas, uma em honra a Priscila e outra em honra a Quintila. Mas também foram muito contestadas: Orígenes as acusa e condena porque elas, ousavam ensinar em público, fato que ele não encontrava nenhuma base bíblica. A irritação de Orígenes indica que um dos pontos de conflito com a Nova Profecia não era a existência de profetas mulheres, mas o fato delas assumirem a revelação pública dos mistérios de Deus, dimensão esta, destinada somente aos homens da época.
Bento XVI, papa dos católicos, escreveu sobre Tertuliano e o Montanismo, sem o condenar, tipo, colocando panos quentes (em negrito no texto)! O papa escreve muito bem! Vale a pena ler.Começou a publicar seus escritos mais famosos no ano 197. Mas uma busca muito individual da verdade junto com a intransigência de seu caráter, o levaram pouco a pouco a abandonar a comunhão com a Igreja e a unir-se à seita do montanismo. Contudo, a originalidade de seu pensamento e a incisiva eficácia de sua linguagem lhe dão um lugar de particular importância na literatura cristã antiga.
Justo L. Gonzalez escreveu no mesmo livro que citei nas outras postagens:
Entretanto, por volta do ano 207, aquele rude inimigo dos hereges, aquele tenaz defensor da autoridade da igreja, uniu-se ao movimento montanista, que o resto dos cristãos considerava herético.
Esse passo dado por Tertuliano é um dos mistérios insolúveis da história da igreja, pois seus próprios escritos e os demais documentos da época nos dizem pouco sobre as suas motivações.
Portanto, é impossível dizer, com segurança, por que Tertuliano se fez montanista. Mas podemos, mediante o estudo do montanismo e do caráter de Tertuliano, ver algo da afinidade que existia entre ambos.
Vamos então entender o que aconteceu com Tertuliano! Na próxima postagem!




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