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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Profetas versus Mestres - parte 3

Tertuliano foi polemista ao defender a igreja dos hereges. Estes são os problemas internos.
A igreja sofria também com problemas externos. Para isso, tertuliano foi um Apologista.
Dois problemas externos estavam assolando a igreja de Cristo do século II e III, as perseguições e as lendas terríveis que envolviam os cristãos.

A perseguição
Ao contrário do que muitos pensam, a perseguição nos séculos II não foram tão abrangentes. Na verdade foram pontuais e localizadas.
O Império Romano liberava aos povos dominados o direito da Religião, com o detalhe de que deveriam também adorar ao Imperador. Os judeus não faziam as duas coisas! Os judeus da Judéia e os judeus fiéis que se espalhavam pelo Império Romano adoravam somente a Deus. Eram denominados judeus hebraístas. Outros judeus, que não estavam nem aí para a paçoca, adoravam o imperador para evitar desgastes. Eram os judeus helenistas. De qualquer forma, para os romanos, os judeus estavam quites com os critérios adotados. O judaísmo era considerado Religio Licita (religião legalizada), portanto, era permitido em qualquer lugar do Império.
O Cristianismo surgiu como uma seita do judaísmo. Para os judeus, os cristãos eram hereges. Os romanos toleraram os cristãos. tanto é assim que não vemos no Novo Testamentoromanos perseguindo a Igreja. Pelo contrário, o que vemos é o estado romano defendendo os cristãos, tudo para garantir a Pax Romana.
Atos 22:25,26 - "Quando o estavam amarrando com correias, disse Paulo ao centurião presente: Ser-vos-á, porventura, lícito açoitar um cidadão romano, sem estar condenado? Ouvindo isto, o centurião procurou o comandante e lhe disse: Que estás para fazer? Porque este homem é cidadão romano".
Atos 24:23 - "E mandou ao centurião que conservasse a Paulo detido, tratando-o com indulgência e não impedindo que os seus próprios o servissem".
Atos 18:14-15 - "Se fosse, com efeito, alguma injustiça, ou crime da maior gravidade, ó judeus, de razão seria atender-vos, mas se é questão de palavra, de nomes, e de vossa lei, tratai disso vós mesmos; eu não quero ser juiz destas cousas".

Veja o que Justo L Gonzalez escreveu em seu livro, A Era dos Mártires que citei anteriormente:
Em Roma, naquele tempo, a disputa entre judeus e cristãos parecia ser uma questão interna dentro do judaísmo. Entretanto, à medida que o cristianismo foi se estendendo cada vez mais entre os gentios, e a proporção de judeus dentro da igreja foi diminuindo, tanto cristãos como judeus e romanos foram estabelecendo distinções cada vez mais claras entre o judaísmo e o cristianismo.
Há também certas indicações de que, em meio ao crescente sentimento nacionalista que levou os judeus a se rebelarem contra Roma e que culminou na destruição de Jerusalém, os cristãos — especialmente os gentios entre eles — trataram de mostrar claramente que eles não faziam parte daquele movimento.
O resultado de tudo isto foi que as autoridades romanas enfrentaram, pela primeira vez, o cristianismo como uma religião separa do judaísmo. Foi então que começou história dos dois séculos e meio de perseguições por parte do Império Romano.
Nesse contexto, a perseguição sob Nero foi de enorme importância, não tanto por sua magnitude, mas por ter sido a primeira de uma larga série de crueldade sempre crescente.
A Perseguição tornou-se cruel, Nero e Domiciano foram terríveis e recomendo a leitura do referido livro. Os detalhes são incríveis.

Como os cristãos brotavam em todo lado do império, Roma parou de ir atrás dos cristãos, mas, em deixava claro aos seus cidadãos que, caso algum cristãos lhes importunassem, teriam direito de levar o caso às autoridades para então proceder o teste. Tal teste resumia em acender incenso diante da estátua do imperador, caso o cristão assim não procedesse, era torturado e morto. Portanto, uma perseguição ideológica e, porque não, psicológica terrível começou. Os cristãos poderiam ser acusados pelos seus vizinhos a qualquer hora e lugar. Bastavam "pisar na bola" com alguém e eram levados às autoridades.

As lendas sobre os Cristãos
Somado à perseguição traidora, haviam lendas crescentes sobre as barbaridades que se julgava os cristãos proceder. Barbaridades tais como: comer gente (A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida...), as orgias (Amai-vos uns aos outros...), as bebedices (o falar em línguas...), etc. Eram considerados malucos antisociais. A população de Roma achava absurdo o radicalismo dos cristãos na arena ao morrerem cantando!

A ação de Tertuliano
Ele escreveu sobre essas duas situações. Em uma de suas obras, Apologética (que você encontra em português aqui), ele escreve:
Plínio, o Moço, quando era governador de uma província, tendo condenado alguns cristãos à morte, e abalado outros em sua firmeza, mas ficando aborrecido com o grande número deles, procurou, em última instância, o conselho de Trajano, o imperador reinante, para saber o que fazer com eles. Explicou a seu senhor que, com exceção de uma recusa obstinada de oferecer sacrifícios, nada encontrou em seus cultos religiosos a não ser reuniões de manhã cedinho em que cantavam hinos a Cristo e a Deus, confirmando que, em suas casas, seu modo de vida era um geral compromisso de ser fiel a sua religião, proibido-se assassínios, adultério, desonestidade e outros crimes. A respeito disso, respondeu Trajano que os cristãos não deveriam de modo algum ser procurados, mas se fossem trazidos diante dele, Plínio, deveriam ser punidos.
Ó miserável libertação - de acordo com o caso, uma extrema contradição! Proíbe-se que sejam procurados, na qualidade de inocentes, mas manda-se que sejam punidos como culpados. É ao mesmo tempo misericordioso e cruel. Deixa-os em paz, mas os pune. Por que entrais num jogo de evasão convosco mesmo, ó julgamento? Se vós os condenais, por que também não os inquiris? Se não quereis inquiri-los, por que não os absolveis?

Escreveu mais isso:

A Verdade só deseja uma coisa dos governantes da Terra: não ser condenada sem ser conhecida
 E isso:
Se a lei proíbe que alguém seja condenado sem defesa, por que este direito é negado aos cristãos?
Conclusão
Nestas três postagens demonstrei a grandeza desse homem, chamado Tertuliano.
Tertuliano como Polemista e como Apologista.
Na próxima, começarei a falar das profetadas e das profetisas....


Acompanhe toda a série de artigos:

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