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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Como Sei Que Deus Responde à Oração - Parte V - Rosalind Goforth

Acompanhe a quinta parte dessa série de postagens sobre Rosalind e Jonathan Goforth!

Jonathan e Rosalind Goforth foram missionários canadenses na China de 1888 a 1934. Durante esse período, tiveram onze filhos (cinco dos quais morreram como bebês ou muito novinhos), passaram por perseguições e dificuldades, e testemunharam grandes moveres do Espírito de Deus, trazendo convicção, arrependimento e conversões.

Esta é a quinta de uma série de relatos extraídos de um livro escrito por Rosalind.


Nota histórica: Os fatos do último capítulo e deste capítulo atual ocorreram durante um período muito trágico na China, de 1898 a 1901. Em reação ao domínio de várias potências ocidentais sobre o comércio e até sobre a soberania da China, uma espécie de sociedade secreta, chamada I Ho Ch’uan (“punhos justos” em chinês, ou Boxers, em inglês), começou a crescer rapidamente. Com apoio implícito da imperatriz da China, atacavam estrangeiros, missionários e cristãos chineses, especialmente católicos, por acharem que estes eram partidários dos estrangeiros. Chegaram a ocupar a capital, Pequim, e a sitiar o setor das embaixadas. Milhares de pessoas foram mortas em várias regiões da China, incluindo aproximadamente 200 missionários com suas famílias, a maioria ingleses. O levante foi finalmente suprimido através da invasão de forças militares do Ocidente.

Recuperação Milagrosa

Estávamos numa vila muçulmana, onde providencialmente havíamos encontrado refúgio depois dos ataques que, por pouco, tiraram a vida do meu marido, Jonathan. Durante todo aquele dia, ele ficou deitado, imóvel, tão pálido que parecia nem estar mais com vida. Temendo o pior, acho que não cessei um instante de clamar a Deus no meu espírito por ele.

Por volta das quatro horas da tarde, um dos integrantes do nosso grupo apareceu, procurando por nós. Jonathan levantou-se como se estivesse perfeitamente normal, insistindo em andar sem auxílio para a carroça. Para mim, que o havia acompanhado e visto seu estado anterior, só podia ser um milagre. Quando protestei que ele não estava tão bem, sua única resposta foi: “Somente ore; o Senhor me dará forças enquanto ele quiser que eu continue trabalhando”.

Enquanto estávamos saindo, os bondosos amigos da vila vieram e insistiram que eu levasse algumas roupas usadas para cobrir as crianças, que estavam quase nuas, dizendo: “Vai fazer frio à noite”.

Ao encontrarmos os outros membros do grupo, cada um contou como conseguira escapar. O médico era o único, além do meu marido, que tinha ferimentos mais graves; estava com uma rótula separada e os tendões do pulso direito cortados seriamente, além de várias outras feridas.

Durante aquele dia, enquanto estávamos na vila muçulmana, nossos companheiros tinham ficado à beira da estrada, sem poder continuar a viagem por causa da condição do médico que não conseguia andar. Todos estavam unidos em uma petição a Deus: que ele trouxesse de volta os carroceiros. Quem conhecia a China daquela época e os carroceiros pagãos sabia que só um milagre os traria de volta, depois de tudo que haviam passado conosco. Pois o milagre aconteceu: cinco carroceiros voltaram, o suficiente agora que toda nossa bagagem e nossos bens haviam sido levados embora.

Descobrimos que nossa fiel babá chinesa havia tomado conta da pequenina Ruth (menos de três anos), arriscando sua própria vida. Tivera de deitar em cima dela, tomando muitos golpes cruéis, até que a ganância de saquear os bens nas carroças afastasse os agressores.

O Deus dos Livramentos

Depois que nos reintegramos no grupo e os carroceiros voltaram, prosseguimos nossa viagem. Perto das seis horas da tarde, chegamos a uma cidade maior, Nang Yang Fu. As muralhas da cidade estavam escuras, abarrotadas de gente, e, ao entrarmos pelos portões, as turbas violentas se empurravam contra as carroças. Às vezes, os cavalos tropeçavam e parecia que nada poderia impedir as carroças de tombarem. A cada um ou dois minutos, um tijolo ou uma pedra era arremessada contra as carroças. O brado da turba: “Mate! Mate!”, gritado por centenas de vozes, nunca mais seria apagado de nossas memórias. Contudo, o Senhor nos fez passar e “nenhuma arma prevaleceu” contra nós.

Ao chegarmos à pensão, uma turba indomável com mais de mil homens encheu o pátio. Assim que descemos da carroça, eles literalmente nos tocaram à sua frente para uma sala da pensão, que dentro de instantes ficou apinhada a ponto de quase sufocarmos. Por quase uma hora, a turba continuou a nos espremer em um canto; depois os que estavam de fora ficaram impacientes e exigiram que fôssemos levados para lá. Conseguimos preservar algumas senhoras, mas os demais – homens, mulheres e crianças – tiveram de ficar diante dessa multidão em ebulição, até que o alívio chegasse no meio da escuridão da noite.

Por que não nos mataram? Por que, mesmo? Somente um Deus Todo-Poderoso poderia ter segurado uma turba como aquela.

O que acontecera foi o seguinte. Assim que entramos na cidade, havíamos despachado um servo ao oficial da cidade, exigindo proteção. Enquanto aguardava uma resposta, ele ouviu uma conversa de dois soldados e descobriu que estavam armando um plano para que fôssemos mortos na estrada e não dentro da cidade, o que poderia causar problemas futuros para o oficial. Se fosse na estrada, ninguém saberia quem nos tinha matado e ninguém seria responsabilizado. O plano era mandar alguns soldados para guiar-nos a uma emboscada. O servo estava tão convicto que seríamos mortos que se recusou a ficar conosco e voltou para sua cidade.

Depois de consultarmos entre nós sobre o que devíamos fazer, resolvemos seguir nosso caminho, confiando que Deus nos daria uma saída. Tivemos outro problema com os carroceiros que não queriam continuar nos levando, mas depois que oramos, finalmente concordaram e, às duas horas da manhã, estávamos prontos para partir.

A noite estava muito escura e fomos acompanhados pelos soldados do oficial, que tinham o encargo de nos guiar ao lugar onde outros soldados nos esperavam para nos matarem. Na saída da cidade, víamos algumas luzes que pareciam ser sinais e que provavelmente eram mensagens entre os dois grupos de soldados.

Assim que saímos da cidade, alguém avisou Jonathan que nosso filho Paul e um outro homem tinham desaparecido. Paramos as carroças e fizemos uma busca, mas não foram encontrados. Esperamos ali por algum tempo e, novamente, minha fé parecia fraquejar. Na minha agonia, eu só conseguia clamar: “Se Paul não for encontrado, como posso voltar a confiar em Deus?” Mas, depois, lembrei de como Deus milagrosamente havia me devolvido meu querido marido e pude confiar Paul em suas mãos e esperar nele.

Quando não dava mais para procurar as pessoas perdidas, deixamos uma carroça para trás com um servo de confiança, e seguimos viagem. Foi ali que Deus operou nosso livramento. Durante essa espera, os soldados que nos “guiavam” adormeceram nas carroças e não perceberam que os carroceiros estavam seguindo por uma outra estrada vicinal. Quando se deram conta, já estávamos a uma boa distância da cidade e fora do alcance dos que pretendiam nos assassinar! Os soldados ficaram furiosos, mas depois de nos ameaçarem, acabaram nos deixando e voltando para a cidade. Novamente, nosso Deus fora para nós um Deus de livramentos.

Vez após vez, naquele dia, fomos cercados por turbas violentas. Várias vezes, mostrei as roupas sujas e surradas que os muçulmanos nos haviam doado, e ao contar como as recebemos, o povo parecia se acalmar mais do que com qualquer outra coisa. Uma vez, começaram a gritar para arrastar a babá do nosso filho para fora da carroça, mas clamamos a Deus por ela, e o povo nos deixou em paz.

Estávamos nessas alturas em condições lamentáveis. Os homens tinham curativos nos braços ou na cabeça e o médico não podia sequer levantar a cabeça. O que sofremos naquelas carroças, em cima das tábuas duras, não dá para descrever. Nove pessoas estavam espremidas na nossa carroça, num espaço que em circunstâncias normais só caberiam quatro ou cinco.


O Filho Perdido

Ao meio-dia, chegamos a uma outra cidade grande, e paramos para dar alimento e descanso aos animais. Novamente, vimos evidência da bondade do Senhor para conosco.

Estávamos descendo das carroças e a multidão estava com aspecto muito ameaçador. Parecia que essa seria, finalmente, a nossa hora. De repente, nesse momento crítico, apareceram dois homens da classe de oficiais, e cumprimentaram meu marido com muita surpresa. Nós os havíamos hospedado em nossa casa em Chang Te Ho, algum tempo antes. Depois de algumas palavras de explicação, viraram para a multidão e informaram-lhes a respeito do nosso trabalho e de quem éramos. A atitude do povo mudou imediatamente e abriram caminho para nós, dando-nos alojamentos e alimentação da qual estávamos em grande necessidade.

Alguns do nosso grupo já estavam demonstrando solidariedade conosco pela perda de Paul, mas eu estava esperando ainda para ver o que Deus faria. Jonathan contou aos dois oficiais que nos ajudaram a respeito do desaparecimento dele e do outro homem, e ficaram muito preocupados. Prometeram enviar logo alguém para procurá-los. Deram-nos cartas também para a cidade onde havíamos de passar a noite e um homem do distrito para nos guiar e ajudar.

Perto das quatro horas da tarde, um mensageiro nos alcançou com as boas novas que Paul e nosso amigo foram encontrados em segurança e que chegariam ao lugar em que nós estávamos naquela noite. Ao ouvir essa notícia, senti com muita força a minha incredulidade e falta de confiança na hora da provação, o que me deixou arrasada. Eu só podia curvar minha cabeça e chorar. Que bondade e misericórdia do nosso Deus! Nunca o amor de Deus pareceu mais maravilhoso do que naquele momento.

Chegamos ao nosso destino por volta das nove horas da noite, depois de viajar em condições desconfortáveis por dezessete horas, com apenas uma breve parada no meio do dia. Jonathan foi imediatamente para a residência do oficial com a carta dos nossos amigos. Pelo caminho, a turba quase conseguiu pisoteá-lo mais de uma vez, mas Deus o protegeu e ele conseguiu entregar a carta ao destinatário. O oficial o recebeu bem, prometeu-nos proteção e o enviou de volta à pensão com uma escolta.

Eu estava tão cansada que não conseguiram me acordar quando Paul e o outro homem chegaram durante a noite. Quando acordei de madrugada, nosso grupo inteiro estava dormindo no chão batido, quase sem roupa de cama nem colchões.

Com mais vinte horas de viagem no dia seguinte, chegamos a Fan Cheng, de onde viajamos de barco para Hankow e de lá para Xangai. Ficamos sabendo, com muita tristeza, da morte de muitos queridos amigos pelas mãos dos Boxers.

Provisões Sobrenaturais

Ao chegar em Xangai, tínhamos pouco tempo antes do embarque do próximo navio para o Canadá. Apesar de recebermos dinheiro da missão para a viagem e nossas necessidades imediatas, o problema era conseguir roupas para toda a família, já que não havia alfaiates disponíveis e só existiam roupas feitas para Jonathan e Paul.

Enquanto eu suplicava a Deus para suprir todas as nossas necessidades, duas senhoras estavam à porta, perguntando por mim. Eram cristãs e tinham visto nossos nomes na lista dos refugiados. Deus as tocou para virem oferecer seu auxílio. Trabalharam noite e dia naqueles últimos dias antes da nossa partida.

Mesmo assim, não foi possível fazer roupas para o nosso bebê, Wallace. Aqui também Deus atendeu nossas orações de forma maravilhosa. Eu havia levado alguns tecidos para tentar costurar algo para ele no navio. Durante os primeiros dias, trabalhei desde cedo até à noite, tentando fazer umas roupinhas, mas minhas forças estavam chegando ao fim. Minha agulha não funcionava mais, nem conseguia mais enxergar o lugar para colocá-la. Guardei os materiais e fui para a cabina. Ajoelhando-me ali, coloquei o meu trabalho diante do Senhor. Sem forças, mesmo para orar, só consegui contar para o Senhor que meu filhinho não tinha roupas. Depois guardei tudo e deitei-me, quase desmaiando de esgotamento. Pouco tempo depois, talvez menos de uma hora, alguém veio e me disse: “Estamos na baía de Yokohama, no Japão, e chegou um grande embrulho para você”.

“Para mim!”, exclamei. “Não pode ser, não conheço ninguém no Japão.” Mas depois pensei: “Só pode ser a resposta da minha oração”.

Era, de fato. Uma outra missionária, que perdera seu filhinho com a mesma idade de Wallace uns quatro meses antes, sentiu fortemente tocada pelo Senhor de enviar todo o seu enxoval para mim! Naquele pacote, encontrei tudo que precisaria para Wallace durante um ano ou mais. Nem que tivesse feito uma lista, não teria sido tão completa. Deus realmente responde às orações!

Três dias depois tive um colapso de esgotamento físico, mas graças ao nosso Deus, ele esteve comigo durante minhas trevas e me fez sair do outro lado.

Caminhos Misteriosos de Deus

Muitas vezes, na nossa pátria, pediram que contássemos a história do nosso livramento durante a rebelião dos Boxers. A pergunta que surgia era: “Se vocês foram salvos pelo poder de Deus, por que ele não salvou também tantos outros que foram cruelmente assassinados?”

Essa pergunta me incomodou por muito tempo. Depois, vi nos relatos de Atos 12 como Tiago foi morto pela espada e Pedro foi liberto em resposta à oração. Estou convencida que muita coisa se deve à oração. Ficamos sabendo que nossa igreja no Canadá foi avisada por telegrama assim que iniciamos aquela viagem perigosa. Uma grande mobilização de oração aconteceu, unindo cristãos de todas as denominações. A Conferência Presbiteriana do Canadá dedicou uma reunião inteira à oração em favor dos missionários na China. Nunca antes houve um tempo de intercessão tão intensa e unida.

Ao darmos nosso testemunho em vários lugares, muitas pessoas nos contaram como não cessaram de clamar a Deus por nosso livramento durante aqueles longos dias da nossa viagem para fora da China.

Apesar desse papel claro da oração no nosso livramento, sabemos que Deus é glorificado e que seus propósitos são cumpridos na morte de alguns e no livramento de outros. O sangue dos mártires ainda é a semente da Igreja.

Fonte: Arauto Ano 23 nº 4 - Julho/Agosto 2005

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