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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Amando a Deus de todo o coração - George D. Watson

O primeiro e maior mandamento, de acordo com Jesus, é amar o Senhor nosso Deus de todo o nosso coração, de toda nossa alma, de toda nossa mente e de toda nossa força (Mc 12.30). Ninguém pode viver uma vida que seja realmente uma vida de paz, alegria e utilidade, sem ser regenerado e santificado e sem amar seu Criador de todo o coração. Só uma minoria de homens e mulheres tem se disposto a aceitar plenamente essa lei que visa justamente ao seu mais elevado bem-estar.
 Se os filhos dos homens guardassem, de coração, o primeiro mandamento, imagine que mudanças celestiais sobreviriam ao mundo! Meditar sobre isso ajuda-nos a ganhar uma visão mais ampla de quem Deus é, de como é sua Palavra e o seu amor. Considere o fato de que só neste pequeno mandamento – “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (Dt 6.5) –, há um potencial suficiente para transformar este mundo cheio de trevas e maldade num verdadeiro paraíso.
 Não fosse a degradação que nossas almas sofreram em virtude do pecado, nunca teria sido necessário Deus nos ordenar amá-lo. Não fosse pelo pecado, consideraríamos um maravilhoso privilégio amar nosso Deus e, ao invés de precisarmos obedecer a mandamentos, estaríamos suplicando pela permissão de amá-lo. Foi o pecado que criou a necessidade de uma lei. Quando somos devidamente iluminados, amar a Deus de todo o coração é o mais sublime prazer em toda a criação. Se soubéssemos o suficiente sobre quem Deus é e o que ele pode ser para nós, estaríamos de joelhos, implorando que nos desse o privilégio de amá-lo no limite máximo da nossa capacidade.
 A razão por que tão poucas pessoas amam a Deus é que não têm em si, por natureza, o tipo de amor que realmente consegue amá-lo. Só é possível amar a Deus com o amor que vem dele. É preciso que o amor divino seja implantado em nossos corações pela operação do Espírito Santo antes que seja possível amar a Deus de fato.
 Há duas palavras no Novo Testamento grego que significam amor. A palavra philos se refere a todo afeto humano natural, algo que todos os homens possuem. A outra palavra, ágape, fala do amor divino, dos sentimentos e do caráter de Deus.
 Assim como recebemos a capacidade de ter afeto humano através do nascimento natural, da mesma maneira conseguimos o amor divino por meio do nosso nascimento espiritual no Reino de Deus. Mesmo depois do amor divino ser implantado em nós, precisamos ser santificados e batizados com o Espírito Santo e com fogo, a fim de que esse amor de Deus receba plena liberdade, podendo agir sem restrições através de todas as nossas habilidades.
 A seguir, vamos falar de sete aspectos do amor que podemos dar ao nosso bendito Criador e Redentor, como resposta ao seu amor por nós.
 1. Amor de gratidão
 O amor de gratidão é uma das primeiras manifestações do amor divino que brota no coração recém-convertido. O amor de gratidão é cheio de ações de graças. Faz eco àquele doce cântico de amor proferido por Jesus: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11.25). É um amor que toma um tamboril e faz companhia a Miriã no seu cântico de celebração, depois da travessia do Mar Vermelho, dizendo que Deus triunfou e que o inimigo foi lançado no mar (Êx 15.1). Canta junto com Ana na dedicação do pequeno Samuel, proclamando que o Senhor “levanta o pobre do pó e, desde o monturo, exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória” (1 Sm 2.8).
 O amor de gratidão se deleita em recontar as misericórdias de Deus feitas no passado, passando vez após vez por elas em prazerosa recordação, como se fossem preciosos tesouros amealhados – e, ao mesmo tempo, sentindo satisfação em compartilhá-los com os outros e em oferecer magnânimos louvores ao Doador de todos os bens.
 O amor de gratidão, como no caso de Maria (Lc 2.19), pondera coisas no coração que outros talvez desprezem ou ignorem e valoriza o que outros chamariam de pequenas bênçãos ou respostas insignificantes. O amor de gratidão vê a magnitude de Deus em mil coisinhas esquecidas por aqueles que ainda não aprenderam a enxergar com os olhos do amor.
 Essa manifestação do amor é muito humilde, cheia do espírito de arrependimento e de submissão, sabendo que não é digna de tanta bondade divina. Avalia todas as suas bênçãos pela preciosidade da mão divina que as dispensa. Amor de gratidão está sempre oferecendo a Deus o perfume suave de ações de graças; muitas vezes por dia, diz: “Obrigado, Pai”.
2. Amor Eletivo
 O amor eletivo é resultado de um processo que compara Deus a todos os outros seres na criação, contrastando a sua superioridade, a excelência dos seus caminhos, da sua autoridade, do seu cuidado, sua compaixão e suas misericórdias com tudo que conhecemos, percebendo como está acima de todas as criaturas que existem. É a manifestação do amor por Deus que nos mostra mais claramente a nulidade, o engano, o valor passageiro de tudo que parece ser bom neste mundo.
 É por esse processo que comparamos nosso Deus com os anjos, com os grandes heróis e com todos as outras criaturas comuns e, depois, escolhemos a Deus acima de todos eles, assim como escolheríamos um diamante acima de uma massa de argila e nos alegraríamos com um tesouro superior.
 O amor eletivo ignora tudo que queira se intrometer no nosso coração para tomar o lugar de Deus ou que, no menor sentido possível, tenta dividir com ele o nosso coração. É com esse amor que escolhemos o Deus vivo e desdenhamos todos os outros deuses, todos os falsos profetas, todas as religiões falsas. Nossos corações ardem com indignação contra tudo que tenta usurpar o lugar de Deus ou tomar a menor parte que seja da honra e do louvor devidos somente ao Senhor.
 É a esse amor eletivo que o apóstolo Pedro se refere quando nos ordena santificar a Cristo como Senhor nos nossos corações (1 Pe 3.15), ou seja, a dar a Deus seu devido lugar nos nossos corações e em todas as coisas. É esse amor eletivo que nos dá a força de despedaçar todo ídolo, romper todo laço, afastar-nos de todo alvo, quebrar toda amizade e desdenhar toda honra humana ou ambição religiosa que interfira no direito de Deus sobre nossas vidas e no nosso mais intenso amor e obediência a ele.
 Por meio do amor eletivo, enaltecemos a soberania de Deus e deixamos de lado tudo que possa competir com sua glória. Com isso, coroamos Cristo como Senhor de tudo. Desprendimento de espírito das coisas da Terra é o fruto especial desse tipo de amor.
 3. Amor Complacente
 Esse é o tipo de amor que se contenta e se satisfaz pacificamente com Deus e se deleita em todas suas indescritíveis perfeições. É o tipo de amor que vemos nas palavras do salmista: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra” (Sl 73.25). Salomão cantou a respeito desse amor quando viu em visão o Noivo celestial e disse: “[ele é] o mais distinguido entre dez mil... sim, ele é totalmente desejável” (Ct 5.10,16).
 O amor complacente ama Deus somente por causa dele mesmo, porque percebe a eterna beleza da sua natureza, a doçura do seu caráter, a indescritível grandeza dos seus atributos, a delicadeza e o encanto de todas as suas perfeições.
 A alma humana dificilmente amará a Deus dessa forma, somente por causa da infinita bondade do seu ser, enquanto não for profundamente santificada e iluminada pela habitação do Espírito Santo. Bem-aventurados são os puros de coração porque verão, mesmo nesta vida de fé, as maravilhas do caráter e da pessoa de Deus.
 Enquanto o amor eletivo contrasta a nulidade dos outros seres criados com a grandeza de Deus, o amor complacente é tão plenamente enlevado com o próprio Deus que parece esquecer-se de todas as demais coisas e pessoas, pelo fato da pureza e presença de Deus encherem todo o seu horizonte, como se nada mais fosse visível.
 O amor complacente alegra-se no fato de que Deus é exatamente como é e que jamais poderá ser diferente. Chega a dançar de puro regozijo por saber que não haverá, por toda a eternidade, nenhum outro Deus. Ao contemplar o futuro ilimitado, percebe que não haverá a menor sombra de mudança no caráter deslumbrante de Deus. O que Deus é para nós agora, ele o será pelos séculos dos séculos. Amor complacente tem um prazer secreto em todos os atributos de Deus e admira o modo como ele faz as coisas, repousando com paz indizível no seu caráter.
 4. Amor de Desejo
 Esta forma de amor nos leva a ter sede e anseio por Deus. Era esse tipo de amor que Davi sentia quando disse: “Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: ...contemplar a formosura do Senhor, e inquirir no seu templo” (Sl 27.4). Outro salmista também sentiu a mesma coisa: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma” (Sl 42.1).
 Há três tipos ou graus de sede espiritual: o primeiro é por perdão, o segundo é por pureza e o terceiro é pela plenitude do próprio Deus vivo. A fim de desejar Deus apropriadamente, o coração precisa estar em condições de apreciá-lo, de estar em união harmoniosa com ele e de desfrutar os diversos aspectos do seu caráter.
 Sem dúvida, Daniel tinha esse amor de desejo por Deus num grau muito elevado. No texto em que o anjo diz que Daniel era um homem “mui amado” (Dn 9.23), o sentido original pode ser traduzido como “homem de desejo”. Em outras palavras, ele era um homem de intensos anseios por Deus. Ninguém pode ser um cristão sem ter fome no coração por Deus, no entanto, há inúmeras formas e graus desse desejo que variam de uma pessoa para outra.
 É esse amor que atrai a pessoa para conhecer a Deus em suas três Pessoas divinas, para conhecê-lo em comunhão, e para encher-se de cada atributo e perfeição do caráter divino. Nada em toda a criação poderá satisfazer nossos espíritos imortais, a não ser o próprio Deus vivo. É essa doce dor da sede por Deus que nos puxa à oração secreta, a estudar a pessoa de Deus, a negligenciar outras coisas e considerá-las insignificantes, a fim de alcançar a luz do seu rosto e o fluir do seu Espírito.
 É a intensidade do desejo por Deus que arranca o coração de mera religiosidade rotineira e o seduz para galgar os desfiladeiros da verdadeira santidade, com vistas ao repouso a ser desfrutado nos altos cumes das montanhas da graça, nos quais a alvorada desponta mais cedo, e a suave luz do entardecer perdura por mais tempo.
 Que deslumbrante seria se nossos olhos pudessem penetrar toda a criação e ver como esse intenso desejo pela beleza de Deus se apodera de tantos corações, atraindo-os, em alguns casos com lentidão, em outros com muita rapidez, mas sempre com insistência e força certeira, puxando a todos. Com sua atração, leva as pessoas a atravessarem terra e mar, montanhas e vales, caminhos solitários e espinhosos, através de barreiras mil, para chegarem àquele bendito e maravilhoso dia em que poderão repousar enlevadas pela glória de Deus.
 Todas as coisas sem Deus mais cedo ou mais tarde acabam nos enfadando. Somente ele é novo a cada dia e, para o coração apaixonado, é como se sempre fosse uma nova descoberta aos seus olhos.
5. Amor Solidário
 Esse tipo de amor nos leva a apoiar os interesses de Deus e a ficarmos intensamente zelosos por sua honra e glória. A palavra grega traduzida por “solidariedade” significa “sofrer junto com”, sentir as injúrias e os males praticados contra outrem como se fosse contra nós mesmos. É esse amor solidário que sente de forma tão aguda os insultos a Deus feitos por pessoas ímpias ou por demônios. É esse tipo de amor que Davi sentia ardendo no seu coração quando declarou: “Não aborreço eu, Senhor, os que te aborrecem? ...aborreço-os com ódio consumado” (Sl 139.21,22).
 É um amor que não suporta ouvir alguém tomando o nome de Deus em vão, negando ou ridicularizando sua Palavra, criticando ou desprezando seu maravilhoso caráter. É um amor que chora por causa da maneira como os homens ignoram Deus, deixando de amá-lo, agradecer-lhe, valorizá-lo e de confiar nele.
 É esse tipo de amor que ardia como fornalha no coração dos reformadores quando se revestiam de zelo como de uma armadura e trovejavam contra injustiça na igreja ou no Estado, colocando suas vidas em risco. Preferiam morrer a ver seu amado Deus insultado e pisado pelos homens.
 Era esse amor que ardia em Finéias quando reagiu com forte indignação contra os que insultavam a Deus e, tomando a lança, os matou (Nm 25.6-9). Deus o reconheceu, dizendo: “Isso lhe foi imputado por justiça, de geração em geração, para sempre” (Sl 106.28-31).
 É esse tipo de amor que enxerga os interesses de Deus em todo lugar e que tem profunda sensibilidade pelos direitos e pela honra dele em todas as coisas. É esse ciúme quente e admirável pela glória de Deus que não suporta falsos Cristos ou falsos profetas. É um amor sempre alerta e atento que detecta falsa doutrina e grave infidelidade em lugares onde outros não vêem mal algum. É esse tipo de amor que produz heróis e mártires. Sempre sente profundo arrependimento pelo pecado e tristeza pela falta de amor a Deus.
6. Amor Benevolente
 Esse amor representa uma espécie de excedente, de transbordamento do amor, que leva o coração a desejar para Deus todo o louvor, toda a glória, toda a felicidade que lhe é possível receber. É o desejo de ser, de algum modo, uma bênção e um benefício para Deus, mesmo sabendo que nada é e que Deus é tão perfeito que nada pode ser acrescentado à sua infinita felicidade e bem-aventurança. Exalta e louva a Deus por todas as suas admiráveis qualidades e possessões e manifesta-lhe o desejo de que possam ser ainda maiores e mais numerosas, se isso fosse possível.
 Devemos lembrar que Deus tem dois tipos de glória: primeiro, a glória que é inerente à natureza divina e, depois, a glória que é externa e que se encontra na sua criação de mundos e criaturas. A glória que reside dentro da natureza divina consiste em suas perfeições naturais, em sua eternidade, santidade, comunhão entre as três pessoas da divindade e na infinita alegria que tem em si mesmo. A glória externa de Deus consiste na magnitude, na variedade e no esplendor dos mundos criados e nas diversas graduações de anjos, homens e demais ordens inferiores de criaturas.
 Somado a tudo isso está a glória que ele obtém através de redimir homens caídos pelos sistemas de graça, de providência divina, de galardões e castigos, da aplicação de sua misericórdia e justiça a todas as criaturas, e dos louvores, do amor e da adoração que lhe são oferecidos pelas criaturas em resposta à sua bondade. É impossível que a glória inerente ao maravilhoso ser de Deus seja incrementada de alguma forma. No entanto, a extensão da sua glória externa pode sempre ser ampliada, e seu brilho aumentado por meio da aplicação de sua graça e verdade às suas criaturas. É nesse campo que o amor benevolente por Deus atua, sempre desejando que Deus colha maiores safras de louvor e glória da sua criação.
7. Amor de adoração
 É esse tipo de amor por Deus que adora e contempla em apaixonado prazer, perdido em admiração, amor e louvor. É um amor que permanece em silêncio, contemplando a Deus com santo temor e um profundo apreço pela pessoa dele. Não pára para buscar entendimento sobre os atributos separados de Deus, que seria o prazer da meditação, mas vê todas as perfeições de Deus fundidas em um só oceano de brancura impecável, de serena e imperturbável majestade e glória. O amor de adoração é a consumação de todas as outras formas de amor.
 Adorar a Deus é mais que uma oração ou uma teologia, uma lei ou um dever, um serviço ou uma fé. É um supremo prazer em Deus. No amor de adoração, a alma deleita-se na luz divina, sorri com seu favor, estremece com ternura diante de sua majestade, encanta-se com sua beleza, bebe da sua doçura, sente-se incapaz de achar palavras adequadas para louvá-lo – e resigna-se a olhar com admiração, segurando o fôlego e simplesmente amando mais e mais, no desejo de ter mais dez mil corações para poder amá-lo ainda mais.
Os sete tipos de amor acima são sete manifestações, como as sete cores no arco-íris, do nosso afeto por Deus, que podemos oferecer ao nosso amado Salvador e, por meio dele, lançar aos pés do nosso grande Deus, nosso querido Pai, do nosso precioso Jesus e do nosso bendito Consolador, o Espírito Santo. 

Fonte: Arauto da Sua Vinda, ano 24, n° 2, Março/Abril de 2006.

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