Pesquise em mais de 1800 postagens!

sábado, 10 de janeiro de 2009

Discípulos da Multidão na Igreja dos nossos dias

Introdução

Retornando às ministrações após um longo e tenebroso período de tempo. Não escrevia nada novo, apesar de Deus sempre ministrar em meu coração o vinho novo. Outro dia eu retomo esse assunto e explico essa situação que se findou. Tem a ver com discipulado. Discipulado de Jesus X Discipulado de Igrejas.
No último mês, Deus me visitou com uma mensagem maravilhosa. Sobre ela eu escreverei a partir de agora.

Vamos ler este trecho maravilhoso do capítulo 6 do Evangelho segundo João:

60 ¶ Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isso, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? 61  Sabendo, pois, Jesus em si mesmo que os seus discípulos murmuravam a respeito disso, disse-lhes: Isto vos escandaliza? 62  Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do Homem para onde primeiro estava? 63  O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida. 64  Mas há alguns de vós que não crêem. Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam e quem era o que o havia de entregar. 65  E dizia: Por isso, eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai lhe não for concedido. 66  Desde então, muitos dos seus discípulos tornaram para trás e já não andavam com ele. 67  Então, disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?

Contexto
Como o Pr. Sebastião - um dos homens que me pastorearam, presbiteriano, negro, com uma homilética de três pontos perfeita - explicava na minha juventude: "Cuidado Gilson, um texto fora do contexto, vira um pretexto", vamos, então, obedecendo ao saudoso pastor, conhecer o 'contexto'.

O capítulo 5 inicia com Jesus em Jerusalém curando um paralítico. É Seu terceiro milagre - dentre os indicados no Evangelho segundo João. Segundo os fariseus, o paralítico pecou ao transportar seu leito após ter sido curado. Além disso, Jesus também pecou, segundo eles, por ter curado - trabalhado - no sábado e ter propiciado o pecado daquele que era paralítico. Alguns fariseus já quiseram matá-lo (Jo. 5:16):
E, por essa causa, os judeus perseguiram Jesus e procuravam matá-lo, porque fazia essas coisas no sábado.
Isso suscita um discurso de Jesus questionando a fé dos próprios judeus. Ele disse nos versículos 46 e 47:

Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim, porque de mim escreveu ele. Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?
O capítulo 6 inicia com Jesus voltando para a Galiléia. Uma multidão o seguiu (vs. 2).
E grande multidão o seguia, porque via os sinais que operava sobre os enfermos.
A multidão fica faminta e Jesus a alimenta. É o milagre da multiplicação dos pães e peixes. O povo fica entusiasmado é quer fazê-Lo rei dos judeus, Jesus sai (vs. 15):

Sabendo, pois, Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, ele só, para o monte.
Jesus sabia o motivo. Ele sabia porque a multidão o seguia naquela ocasião. Saúde e Alimentação. Duas necessidades básicas para o ser humano. O povo queria ser curado e alimentado e obteve isso, pelos menos, naquela caminhada de Jerusalém até a Galiléia, próximo ao Mar de Tiberíades, até Cafarnaum.

Discípulos da Multidão X Multidão de Discípulos
Esses são os Discípulos da Multidão. Não confunda 'multidão de discípulos' com 'discípulos da multidão'.

Será que o mesmo não acontece hoje, dentro de nossas igrejas, incentivada nos púlpitos?

Os discípulos da multidão de hoje apenas buscam Jesus por motivos de saúde e alimento. É a mal compreendida Teologia da Prosperidade. Ser pobre é ser amaldiçoado. É ter demônios. Se não sou próspero - leia-se rico - tenho demônios. Preciso ser descapetizado. O 'verdadeiro crente' é rico, ocupa sempre a posição de chefe numa empresa, ou é o próprio proprietário. É sempre cabeça e nunca, nunca, cauda. Crente doente é crente com falta de fé! É crente que ignora a Bíblia. O 'verdadeiro crente' morre dormindo ou em oração! Na verdade, o verdadeiro crente não morre, é arrebatado!

Igrejas de Multidões
Igrejas com ânsias de crescimento, começam a se dedicar na pregação de promessas de curas e de prosperidade. Iniciam a pregação oferecendo ao povo um evangelho que não está na Bíblia. Pelo menos em sua totalidade, de Gênesis a Apocalipse. 
Novamente, o texto fora do contexto, como dizia o saudoso  Pr. Sebastião, pastor da Igreja Presbiteriana de Leme que foi realocado, junto com sua esposa, Rosa, uma senhora loira bem clarinha, para a Igreja Presbiteriana do Bairro de São Domingos, Americana no final da década de 80 e começo da de 90. Igreja onde comecei minha vida evangélica aos 11 anos de idade (1979).
Hoje sou pentecostal e celularizado, conheço o batismo do Espírito Santo (que chamava de 'estar cheio' do Espírito Santo). Sou próspero e já fui curado várias vezes de modo milagroso. Também já impus as as mãos sobre pessoas e - no nome do Senhor Jesus Cristo - foram curadas.
O problema é o exagero ou a verdadeira intenção do coração?
Qual a verdadeira motivação? O Reino de Deus ou a placa da igreja ou o método aplicado (a 'visão')?
Creio que é uma mistura de tudo isso. Como essa mistura é negociada dentro do coração, eu não sei. Como Deus vê isso, eu também não sei. Não vou julgar.

O equilíbrio: a importância do discurso
Jesus estava cercado de pessoas - discípulos da multidão - com intenções incorretas (queriam ser alimentados e curados, além de quererem fazê-Lo rei). Ele sabia disso (vs. 26).
Jesus respondeu e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.
Como ele corrigiu isso? Com a pregação da verdade. O discurso ou a pregação. Isso lemos no versículo 61:
Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isso, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?
Qual discurso os discípulos da multidão declararam ser 'duro'? O discurso dos versículos 26 ao 58 realizado na sinagoga de Cafarnaum. O texto em negrito é o que quero dar destaque. Vale a pena ler.
26  Jesus respondeu e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes. 27  Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará, porque a este o Pai, Deus, o selou.
    28 ¶ Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus? 29  Jesus respondeu e disse-lhes: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou. 30  Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu? 31  Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu. 32  Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo que Moisés não vos deu o pão do céu, mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. 33  Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. 34  Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão. 35  E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede. 36  Mas já vos disse que também vós me vistes e, contudo, não credes. 37  Tudo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. 38  Porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39  E a vontade do Pai, que me enviou, é esta: que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último Dia. 40  Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho e crê nele tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último Dia. 41  Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. 42  E diziam: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu? 43  Respondeu, pois, Jesus e disse-lhes: Não murmureis entre vós. 44  Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último Dia. 45  Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim. 46  Não que alguém visse ao Pai, a não ser aquele que é de Deus; este tem visto ao Pai. 47  Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna. 48  Eu sou o pão da vida. 49  Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. 50  Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. 51  Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer desse pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo. 52  Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como nos pode dar este a sua carne a comer? 53  Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. 54  Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último Dia. 55  Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. 56  Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu, nele. 57  Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim quem de mim se alimenta também viverá por mim. 58  Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.
Jesus fala de coisas espirituais. Um discurso altamente 'espiritualizado'.  Imagine: comer a carne e beber o sangue do filho de José, o carpinteiro! Moisés nos deu o maná, que é este para nos dar alguma coisa 'do céu'?
Eles não entenderam o discurso - pregação - espiritual de Jesus. Em outros momentos, eles até gostaram do discurso de Jesus, como no sermão da montanha, lembram-se?
Mas agora? Não entenderam patavina, só acharam duro! Difícil! A explicação é simples. Em I Coríntios 3:14 e 15 lemos:
Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido.
Os discípulos da multidão não entenderam as coisas espirituais que Jesus falava. Até em nossos dias, muitos não entendem o verdadeiro Cristianismo. Os discípulos da multidão até gostam de ouvir essas coisas espirituais, mas não as entendem.
Até gostam, acham maravilhosas, mas não as põem em prática. Leia este trecho maravilhoso de Ezequiel capítulo 33:
30 Quanto a ti, ó filho do homem, os filhos do teu povo falam de ti junto às paredes e nas portas das casas; e fala um com o outro, cada um a seu irmão, dizendo: Vinde, peço-vos, e ouvi qual seja a palavra que procede do SENHOR. 31  E eles vêm a ti, como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois lisonjeiam com a sua boca, mas o seu coração segue a sua avareza. 32  E eis que tu és para eles como uma canção de amores, canção de quem tem voz suave e que bem tange; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra. 33  Mas, quando vier isto (eis que está para vir), então, saberão que houve no meio deles um profeta.
Os discípulos da multidão vêem, assentam-se, ouvem tudo, acham bonito, uma "canção de amores", mas não praticam. Não verdadeiros discípulos. Em Amós 4:4 e 5 lemos:
Vinde a Betel e transgredi; a Gilgal, e multiplicai as transgressões; e, cada manhã, trazei os vossos sacrifícios e, de três em três dias, os vossos dízimos. E oferecei sacrifício de louvores do que é levedado, e apregoai sacrifícios voluntários, e publicai-os; porque disso gostais, ó filhos de Israel, disse o Senhor JEOVÁ.

O. Bussey, pastor na Escócia, escreveu o seguinte comentário sobre este trecho de Amós (em O Novo Comentário da Bíblia, Editora Vida Nova):

A cena inteira, em Betel e Gilgal, era de febril atividade e intenso zelo. Os adoradores usavam de correção em tudo quanto pertencia à sua adoração, porém suas mãos estavam poluídas e seus corações eram perversos. 

Resultado da verdadeira pregação
O resultado foi bem claro para Jesus, muitos O abandonaram (vs. 66)
Desde então, muitos dos seus discípulos tornaram para trás e já não andavam com ele.
Não devemos temer a desistência de pessoas das carreiras cristãs. Devemos fazer de tudo para buscá-las, porém, o joio não permanece como o trigo. Nem sempre a saída de alguém do seio da igreja é sinal de culpa dos pastores!

Verdadeiros discípulos
Os verdadeiros discípulos de Jesus reagem como Pedro reagiu:

68  Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna, 69  e nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus.

Só Tu tens a cura, omalimento E as palavras de vida eterna. Veja que Pedro disse 'Palavras de Vida Eterna', não disse comida ou cura, mas sim, Palavras de Vida Eterna.
Essa é a verdadeira prosperidade: a Vida Eterna.
Tudo o que eu preciso é Jesus.

CONTINUA......................



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Irmão ou amigo, faça seu comentário. Alguns comentários podem ser apagados..... Você tem liberdade de escrever o que quiser, porém, sua liberdade está condicionada ao senhorio de Jesus Cristo, às Santas Escrituras e aos objetivos do blog.