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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Feliz Ano Novo da Missão Portas Abertas


"As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade."
Lamentações 3.22,23



Olá, Gilson,


É com muita alegria que, em nome da Missão Portas Abertas, agradeço sua parceria ao longo de 2008.
Semanalmente você recebeu testemunhos, pedidos de oração, campanhas de cartas, notícias tristes e alegres em favor dos nossos irmãos perseguidos. Somos gratos a Deus por sua vida, dedicação e seu amor que tem nos unido em prol da Igreja Perseguida.
As lutas continuarão em 2009. Em alguns lugares, a perseguição está aumentando. Irmãos sofrerão ainda mais oposição do que em 2008. Cremos que, em outros lugares, o Senhor aliviará a situação, dando alento e refrigério para tantos outros.
O que é maravilhoso para nós é crermos em Jesus Cristo e saber que, seja qual for a situação, Ele estará conosco. Nele somos fortalecidos e por Ele suportamos as adversidades. Isso só é possível porque podemos contar com sua maravilhosa misericórdia, que nos mantém diariamente e se renova todos os dias.
A exemplo do amor do Pai que não nos desampara em nem um só dia, contamos com a renovação do seu amor e compromisso com os cristãos perseguidos em 2009.
Que você tenha um ano pleno da presença do Eterno!


Renata Éboli
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PS: Entre os dias 24/12 e 12/01, a sede da Missão Portas Abertas estará fechada para reforma. Em caso de urgência contate-nos pelo e-mailatendimento@portasabertas.org.br. Obrigado!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Bíblia ainda não foi traduzida para 2 mil idiomas

Embora seja o livro mais divulgado do mundo, a bíblia ainda não foi completamente traduzida para mais de 2.200 línguas no mundo, deixando cerca de 190 milhões de pessoas sem nenhuma porção da Palavra de Deus.

A bíblia completa foi traduzida até o momento para pouco mais de 500 idiomas das 6.912 línguas faladas no mundo, segundo dados de missões que atuam na área de lingüística e tradução. Outros 2.400 idiomas possuem alguma parte já traduzida, como Salmos, Provérbios, Novo Testamento ou Evangelho de João.

A importância do ensino da bíblia
Promover o acesso de um povo à bíblia para a língua em sua língua materna é uma das missões prioritárias dos obreiros que trabalham nos campos missionários transculturais. Até porque, historicamente, foi um dos pilares da Reforma Protestante implementada por Lutero e Calvino na Europa e que se espalhou pelo mundo inteiro. Plantar uma igreja e não disponibilizar a Palavra de Deus para os membros é correr o sério risco de ver os membros daquela comunidade não evoluírem no conhecimento e na maturidade espiritual. Além de possibilitar a entrada, e conseqüente solidificação, de doutrinas e ensinamentos que destoam do que a bíblia realmente diz. Afinal, a fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Deus (Rm 10.17).

Relato emocionante
Uma mulher cristã de uma tribo africana percorria durante três dias, a pé, todos os meses, um longo trajeto para chegar a outra aldeia, onde um missionário ensinava a Bíblia ao povo local. Por não saber ler nem escrever (sua tribo era de tradição oral), ela aprendia e decorava 12 versículos e voltava para ensiná-los à sua gente. Um dia, já na metade do caminho de volta, ela percebeu que esquecera parte de um versículo. Sem hesitar, voltou para aprendê-lo novamente. Perguntada sobre sua atitude, ela respondeu: “A Palavra de Deus nos é preciosa demais para que se perca”.

Você pode ajudar a mudar esse triste quadro, entrando em contato com Missões Mundiais através do telefone (21) 2122-1900 – ramal 240 ou pelo e-mail:
crh@jmm.org.br e apresentar-se como candidato a mudar esta realidade.

A comemoração do Natal em todo o mundo


"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz."
Isaías 9.6
Olá, Gilson,
O nascimento do Senhor Jesus nos presenteou com o suficiente Salvador. Esse é o melhor dos presentes que se pode ganhar. No entanto, nós podemos presentear nossos irmãos perseguidos na noite de Natal.
Lembre-se dos nossos irmãos da Etiópia, que precisam das nossas orações neste Natal.
Ore pelos irmãos na China, que não podem festejar o Natal com descontração, pois são constantemente vigiados.
Muitos cristãos no Iraque fugiram do seu país em busca de segurança e deixaram suas famílias para trás.
Na Índia, as celebrações públicas de Natal foram canceladas e devem ser feitas discretamente.
Para celebrar o Natal com alguma segurança, nossos irmãos da Colômbia terão de despistar os líderes das guerrilhas e celebrar a data em outros lugares.
Cristãos da Nigéria crêem que o Natal é uma oportunidade maravilhosa para se pregar o evangelho. Louve a Deus pela vida deles.
Gilson, o Maravilhoso Conselheiro, o Deus Forte, o Pai da Eternidade, o Príncipe da Paz tem fortalecido todos os que professam a fé em Cristo. Vamos agradecer pela salvação e nos lembrar dos nossos irmãos que mantém a fé a um preço muito alto.
Feliz Natal!
Renata Éboli
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PS: Do dia 24/12 a 12/01 a sede da Missão Portas Abertas estará fechada para reforma. Caso queira entrar em contato, use o e-mailatendimento@portasabertas.org.br. Obrigado

Ajude os irmãos cubanos vítimas do furacão


"Mas os pobres nunca serão esquecidos, nem se frustrará a esperança dos necessitados."
Salmo 9.18

Gilson,
Mesmo em meio aos preparativos das comemorações de final do ano, devemos nos lembrar da Igreja Perseguida. Por isso, dois membros da Missão Portas Abertasestão de malas prontas para visitar os irmãos perseguidos em Cuba, levando consolo e estimulando a caminhada cristã.
Apesar de o país ter sido assolado por dois furacões neste ano, nossa equipe visitante manteve seu propósito. Cremos que, diante de tais circunstâncias, essa viagem adquire um propósito ainda mais especial: proporcionar ajuda aos nossos irmãos cubanos.
A Missão Portas Abertas está lançando uma campanha de ajuda emergencial aos irmãos cubanos, válida a partir de hoje até dia 23/12. O alvo é arrecadar U$ 5.000, que serão utilizados para a compra de alimentos, prioritariamente. O objetivo é beneficiar 600 cristãos diretamente e mil pessoas indiretamente.
Ao doar R$ 40,00 (dólar cotado a R$2,42), você beneficiará dois cristãos cubanos. Sua ajuda atuará em duas frentes: possibilitará a compra de alimentos em caráter emergencial e a aquisição de insumos para o novo plantio das lavouras devastadas. Essa oferta será destinada inteiramente aos cristãos com os quais temos contato em Cuba.
Aproveite essa oportunidade de ajudar a Igreja cubana. Clique aqui e saiba como fazer sua doação.
Que o Senhor abençoe sua vida!
Renata Éboli
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PS. Ore pelos irmãos de Cuba. Aja em favor deles. Divulgue essa necessidade urgente para seus parentes e amigos.

Declaração dos Direitos Humanos completa 60 anos


"Mas, a todos quanto o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas, de Deus."
João 1.12 e 13

Gilson,
Desde que a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi promulgada pela ONU, em 1948, muitas leis têm sido formuladas com o objetivo de garantir direitos elementares à existência.
As leis são necessárias para assegurar direitos fundamentais a todos os indivíduos. No entanto, constantemente lemos notícias que mostram que nem sempre as leis existentes cumprem esse papel.
Um exemplo disso é o dia-a-dia dos cristãos perseguidos. Apesar de o Artigo 18 da Declaração dos Direitos Humanos ser inteiramente dedicado à liberdade religiosa, em muitos países, nossos irmãos não têm acesso a esse direito básico.
Clique aqui e veja o que o Irmão André e os colaboradores da Portas Abertasfalam sobre a Declaração Unviversal dos Direitos Humanos.
Lembre-se hoje de orar, pedindo a Deus que abençoe os nossos irmãos perseguidos em meio às injustiças que sofrem e que Ele permita que, junto conosco, você seja sempre uma voz que se levanta em favor deles.
Muito obrigada, 
Missão Portas Abertas

Novas leis ameaçam liberdade religiosa


"Santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós."
I Pedro 3.15

Gilson,
Amanhã, a Declaração dos Direitos Humanos completará 60 anos. Desde então, muitas leis têm sido formuladas com o objetivo de garantir direitos elementares para a existência do homem.
A liberdade religiosa é mencionada no Artigo 18, especialmente dedicado ao assunto. Mas, diariamente, recebemos notícias que mostram como a lei não é suficiente para assegurar direitos.
Um exemplo disso acontece na Ásia Central. Ao menos três países estudam reformular suas leis religiosas, colocando artigos mais rígidos para quem quiser evangelizar ou abrir uma igreja. No Quirguistão e no Cazaquistão, por exemplo, a lei proibirá o evangelismo em lugares públicos. No Azerbaijão, a nova lei exigirá que as comunidades religiosas tenham, no mínimo, cem membros adultos para operar.
Leis sobre direitos humanos também não impedem que as pessoas sejam acusadas falsamente de crimes religiosos. No Egito, dois cristãos coptas foram presos equivocadamente pelo assassinato de um muçulmano e sofreram torturas para confessarem o crime que não cometeram.
China, que surpreendeu o mundo com sua abertura durante os Jogos Olímpicos, tem negado liberdade religiosa ao povo. Após a Olimpíada, 400 universitários cristãos foram interrogados por estudarem a Bíblia. As pessoas que lhes davam o estudo foram detidas, e quatro delas foram condenadas à prisão.
Gilson, as leis são importantes para assegurar o direito à liberdade religiosa. Mas, no caso da Igreja Perseguida, suas orações são imprescindíveis para ajudá-la a ultrapassar todas as dificuldades enfrentadas nesse mundo.
Tenha uma semana abençoada,
Renata Éboli
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PS. Assista ao vídeo do Irmão André sobre a Declaração dos Direitos Humanos. Clique aqui.

Amor que conforta os santos


“Pois, irmão, tive grande alegria e conforto no teu amor, porquanto o coração dos santos tem sido reanimado por teu intermédio.”
Filemom 7



Gilson,


Há oito meses, o jovem Ami Ortiz, de Israel, quase foi morto ao abrir uma cesta, aparentemente inofensiva, mas que continha uma bomba. Até hoje, a família aguarda justiça. No entanto, Ami fala que perdoou seus agressores.Saiba como estão o rapaz e sua família.  
Em Cuba, o pastor Omar Gude Pérez, acusado de “tráfico humano”, completou seis meses de prisão. Sua família sofre severas ameaças por parte do governo.Conheça os detalhes e ore para que o Pastor Omar e sua família sejam fortalecidos.
Na Etiópia, Mohammed Ahmed, assassino de um evangelista em 2005, conheceu a salvação enquanto cumpria sua pena de 12 anos de prisão pelo assassinato. Ele recebeu clemência e foi anistiado. Agora, o jovem convertido precisa do apoio dos cristãos. Veja os pedidos de oração a respeito desse caso.
Gilson, seu amor e oração ajudam a fortalecer e animar nossos irmãos a perseverar na fé. Nossa oração é para que a esperança em Deus se renove a cada dia em suas mentes e corações.


Tenha uma semana abençoada,


Renata Éboli
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PS: Em fevereiro de 2009, Ron Boyd MacMillan será preletor no I Seminário Paraibano sobre a Igreja Perseguida. Na ocasião, ele lançará seu livro A fé que perseveraSaiba mais detalhes sobre o evento e participe.

Religiões: Portugal é país exemplar na integração da comunidade islâmica



Lisboa, 27 Dez (Lusa) - Portugal é um país exemplar no que diz respeito à integração da comunidade islâmica, defenderam hoje vários especialistas numa conferência sobre o "Islão e a Cidadania", organizada pelo Centro Português de Estudos Árabes-Pulaar e Cultura Islâmica.
"Portugal é uma arca de Noé, as pessoas estão integradas, as comunidades estão integradas e acho que a política de integração é uma política correcta. Não vejo que haja problemas de integração do muçulmano e do estrangeiro em Portugal", defendeu Raúl Braga Pires, investigador do Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto, em declarações à Lusa, à margem da conferência, que decorre durante o dia de hoje no auditório da Câmara Municipal de Almada.
O presidente do Centro Português de Estudos Árabes-Pulaar e Cultura Islâmica, por seu lado, lembrou que "noutros países europeus se ouve falar de conflitos e de grandes problemas entre etnias ou entre religiões, nomeadamente entre a religião islâmica e outras religiões".
Situação que, no entender de Bubacar Baldé, não acontece em Portugal.
"Aqui em Portugal, da experiência que eu tenho, não há nenhuma pessoa que tenha sido agredida ou pressionada ou a quem tenham dito uma palavra má por ser muçulmano", afirmou.
Aliás, para Bubacar Baldé, em Portugal passa-se exactamente o oposto.
"O Governo português e as instituições portuguesas estão a apoiar os muçulmanos para poderem gozar os seus direitos cívicos e religiosos aqui em Portugal", defendeu.
Situação que o presidente do Centro Português de Estudos Árabes-Pulaar e Cultura Islâmica explica com a relação histórica e geográfica que Portugal tem com o mundo islâmico.
"Desde o século VII que o Islão entrou aqui em Portugal e Portugal foi porta de entrada do Islão na Europa através de Gibraltar para a Espanha e toda esta zona chamava-se Andaluz", lembrou.
"Desde essa altura há uma grande mistura e a cultura portuguesa, mesmo a fisionomia portuguesa, tem sangue árabe e muçulmano", acrescentou, sublinhando ainda que "na língua portuguesa há muitas palavras que são islâmicas".
Também presente na conferência, o professor da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, António Mendes, convidado para discursar sobre o "Cristianismo e a Cidadania", defendeu que Islão e Cristianismo, em Portugal, podem não ter ainda a relação "que deviam ter", mas "têm uma boa relação".
"As grandes religiões têm todas o mesmo objectivo, são é caminhos diferentes para chegar ao mesmo sítio. O importante é ultrapassar divergências e chegarmos à conclusão que queremos todos a mesma coisa, que é criar um mundo mais harmonioso, mais fraterno e equilibrado e criarmos uma cultura de paz", rematou António Mendes.
SV.
Lusa/Fim
Extraído do site: Notícias Sapo

domingo, 28 de dezembro de 2008

Reservada Para o Uso do Mestre - Frances Ridley Havergal


Adaptado de uma biografia por Lizzie Alldridge

Frances Ridley Havergal é conhecida por todo o mundo cristão por seus hinos muito conhecidos e pelos livros que escreveu. Muitos daqueles que não conhecem seu nome já cantaram e foram tocados por estes hinos.

A seguir, alguns dos fatos principais da sua vida, como motivo de inspiração à nossa jornada de entrega a Deus.

Frances nasceu em Astley, na Inglaterra, em 14 de dezembro de 1836. Era a última de seis filhos do pastor anglicano, Henry Havergal, e sua esposa, Jane. Era um lar rico em influências espirituais e também musicais. O Sr. Havergal, um conhecido poeta e músico cristão, era uma canção viva, que enchia o lar com santas melodias. Compôs mais de cem hinos e a música para muitos dos hinos que sua filha escreveria.

Como caçula, Frances tornou-se a queridinha especial de toda a família. Era uma criança linda, com aparência de fadinha, cabelos louros encaracolados, uma expressão radiante e pele clarinha. Boa parte deste fulgor e radiante beleza permaneceu durante o resto da sua vida.

Além da sua beleza, Frances também demonstrou excepcional desenvoltura e facilidade com linguagem oral e escrita, desde pequena. Com dois anos de idade, já falava com perfeição. Com três, lia histórias infantis e cantava hinos que aprendera do pai. Tinha sede de conhecimento e sempre estava lendo um livro ou procurando aprender algo novo. Com quatro anos, já estava lendo a Bíblia.

Fazer poesias veio para ela naturalmente. Seu pai era um grande compositor de música sacra e, assim, o ambiente do lar estava sempre permeado de hinos e letras cristãs. Desde pequena, já enchia cadernos com histórias e poesias, especialmente para uma sobrinha que era pouco mais nova que ela. Aos nove anos de idade, escrevia longas cartas para seu irmão e suas amigas.

Um Problema Interior

Aparentemente, era uma garota bem dotada e muito feliz. Porém, havia um problema interior, que só se tornou conhecido por causa do relato que ela mesma escreveu da sua vida, quando tinha 22 anos de idade.

Seu grande problema e angústia interior era que sentia que devia amar a Deus, porém não amava. "Até os seis anos de idade", ela escreveu, "não me lembro de ter pensado em nada que fosse religioso. Acho que não conseguiria falar nenhuma das belas coisas que as crianças costumam falar a respeito de Deus, embora tivesse todo incentivo ao meu redor neste sentido.

"Porém, entre seis e oito anos de idade, recordo-me de algo que mudou tudo isso. Foi através de um sermão que ouvi. Até hoje, guardo uma forte impressão. Para mim, foi algo muito terrível, pois era a respeito do inferno e do juízo de Deus, e de como é coisa horrível cair nas mãos do Deus vivo. Este sermão me assombrava. Comecei a orar bastante, de manhã e à noite, com uma espécie de impaciência e frustração, ou quase ira, por sentir-me tão infeliz. Eu queria um novo coração e que tudo ficasse acertado, para poder ser feliz e acabar de vez com a tristeza.

"Este estado de espírito perdurou muito tempo, quebrado de vez em quando por intervalos de um mês ou mais, quando não tinha qualquer pensamento mais grave, nem fazia nenhuma verdadeira oração. Depois, de repente, um belo e tranqüilo entardecer ou um ‘livro de domingo’ despertava novamente a sensação de desconforto. Comecei a cultivar um hábito: todo domingo à tarde, eu ia para uma pequena sala na frente da casa e lia um capítulo do Novo Testamento. Depois, ajoelhava-me e orava, o que geralmente me fazia sentir um pouco aliviada e menos travessa.

"Como criança, eu tinha uma percepção muito mais aguda da natureza do que tenho, mesmo agora. Nunca mais senti algo tão intenso, como se fosse uma espécie de prazer quase insuportável. A calma esplendorosa de um dia de verão penetrava no mais profundo do meu ser e me fazia bem. O que hoje sinto somente através de alguma música rara e especialmente bem apresentada, eu tinha naquela época simplesmente por estar à sombra de uma árvore sob um céu cristalino e azul, vendo um raio solar penetrando por entre os galhos e folhas da árvore. Mas este prazer não me satisfazia, nem me deixava feliz. Eu queria mais.

"Lembro-me de ter visto a frase de um poeta famoso, que dizia: ‘Meu Pai fez todas essas coisas’! Eu queria poder dizer isto e sentir sua realidade, mas não conseguia. Durante a primavera, estas palavras voltavam com insistência e, por dezenas de vezes, dizia comigo mesma: ‘Oh, se Deus tão somente me tornasse uma cristã antes do verão’, porque eu queria tanto apreciar suas obras como sentia que podiam ser apreciadas.

"Durante todo esse tempo, ninguém tinha qualquer noção do que passava dentro de mim. Mas eu sabia que era uma ‘criança travessa’ e quase me desesperava de melhorar, a menos que me convertesse."

Em outro livro, publicado após sua morte, ela conta como nesta época desejava muito que viesse alguém que não fosse de sua família, para falar com ela sobre Jesus. Por mais que soubesse que seus pais e irmãos eram todos santos e dedicados, ela sentia que não conseguiria ouvi-los. Homens bons e ungidos vinham e pregavam belos sermões na igreja do pai dela, mas quando voltavam para sua casa depois do culto, falavam de toda sorte de outro assunto, menos aquele que ela queria ouvir. Procurando ser amigáveis, falavam com ela sobre suas lições ou sobre as filhinhas deles que ficaram em casa, mas não falavam a respeito do Salvador, que ela tanto queria e ainda não encontrara. Aqueles homens não podiam imaginar como aquela alma faminta saía vazia e frustrada.

Quando tinha nove anos, ela ouviu uma pregação que muito a impressionou. Era sobre o texto: "Não temas, pequeno rebanho". Ela queria tanto encontrar felicidade e se converter, mas nunca havia falado com ninguém sobre este assunto. Depois de quase duas semanas de indecisão e angústia, vendo-se sozinha com o pastor que pregara aquele sermão, resolveu falar-lhe da sua perturbação interior e de como piorava cada vez mais.

Como sua família tinha acabado de mudar de cidade, o pastor lhe disse que talvez esta fosse a causa, que logo passaria, e que deveria tentar ser uma boa menina e orar, etc. Foi uma decepção tão grande que durante os cinco anos seguintes, ela não se abriu com mais ninguém.

Com onze anos, ela sofreu a mais terrível tristeza que uma criança pode conhecer: depois de muito sofrimento, sua mãe faleceu. Embora sua angústia fosse muito aguda, ela sempre tentava escondê-la. Como qualquer criança, ela tinha a capacidade de esquecer de tudo por alguns instantes, diante de algum estímulo exterior, e assim dar a impressão de que estava tudo bem.

Enquanto isto, a mesma carga de angústia interior continuava no seu interior.

"Eu sabia", ela escreve no seu relato, "que não amava a Deus. Só de pensar nele me assustava. Ao deitar-me à noite, eu me obrigava a pensar em Deus, dizendo: ‘Como foi bom Deus ter enviado Jesus para morrer’. Entretanto, nada disto me atingia, nem conseguia acreditar nesta bondade."

Aprendendo a se Abrir

Quando tinha por volta de treze anos, uma atitude mais ponderada e sóbria começou a substituir as crises espasmódicas e apaixonadas de antes. Agora havia uma oração mais definida e intensa para que tivesse fé.

"Oh, que eu pudesse crer em Jesus, acreditar que de fato ele me perdoou. Eu ficava acordada por horas nas noites de verão, orando por este dom precioso. Eu lia bastante a Bíblia, de uma forma seqüencial. Se a vida eterna estava nas Escrituras, pensei, eu a encontraria ali. Comecei a dar uma hora por dia à leitura metódica e cuidadosa do Novo Testamento."

Finalmente, sua barreira para falar do seu anseio com outras pessoas começou a ser quebrada. Em 1850, ela foi enviada para uma escola cristã. Na véspera da sua partida, sua irmã, Ellen, começou a falar-lhe do amor de Deus. Frances não suportou sua pressão interior e explodiu: "Não posso amar a Deus, ainda não!"

A diretora da escola tinha um santo e doce poder em sua vida, e orava e conversava com as alunas com um fervor que Frances nunca antes vira. E logo conheceu várias outras colegas cristãs. Especialmente com uma, chamada Maria, Frances conversava freqüentemente. Bebia tudo que ouvia sobre Jesus e sua salvação. Percebia claramente que somente Cristo poderia satisfazê-la. Chorava e orava de dia e de noite, mas "não havia uma voz que respondesse".

Havia uma outra colega, Diana, que Frances admirava com uma afeição muito grande. Por algum tempo, esta amiga estivera um tanto deprimida. Frances novamente relata em suas próprias palavras:

"Nunca poderei me esquecer da noite de domingo, 8 de dezembro de 1850... Ao sentar-me de frente com a Diana durante o chá, não pude deixar de notar um novo e admirável fulgor no seu semblante. Parecia haver um brilho que saía do seu interior e iluminava seu rosto e sua voz; mesmo quando falava sobre as coisas mais comuns, assemelhava-se a uma canção de regozijo. Olhei para ela com espanto e admiração.

"Logo que terminamos o chá, ela veio para meu lado da mesa, abraçou-me e disse: ‘Oh, Fanny, querida Fanny, a bênção chegou para mim! Enfim, Jesus perdoou-me, agora eu sei. Ele é meu Salvador e estou tão feliz! Vá a ele e ele a receberá. Mesmo agora, ele a ama, ainda que não o sinta.’"

A Luz Finalmente Alcança Seu Coração

Agora que já tinha quebrado o gelo na escola, Frances não teve tanta dificuldade para se abrir novamente com a Srta. Cooke, que depois se tornou sua madrasta. Depois de várias conversas, cada uma das quais deixava Frances mais esperançosa e intensa, um dia, no entardecer, as duas estavam sentadas sozinhas na sala. Frances estava contando como ansiava por saber que estava perdoada, e como mesmo o grande amor que tinha pelo querido pai e pelos irmãos e irmãs nem se comparava com este intenso anseio.

A Srta. Cooke ficou em silêncio por um instante e depois disse: "Então, Fanny, eu acho – não, eu tenho certeza que não demorará para seu desejo ser saciado, sua esperança realizada".

Depois de dizer mais algumas palavras, ela disse: "Por que você não pode se confiar, já agora, ao seu Salvador? Supondo que agora, neste momento, Cristo fosse vir, não poderia confiar nele? Será que seu chamado, sua promessa, não seria suficiente para você? Não poderia entregar sua alma a ele, ao seu Salvador, Jesus?"

Frances relata o que sentiu neste momento. "Então um raio de esperança passou por mim, deixando-me literalmente sem fôlego. Lembro até de como meu coração disparou a bater rápido. ‘Sim, eu poderia, certamente poderia’, foi minha resposta e imediatamente a deixei e corri para meu quarto para ficar sozinha.

"Lancei-me de joelhos e lutei para me abrir àquela repentina esperança. Enfim, estava feliz; eu podia entregar minha alma a Jesus. Podia confiar tudo que eu era a ele por toda eternidade. Era algo tão novo, sentir algo positivo sobre a religião, que quase não dava para acreditar.

"Naquele momento, entreguei minha vida ao Salvador. Não posso dizer que o fiz sem tremor ou temor, mas me entreguei. Terra e céu pareciam ter uma nova luz daquele momento em diante. De fato, estava confiando no Senhor Jesus.

"Pela primeira vez, minha Bíblia era doce para mim e a primeira passagem que recordo claramente de ter lido nesta nova luz maravilhosa foi João 14 e os capítulos seguintes."

Era fevereiro de 1851, e Frances tinha quatorze anos. A partir da sua conversão realmente tudo foi diferente. Agora não só parecia ser uma pessoa exuberante e cheia de dinamismo, mas realmente era.

A Revelação da Consagração

Porém, como sabemos, a jornada para conhecer a Deus e dar tudo a ele só estava começando.

Frances passou por sérias enfermidades, quase ficou cega com quinze anos de idade, e perdeu o pai alguns anos depois. Completou seus estudos e desenvolveu seu talento literário. Escrevia com profusão, cantava profissionalmente como solista de concertos, e era uma brilhante pianista de música clássica. Falava vários idiomas, além de conhecer bem grego e hebraico. Com vinte e dois anos, tinha memorizado todo o Novo Testamento, além de Isaías e Salmos. Mais tarde, decorou todos os profetas menores.

Apesar de todo seu talento e facilidade natural de escrever, ela aprendeu a depender de Deus como uma criança. "Escrever é como orar para mim. Uma criança escreve uma frase e depois olha para cima e diz: ‘O que devo falar agora?’ É assim que faço; peço a ele, a cada linha, que me dê não só idéias e poder, mas cada palavra, até as próprias rimas."

Mas foi anos depois que teve uma experiência ainda mais profunda, quase tão impactante quanto sua conversão. Nas suas palavras, foi uma bênção que "elevou toda sua vida à luz do sol brilhante de verão, fazendo tudo que experimentara antes parecer raios pálidos e passageiros da primavera, em comparação".

Esta bênção veio através de um livreto chamado "Tudo Para Jesus". Algumas palavras ali sobre o poder de Jesus de guardar aqueles que permanecem nele abriram seus olhos e ela exclamou: "Vejo tudo agora; a bênção agora é MINHA! Vi como um raio de luz elétrica e o que se vê assim nunca mais dá para ficar encoberto novamente. Precisa haver total entrega antes que possa haver pleno gozo e graça. Ele mesmo mostrou-me isto."

Outro aspecto da sua revelação foi a respeito da purificação do sangue de Jesus. "Um dos momentos mais intensos da minha vida foi quando vi a força da palavra ‘purifica’", ela escreveu. "O senso totalmente inesperado e inimaginável da purificação total, simplesmente por crer na sua plena eficácia, era indescritível. Eu não esperava nada assim antes de chegar no céu. Aceitando as ordens e promessas de Deus assim, com uma fé simples e ingênua de criança, parece trazer-nos uma visão mais intensa de todas as coisas. O pecado nunca antes pareceu tão odiável, a vigilância tão necessária e tão constante e aguçada – só que diferente, sem angústia ou esforço, mas alegre e tranqüila. Aí entra também o ‘tudo’ para Jesus; nada de meia entrega, mas absolutamentetudo precisa ser entregue, pois a área, por menor que seja, que permanece intacta ou em dúvida torna-se pecado, além do grande fato de que devemos tudo a ele."

Sua vida tornou-se agora muito mais frutífera. Em cada visita e contato pessoal, seu maior desejo era que famílias inteiras pudessem provar junto com ela da bondade do Senhor.

Foi nesta época que escreveu seu Hino de Consagração, provavelmente o mais conhecido de todas suas obras. Foi assim que aconteceu, de acordo com seu relato: "Fui fazer uma visita de cinco dias a uma família. Havia umas dez pessoas na casa, algumas sem conversão, por quem havia orado há muito tempo, outras convertidas mas sem alegria no Senhor. Fiz uma oração, inspirada pelo próprio Deus: ‘Jesus, dá-me todos que estão nesta casa!’ E ele medeu! Antes de partir, todos haviam recebido a bênção.

"Na última noite da minha visita, não consegui dormir de tanto gozo, e passei a maior parte da noite em louvor e renovação da minha própria consagração. Espontaneamente, estes versinhos foram se formando, rimando e tocando no meu coração, um após o outro, até terminarem com ‘Sempre, SOMENTE, TOTALMENTE para ti!’"

A partir deste dia, em 1873, ela dedicou todos seus talentos somente para a causa do Mestre. Em qualquer ambiente, social ou não, onde cantava e fazia apresentações, ela passou a cantar e tocar somente para Jesus.

Sempre com saúde frágil, contraiu uma gripe severa com quarenta e dois anos e morreu de uma inflamação dos pulmões. Nunca se casou. Deixou mais de sessenta hinos, compôs a música de algumas delas, e escreveu várias coletâneas de poesias e livros em prosa.

A história da sua vida é a história do crescimento do amor a Cristo no seu coração. Ela recebeu o privilégio, não só de experimentar, num grau maravilhosamente elevado, aquele extático amor e total consagração a Jesus que marcam a verdadeira vida cristã, mas de comunicar poderosamente esse amor através de hinos e escritos, de tal forma que corações em muitas partes do mundo fossem tocados pelo ardor da sua devoção. No caso dela, o amor cresceu de forma lenta, como também sua capacidade de derramá-lo. Seu vaso de alabastro demorou para se encher; mas depois de cheio, com que gozo e arrebatamento ela o quebrou aos pés benditos do seu Rei!

A seguir, a tradução mais literal do seu hino mais famoso, Consagração. Existem várias adaptações de seus hinos em português, como: Porém, evidentemente para se adequarem à música, acabam perdendo um pouco do seu sentido original. Esta tradução literal é mais fiel ao sentido e à forma original de estrofes com apenas dois versos.

Toma minha vida; que seja

Consagrada, Senhor, a ti.

Toma meus momentos e meus dias,

Que fluam sempre em louvores incessantes.

Toma minhas mãos; que movam

Pelo impulso do teu amor.

Toma meus pés; que sejam

Velozes e "formosos" para ti.

Toma minha voz; que eu cante

Sempre, somente, para meu Rei.

Toma meus lábios; que se encham

De mensagens vindas de ti.

Toma meu ouro e minha prata;

Nem um centavo quero reter para mim.

Toma meu intelecto e usa

Todas minhas faculdades conforme tu quiseres.

Toma minha vontade e torna-a tua;

Nunca mais será propriedade minha.

Toma meu coração; é teu somente;

Será teu trono real.

Toma meu amor; meu Senhor, derramo-o

Aos teus pés, com todos seus tesouros.

Toma meu ser e serei

Sempre, somente, totalmente para ti.

Fonte: Arauto da Sua Vinda, ano 21, número 2