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terça-feira, 29 de julho de 2008

Fazer o bem aos inimigos

"Que mérito vocês terão se amarem aos que os amam? Até os pecadores amam aos que os amam. Amem, porém, os seus inimigos, façam-lhes bem e emprestem a eles, sem esperar receber nada de volta. Então, a recompensa que terão será grande e vocês serão filhos do Altíssimo, porque ele é bondoso para com os ingratos e maus."
Lucas 6.32 e 35

Gilson
Toda a vez que alguém nos prejudica, somos tentados a nos afastar dessa pessoa, por uma questão de preservação. Lá no fundo, ainda que não alimentemos um sentimento de vingança, fica aquela vontade de ignorarmos a pessoa. Mas isso é um desejo da carne e o Espírito de Deus nos orienta a fazer exatamente o contrário.
No México, o irmão Florencio Juarez, falou sobre Jesus para uma menina de nove anos. Infelizmente, tempos depois, a menina veio a sofrer abuso sexual e a mãe dela imediatamente acusou o cristão. Hoje ele está preso e ora para que a verdade e a justiça prevaleçam. Florencio até poderia odiar essa mãe, que o deixou numa situação tão ruim, mas ele pede que oremos por ela, por ele e pela menina (leia mais).
Em Bangladesh, os cristãos de Chakma enfrentam muita discriminação. Eles perderam seus empregos, muitos foram presos e tiveram que fugir para as florestas por causa da ameaça de muçulmanos. A Portas Abertas tem acompanhado a situação e pede orações. Entenda como a situação política prejudicou ainda mais a vida deles (leia mais).
Na China, o pastor Zhang Zhongxin acaba de ser condenado a passar dois anos em um centro de "reeducação" porque se envolveu com atividades de igreja, como escola dominical, cursos de treinamento e reuniões de oração (leia mais). Ele só será solto em 5 de junho de 2010.

Gilson
, não é nada fácil responder o mal com o bem. Mas foi esse o ensinamento de Jesus. Mortificar a carne é exatamente isso: segurar os próprios impulsos da alma e fazer o que é reto diante de Deus, ainda que você se sinta impedido. Vença as suas próprias limitações.
Tenha uma semana de superações na presença de Deus,
Tsuli Narimatsu
Jornalista
Obs: No dia 1º de agosto vamos iniciar a campanha de uma semana de oração pela China antes da Olimpíada, que terminará com um jejum, no dia da abertura dos Jogos. Clique aqui para saber mais sobre a situação no país, imprima os pedidos de oração ou passe por email a seus amigos.
29 de julho de 2008
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terça-feira, 22 de julho de 2008

Não é preciso entender

"Fiquei pensando: O justo e o ímpio, Deus julgará a ambos, pois há um tempo para todo o propósito, um tempo para tudo o que acontece."
Eclesiastes 3.17
Gilson,
Muitas pessoas se atormentam em busca do propósito de Deus para cada situação de suas vidas. Ousam questionar o Senhor a cada nova circunstância e acabam se deixando ser imobilizadas por uma série de perguntas que vão se multiplicando em suas cabeças.
Encarar situações difíceis e mesmo assim permanecer firmado na rocha é um desafio e tanto. No Paquistão, por exemplo, um casal cristão que teve duas filhas seqüestradas por muçulmanos, perdeu a guarda delas e luta para provar que elas são menores de idade (leia mais).
No Butão, um oficial do governo proibiu um grupo de cristãos de testemunhar sobre Jesus e ainda o obrigou a limpar regularmente o prédio da junta administrativa, algo que não está previsto na lei do país. Mas em vez de encarar a atitude como injusta e humilhante, esse grupo de cristãos vê a oportunidade de demonstrar a humildade e o amor em Cristo (leia mais).
No Irã, ainda há mortes por apedrejamento. Uma ONG internacional está lutando contra a execução de nove pessoas (leia mais). O parlamento estuda a modificação do Código Penal e uma das propostas é que convertidos ao cristianismo sejam punidos dessa forma.
Gilson, Deus deseja que nos entreguemos a ele completamente. Será que está escrito na Bíblia "entenda primeiro o porquê das coisas e depois vá"?
Permita-se ser guiado pelo Senhor,
Tsuli Narimatsu
Jornalista

PS: Assista aqui a um vídeo inédito que mostra uma história real do poder da oração.
22 de julho de 2008
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terça-feira, 15 de julho de 2008

Olhar sob outra perspectiva

"Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a degastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles."
2 Coríntios 4.16-17
Gilson,
Quando estamos sofrendo por causa do nome de Cristo, o tempo parece parar. Tudo fica demorado demais. Dependendo do trauma, as lembranças tentam nos impedir de prosseguir, mas o Senhor nos chama a olhar para essas situações sob outra perspectiva.
Nossos irmãos da Eritréia têm passado por situações terríveis. Além de serem encarcerados na prisão, eles sofrem tratamentos ainda piores porque são cristãos. No dia 28 de maio, policiais invadiram uma reunião de oração, prenderam todos os presentes e deixaram as crianças para trás (leia mais).
Do Irã, recebemos a notícia de que o líder da igreja doméstica Mohsen Namvar foi solto temporariamente para se recuperar dos maus tratos sofridos. Ele ainda não consegue contar à esposa sobre o que aconteceu na cadeia e passou dias tentando evitar que ela visse as marcas da tortura em seu corpo(leia mais).
Na Índia, o pastor Tulsi enfrenta calúnias de extremistas hindus que deram uma falsa queixa na polícia contra ele (leia mais). O pastor tem sido maltratado, mas agradece de coração a todos os que têm orado por ele.
Gilson, o Senhor sabe o quanto podemos suportar. Encare as tribulações do presente como um exercício espiritual, que na hora dói, mas o deixará habilitado para toda a boa obra e apto para um futuro com Cristo.
Louve ao Senhor,
Tsuli Narimatsu
Jornalista

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quarta-feira, 9 de julho de 2008

Um Clamor Sem Voz - David Wilkerson

Em Marcos 7, vemos Jesus realizando um grande milagre. Toda a cena dramática ocorre em apenas cinco versículos:

"De novo, se retirou das terras de Tiro e foi por Sidom até ao mar da Galiléia, através do território de Decápolis. Então, lhe trouxeram um surdo e gago e lhe suplicaram que impusesse as mãos sobre ele. Jesus, tirando-o da multidão, à parte, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e lhe tocou a língua com saliva; depois, erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá!, que quer dizer: Abre-te! Abriram-se-lhe os ouvidos, e logo se lhe soltou o empecilho da língua, e falava desembaraçadamente" (Mc 7.31-35).

Imagine a cena. Quando Jesus chegou aos termos de Decápolis, encontrou um homem que estava ao mesmo tempo surdo e gago. O homem conseguia falar, mas suas palavras não eram compreensíveis. Cristo tomou o homem à parte, separado da multidão. Ali diante daquele homem, Jesus colocou seus dedos nos próprios ouvidos. Depois cuspiu, e tocou em sua própria língua. E falou duas palavras: "Abre-te". No mesmo instante, o homem conseguiu ouvir e falar claramente.

Logo antes desta cena, Jesus havia libertado a filha endemoninhada de uma mulher. Através de meramente falar uma palavra, ele expulsou o espírito maligno da moça. Pergunto: Por que estes dois milagres estão registrados nas Escrituras? Foram incluídos como apenas mais duas cenas da vida do Senhor na terra?

A vasta maioria dos cristãos acredita que tais histórias foram preservadas nas Escrituras porque nos revelam muitas coisas. Seu propósito é revelar o poder de Deus sobre Satanás e a doença. São uma prova da divindade de Jesus, para estabelecer o fato de que ele era Deus em carne. E têm a finalidade de encorajar nossa fé, e mostrar-nos que Deus pode operar milagres.

Eu acredito que estas histórias foram registradas por todos estes motivos, e muito mais. Jesus nos diz que cada palavra que proferiu veio do Pai. Ele não dizia nem fazia algo por conta própria, mas pela orientação do Pai. Além disso, cada evento da vida de Jesus contém uma lição para nós, sobre quem "os fins dos séculos têm chegado" (1 Co 10.11).

O milagre em Marcos 7 não é só sobre a cura de um homem que viveu há muitos séculos. Como cada evento registrado na vida de Jesus, isto tem um significado muito especial para nós hoje. E, como a parábola de Jesus sobre o tesouro escondido no campo, a nossa tarefa é cavar até encontrar este significado.


Quem é o Homem Surdo?

Por algum tempo agora, tenho ficado perplexo sobre a presente geração de jovens. Tenho algumas perguntas sobre eles que ardem dentro de mim, e me deixam confuso. Mas creio que esta história milagrosa contém uma revelação que responde a muitas destas perguntas.
Primeiro quero perguntar sobre quem era este homem que levaram a Jesus: "um surdo e gago" (Mc 7.32). Não sabemos o seu nome. Mas creio que sabemos quem ele representa para nós hoje. Ele é um exemplo daqueles que "têm ouvidos e não ouvem" (Sl 115.6). Evidentemente, este versículo refere-se a uma condição espiritual. Descreve um estado de surdez espiritual, uma incapacidade de ouvir e compreender a verdade de Deus.

Estou profundamente impressionado que este homem surdo e gago é como a maioria dos jovens hoje. Creio que isto se aplica especialmente àqueles que vieram de lares cristãos. Muitos simplesmente não parecem ter a capacidade de ouvir e assimilar a Palavra de Deus.
Estou falando sobre bons garotos: respeitosos, obedientes, não farristas ou rebeldes. Não estão envolvidos em drogas, bebida, sexo ou imoralidade. Mas são extremamente passivos em relação a Deus. Em todos os meus anos de ministério, nunca vi tanta ausência de envolvimento com as coisas de Deus como nesta geração.

Tenho encontrado com estes jovens espiritualmente surdos em muitos lugares do mundo. E durante anos tenho perguntado por que tantos bons jovens, especialmente aqueles que foram criados por amorosos pais cristãos, podem ficar tão passivos em relação a Jesus. Ouvem mensagens ungidas, receberam um evangelho de amor, mas ainda não são responsivos.
Tenho ficado muito angustiado por ver esta condição em alguns dos meus próprios netos. Eles têm ouvido meus sermões, ouviram-me pregar com lágrimas nos olhos e autoridade no Espírito. Mas não demonstram qualquer reação visível. Às vezes penso: "Talvez hoje é o dia que o Espírito Santo pode derreter aquela mornidão, aquela passividade. Talvez verei uma lágrima para dar uma evidência de que Deus está tocando neste jovem coração."

Fico me perguntando: "Será que são inteiramente surdos? Ou será que rejeitaram a Deus? Fecharam seus próprios ouvidos para não conseguirem ouvir?" Luto com estes pensamentos, porque sei que são bons garotos, que não rejeitaram Jesus. Mas simplesmente não têm paixão. E Cristo mesmo adverte que boas pessoas acabarão no inferno, se ficarem mornos (ver Ap 3.16).
Vejo a mesma condição em muitos maridos cristãos. São homens bons, maridos fiéis, pais amorosos, provedores responsáveis. Quando vêm para a igreja com suas esposas, eu sei que elas estão orando: "Talvez hoje Deus tocará no coração do meu marido". Mas no fim, ele apenas dá um sorriso e diz: "Gostei do culto hoje. Voltarei com você algum outro dia". Estes homens não rejeitaram a Jesus. Não são ímpios, sensuais ou imorais. Mas se continuarem numa posição de apenas admirar a Jesus, estarão perdidos.

Tenho vários amigos que são assim também. Gostam muito de mim, e fariam qualquer coisa por mim. De vez em quando, vêm à Igreja Times Square e sempre elogiam minhas pregações. Mas a Palavra de Deus nunca os alcança, nunca faz efeito. Eles conseguem falar sobre a morte de Cristo, seu sepultamento e ressurreição, porque já ouviram pregações sobre isto vez após vez. Mas são passivos. Saem da presença de Deus da mesma forma como entraram: sem transformação.
Estou dizendo: todos estes têm ouvidos, no entanto não ouvem. São espiritualmente surdos.


Como Abrir os Ouvidos do Surdo?

A única esperança do homem surdo e gago era chegar a Jesus. Precisava de um encontro pessoal com ele.

Quero destacar que este homem não era como aqueles que Paulo descreve: "como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade" (2 Tm 4.3,4). Ele também não tinha "espírito de entorpecimento... ouvidos para não ouvir" (Rm 11.8). Não era como aqueles que foram descritos em Atos 28.27: "com os ouvidos ouviram tardiamente e fecharam os olhos, para que jamais vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos". E também não era como os que estavam presentes no apedrejamento de Estêvão, pessoas que "taparam os ouvidos" (At 7.57).
O fato é que este homem queria ouvir. Ele queria desesperadamente ser curado. Entretanto, lemos no texto que "lhe trouxeram um surdo e gago" (Mc 7.32, ênfase acrescentada). Este homem não chegou a Jesus por conta própria. Foi preciso ser levado a ele. Sem dúvida, deve ter ouvido falar sobre Jesus, e sobre o seu poder de curar. Além disso, este homem sabia como se comunicar, através de gestos ou escrevendo. E conseguia andar por aí sozinho. Mesmo assim, nunca fez o esforço de chegar a Jesus por si mesmo. "Eles" o trouxeram.

Quem eram "eles" neste versículo? Só posso especular: podem ter sido os familiares do homem, ou seus amigos, pessoas que se importavam suficiente para levá-lo a Jesus. Creio que esta cena tem tanto a ver com a situação dos nossos jovens hoje. Eles não vão a Jesus por conta própria. É preciso que sejam levados por seus pais, seus amigos, pessoas da família da fé. Como os pais do surdo, nós também precisamos levar nossos filhos e queridos a Cristo. "Como?", você pergunta. Através de oração confiante e diária.

Pense sobre isto. Suponha que foram os pais do homem surdo que o levaram a Jesus. Eles sabiam o quanto seu filho precisava de um encontro pessoal. Afinal, não podiam suplicar ao filho para ouvir. Seria tolice insistir com ele, ou ficar bravo. E seria cruel fazê-lo sentir-se condenado por não conseguir expressar claramente os pensamentos do coração.

No entanto, muitos pais cristãos, incluindo a mim mesmo, conseguem ser muito cruéis com seus próprios filhos exatamente desta forma. Como? Ficamos aborrecidos com eles porque não conseguem nos dizer por que ainda não vieram a Jesus. Não compreendemos por que não puderam colocar em palavras o clamor do seu coração. A verdade é que são espiritualmente gagos.

Não posso nem começar a imaginar como o mundo está afetando esta geração atual. Os jovens hoje têm suportado mais do que qualquer geração anterior. Experimentaram o terror do dia 11 de setembro de 2001. Viram chacinas em escolas. Ouviram de escândalos sexuais na presidência do país. Viram evangelistas conhecidos sendo expostos como pecadores pervertidos. E agora estão acompanhando presidentes e diretores de grandes empresas sendo flagrados por terem trapaceado para satisfazer sua ganância egoísta. Devemos nos admirar porque estão confusos sobre quem Deus é e onde ele está nas suas vidas?

De fato, não importa como nossos filhos chegaram a esta condição. É inútil tentar descobrir por que estão tão surdos à Palavra de Deus, tão incapazes de expressar o clamor do seu coração. Afinal, a Escritura não nos diz como este homem chegou a esta condição. Nenhuma palavra menciona se nasceu assim, ou se aconteceu depois. Isto simplesmente não importa. Da mesma forma, não há propósito algum para os pais cristãos investigarem o que podem ter dito ou feito de maneira errada na criação de seus filhos. Não devemos ficar olhando para o passado, fazendo suposições, levantando culpas.

A verdade é que nenhum pai, parente ou amigo íntimo pode levar uma criança surda a ouvir através de aconselhamento. Você não pode fazer um gago falar claramente, simplesmente por amá-lo. Não vai funcionar. E não há um pastor, conselheiro, ou líder de jovens que pode convencer o jovem a ouvir a verdade. Isto não acontece pelo amor, por condenação, ou aconselhamento. Eles simplesmente são surdos.

Só há uma cura, uma esperança, para nossos filhos e queridos poderem ouvir a verdade. E isto é um encontro pessoal com o próprio Jesus. "E lhe suplicaram que impusesse as mãos sobre ele" (Mc 7.32).

A palavra no grego que foi traduzida "suplicaram", aqui significa implorar, clamar. Estes pais imploraram a Jesus: "Por favor, Senhor, toca o nosso filho. Coloca tua mão sobre ele."


Longe da Multidão

"Jesus, tirando-o da multidão, à parte..." (Mc 7.33). Jesus sabia imediatamente o que este homem surdo queria. Ele ansiava pelo seu próprio toque pessoal, sua própria experiência. Não dava para se contentar com algo que "eles" tinham encontrado. Tinha de ser real para ele. Ele queria que Jesus abrisse seus ouvidos e soltasse sua língua. E tinha de acontecer entre ele e Jesus.

Você pode estar dizendo: "Você não compreende. Eu vi meu filho entregar seu coração a Jesus há alguns anos. Ele ajoelhou-se diante do Senhor e orou. Depois disso, afastou-se, mas já voltou correndo para Jesus arrependido. Ainda é um moço correto, moral e bondoso, mas agora ficou morno. Parece não se importar sobre as coisas de Deus. O que aconteceu? Por que não se entrega completamente? O que o impede de se comprometer por completo?"

A resposta é que ele ainda não teve seu próprio encontro com Jesus. Ele veio baseado na experiência do pai, da mãe, ou do amigo. Entregou sua vida por causa da insistência de outra pessoa. Ou, talvez, ouviu uma mensagem tão forte sobre o inferno que ficou com medo e correu para Jesus.

Há inúmeras razões por que a experiência não durou para seu filho. O que quero dizer é que ele não encontrou Jesus, por si próprio. Pode ser que conheça algo da verdade por observar Cristo na vida dos outros. Mas não experimentou Jesus de forma pessoal. Ainda não foi tirado da multidão, e levado à parte, para receber seu próprio toque individual. A revelação precisa vir quando ele está sozinho com o Senhor.

Se você já serviu a Deus durante muitos anos, quero perguntar-lhe: Não é fato que você pode voltar ao passado e lembrar do dia ou do momento quando teve seu encontro sobrenatural com Jesus? Ele o tocou, e você sabia disso. Não foi uma experiência que recebeu por causa de outra pessoa. Não foi implantado em sua vida porque ouviu alguém pregar sobre isso. Você experimentou Jesus, por si mesmo. É por isto que está confiante no que tem com ele.

Jesus sabia que o homem surdo precisava deste tipo de encontro. Por isto comunicou-se com ele na sua própria linguagem: a linguagem dos sinais. "Pôs-lhe os dedos nos ouvidos e lhe tocou a língua com saliva" (Mc 7.33). Vejo Jesus colocando seus dedos nos próprios ouvidos, apontando e fazendo sinais com a boca. "Vou abrir seus ouvidos." Depois colocou a língua para fora, tocou nela e cuspiu (provavelmente porque o gago não conseguia cuspir). Estava querendo mostrar: "Vou soltar os laços que amarram sua língua. E você será como todos os outros homens".

Você consegue imaginar o que passava pela mente deste homem surdo? Ele deve ter pensado: "Ele está falando a minha linguagem. Ele não está pedindo que eu o compreenda. Ele quer mostrar que me compreende! E levou-me à parte para não me envergonhar. Ele sabe como sou acanhado, e não quer fazer uma demonstração pública.

"Ele não está me questionando, nem me acusando. Sabe exatamente o que tenho passado. Sabe que não o rejeitei. Sabe que quero ouvir sua voz, e falar com ele. Sabe que meu coração deseja louvá-lo. Mas não posso fazer nenhuma dessas coisas, se não receber seu toque sobrenatural. Ele deve saber que é isso que quero."

Nosso Salvador demonstra o mesmo tipo de compaixão aos nossos parentes ou amigos não convertidos. Ele não fará espetáculo público para envergonhar ninguém. Pense de como foi paciente e compassivo para com Saulo de Tarso. Este homem bem conhecido teria um encontro sobrenatural com Jesus. Isto poderia lhe ter acontecido em qualquer momento ou lugar. Jesus poderia tê-lo derrubado enquanto Estêvão estava sendo apedrejado, diante das multidões. Poderia ter feito da conversão de Saulo um exemplo público. Mas não o fez.

Ao invés disso, Jesus esperou que Saulo ficasse praticamente sozinho no deserto, montado no seu cavalo, "à parte da multidão". Foi lá que Jesus chegou a Saulo, tocando-o sobrenaturalmente. E durante anos Saulo, que depois foi chamado Paulo, recontava a história daquele dia. Jesus lhe deu seu próprio toque sobrenatural, abrindo seus olhos cegos.

Você não precisa ir à frente numa igreja para ter um encontro com Jesus. A melhor obra dele é feita em segredo. É por isto que ele nos diz: "Quando você vai orar, vá para seu quarto, longe da multidão. Busque-me em particular, e o recompensarei em público".


Por que Jesus Gemeu?

"Erguendo os olhos ao céu, suspirou" (Mc 7.34). A palavra "suspirar" aqui significa um gemido audível. Aparentemente, Jesus fez uma expressão de dor e um gemido saiu do seu coração. É claro que o homem não ouviu, porque era surdo. Mas por que este gemido?

Já li vários comentários sobre esta cena. Mas nenhum menciona nada a respeito do que o Espírito Santo está falando comigo através deste texto. Estou convencido que Jesus estava olhando para o céu e comunicando-se com o Pai. Estava chorando baixinho na sua alma sobre duas coisas. Primeiro, chorava sobre algo que só ele podia ver neste homem. E segundo, chorava sobre algo que vê ainda hoje, trancado nos corações de tantas pessoas, especialmente jovens.
O que Jesus viu, tanto naquele dia como hoje? O que ele estava ouvindo, tanto no coração do homem surdo, como no coração de tantas multidões hoje? ELE ESTAVA OUVINDO UM CLAMOR SEM VOZ. Era um clamor de coração, abafado, incapaz de ser expresso. Agora o próprio Jesus gemeu com um clamor que não podia ser expresso. Ele estava dando uma voz aos clamores de todos aqueles que não conseguem se fazer ouvir.

Pense das muitas noites em que este homem chorou até pegar no sono, porque ninguém o entendia. Nem mesmo sua mãe ou seu pai podiam compreender quando ele falava. Quantas vezes ele quis explicar o que estava sentindo, mas tudo que saía eram sons doídos, desajeitados.
Ele deve ter pensado: "Se eu só pudesse falar, pelo menos uma vez. Se minha língua fosse solta por um minuto. Se eu pudesse dizer para alguém o que se passa na minha alma, eu gritaria: ‘Não sou um idiota. Não estou debaixo de uma maldição. E não estou correndo de Deus. Só estou confuso. Tenho problemas, mas ninguém consegue me ouvir’."

Entretanto, Jesus ouviu os pensamentos do coração deste homem frustrado. Ele compreende cada gemido interior que não consegue sair para fora. A Bíblia diz que nosso Senhor se comove com os sentimentos das nossas enfermidades. E ele sentiu a dor da surdez deste homem e da sua incapacidade de falar.

Creio que Jesus estava expressando a dor do Pai sobre cada clamor inaudível do coração. Era Deus em carne, gemendo sobre cada clamor de coração que não consegue achar uma voz: "O que está errado comigo? Eu não estou bravo com Deus. E sei que Jesus é real. Eu o amo e quero servi-lo. Mas estou confuso. Por que não consigo falar sobre tudo isso que está abafado no meu coração?"


Passividade Inexplicável

Tenho onze netos, e todos os dias oro por cada um deles. Nestes dias estou orando diligentemente por alguns em especial, levando-os a Jesus através da oração intercessória. São bons garotos, obedientes, e seus pais são amorosos. Todos confessam sua fé em Jesus, e seus corações são sensíveis. Porém, vejo passividade neles.

Recentemente, tenho procurado encontrar tempo para falar com cada um em particular. Falo com eles: "Estou orando por você. Seus pais estão orando por você também. Sabemos o quanto você ama ao Senhor, lá no íntimo do seu coração. Mas por que está tão passivo? Nunca vejo você falar sobre as coisas de Deus. Não sei se você lê sua Bíblia ou se ora. Por favor, fale comigo sobre o que se passa no seu coração. Há algo que o incomoda?"

A princípio, apenas dão com os ombros. Depois me dizem: "Vovô, não sei. Não estou bravo com Deus. Só fico confuso. Acho que não sei explicar."

E aí fico perplexo. Tenho que perguntar para Deus. "O que está acontecendo? Ouço um clamor, um som meio confuso, um anseio. Mas não conseguem colocar em palavras. Parece que querem me dizer algo, mas não conseguem."

Estou convencido que multidões de outros jovens estão na mesma condição. Se pudessem explicar seu clamor, seria mais ou menos assim: "Já vi tanta hipocrisia na igreja. Agora vejo também no mundo dos negócios, na escola, em todo lugar. Tenho problemas sentimentais, problemas com meus amigos. Tudo está acumulando em cima de mim. Mas não consigo falar com ninguém. Meus pais são abertos, mas parece que não consigo tirar para fora."

Não ouvimos este clamor. Nenhum ser humano consegue ouvi-lo. Nem podemos esperar que o compreenderemos. Então o que devemos fazer? Sabemos que conversas íntimas não abrem ouvidos surdos. Creio que só temos uma opção.

Precisamos pedir a Jesus que lhes dê sua própria experiência. Temos de levá-los a Jesus, assim como os pais do homem surdo fizeram, para que recebam dele seu próprio toque pessoal. "... lhe suplicaram que impusesse as mãos sobre ele" (Mc 7.32). Devemos orar: "Senhor, encontre-os sozinhos. Envia o teu Espírito Santo para despertar e conquistar seus corações. Revela-te a eles. Dá-lhes sua própria experiência."

Há pouco tempo, um moço veio para frente durante uma reunião de oração. Ele estava abalado e estava chorando. Contou-me que era de outro estado, e que entrara ali no templo por acaso. Depois saiu, foi para um concerto, mas também não conseguiu ficar naquele evento. Agora estava de volta na igreja, e queria oração. Perguntei: "Seus pais são cristãos?" Ele respondeu: "Sim, estão sempre orando por mim".

Pergunto a você: Foi apenas "por acaso" que este moço entrou naquela reunião? Claro que não. Ele estava tendo seu próprio encontro com Cristo. Ninguém o havia empurrado, nem insistido com ele. Entretanto, indiscutivelmente, foi atraído, foi puxado a Jesus. Como? Minha convicção é que foi por intermédio das orações de seus pais.


Como Orar Por Eles?

"Depois erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá!, que quer dizer: Abre-te! Abriram-se-lhe os ouvidos, e logo se lhe soltou o empecilho da língua, e falava desembaraçadamente" (Mc 7.34-35).

Jesus realizou um milagre em particular, só para este homem. E a primeira voz que o surdo ouviu foi a voz de Cristo. Certamente Jesus falou com ele, para provar-lhe que agora podia ouvir. Oh, como aquele homem deve ter conversado. Deve ter jorrado anos de sentimentos sufocados. Agora podia expressar aquele clamor interior que antes não tinha voz.

Imagino-o caindo nos braços do Senhor, chorando: "Jesus, você ouviu a voz do meu clamor" (veja Salmo 5.2). Considere a pungência e o poder do Salmo 5 para este homem curado: "Escuta, Rei meu e Deus meu, a minha voz que clama, pois a ti é que imploro. De manhã, Senhor, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha oração" (vv. 2,3). O amor que este homem tinha por Jesus agora era sua própria experiência. Ele tivera um encontro com o Senhor.

Amado, quando você orar por parentes ou pessoas queridas, lembre-se que Jesus geme por eles. Naquela ocasião em Marcos, ele não estava gemendo apenas por um homem em Decápolis. Estava chorando pelos clamores abafados no interior dos seus filhos, dos seus parentes não convertidos, e dos meus. Talvez você precise mudar a maneira como ora por eles. Ore para que o Espírito Santo vá atrás deles, conquistando e atraindo-os, despertando e sacudindo-os com um novo desejo por Jesus.

Ore assim: "Senhor, toma meu filho, meu parente, meu amigo. Leva-o para longe da multidão. Faze com que fique isolado, sozinho contigo. E dá-lhe o seu toque pessoal. Faze com que tenha um despertamento particular e pessoal. Que seja uma experiência profunda e sobrenatural contigo."

Quero terminar com uma advertência. E você? Está espiritualmente surdo para a Palavra de Deus? Está impedido de falar, incapaz de falar com intimidade a respeito de Jesus? Então não tem desculpa. Você sabe como chegar a Jesus. E sabe que ele ouve o seu clamor. Ele está esperando que encontre um lugar sozinho com ele. Agora é a hora de chegar-se a ele, para que ele possa chegar-se a você (Tg 4.8).

Em Lucas 18, lemos a respeito de um homem que foi para a igreja orar. Ele ficou lá atrás sozinho, separado da multidão. Estava tão desesperado que a única coisa que conseguiu fazer foi olhar para baixo e bater no peito (veja Lc 18.13). Estava usando linguagem de sinais, para dizer: "Senhor, ouve o clamor do meu coração. Estou cansado do meu vazio. Preciso de um encontro contigo. Quero saber, eu mesmo, quem tu és. Só tu compreendes o que está no meu coração. E só tu sabes o que estou passando. Não consigo orar, porque estou tão amarrado. Preciso do teu toque, Jesus. Tem misericórdia de mim, pecador" (veja Lc 18.13).

Jesus disse a respeito dele: "Digo-vos que este desceu justificado para sua casa ... porque ... o que se humilha será exaltado" (Lc 18.14). Que seja assim para você também.

Este artigo foi publicado em inglês no jornal periódico Times Square Church Pulpit Series, por World Challenge, INC. Todos os direitos autorais e de publicação pertencem a: World Challenge, INC., P.O. Box 260, Lindale, TX 75771, E.U.A.

Artigos em português de David Wilkerson podem ser encontrados na Internet, no site: www.worldchallenge.org, ou direto em www.tscpulpitseries.org

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, n° 6

Daniel Nash — Características do Ministério de Oração - J. Paul Reno

Intensidade

O avivamento mais conhecido neste período do ministério de Finney foi em Rochester, Nova York. Mais de 100.000 pessoas se converteram durante aquelas reuniões em 1830. Nash e Clarey foram juntos, e convocaram outros para batalharem juntos em oração. Os dois eram muito semelhantes em sua forma de oração. Tinham tanto fervor, e tanta agonia de alma, que resultava em cenas muito raras nos dias atuais. Nossas orações calmas alcançam poucos resultados, mas também nos custam tão pouco...

Finney escreveu a respeito deles: "Nunca vi alguém suar sangue, mas conheci uma pessoa que orava, às vezes até sangrar pelo nariz. E conheci pessoas que oravam até molharem a camisa de suor, nas temperaturas mais frias do inverno. Tenho visto pessoas orando por horas, até à exaustão, por causa da agonia das suas mentes. Tais orações prevalecem com Deus. Esta agonia na oração acontecia também nos avivamentos de Jonathan Edwards."

Existem vários relatos da oração exercitada por estes dois homens durante o avivamento de Rochester. Alguns citam Nash, outros Clarey, outros os dois. Pelo que se pode apurar, ficaram juntos em oração e jejum grande parte do tempo, chorando e clamando a Deus. Às vezes ficavam prostrados, sem forças para ficar em pé. Sua preocupação com os pecadores trazia grande pressão às suas mentes e corações. Gemiam sob a carga, arriscavam a saúde, abriam mão de confortos, tudo para que a batalha nas regiões celestiais pudesse ser ganha. Por vezes, contorciam-se e gemiam em agonia por causa das almas perdidas.

Deus honrou a posição deles, e enviou avivamento. Oravam em particular, e Deus respondia publicamente. Praticamente todo o mundo na cidade se converteu. O único teatro da cidade foi transformado em estábulo, o circo em fábrica, e os bares e tavernas eram fechados.

Hoje nos recusamos a lutar com Deus desta forma, e conseqüentemente não devemos nos surpreender diante da falta do poderoso mover do seu Espírito. Não é impressionante que não temos problema com pessoas que se desgastam nos esportes por prazer, que trabalham por dinheiro, que se entregam à política para conseguir poder, ou que se dedicam a programas de caridade, mas achamos que é fanático orar desta forma em favor das almas perdidas? Podemos até morrer pela liberdade da nossa pátria, mas nunca em favor do progresso do Reino de Deus. É algum motivo de espanto testemunharmos tão pouco dos grandes feitos de Deus em nossos dias?

Nash orava até ficar de cama, totalmente debilitado e doente, por causa da pressão espiritual que sentia. O mundo não teria problema com tal dedicação, se não fosse em favor das almas perdidas. Por que a Igreja também a considera como algo tão estranho?

Novamente a respeito das orações de Nash, Finney escreveu: "Muitas vezes ele entrava em agonia, antes do pregador subir no púlpito, com receio de que sua mente estivesse anuviada, ou seu coração frio, ou que ele não tivesse unção – e assim viéssemos a perder a bênção do Senhor. Ele orava até receber convicção interior de que Deus estaria comigo na pregação. Às vezes orava até ficar doente. Vi ocasiões em que ele ficava embaixo de trevas por um tempo, enquanto o povo estava chegando. Sua mente ficava cheia de ansiedade, e saía então para orar, uma vez, duas vezes, ou mais, até que finalmente voltava para a congregação com o rosto em paz, e dizia: ‘O Senhor veio, e estará conosco’. Nunca vi um caso em que ele estivesse errado."


Poucas Palavras

Certa vez perguntaram a Finney que tipo de pessoa era este Nash. "Nunca o vemos", diziam. "Ele não participa das reuniões."

Ao que Finney respondeu: "Como qualquer pessoa que ora muito, o irmão Nash é uma pessoa muito quieta. Mostre-me alguém que fala muito, e lhe mostrarei um cristão que ora muito pouco."

A maior parte da oração, para quem deseja ser usado assim, precisa ser em particular. É preciso buscar, não os olhos ou os ouvidos humanos, mas o ouvido de Deus. É preciso buscar um canto sozinho com Deus.

Mas, embora orasse em particular, muitas vezes Nash orava com tanto fervor que outros o ouviam. Não era intencional, mas acontecia por causa da grande carga que sentia na sua alma. Os inimigos diziam que era impossível ele orar em secreto, pois orava com tal veemência que se podia ouvi-lo a mais de um quilômetro de distância. Embora isto provavelmente não fosse tão comum, um testemunho interessante mostra que realmente podia acontecer. Em uma das campanhas, Nash levantou muito cedo e foi para uma mata orar. Era uma manhã clara, de ar límpido, daquelas em que se pode ouvir sons a uma grande distância. A um quilômetro de distância um homem não convertido parou de repente ao ouvir o som da oração. Percebendo que era a voz de Nash, o Espírito Santo operou na sua vida, e ele sentiu convicção como nunca antes experimentara, e não achou alívio enquanto não acertou sua vida com Deus.


Objetividade

Muitas pessoas usam listas sistemáticas de pessoas e motivos de oração. Ser metódico e perseverante ajuda a ser mais eficaz, e também a registrar as respostas para poder oferecer louvor e agradecimento a Deus.

Nash usava este método. Ele tinha uma lista de pessoas por quem orava diariamente. As respostas a estas orações se tornam mais notáveis ainda quando se descobre que ele não colocava nomes de pessoas que já seriam prováveis candidatos à conversão, mas geralmente pessoas que eram mais obstinadas e resistentes.

Uma das questões mais importantes sobre se elaborar uma lista de oração é conhecer a vontade de Deus sobre quem deve ser colocado na lista. Ir por aparências é andar por vista e não pela fé. Para se ter uma base firme para crer em Deus pela salvação de alguém requer direção sobre quem ele quer na lista.

Finney escreve: "A verdade clara do assunto é que o Espírito leva a pessoa a orar. Se Deus leva alguém a orar, a conclusão pela Bíblia é que Deus tem um propósito de salvar aquele indivíduo. Se descobrirmos, por comparar nosso estado de mente com a Bíblia, que fomos guiados pelo Espírito a orar por alguém, temos boa evidência para crer que Deus está preparado para abençoá-lo."

Finney contou um exemplo de como Deus operou em resposta à oração de Nash. Havia um homem chamado Sr. D. numa das cidades onde Finney estava pregando. Este homem era muito violento, e um perseguidor declarado do evangelho. Ele tinha uma taverna naquela cidade, e seu prazer era de praguejar e usar linguagem suja sempre que houvesse cristãos por perto. Ele fazia todo o possível para ferir e embaraçar os cristãos. A casa dele era um ponto de encontro para as pessoas que se opunham ao evangelho.

O irmão Nash ouviu as pessoas da cidade falando a respeito do Sr. D. como um caso muito difícil, e de como um novo convertido que morava perto dele queria vender sua casa, tamanha era a perseguição que sofria. Nash ficou profundamente entristecido e angustiado em favor do Sr. D., e colocou seu nome na sua lista de oração. Este caso passou a pesar na mente de Nash quando estava acordado, e quando estava dormindo. Pensava continuamente sobre este homem ímpio, e orou vários dias em favor dele. Desta forma, o próprio Espírito guia os cristãos a orar por pessoas ou questões que normalmente não chamariam sua atenção, e assim oram de acordo com a vontade de Deus.

"Poucos dias depois", contou Finney, "estávamos numa reunião à noite, com a casa lotada, e quem entra pela porta, senão o famoso Sr. D.? A presença dele causou considerável agitação na congregação, pois as pessoas temiam que fosse criar confusão ali. O temor e o aborrecimento em relação a ele eram muito grandes por parte de todos. Tanto foi, que depois que ele entrou, alguns já se levantaram e saíram.

"Fiquei observando-o atentamente, e logo percebi que ele não viera para criar tumulto, pois estava em grande angústia de mente. Sentou-se, mas se contorcia no seu lugar, e não conseguia ficar em paz.

"Em pouco tempo, levantou-se e, tremendo, perguntou se podia falar algumas palavras. Dei-lhe permissão, e em seguida, aquele homem fez uma das confissões mais sinceras que já ouvi. Sua confissão incluiu tudo, de como tratava Deus, os outros cristãos, o avivamento, e tudo que tinha boa fama.

"Isto ajudou a ‘lavrar muita terra dura’ nos corações daquele lugar. Era o meio mais forte que Deus poderia ter usado, naquela ocasião, para dar ímpeto à sua obra. O Sr. D. confessou abertamente sua fé no Senhor, abandonou bebida e profanidade, e enquanto permaneci naquele lugar sempre havia reuniões de oração no seu bar."


Concentração no Foco

Oração forte precisa ser oração eficaz. Precisa haver um resultado definido. O efeito deve ser definido e claro para aquele que está orando. Este efeito encherá a mente do intercessor, e será um foco claro de pensamento, preocupação e oração. Orar de forma dispersa em várias direções tem pouco valor. Uma lista é um ponto de partida neste sentido, no entanto, os itens na lista precisam ser focalizados um por um, se quisermos ver resultados.

Tal oração requer um esforço definido para direcionar no alvo certo com verdadeiro envolvimento da alma. Partir de um genuíno peso de oração e alcançar fé sólida geralmente envolve passar pelo caminho de agonia da alma. Temos uma tendência muito grande de desistir por fatalismo, falta de verdadeiro interesse, ou transferência de responsabilidade para os perdidos. Pode ser necessário lutar em oração para alcançar a bênção desejada. Isto está num plano muito superior ao plano físico. Estas lutas na alma e no espírito podem produzir muito mais que exaustão no físico. Porém, a agonia do corpo é apenas o resultado de tal oração, não uma parte integral. Alguns querem imitar esta luta da alma através de manifestações físicas. Isto pode enganar o homem, mas tal hipocrisia não trará resultado algum das cortes celestiais.


Últimos Dias do Guerreiro

Nash acreditava que tinha uma responsabilidade pelo destino das almas. Sentia que Deus entregou grandes ferramentas em nossas mãos, e o uso ou desuso destas ferramentas era assunto sério, pelo qual teríamos de prestar contas a Deus. Seu ministério de oração tinha esta premissa básica.

As últimas palavras que temos registradas de Nash estão numa carta, onde ele diz: "Depois que você esteve aqui, tenho pensado na oração, especialmente em orar pela descida do Espírito Santo. Parece-me que tenho sempre limitado a Deus neste sentido. Nunca senti antes que eu pudesse pedir racionalmente para que o Espírito descesse de forma mais completa; não só sobre indivíduos, mas sobre todo um povo, região, país e no mundo. No sábado, me propus a fazer exatamente isto, e o diabo ficou muito bravo comigo. Estou convencido agora que é meu dever e privilégio, junto com todos os cristãos, orar para que o Espírito venha, como no dia de Pentecoste, e em maior poder ainda. Não sei por que não podemos pedir que o Espírito venha em plenitude, na sua totalidade, e por que se pedirmos em fé, não podemos ver a resposta. Acho que nunca pedi tão livremente que o Espírito viesse sobre toda a humanidade. Meu corpo está em dor, mas estou feliz com Deus. Tenho sentido vontade de orar para que eu pudesse ser tomado pelo Espírito Santo, morrer no processo, e ir para o céu desta forma; mas Deus sabe."
De acordo com Charles Finney, os últimos dias de Nash foram passados em oração. Ele dizia que estava morrendo por falta de forças para orar. O corpo estava esmagado, ele sentia o peso do mundo, mas como podia deixar de orar! Ele tomava o mapa do mundo, e orava, olhando para os diferentes países. Expirou no próprio quarto, orando, no dia 20 de dezembro, de 1831, com 56 anos. Verdadeiramente, era um príncipe que prevaleceu com Deus em oração!

Será que Deus encontrará pessoas na nossa geração para se entregar a ele desta forma?

Estes artigos foram extraídos do livro Daniel Nash: Prevailing Prince of Prayer (Príncipe Que Prevalece em Oração), por J. Paul Reno.

Fonte: Arauto da Sua Vinda, ano 20, n° 6

Daniel Nash — Prevalecendo Com Deus em Oração - J. Paul Reno

Rejeição e Quebrantamento – Preparando o Vaso

Poucos já ouviram falar deste nome. Daniel Nash viveu de 1775 a 1831, no estado de Nova York, nos E.U.A. Pastoreou uma pequena igreja no interior daquele estado por apenas seis anos. Depois viajou com um evangelista itinerante, para sustentá-lo em oração, por mais sete anos, até sua morte prematura. Até onde se sabe, ele nunca ministrou fora da região agrícola de Nova York, numa época em que a maior parte do estado ainda era pouco habitada.

Seu túmulo fica num cemitério abandonado, numa estradinha de terra, ao lado de um galpão usado para leilões de animais. A igreja que pastoreou não existe mais – só há uma pequena coluna histórica para marcar o local, no meio de um milharal. Não há livros sobre sua vida, não é possível encontrar fotos ou diários. Suas mensagens foram esquecidas. Se há descendentes, não foi possível localizá-los. Ele não escreveu nenhum livro, não fundou escolas, não iniciou um movimento e, em geral, se manteve no anonimato.

Porém, este homem viu avivamento duas vezes na igreja que pastoreava, e depois teve uma participação importante em um dos maiores avivamentos nos Estados Unidos. De certa forma, fez nos Estados Unidos o papel que John Hyde desempenhou na Índia. Deixou sua marca quase que exclusivamente por causa do seu ministério de oração.

Não há muitos registros sobre seu período de ministério pastoral. Sabe-se que foi em 1816, com 40 anos, que ele assumiu uma Igreja Presbiteriana-Congregacional, na vila de Lowville. No primeiro ano de ministério, houve um avivamento, com a conversão de pelo menos 70 pessoas. Poucos anos depois, um grupo saiu da igreja e formou outra congregação perto dali. Apesar disso, Nash conseguiu estabelecer um relacionamento pacífico com este grupo, e cooperar com eles durante o restante do seu ministério.

A igreja estava prosperando espiritualmente, tinha trabalho missionário na região, e uma Escola Bíblica aos domingos. Por motivos que talvez não foram completamente registrados, em 1822 o conselho da igreja votou para dispensar Nash, e escolher outro pastor "mais jovem".
Durante os dois anos seguintes, ele continuou pregando e ministrando ali, e houve um segundo avivamento naquela igreja. Numa vila onde havia apenas 308 casas, e uma população em torno de 2.000 pessoas, mais de 200 pessoas se converteram. Mesmo assim, não chamaram Nash de volta!

Aparentemente, esta rejeição por parte daqueles que ele tinha amado, e a quem havia ministrado, aos poucos foi arrasando sua vida, esmagando e quebrando seu coração. Ele certamente ainda não conseguia ver o que Deus estava querendo fazer através de tudo isso. Não sabia que Deus estava quebrando e preparando seu coração para um outro trabalho, que envolveria o abandono do ministério público em favor do aposento escondido de oração.
Em 1824, ele teve seu primeiro contato com o famoso evangelista, Charles Finney, pois fazia parte de um presbitério onde Finney seria examinado para receber sua licença de pregador. Finney, porém, não teve uma primeira impressão muito boa de Nash. Segundo ele, Nash parecia muito frio e, até mesmo, indiferente a Deus.

Logo depois desta reunião, Nash foi acometido de uma grave inflamação nas vistas. Durante várias semanas, foi obrigado a permanecer num quarto escuro, sem poder ler ou escrever. Durante este tempo, ele se entregou quase que exclusivamente à oração. Não sabemos muito sobre o que se passou naquele quarto escuro, somente que, nas suas próprias palavras, "houve uma revisão geral e radical de toda sua experiência cristã". Quando saiu dali, ainda usando vendas nos olhos, havia um novo ardor pelas almas, e uma liberação de tudo que o prendia.
Mas ele não se dedicou a um ministério de evangelismo pessoal, nem de pregações evangelísticas. Pelo contrário, iniciou um dos mais profundos ministérios de oração de que se tem notícia. Este pregador rejeitado e quebrantado se dedicou a um trabalho que influenciaria muitos outros intercessores, até os nossos dias.


Uma Equipe Evangelística

Charles Finney começou seus trabalhos evangelísticos em Evans Mills, Nova York, no ano de 1824. E foi ali que Daniel Nash também iniciou seu ministério de oração. Quando Nash chegou lá, Finney reconheceu nele algo diferente, e afirmou "que estava cheio do poder de oração". Os dois foram unidos pelo Espírito numa parceria que só terminaria sete anos depois, com a morte de Nash.

Os alvos desta equipe evangelística foram definidos de forma simples numa carta, escrita por Nash: "Quando Finney e eu iniciamos nossa carreira, não tínhamos idéia alguma de ir no meio de igrejas e pastores. Nossa mais alta ambição era ir onde não havia nem pastor, nem igreja, e procurar as ovelhas perdidas, aquelas pelas quais ninguém se importava. Começamos e o Senhor prosperava... Não entrávamos em território de ninguém, a menos que fôssemos convidados... Já tínhamos suficiente espaço e serviço para trabalhar."

A necessidade de oração para preparar o caminho para a evangelização era o princípio fundamental da equipe. Este conceito era tão forte que Finney geralmente mandava Nash umas três ou quatro semanas na frente, para preparar o lugar e o povo para as reuniões, através da oração.

Quando Deus dava uma direção quanto ao local onde deviam trabalhar, Nash ia sem alarde algum para lá, e procurava duas ou três pessoas para se unir com ele em uma aliança de oração. Às vezes levava consigo um outro homem, que tinha o mesmo tipo de chamamento, chamado Abel Clarey. Aí começavam a orar fervorosamente para que Deus agisse na comunidade.
Uma senhora conta a seguinte história: "Alguns dias antes de Finney chegar para pregar na cidade de Bolton, apareceram dois homens na minha humilde residência, procurando hospedagem. Fiquei atônita, pois não tinha espaço nenhum na minha casa. Finalmente, por vinte e cinco centavos por semana, os dois (Nash e Clarey) alugaram um porão escuro e úmido durante todo o tempo da campanha (umas duas semanas). Lá naquela cela voluntária, os dois parceiros de oração lutaram contra as forças das trevas."

O próprio Finney relata: "Certa vez eu estava numa cidade para começar umas reuniões, e encontrei uma senhora que dirigia uma pensão. Ela me disse: ‘Irmão Finney, você conhece um tal de Nash? Ele e mais dois homens estão na minha pensão há três dias, mas não comeram nada até agora. Abri e porta e dei uma espiada, pois os ouvi gemendo, e vi que estavam prostrados. Já faz três dias que estão lá, prostrados no chão, gemendo. Acho que algo terrível deve ter acontecido com eles. Fiquei com medo de entrar, e não sei o que fazer. Você poderia por favor ir vê-los?’ ‘Não será necessário’, respondi. ‘Eles só estão sentindo dores de parto em oração!’ "
Nash não só preparava a comunidade com antecedência, mas continuava lutando no Espírito durante a campanha. Geralmente não participava das reuniões, mas enquanto Finney pregava, Nash geralmente estava em alguma casa vizinha, prostrado no seu rosto, em agonia de oração. Com todo devido reconhecimento a Finney pela vida que tinha diante de Deus, e pela unção nas pregações, não há como negar a participação fundamental destes homens que o sustentavam em oração. As lágrimas que derramaram, os gemidos que saíam do coração, estão todos escritos nos livros de Deus.

É aqui que encontramos uma das chaves do ministério de Charles Finney. Calcula-se que 80% daqueles que foram convertidos nas suas campanhas permaneceram firmes com Deus. Mesmo D. L. Moody, com toda sua unção na pregação, possivelmente tinha apenas 50% de permanência. Talvez a explicação seja o fato de que não tinha semelhante sustento para o seu ministério em oração.

Finney nunca dependia da sua teologia, das mensagens, do seu estilo de pregação, da sua lógica, ou dos seus métodos para obter resultados na conversão das pessoas. Ele contava com forte oração, e a obra resultante do Espírito Santo para tomar conta da audiência, e trazer profunda convicção.

Oswald Smith explica a importância da oração no ministério de Finney. "Ele sempre pregava na expectativa de ver o Espírito Santo derramado. Até que isto acontecesse, pouco ou nada era realizado. Mas no momento em que o Espírito caía sobre o povo, Finney não precisava fazer mais nada, a não ser mostrar o caminho até o Cordeiro de Deus. Foi assim que viveu e trabalhou durante anos num ambiente de avivamento..."

Recentemente, um evangelista de renome, com uma obra bem financiada e organizada, comentou que ficaria plenamente satisfeito se 20% dos seus convertidos tivessem uma experiência genuína. Nesta época de números, com muitas decisões, mas poucas conversões, com muitos programas mas pouca oração, com muita organização e pouca agonia em dar à luz, poderíamos aprender valiosas lições destes homens de Deus do passado.


Uma Impressionante Resposta à Oração

Quando surgiam obstáculos ou oposição durante as campanhas, Charles Finney sempre procurava o irmão Nash, para pedir ajuda em oração. Certa vez, em Gouverneur, havia alguns jovens que se colocaram como muralha para impedir o progresso da obra.

"Nesta situação", escreveu Finney, "Nash e eu conversamos, e decidimos que não haveria vitória senão através da oração, e que não conseguiríamos nada de outra forma. Retiramo-nos, portanto, para uma pequena mata, e nos dedicamos à oração. Perseveramos até que tivemos confirmação da vitória, e a certeza que havíamos prevalecido. Sentimos confiança de que poder algum na terra ou no inferno poderia interferir, nem teria permissão de interromper o avivamento."
Há momentos em que a confiança alcançada na oração requer ação, e este era um desses momentos. O irmão Nash por natureza era muito quieto, e era sua prática não ficar em evidência, nem quase aparecer em público. Porém, a confiança na oração pode mudar isto, quando Deus assim o ordena.

Novamente, nas palavras do próprio Finney: "O salão de reuniões estava lotado. Perto do final da reunião, o irmão Nash se levantou e falou diretamente ao grupo de jovens que havia se unido para resistir ao avivamento. Aparentemente, estavam todos presentes, e estavam armados contra o Espírito de Deus. O ambiente estava muito solene para que pudessem ridicularizar o que tinham ouvido e visto; entretanto, seu semblante descarado e insolente estava visível a todos.

"O irmão Nash se dirigiu a eles com muita intensidade, e mostrou a culpa e o perigo do caminho que estavam tomando. No final do seu discurso, ele ficou extremamente acalorado, e lhes disse: ‘Agora, tomem nota, meus jovens! Deus há de romper suas fileiras em menos de uma semana, ou por meio da conversão de alguns, ou por mandar alguns para o inferno. Ele fará isto, tão certamente como o Senhor é o meu Deus!’

"Ele estava em pé, e ao falar assim, abaixou seu braço com tanta força sobre o banco que estava próximo, que deslocou-o do seu lugar. Logo em seguida, sentou-se, abaixou sua cabeça, e gemeu como se estivesse em dor.

"A casa inteira ficou em silêncio mortal, e a maioria do povo ficou cabisbaixo também. Pude notar que os jovens estavam agitados. Quanto a mim, lamentei que o irmão Nash tivesse ido tão longe. Ele se comprometera no sentido de que Deus, ou tiraria a vida de alguns enviando-os para o inferno, ou os converteria, dentro de uma semana.

"Porém, na terça-feira depois daquele domingo, o líder do grupo veio falar comigo em grande angústia de mente. Ele estava pronto para se submeter, e assim que comecei a falar, quebrantou-se como criança, confessou seus pecados e claramente se entregou a Cristo.

"Depois ele me perguntou: ‘O que devo fazer agora , Sr. Finney?’

"Respondi: ‘Vá imediatamente a todos os seus companheiros, ore com eles, e exorte-os a se voltarem ao Senhor.’

"E assim ele fez. Antes da semana terminar, todos, ou quase todos daquele grupo de jovens, haviam colocado sua esperança em Cristo."

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, n° 6

Suplicamo-te – Desce, Senhor! - Roger Ellsworth

Este é o sétimo e último artigo numa série de mensagens sobre Isaías 63 e 64.

Artigos anteriores de Roger Ellsworth:
1 - Desce, Senhor! Estamos com Saudades! - Roger Ellsworth
2 - Desce, Senhor! Precisamos de Ti! - Roger Ellsworth
3 - Desce, Senhor! Esperamos Por Ti! - Roger Ellsworth4 - Desce, Senhor! Queremos Encontrar a Ti! - Roger Ellsworth
5 - Desce, Senhor! Ofendemos a Ti! - Roger Ellsworth
6 - Desce, Senhor! Pertencemos a Ti! - Roger Ellsworth
7 - Suplicamo-te – Desce, Senhor! - Roger Ellsworth

"Não te enfureças tanto, ó Senhor, nem perpetuamente te lembres da nossa iniqüidade; olha, pois, nós te pedimos: todos nós somos o teu povo" (Isaías 64.8-12).

Parece que muitos cristãos simplesmente desistiram de orar. Oram para manter as aparências, mas lá no fundo o consideram uma atividade inútil. Suspeitam de que Deus seja tão relutante e mesquinho que não lhes concederá seus pedidos; ou pior ainda, que nem mesmo ouve suas orações.

Mas a Bíblia insiste que o problema não está do lado de Deus. Sempre mostra um Deus que é ansioso e desejoso por abençoar. O salmista diz: "Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade. Ele acode à vontade dos que o temem; atende-lhes o clamor e os salva"(Sl 145.18,19).

Se o problema não está do lado de Deus, então deve ter algo de errado com nossas orações. Você notou a condição que o salmista atrelou à frase: "Perto está o Senhor..."? Ele está perto de "todos os que o invocam em verdade". Ah, aí está o problema! Enviamos petições casuais e mornas, e depois ficamos chateados quando Deus não intervém em nosso favor.

Se quisermos que o Senhor ouça e responda às orações, precisamos reconhecer que, apesar da sua disposição favorável de atender a seu povo, ele não considera tudo que chamamos de oração como oração. Em outras palavras, precisamos aprender a orar.

Isaías nos dá um bom modelo do que é oração. Nestas três palavrinhas, ele sintetiza a essência da oração: "Nós te pedimos". No original, o verbo é suplicar, implorar, clamar. Vamos examinar de modo mais profundo estas palavras, e procurar captar o que realmente estão transmitindo.

Em primeiro lugar, mostram claramente que há uma...

1. Intensidade de Desejo
A palavra "suplicar" é uma palavra forte. É muito mais forte do que "pedir" ou "solicitar". Estas são palavras brandas. "Suplicar" é fervorosa, carregada de paixão. Significa implorar, rogar, clamar, insistir. Carrega o sentido de alguém com graxa nas mãos e suor na fronte. Não há como entender uma moderação calma dentro da palavra "suplicar".

Isaías já havia mostrado algo sobre a natureza da oração. Chamou-a de "despertar-se" a fim de "deter" a Deus (Is 64.7). Oração é mais do que pedir polidamente que Deus nos "abençoe"; é deter a Deus. O que é deter a Deus? É implorar diante dele, usando suas promessas, e recusando-se a desistir enquanto não vier a resposta. Temos mais a falar sobre isto adiante, mas por enquanto observe que não se pode deter a Deus, se não tiver um intenso anseio por ele.
Examine toda a Bíblia, e verá que as pessoas que realmente alcançavam algo com Deus eram aquelas que experimentavam um profundo anseio por ele. Dê uma olhada nas histórias de Ana (1 Sm 1.9-18), Neemias (Ne 1.4-11), e a grande figura de Moisés (Êx 33.12-23).

Veja como o salmista descreveu seu anseio por Deus: "Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo..." (Sl 42.1,2). Depois lemos também: "A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo" (Sl 84.2).

Será que não achamos já a causa das orações não respondidas? Quantos conhecem realmente esta intensidade de desejo? Estamos falando sobre o assunto de avivamento. Era para isto que Isaías orava. Mas por que é tão raro ver um genuíno despertamento espiritual no meio do povo de Deus? Não seria porque a maioria de nós, apesar do que dizemos, realmente não deseja uma poderosa visitação de Deus? Não é porque sentimos que um genuíno avivamento interferiria com nosso modo de vida, e nos deixaria extremamente desconfortáveis?

Há muito tempo, temos presumido que o povo de Deus deseja avivamento, e que é só uma questão de descobrir como recebê-lo. Não é hora de enfrentar o fato de que esta presunção está errada? Parece-me que devemos checar nossos verdadeiros desejos. Queremos que Deus faça algo muito grande, mas não o desejamos com intensidade suficiente para buscá-lo com sinceridade, nem queremos correr o risco de transtornar nossas vidas.

De onde vem o desejo intenso por avivamento? Só pode vir quando olhamos em nossa volta e vemos as grandes necessidades. Foi isto que gerou o profundo desejo dentro de Isaías. Ele olhou para sua nação, viu suas ações pecaminosas, e as conseqüências que viriam, e seu coração foi comovido.

Às vezes pergunto a mim mesmo até onde as coisas terão de piorar na nossa sociedade, antes que o povo de Deus fique realmente alarmado. As pessoas continuam a fazer abortos normalmente; a pornografia se espalha por todos os meios; lares se desfazem mais do que nunca; o cristianismo é abertamente desprezado e ridicularizado. Quanto mais teremos de ver, antes de ficarmos realmente preocupados?

Quando viramos nosso foco sobre aqueles que professam ser cristãos, nosso senso de vergonha e alarme deve aumentar. Nós mesmos somos muito mais moldados e influenciados pelos conceitos e estilo de vida da nossa sociedade do que pela Palavra de Deus.

Devemos lembrar as palavras de Jesus às igrejas: "Conheço as tuas obras", e reconhecer que se abusarmos da sua graça, ele nos visitará com juízo. Nunca sentiremos a tristeza de Deus pela nossa sociedade enquanto secretamente estivermos desfrutando do estilo de vida contaminado que ela promove!

Mas existe também um segundo elemento na verdadeira oração que devemos examinar:


2. Humildade de coração

"Nós te suplicamos", disse Isaías. Quem está na posição de suplicar é uma pessoa que não consegue socorrer a si mesma. É uma pessoa impotente. Depende totalmente da ajuda de outra pessoa, do contrário não estaria suplicando. Em outras palavras, a humildade é parte integral e essencial de toda e qualquer súplica.

A humildade permeia todos os fundamentos da oração de Isaías. O próprio fato de que Deus está no céu e precisa olhar lá da sua santa habitação (Is 63.15) nos revela que Isaías está consciente da grandeza de Deus, e da indignidade do homem. Ao confessar a imundícia dos seus pecados (64.5-7), ele também estava colocando a si e a seu povo no pó diante de Deus.

Você pode se firmar nesta verdade: oração genuína é oração com humildade. A Bíblia diz: Ele "não se esquece do clamor dos aflitos" (Sl 9.12). E também: "O Senhor é excelso, contudo, atenta para os humildes" (Sl 138.6).

E guarde esta verdade também: o avivamento só chega para os humildes. O versículo mais famoso sobre avivamento começa: "Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar..." (2 Cr 7.14).

Uma das características que mais causa preocupação hoje é como se consegue revestir a arrogância com espiritualidade. Parece até que a arrogância tornou-se uma marca de quem tem intimidade com Deus. Alguns gostam de falar sobre o que "o Senhor está fazendo na minha vida", e de alguma forma "minha vida" recebe mais destaque do que a parte do "Senhor".

É comum também ouvir as pessoas orarem: "Obrigado, Senhor, pelo que me mostraste no meu tempo devocional". Não é suficiente agradecer a Deus pela sua Palavra? Temos de fazer propaganda de nós mesmos e das nossas disciplinas espirituais? Se nosso tempo devocional nada mais for do que uma etiqueta da nossa suposta espiritualidade, não somos em nada melhores do que os fariseus do tempo de Jesus! Como precisamos prestar atenção às palavras de Andrew Murray: "A principal marca de falsa santidade é sua falta de humildade".

A única solução para o orgulho é concentrar mais na santidade e majestade de Deus. Foi quando Isaías viu o Senhor no "alto e sublime trono" que ele clamou: "Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!" (Is 6.1,5).

E agora chegamos ao terceiro elemento da verdadeira oração:


3. Tenacidade de Propósito
Isto é muito ligado à intensidade de desejo. Se realmente ansiarmos pela resposta de Deus à oração, se estivermos de fato suplicando a Deus, não desistiremos facilmente. Verdadeira oração é oração persistente.

Jesus enfatizou em mais de uma ocasião a necessidade da persistência na oração. Lucas registrou uma parábola que Jesus ensinou "sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer" (Lc 18.1). Era sobre uma mulher que não largava do pé de um juiz. Ela tinha um problema legal, e queria que o juiz o solucionasse. Mas o juiz era conhecido como um homem que não ligava para as pessoas, nem para suas necessidades. Contudo, a mulher não se abateu por causa disto. Ela foi ao juiz e clamou diante dele: "Julga a minha causa contra o meu adversário". O juiz não lhe atendeu.
Mas a mulher não parou ali. Continuou a perturbar o juiz. Podemos imaginá-la todos os dias, aparecendo no seu escritório, andando atrás dele pelas ruas quando voltava para casa, e ficando de plantão do lado de fora da sua casa. Todas as vezes que ele olhava, dava de cara com a mulher. Finalmente, a fim de se livrar dela, o juiz concedeu-lhe seu pedido (Lc 18.1-8).

Deus não é injusto como aquele juiz. Ele se preocupa com as necessidades do seu povo. Mas se um juiz como aquele podia ser persuadido pela persistência, quanto mais motivo temos de esperar que Deus recompense nossa persistência na oração!

Alguns ainda perguntam por que é necessário que sejamos persistentes na oração. Afinal, se Deus sabe que precisamos de alguma coisa, por que ele simplesmente não nos concede? A resposta é que precisamos ser persistentes, não por causa de Deus, mas por nossa própria causa. Benefícios facilmente recebidos não são devidamente valorizados. O que foi alcançado por empenho e dificuldade será guardado diligentemente, enquanto o que chegou sem sacrifício normalmente é desperdiçado com irresponsabilidade.

Em outras palavras, quando somos persistentes na oração, estamos mostrando o quanto valorizamos as bênçãos de Deus, e desta forma, ele será mais propenso a conceder-nos outras. Isaías havia determinado que ele e seu povo precisavam de Deus com tal desespero que não descansaria enquanto Deus não os visitasse (Is 62.1,6,7). Quando decidimos que não podemos viver sem Deus, seremos tão persistentes na oração quanto o foi Isaías.

Diante de tudo isto, não é hora de pararmos de culpar a Deus pela falta de respostas às orações, e olharmos para nós mesmos? Quantas vezes temos orado de coração morno, com interesses próprios, sem perseverança? Não é hora de pararmos de cambalear por aí sem o poder de Deus, e começarmos a orar com intensidade, humildade e tenacidade?

Que Deus nos ajude a começar hoje!

Fonte: Arauto Sua vinda, ano 20, n° 5

Como Tornar Eficaz Sua Chamada de Oração - Wesley L. Duewel

Quando Deus confia em suas mãos uma carga especial de oração, você deve aceitá-la com alegria e ser fiel nesta responsabilidade. É uma comissão especial do Senhor.

1. Dê a esta carga de oração prioridade acima de tudo o mais na sua vida. Se for possível, coloque de lado o que estiver fazendo, e entregue-se totalmente à oração em favor desta necessidade. Geralmente o tempo é um fator essencial; não demore para atender à chamada. Se não puder se dedicar imediatamente a isto, continue a orar em todo momento livre, até conseguir abandonar os outros afazeres, e se entregar à oração.

2. Prepare-se para ficar durante horas em oração. Isto nem sempre é necessário, mas seja tão diligente em oração que continuará intercedendo o quanto for necessário para receber a certeza da resposta de Deus.

Na década de 1930, um querido amigo meu que era barbeiro em Oklahoma, E.U.A., tinha muito zelo em testemunhar para o Senhor. Certa tarde, sentiu fortemente impressionado a orar pela salvação do xerife em exercício da cidade. Em seguida, fechou sua barbearia no meio da tarde, fechou as venezianas para que ninguém pudesse ver lá dentro, e foi para uma sala reservada para orar.

Durante o restante da tarde, passando pela hora de jantar, e entrando pela noite, George Sherrick orou. Quando eram umas duas horas da manhã, alguém bateu forte na porta. Ninguém sabia que George estava lá dentro naquela hora da noite. Quando foi para a porta, lá estava o xerife por quem estivera orando, sentindo forte convicção dos pecados pelo Espírito Santo. Naquela noite George Sherrick pôde conduzir aquele homem ao Senhor.

3. Ore até que Deus afaste o sentimento de urgência, ou até que receba certeza de que Deus lhe ouviu. Por volta do ano de 1949, um grupo de missionários aposentados da China, com mais alguns amigos fiéis na oração, se reuniram para orar como de costume em Adelaide, na Austrália. Uma grande carga e urgência de oração caiu sobre todos, especificamente em favor de Hayden Melsap, que estava trabalhando para o Senhor na China. Decidiram abandonar todas as introduções preliminares da reunião e ir direto para a oração. Continuaram orando até que todos sentiram paz e alívio.

Alguns anos depois, quando Hayden Melsap estava de volta por um tempo na Austrália, os missionários lhe perguntaram se recordava de algum acontecimento incomum naquela época quando oraram por ele. Para sua admiração, descobriram que naquele dia e naquela hora, Hayden e mais dois missionários foram colocados contra a parede num pátio na China, onde foram ameaçados por comunistas apontando armas em sua direção. Exatamente quando um oficial estava para dar a ordem de atirar, o portão do pátio foi aberto e um oficial superior entrou. Chocado com o que viu, gritou: "Pare!". Em seguida, chegou e colocou seu braço no ombro de Melsap e o conduziu junto com os outros à liberdade. Eu ouvi pessoalmente este testemunho do próprio Hayden Melsap, e tenho o relato por escrito também.

4. Deus pode orientá-lo a convocar outros para orar junto com você. Muitos milagres já foram realizados pelo Espírito Santo em resposta a uma corrente de oração, ou às orações de um grupo especialmente convocado. Muitas igrejas locais têm organizado correntes S.O.S. de oração. Quando chega um pedido emergencial de oração, cinco ou seis pessoas são contatadas imediatamente. Cada um, por sua vez, chama a próxima pessoa na sua lista. Em questão de minutos, muitas pessoas estão em oração.

Durante a revolta Mau Mau no Quênia em 1960, os missionários Matt e Lora Higgens estavam voltando a Nairóbi uma noite, passando no meio do território do povo Mau Mau, onde muitas pessoas, tanto quenianos como missionários, já haviam sido assassinadas e desmembradas. A uns 28 quilômetros de Nairóbi, o carro em que estavam parou. Higgens tentou consertar o carro no escuro, mas não conseguiu dar partida. Passaram a noite no carro, repetindo e crendo no Salmo 4.8: "Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro". Quando amanheceu, puderam consertar o carro.

Algumas semanas depois, os Higgens voltaram para os Estados Unidos de férias. Contaram como um membro dos Mau Mau confessou que ele e mais três haviam se aproximado do carro para matar os missionários. Porém, ao ver dezesseis homens cercando o carro, fugiram atemorizados. Matt não entendeu quem eram estes homens.

Durante este período de férias, um amigo perguntou aos Higgens se haviam passado recentemente por algum perigo. E depois relatou como no dia 23 de março, Deus lhe dera uma grande urgência de orar. Ele chamou os homens da igreja, e dezesseis atenderam seu convite. Oraram até sentir certeza da vitória. Foi então que Higgens entendeu de onde apareceram os dezesseis homens que atemorizaram os assassinos Mau Mau naquela noite.
No céu, descobriremos muitos relatos incríveis de como Deus usou chamadas especiais de oração para avançar sua causa e proteger seu povo.

Estes artigos foram extraídos do livro Touch the World Through Prayer (Toque o Mundo Através da Oração), por Wesley Duewel.

Fonte: Arauto da Sua Vinda, ano 20, n° 5

Como Reconhecer Uma Chamada de Oração - Wesley L. Duewel

Deus poderá impressionar fortemente sua mente com alguém. Isto pode acontecer no seu período de oração ou em algum outro momento durante o dia. Se já se ofereceu a Deus e se disponibilizou, e uma determinada pessoa surge repetidamente na sua mente, é provável que seja um alerta para orar por ela. Isto pode acontecer apenas ocasionalmente, mas quanto mais perto andar com Deus e se afinar com a voz dele, mais freqüentemente Deus o usará desta maneira.

Você pode ter um pressentimento especial ou sentir apreensão de perigo ou necessidade. Vá imediatamente ao Senhor. Se for possível, pare um pouco com o que está fazendo. Enquanto orar, Deus poderá trazer à sua memória uma pessoa ou situação. Se isto não acontecer, simplesmente ore pela ajuda e misericórdia de Deus, seja qual for a necessidade.

No dia 12 de dezembro de 1939, enquanto orava pelo resultado da Segunda Guerra Mundial, senti incomodado particularmente por uma determinada situação. O Graf Spee, um navio mercantil alemão que fora convertido num navio de combate disfarçado, estava afundando muitos navios mercantis com grandes prejuízos em vidas humanas. Naquela noite senti uma especial autoridade de Deus para pedir a sua intervenção. No dia seguinte, o noticiário do rádio anunciou que o Graf Spee estava cercado no porto de Montevidéu, no Uruguai. Depois de alguns dias, o navio foi afastado do porto e afundado. Não houve mortes, a não ser do capitão, que preferiu descer com o navio. Provavelmente Deus tenha colocado esta mesma carga de oração sobre outras pessoas ao mesmo tempo que impressionou o meu coração. Mas tive a alegria de saber que Deus havia me dado um alerta de oração, e que depois a respondeu especificamente.
Deus pode lhe dar um senso de urgência para uma necessidade já bem conhecida. Pode ser que já tenha orado muitas vezes para uma determinada necessidade, mas agora está impressionado que Deus precisa responder sem mais nenhuma demora. Pode ser em favor de uma cura física, a salvação de alguém, a restauração de unidade entre pessoas divididas, ou a chegada de avivamento para algum lugar. Deus pode lhe dar um sentimento geral da necessidade de orar por vários dias, e depois em algum momento orientá-lo a separar um tempo especial para oração mais urgente e prolongada.

Deus pode progressivamente aprofundar uma determinada carga de oração até transformá-la na sua tarefa permanente. Deus precisa de vigias/intercessores permanentes para igrejas, missões, cidades, nações, e ministérios. "Sobre os teus muros, ó Jerusalém, pus guardas, que todo o dia e toda a noite jamais se calarão; vós os que fareis lembrado o Senhor, não descanseis, nem deis a ele descanso até que restabeleça Jerusalém e a ponha por objeto de louvor na terra" (Is 62.6,7).
Deus está afirmando que tem designado vigias de oração. Sem dúvida, o próprio Isaías era um destes, pois ele diz no versículo 1 do mesmo capítulo: "Por amor de Sião me não calarei e por amor de Jerusalém não me aquietarei; até que saia a sua justiça como um resplendor, a sua
salvação como uma tocha acesa". Você também pode ser um dos vigias de oração.

Todo obreiro cristão de tempo integral precisa de uma equipe de oração para estar ao seu lado, cobrindo-o e fortalecendo-o com intercessão. Todo ministério cristão precisa de uma equipe que carregue o peso junto, como guerreiros de oração. A eficácia de qualquer ministério dependerá da dedicação da equipe e do poder de oração que se mobilizar na sua retaguarda. Deus abençoará qualquer pessoa ou ministério à medida que se levantar em seu favor apoio sólido e deliberado de oração, e que os parceiros de oração forem meticulosamente informados e orientados para orar com união e objetividade. Feliz é a pessoa ou ministério que pode contar, não só com alguns voluntários para orar quando puderem, mas com vigias/intercessores que carregam uma preocupação constante no coração, como missão permanente.

Este foi o segredo do ministério de Charles Finney, que resultou em centenas de milhares de conversões ao Senhor, e cujas reuniões em 1858-1859 foram consideradas diretamente responsáveis por um dos maiores avivamentos da história. O próprio Finney era um poderoso homem de oração, e além dele havia outros que oravam em favor do seu ministério. Nas suas famosas palestras sobre avivamento, de um total de 22, quatro tratavam do papel da oração.
Quando Finney viajava de um lugar para outro, ele era acompanhado por dois homens idosos conhecidos como Tio Clary e Tio Nash. Quando ele foi para Inglaterra para ficar por várias semanas de reuniões especiais, estes dois homens de modestos recursos também viajaram para lá, alugaram um porão escuro e úmido por vinte e cinco centavos por semana, e permaneceram lá de joelhos, batalhando em oração. Suas lágrimas e gemidos em oração prevaleceram. Foram os vigias/intercessores de Finney.

Quando Evan Roberts foi tão poderosamente usado por Deus no grande avivamento do País de Gales em 1904-1905, havia um pequeno grupo de jovens que assumiram o papel de vigias/intercessores. Uma das minhas possessões mais prezadas é um postal de Evan a um dos jovens nesta equipe.

Fonte: Arauto Sua Vinda, ano 20, n°5

Como Fazer Parte da Rede S.O.S. de Oração - Wesley L. Duewel

Deus tem uma rede de oração, constituída de pessoas que aprenderam a ouvir as chamadas emergenciais de Deus, conforme ilustrado no artigo anterior. Ele precisa de voluntários – você está disponível?
A seguir alguns requisitos importantes:

1. Tenha certeza que está cheio do Espírito. Esta segurança é fundamental em tudo na vida espiritual. Embora qualquer cristão possa ser guiado e usado pelo Espírito Santo, é muito mais fácil ouvir sua voz quando ele está em controle completo da sua vida. Todo cristão que nasceu de novo é habitado pelo Espírito Santo (Rm 8.9), mas nem todo cristão vive uma vida cheia do Espírito, controlada pelo Espírito.
Você não pode viver esta vida, sem entrar nela. O cristão precisa fazer uma "entrega total" (o termo que Andrew Murray gostava de usar) – uma total consagração de si mesmo e de tudo que possui a Deus (Rm 12.1,2). Precisa pedir a plenitude do Espírito (Lc 11.13), confiando nele para purificar, capacitar, e encher (At 15.8,9). Qualquer cristão hoje pode receber o mesmo enchimento do Espírito que os apóstolos tiveram, se fizer a mesma entrega (At 2.38-29). Não é uma questão de ter manifestações especiais do Espírito; é uma questão de entregar sua vontade.
Sempre que notar que está lutando muito para aceitar a vontade de Deus, que é facilmente derrotado por anseios e ambições carnais, que se encontra amarrado por uma voluntariedade forte e teimosa, e que reage na carne com familiares e outras pessoas – você sabe que não está vivendo uma vida do Espírito. Ou nunca foi realmente cheio do Espírito, ou por causa de desobediência e infidelidade à consagração, hoje você não está vivendo na plenitude que já experimentou. Normalmente, depois de ser cheio do Espírito pela primeira vez, ele virá vez após vez, e o encherá novamente conforme houver necessidade.

2. Desenvolva uma vida de oração. Quanto mais experimentar a vida de oração, mais Deus o poderá usar em momentos de necessidade especial. Deus precisa constantemente de verdadeiros guerreiros de oração. Aprende-se a orar, orando. Conhecimento teórico sobre oração é muito lindo, mas só se ganha confiança e força em oração quando se ora. Coloque em prática os princípios da oração, e o Espírito lhe dará mais e mais liberdade e ousadia em intercessão, além de trazer também novas oportunidades.

3. Desenvolva um relacionamento de conversar com o Senhor. Diga sempre a ele o quanto o ama e adora. Intercale seu dia com louvor. Divida sua alegria com ele. Na quietude da sua alma, agradeça-lhe por cada bênção do dia – pela luz do sol, pela beleza da criação, por sorrisos, amigos, cânticos, ajuda divina no seu trabalho. Peça a Deus para abençoar as pessoas que observa, ou que encontra durante o dia. Enquanto trabalha, anda, ou viaja, cochiche ao Senhor no seu coração, sem que mais ninguém saiba qualquer coisa sobre suas freqüentes comunicações com seu maravilhoso Senhor. Viva na sua presença.

4. Desenvolva um ouvido atento. É seu privilégio como filho de Deus ser guiado pelo Espírito Santo (Rm 8.14). Você desenvolveu o hábito de prestar atenção a Deus? Ninguém chega a dominar esta habilidade, mas Deus pode nos ajudar a desenvolvê-la mais. Que Deus faça destas sugestões a seguir uma bênção na sua vida:

a. Renove sua entrega ao Senhor cada dia, e viva na plenitude do Espírito.

b. Peça que Deus lhe ensine a dar ouvidos a ele. Oração não é verdadeira comunhão, se é só você quem fala.

c. No começo de cada dia, peça que Deus lhe fale na hora que ele quiser, durante todo o dia. Peça que ele o ajude a reconhecer sua voz.

d. Leia sua Bíblia, esperando que Deus lhe fale, e abençoe sua Palavra ao seu coração. Leia para encontrar sugestões de como melhor agradá-lo, e de como cumprir sua vontade mais plenamente.

e. Peça que Deus o guie até nas mínimas coisas. Tudo que é importante para você é importante para ele. Peça que Deus o ajude a ser uma bênção a outros que encontrar durante o dia, àqueles com quem falar no telefone, ou para quem escrever. Peça que lhe mostre pequenas coisas que você pode fazer por ele e por outros. Peça que o guie nas suas compras, suas atitudes, seus contatos, seu trabalho, e também na sua vida de oração.

f. Descanse e confie nele para guiá-lo continuamente (Is 58.11). Não fique temeroso, com medo de perder a vontade de Deus. Você é filho dele; descanse na sua fidelidade. Não se precipite nas conclusões. Não espere ouvir uma voz audível ou ver um sinal no céu. A direção de Deus é uma parte tão normal dos seus tratamentos, que muitas vezes quando está agindo, você nem o percebe.

g. Observe como Deus coordena a providência divina em seu favor. Não fique ansioso se ele permite demoras ou impedimentos nos seus planos. O caminho dele é melhor. Ele quer que todas as coisas cooperem para o seu bem e a glória dele. Ele sempre sabe o que é melhor e mais alto. Não lute contra a providência de Deus; apenas descanse no seu cuidado e amor por você. Deus pode abrir um caminho onde antes não havia nenhum, mas você nunca terá de arrombar a porta.

5. Peça que Deus o mantenha alerta cada dia. Todo o dia, de manhã, peça especificamente que Deus traga à sua atenção qualquer pessoa ou situação pela qual deve orar. Faça listas de oração, pois Deus pode impressioná-lo a acrescentar outros com necessidades especiais. As listas servirão também como registros de oração respondida! Seja sensível, cada dia, a qualquer nova tarefa de oração que Deus queira lhe mostrar. Durante o dia, ore imediatamente por qualquer pessoa ou situação que Deus trouxer à sua mente.

6. Aceite responsabilidade por cada carga especial de oração que Deus lhe der. Prometa ao Senhor que cada dia procurará ser fiel em qualquer carga de oração que ele lhe der. Trate-a como uma comissão especial do Senhor.

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, n° 5

Chamadas Emergenciais do Coração - Wesley L. Duewel

Deus recebe e transmite constantemente chamadas emergenciais. Alguns eventos, que não poderiam ser previstos, requerem intervenção imediata de Deus. Outras situações vão produzindo progressivamente um contexto de crise. Embora Deus nunca se surpreenda, pois sabe de todas as coisas de antemão, eu e você as interpretamos como necessidades emergenciais.
Cristo está entronizado à destra de Deus hoje, governando o mundo através da sua intercessão e da intercessão de seus parceiros de oração na terra. Quando tais necessidades críticas surgem, Deus pode preparar o caminho da solução com antecedência, chamando seus filhos para orar. Outras vezes, envia uma chamada de emergência na hora exata da necessidade.


Os Filhos de Deus Constituem Sua Rede Emergencial de Oração

Esta rede emergencial de oração está constantemente aberta para nós. Ao mesmo tempo, depende de nós. Geralmente Deus alerta alguém que já conhece determinada pessoa para orar em seu favor, assim fortalecendo tanto a fé daquele que orou como daquele que recebeu oração.
Vou dar um exemplo. Durante meu tempo de faculdade, eu estava aconselhando e orando com um outro estudante a respeito de uma situação urgente que era conhecida só por nós dois. Uma opressiva nuvem espiritual pesava sobre meu amigo. Durante vários dias, passei todo momento disponível em oração e aconselhamento, mas por algum motivo, era uma batalha que não parecia estar alcançando vitória.

Durante este tempo, recebi um postal de um evangelista que me conhecia bem. Ele escreveu: "Caro irmão Wesley, enquanto orava por você, de repente o vi de joelhos em oração. Pude ver Jesus à sua frente com seus braços estendidos em sua direção, mas aparentemente você não o via. Pensei comigo, quantas vezes Deus está tão próximo a nós, ansioso para responder nossa oração, mas não o percebemos." Deus o alertara para orar justamente quando eu estava precisando.

Às vezes não sabemos por que sentimos uma carga; apenas vem sobre nós um constrangimento especial de oração do Senhor, uma chamada e uma responsabilidade de orar num determinado momento.

Em agosto de 1962, concluí um período de ministério na Austrália com quatro dias de reuniões numa Igreja Batista em Perth. Deus começou a me incomodar para passar o sábado inteiro em oração e jejum. Logo cedo, encontrei um lugar retirado e comecei meu tempo sozinho com Deus. À medida que o tempo passava, entrei numa tremenda batalha de oração com as forças das trevas. Eu não entendia por que, mas o Espírito Santo me levou a uma verdadeira militância de oração contra Satanás, e para o culto daquela noite senti direção para falar sobre "O poder de Satanás e o poder de Deus".

A caminho para o culto, de repente perdi minha voz. Durante o dia, eu havia orado em silêncio, portanto não era por motivo de a ter forçado demais, e tampouco eu estava resfriado. Quando me levantei para falar, eu mexia com os lábios, mas não consegui emitir um som sequer. A congregação suspirou. Agarrando com as mãos os dois lados do púlpito, esforcei-me ao máximo. Depois de um pouco, minha voz começou a voltar, mas tive a sensação de estar empurrando cada palavra com força por cima do púlpito, e que depois uma por uma elas caíam no chão. Não houve liberdade nem bênção, e no final do culto as pessoas saíram caladas para voltar para casa.
Uma mulher, estranha para mim, não saiu para ir embora. Contou-me que tinha apenas seis meses de conversão. Por ter praticado magia negra, porém, ela sentia que os demônios não a deixavam em paz. Reuniam-se visivelmente em volta da sua cama à noite e escarneciam dela. Com santa indignação orei com ela e clamei pela vitória. Ela ficou completamente liberta da opressão de Satanás.

No culto do dia seguinte, tudo estava diferente. Parecia que os céus estavam escancarados para nós. As necessidades espirituais de muitos foram supridas, e alguns receberam chamado para o campo missionário. No final, um homem endemoninhado, tremendo da cabeça aos pés, foi liberto enquanto o pastor e os diáconos oraram por ele junto comigo. Descobri depois que era o marido da mulher que fora liberta na noite anterior. Sem o meu conhecimento, durante seis meses os diáconos tinham se aliançado para orar por aquele homem. O Espírito Santo convocou um alerta de oração no momento de crise. Satanás tentou interferir, mas Jesus ganhou a vitória. A ele seja toda a glória!

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, n° 5