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quarta-feira, 25 de junho de 2008

Excelência em tudo

"O que as suas mãos tiverem que fazer, que o façam com toda a sua força, pois na sepultura, para onde você vai, não há atividade ou planejamento, não há conhecimento nem sabedoria."
Eclesiastes 9.10

Gilson,
As obrigações diárias por si só já consomem muito do nosso tempo e energia. Mas o Senhor ainda nos chama a fazer mais e melhor. Deixar uma marca de excelência por onde quer que passemos e seja o que for que façamos também faz parte do testemunho cristão.
Nesse momento, os irmãos de Mianmar necessitam de nossas orações e dinheiro para sobreviverem. Após a passagem do ciclone Nargis, não há onde dormir, não há o que comer e há o risco de epidemias (leia mais).A Portas Abertas está lançando uma campanha emergencial para socorrer os birmaneses e também as vítimas do terremoto na China (veja aqui como participar).
Na Indonésia, o líder cristão Bedali Hulu está sofrendo ameaças de morte por ter se dedicado ao evangelismo e trazido tantas pessoas para uma vida de amor em Cristo. Interceda por ele e por todos aqueles que estão sendo perseguidos por seu empenho na obra de Deus (leia mais).
Da Jordânia, a viúva Siham Qandah, que passou dez anos em uma batalha judicial para reaver a guarda dos filhos (leia mais), porque o tio muçulmano não queria que eles crescessem como cristãos, nos lembra: "Deus nunca nos deixa nem nos abandona." Foi um longo tempo de provação que, pela graça de Deus, terminou em vitória!
Gilson, mesmo que os homens não reconheçam, dê o que você tem de melhor todos os dias. Servimos a um Deus justo que leva em conta o nosso esforço e a intenção que está em nosso coração. Tudo deve ser para a honra e glória dele.
Lembre-se de fazer mais e melhor!
Tsuli Narimatsu
Jornalista
Obs: Em Brasília, no próximo dia 25, às 14h, haverá uma manifestação em frente ao Congresso Nacional contra a aprovação do PLC 122/06, que censura a pregação da Palavra de Deus. Participe! Para saber mais, clique aqui.
24 de junho de 2008
www.portasabertas.org.br
Fone: (0--11) 5181 3330
Fax: (0--11) 5181 7525

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Projeto Global 12 - 3

Desde da formação, no ano 2000, o propósito do Projeto Global 12 tem sido apoiar a implantação de igrejas nas áreas negligenciadas e menos alcançadas. O Projeto 153, novo programa missionário do Projeto Global 12 no Brasil, aumenta o foco neste propósito. Durante uma pesquisa das informações do Census mais novo do Brasil (IBGE; Ministério de Apoio com Informação), descobrimos que há centenas de municípios no Brasil com apenas 3% de cristãos, dentre os quais 153 municípios possuem uma população acima de 10.000 habitantes. Estes 153 municípios representam os maiores municípios, porém com um número desfavorável de cristãos. O alvo do Projeto 153 é plantar uma nova igreja em cada cidade nos próximos cinco anos, o que vai transformar a cidade. Muitas dessas cidades são tão afastadas que só plantar uma igreja e esquecer do pastor não vai dar um impacto suficiente para transformar a comunidade. Deve ser um investimento grande, incluindo eventos para sacudir as cidades, desenvolvimento econômico, com treinamento, condução e encorajamento dos novos pastores. De acordo com a provisão de Deus, levantaremos recursos financeiros a fim de realizar esse grande desafio.


Recebemos uma palavra profética do Senhor por meio da Bíblia para o Projeto 153. No livro de João 21:11, Pedro e os discípulos pescaram 153 grandes peixes em apenas uma só pesca. Isso só se deu porque eles obedeceram as instruções do Cristo ressurreto. Essa passagem nos foi revelada por Deus após terminarmos com a nossa pesquisa sobre os dados do IBGE, e consideramos esse fato como sendo a vontade de Deus para o nosso ministério. João 21:11 também cita, “Embora houvesse tantos peixes, a rede não se rompeu.” Precisamos de uma rede forte, resistente para segurar “tantos peixes” (cidades). Na verdade, necessitamos de uma rede de relacionamentos interministeriais, para que alcancemos as cidades. Queremos convidá-lo a participar dessa missão que é: plantar igrejas nas áreas negligenciadas no Brasil. Há muitas maneiras de você participar: oração, apoio financeiro, treinamento, organizar equipes missionárias, e enviar alguns dos seus melhores obreiros para a colheita. Se o Senhor tocou no seu coração para participar dessa missão, por favor entre em contato conosco. Se é seu desejo enviar um obreiro de tempo integral para alcançar e resgatar uma dessas cidades, por favor entre em contato conosco pelo email ou por telefone. Daremos uma resposta o mais breve possível. Que Deus o abençoe!

Telefone: (021) 2490-2551

Email: dalton@luzasnacoes.org

Fonte: Bethany.com.br

Projeto Global 12 - 2

O Projeto Global 12 da Bethany World Prayer Center é maravilhoso.

Eles pagam um salário de até R$ 300,00 por um ano para um missionário que implantar uma igreja em uma cidade do Brasil considerada de pouca evangelização ou que o número de evangélicos na cidade seja pequeno e longe dos grandes centros.

O Ministério Batista do Caminho de Santa Bárbara d'Oeste, São Paulo, mantém estreita relação com o Ministério Bethany. Em 2007, 7 (sete) Igrejas no sertão nordestino foram abertas com o auxílio desse ministério abençoado. Hoje, essas igrejas estão caminhando com "as próprias pernas" seguindo os passos de Jesus. Para 2008 estão previstas 14 igrejas abertas com esse processo. É uma benção.

Para saber como se dá o processo, entre no site do Global 12 e se informe. Para saber mais detalhes da implantação de igrejas ndo Ministério Batista do Caminho, converse com o Carlinhos 01934734373 ou 01934570376 ou por e-mail carlinhosmdevidas@yahoo.com.br.

Projeto Global 12 - 1



Projeto Global 12



O Projeto Global 12 faz parte da Bethany World Prayer Center (Louisiana, EUA), uma igreja em células com visão missionária e que é referência mundial.


O Pr. Larry Stockstill é o líder da Bethany. Desde o início da igreja, fundada por seu pai, Roy Stockstill, a ênfase é investir em missões. A meta da Bethany é de doar 25% da sua renda anual para a implantação de igrejas em todo o mundo.


A Bethany pôs em prática uma estratégia para atingir grupos não-alcançados (mais de 15.000 povos) para Cristo, dividindo o mundo em 12 zonas, posicionando 12 homens com unção apostólica sobre cada região. Essa estratégia com a fundação de igrejas é chamada de Projeto Global 12.


Aqui no Brasil, o líder apostólico da Bethany é o Pr. Philip Murdoch. Brasileiro, casado com Renee e pai de 4 filhos, coordena a base nacional do Projeto Global 12 , na cidade do Rio de Janeiro. Nos últimos 12 meses, o Projeto Global 12 já plantou mais do que 60 igrejas em todo o Brasil, do Sul do país à Bacia Amazônica. Temos a meta de chegarmos a mais de 200 novas igrejas, só este ano. O Projeto é interdenominacional e dá apoio e recursos materiais e financeiros para a abertura de novas igrejas, pelo período de 1 ano.


O portal Bethany.com.br tem como objetivo divulgar o Projeto Global 12, equipando as igrejas e pastores com seu material para células, liderança e também promover conferências de missões por todo o Brasil, assim como treinamento de pastores e missionários para a implantação das igrejas, nacionalmente e por todo o mundo.


Fonte: Bethany.com.br (com alterações)

Campanha emergencial: China e Mianmar - Participe!


Catástrofes naturais atingiram a Ásia no mês de maio.
Em Mianmar um ciclone varreu povoados inteiros.
Na China, um terremoto derrubou a maior parte das construções nas regiões afetadas e deixou um saldo de mais de 80 mil mortos ou desaparecidos.
De uma hora para outra, milhares de pessoas perderam tudo o que levaram anos construindo.

A ONU pede mais ajuda para as vítimas de Mianmar (leia mais, aqui). Os sobreviventes dos dois países ainda correm risco de vida. Falta alimentação, médicos e remédios para o controle de epidemias.

Gilson, sua doação pode ajudar simultaneamente dois projetos emergenciais da Portas Abertas nas regiões atingidas. Basta clicar aqui e programar o envio do recurso.

PS: Clique aqui e acesse a página especial da campanha emergencial para Mianmar e China.
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19 de junho de 2008
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quinta-feira, 12 de junho de 2008

Desce, Senhor! Pertencemos a Ti! - Roger Ellsworth


Artigos de Roger Ellsworth:
1 - Desce, Senhor! Estamos com Saudades! - Roger Ellsworth
2 - Desce, Senhor! Precisamos de Ti! - Roger Ellsworth
3 - Desce, Senhor! Esperamos Por Ti! - Roger Ellsworth4 - Desce, Senhor! Queremos Encontrar a Ti! - Roger Ellsworth
5 - Desce, Senhor! Ofendemos a Ti! - Roger Ellsworth
6 - Desce, Senhor! Pertencemos a Ti! - Roger Ellsworth
7 - Suplicamo-te – Desce, Senhor! - Roger Ellsworth

Este é o sexto artigo numa série de mensagens sobre Isaías 63 e 64.

"Mas agora, ó Senhor, tu és nosso Pai, nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos.

Não te enfureças tanto, ó Senhor, nem perpetuamente te lembres da nossa iniqüidade;

olha, pois, nós te pedimos: todos nós somos o teu povo.

As tuas santas cidades tornaram-se em deserto, Sião, em ermo; Jerusalém está assolada.

O nosso templo santo e glorioso, em que nossos pais te louvavam, foi queimado;

todas as nossas coisas preciosas se tornaram em ruínas. (Isaías 64.8-12).

Temos acompanhado o profeta Isaías nas suas súplicas para que Deus descesse em poder para renovar e revitalizar seu povo. Os diversos argumentos que usou até aqui já foram fortes, mas agora está para deixar de lado toda prudência e timidez e fazer seu apelo final. Coloca diante de Deus o fato de ter uma aliança firmada com seu povo. Em síntese, está dizendo que Deus terá de descer e renovar este povo porque lhe pertence.

"Todos nós, obra das tuas mãos", clama Isaías no versículo 8. Um pouco depois acrescenta: "Todos nós somos o teu povo" (v. 9). Ele até mesmo afirma que as cidades de Judá são cidades de Deus (v. 10).

Ao seguir esta linha de argumentação, Isaías estava andando nos passos de um outro grande homem de Deus, Moisés. Mais de uma vez, Moisés suplicou a Deus para não destruir o povo de Israel por causa da aliança que havia entre eles e Deus. Moisés argumentava que se Deus destruísse o povo, seus inimigos o poderiam ridicularizar, dizendo que não era capaz de introduzir a Israel na terra prometida. Mas Deus prometera levar o povo para lá, e era esta promessa que Moisés colocava diante dele.

Com efeito, Moisés estava dizendo a Deus: "Se o Senhor destruir este povo, sairá perdendo mais do que eles, pois tua honra está em jogo aqui. O Senhor precisa cumprir o que prometeu" (ver Êx 32.9-14; Nm 14.11-20).

Há então uma ousadia nesta oração de Isaías, em que ele lembra a Deus que tem compromisso com seu povo, e que sua honra está em jogo. Isto é orar de verdade, e o fato de não ouvirmos orações semelhantes hoje é apenas um sintoma da nossa miserável condição espiritual. Se quisermos começar a orar desta maneira ousada e arriscada, precisamos compreender as implicações de pertencer a Deus.

Se verdadeiramente pertencemos a Deus, primeiro devemos confessar que...

1. Deus Tem Sido Bom Para Nós

Quanto tempo faz que não saboreia esta verdade – o privilégio de ser um filho de Deus? Considere a Deus por um instante. Isaías constantemente se refere a ele como "Senhor" nesta oração (Is 63.16-17; 64.8-9, 12). E o que significa ser "Senhor"? É ser absolutamente soberano. Este é o Deus que Isaías conhecia. Ele era o soberano absoluto acima de tudo, e que governa tudo.

A maneira como Isaías começou esta oração nos revela muito sobre Deus. Isaías diz: "Atenta do céu..." (Is 63.15). Deus é tão exaltado, que precisa olhar lá do alto. Ele está tão infinita e incomparavelmente além de nós. Depois Isaías acrescenta: "... e olha da tua santa e gloriosa habitação..." Aí está a grandeza de Deus! Sua habitação é santa e gloriosa. Santidade e glória o cercam em todo tempo.

Um pouco mais adiante na oração, Isaías diz que Deus é tão grande que está além da nossa capacidade de compreender ou descrever: "Porque desde a antigüidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera" (Is 64.4).

Nunca compreenderemos plenamente o que significa pertencer a Deus se não começarmos neste ponto. Comece com a majestade e glória de Deus, e saberá avaliar a admiração de Isaías quando disse: "Mas tu és nosso Pai..." (Is 63.16; 64.8). Como isto é impressionante! Este é o Deus incomparável, incompreensível, que governa soberanamente sobre todas as coisas, e no entanto nós o chamamos de Pai! Como isso pode ser? Só tem uma resposta: este Deus se abaixou em graça para nós, e abriu o caminho para o conhecermos. Se pertencemos a Deus, não existe nenhum crédito para nós. Não havia nada em nós para nos recomendar a Deus. Deus teve de se abaixar para nos alcançar.

Você percebe a profundidade que é pertencer a este Deus? Como supremo soberano deste universo, ele pode simplesmente nos exterminar com um sopro ou uma palavra. Mas preferiu fazer daqueles que confiam nele seus próprios filhos. Que privilégio é pertencer a Deus! Como tem sido bom àqueles que o conhecem!

Mas pertencer a Deus também implica que...

2. Devemos Honrar a Deus

Depois de tudo que ele fez por nós, esta seria nossa reação natural. Mas receio que não tenhamos tratado a Deus melhor do que o povo no tempo de Isaías. Ao contemplar seu povo, Isaías é obrigado a confessar que não estão vivendo de acordo com seus privilégios. Na realidade, a oração toda representa uma denúncia ardorosa e veemente contra este povo.

Estavam tratando a Deus de forma tão infiel, que Isaías disse várias coisas a seu respeito. Primeiro, que nem seriam reconhecidos pelos pais ou patriarcas (Is 63.16). Disse também que se Jacó pudesse vê-los, nem os reconheceria como seus descendentes. Haviam se desviado tão completamente das suas origens que não seriam identificados como herdeiros legítimos daqueles que os geraram.

Além disso, Isaías disse que seu povo não impressionava nem intimidava seus inimigos (Is 63.18). Tinham sido completamente pisados por eles. Não havia mais nada neles, como povo de Deus, que inspirasse o menor estremecimento no coração dos adversários.

E finalmente, Isaías concluiu que não eram diferentes em nada dos outros povos (Is 63.19). O povo de Deus se assemelhava àqueles sobre quem Deus nunca reinara. Eram exatamente como os outros pagãos ao seu redor. Não havia nada de diferente ou especial sobre estes que eram conhecidos como povo de Deus.

Se quisermos saber se estamos valorizando nossos privilégios e vivendo como povo de Deus, podemos usar as descrições de Isaías como critério para nos avaliar. Estamos vivendo de tal modo que os fiéis do passado nos identificariam imediatamente como seus descendentes espirituais? Ou nos afastamos das nossas origens? Aqueles que se opõem ao cristianismo estão conscientes de algo diferente em nós? Sentem alguma espécie de admiração ou temor quando nos contemplam, ou simplesmente dão risadas de desprezo? Há algo que nos coloca numa classe separada em relação às multidões que não crêem ao nosso redor, ou conseguimos nos misturar bem com o paganismo dos nossos dias?

Parece-me que é só uma questão de levantar estas perguntas, e já teremos uma resposta. Realmente não estamos tratando a Deus nem um pouco melhor do que o povo de Isaías.

E por causa disso, precisamos urgentemente ouvir a terceira conseqüência de pertencermos a Deus. É que...

3. Deus Pode Fazer Conosco Como Bem Entender

Não gostamos muito de ouvir sobre isto, mas é uma dedução natural do fato de pertencer a Deus. Se somos dele, e não o temos tratado como deveríamos, podemos esperar que ele faça conosco como fez com o povo de Isaías: castigar-nos!

Castigo nunca é algo agradável, mas é sempre proveitoso. O povo de Isaías havia pecado contra Deus de formas incalculáveis. Desprezaram sua própria herança e desavergonhadamente foram atrás de outros deuses. Entregaram-se a toda espécie de imoralidade e promiscuidade. Então o que Deus fez? Ficou andando de um lado para outro no céu, angustiado sobre o que devia fazer, torcendo suas mãos em desespero?

Nem pense nisto! Deus nunca se encontra "perdido" sobre como deve tratar o pecado na vida de seu povo. Com paciência tolerou seu pecado por muitos anos, e enviou homens como Isaías para avisá-los e chamá-los ao arrependimento. Mas quando teimosamente persistiram na sua rebeldia, trouxe os babilônios que os levaram ao cativeiro. Lá ficaram por setenta anos refletindo sobre sua tolice, e só naquela época foi que aprenderam a fazer esta oração que Isaías sabia que um dia usariam. Deus finalmente ouviu sua oração e os restaurou à sua terra.

Você faz alguma objeção a Deus tratar seu povo desta maneira? Tenha cuidado, amigo, sobre o que diz. Lembre-se que ele é Deus, e o papel do homem não é falar. Lembre-se que ele é Deus, e "quem és tu, que a Deus replicas?"(Rm 9.20). Lembre-se que como povo de Deus, pertenciam a ele, e que por esta razão ele tinha direito de tratá-los como bem entendesse. Lembre-se também que Deus não mudou em nada, e que ainda trará castigo sobre seu povo hoje se persistirem em desobediência.

Mas devo deixar este assunto agora. Pois há mais uma implicação de se pertencer a Deus, que é...

4. Deus Jamais Nos Repudiará

Castigo nunca é a última palavra de Deus. Ninguém o expressa melhor que o salmista: "Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira. Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã" (Sl 30.5).

A melhor parte de pertencer a Deus é que, não importa o quanto nos afastamos, sempre podemos, como o filho pródigo na parábola de Jesus, voltar para casa. Isaías sabia disso, e assim terminou sua oração com estas palavras: "Conter-te-ias tu ainda, ó Senhor, sobre estas calamidades? Ficarias calado e nos afligirias sobremaneira?" (Is 64.12). Nestas perguntas está a fé implícita de que Deus não pode deixar seu povo permanecer na miséria e dor do castigo, mas que espera ansiosamente para restaurá-lo.

Deixemos que o próprio Deus nos explique por que não devemos pensar que possa nos repudiar: "Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos te gravei; os teus muros estão continuamente perante mim" (Is 49.15,16).

Fortalecidos com estas palavras, por que teríamos de nos conformar em continuar na nossa esterilidade e morte espiritual? Por que não lembramos a Deus das suas promessas e aguardamos ansiosamente por suas bênçãos? Por que não unimos nossa voz à de Isaías, dizendo:

"Desce, Senhor! Pertencemos a ti!"

O Arauto da Sua Vinda -  Ano 20 nº 3 - Maio/Junho 2002

O Amor Vence - Richard Wurmbrand

Uma grande lição permaneceu após todas as surras, torturas e carnificina infligidas pelos comunistas aos cristãos: o espírito é capaz de dominar o corpo. Muitas vezes, ao sermos torturados, sentíamos a dor, mas era como se fosse algo distante e bem dissociado do nosso espírito que estava tomado com a glória de Cristo e a sua presença conosco.

Quando recebíamos uma fatia de pão por semana, e uma tigela de sopa de "água suja" por dia, decidimos que continuaríamos dando fielmente o "dízimo" mesmo nestas circunstâncias. De dez em dez semanas pegávamos a fatia de pão e a entregávamos a alguém que estava mais fraco como nossa oferta ao Mestre.

Um cristão recebeu a sentença de morte. Antes de ser executado, permitiram que visse sua esposa. Suas últimas palavras a ela foram: "Você precisa saber que morro amando aqueles que me matarão. Eles não sabem o que fazem, e meu último pedido é que você os ame também. Não sinta amargura no seu coração porque mataram o seu amado. Encontraremo-nos no céu."
Estas palavras impressionaram o oficial da polícia secreta que estava acompanhando a conversa entre os dois de tal forma que se converteu. Em conseqüência, foi colocado na prisão junto comigo, onde contou-me esta história.

Na prisão de Tirgu-Ocna, havia um prisioneiro muito jovem chamado Matchevici. Estivera ali desde a idade de dezoito anos. Por causa das torturas, estava agora muito doente com tuberculose. Sua família descobriu de alguma forma o seu estado de saúde, e enviou-lhe cem vidros de estreptomicina, que poderiam lhe fazer a diferença entre a vida e a morte.
O oficial político da cadeia chamou o prisioneiro e mostrou a encomenda. Disse-lhe: "Aqui está o remédio que pode salvar sua vida. Mas não é permitido receber encomendas da família. Pessoalmente, gostaria de ajudá-lo. Você é jovem. Não gostaria que morresse na prisão. Ajude-me a ajudá-lo! Dê-me informações contra seus companheiros na prisão, e isto me dará justificativa diante dos meus superiores por lhe ter entregue a encomenda."

Matchevici respondeu sem hesitar: "Não desejo permanecer vivo e ter vergonha de olhar no espelho, pois estaria vendo um traidor. Não posso aceitar tal condição. Prefiro morrer."
O oficial lhe estendeu a mão e disse: "Minhas congratulações. Não esperava que me desse qualquer outra resposta. Mas eu gostaria de fazer outra proposta. Alguns dos prisioneiros se tornaram informantes. Afirmam que são comunistas, e estão denunciando a você. Jogam dos dois lados. Não confiamos neles. Gostaríamos de saber até que ponto são sinceros. Para você foram traidores. Prejudicaram muito sua vida, informando-nos sobre suas palavras e ações. Compreendo que não queira trair seus companheiros. Mas dê-nos informações sobre estes que se lhe opõem, e assim salvará sua vida!"

Matchevici respondeu com a mesma rapidez que tivera na primeira proposta. "Sou um discípulo de Jesus, e ele nos ensinou a amar até nossos inimigos. Estes homens que nos traem realmente nos prejudicam muito, mas não posso pagar o mal com mal. Não posso dar informação nem contra eles. Tenho pena deles, oro por eles, mas não desejo ter qualquer ligação com os comunistas."

Matchevici voltou desta conversa com o oficial e morreu na mesma cela onde eu estava. Estive ao seu lado quando morreu, e morreu louvando a Deus. O amor venceu até mesmo a sede natural pela vida.

Se um homem pobre é um apaixonado por música, dará seu último centavo para assistir a um concerto. Ficará sem dinheiro, mas não sentirá frustração, pois encheu sua alma de sons maravilhosos.

Não me sinto frustrado por ter perdido muitos anos na prisão. Vi muitas coisas belíssimas. Já estive entre pessoas fracas e insignificantes na prisão, mas também tive o privilégio de estar na mesma cela com grandes santos, heróis da fé que se equipararam aos cristãos do primeiro século. Enfrentaram a morte por Cristo com alegria. A beleza espiritual de tais santos e heróis da fé nunca se poderá descrever.

As coisas que estou dizendo aqui não são excepcionais. As coisas sobrenaturais tornaram-se comuns aos cristãos na igreja subterrânea. A igreja subterrânea é a igreja que voltou ao primeiro amor.

Antes de ser preso, eu amava muito a Cristo. Agora, depois de ter visto a "Noiva de Cristo" – seu Corpo espiritual – na prisão, posso dizer que amo a igreja subterrânea tanto quanto amo ao próprio Cristo. Vi sua beleza e seu espírito de sacrifício.

Extraído de Torturado por Cristo, de Richard Wurmbrand. Para maiores informações sobre a igreja perseguida, visite o site: www.vozmartir.org

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, número 3

Está Preso no Refluxo do Mar? - Morris Chalfant



"Salvai-vos desta geração perversa" (At 2.40).

Outros artigos do Jornal O Arauto da Sua Vinda aqui no Missões e Adoração.
Outros artigos de Morris Chalfant aqui no Missões e Adoração: O perigo de uma Igreja sem lágrimas! 
Quando Pedro clamou no seu sermão do dia de Pentecostes: "Salvai-vos desta geração perversa", estava dando uma palavra de advertência e exortação para todas as gerações.

Nós, que estamos vivendo neste século XXI, enfrentamos por todos os lados o mesmo perigo do refluxo da vida que existia no tempo de Pedro. Este mundo incorrigível possui uma forte correnteza por baixo do mar que está ameaçando destruir a própria civilização. Este refluxo corre tão silenciosamente que se torna difícil até para identificá-lo. Opera dentro e através de muitos meios que na superfície aparentam ser inofensivos.

Os oceanos, os lagos, e até alguns rios possuem este fenômeno de refluxo da correnteza submarina, que causa o afogamento de muitas pessoas. Quando se descobre que há este refluxo em algum lugar, coloca-se placas avisando do perigo para que ninguém se aventure naquelas águas. Temos aprendido a temer os refluxos e as ressacas, e a fugir deles.

As pessoas se esquecem que o mundo também possui um refluxo, ainda mais traiçoeiro do que este que existe nos oceanos, lagos e rios. A maioria não aprendeu a temer o refluxo do mundo. Possivelmente, isto seja pela falta de placas de perigo ou de advertência.

Pedro suplicou ao povo para salvar, não só suas almas, mas suas vidas e influências. Assim que alguém é tomado pelo refluxo do mundo, sua utilidade para Deus começa a cair drasticamente. O refluxo opera de forma tão gradual e tranqüila que muitos se afogam antes de perceber o que está acontecendo.

Do continente da África, uma história ilustra, de maneira muito singular, esta verdade. Descendo pelas águas pacíficas do belo e azulado rio Zambeze, dois africanos cansados remavam sua canoa estreita, suando profusamente sob o sol escaldante. Escondido sob aquelas águas frescas e convidativas estava o terror do rio, que atemorizava homem e animal – o traiçoeiro crocodilo!
Enquanto calmamente remavam rio abaixo, de repente houve um baque pesado, a canoa balançou, e das negras profundezas surgiu um selvagem crocodilo. Seus movimentos eram velozes, sua mira tão certeira! Agarrando o remador de trás, aprofundou seus dentes cruéis na sua coxa e rasgou sua carne. Deu tal solavanco à canoa que os dois remadores perderam o equilíbrio e caíram nas águas profundas e escuras do rio. Ao caírem, o crocodilo acabou soltando a perna do homem, e os dois remadores, lutando para sobreviver, estavam diante da morte.
Um dos homens lembrou do conselho que ouvira dos anciãos da vila sobre o que fazer se, um dia, estivesse num rio infestado por crocodilos. Neste caso, a pessoa sempre deve nadar embaixo da água contra a correnteza, pois o crocodilo sempre procura suas vítimas no sentido contrário, rio abaixo. Seguindo este conselho, após muitos momentos ansiosos e um grande esforço físico, o remador conseguiu chegar com segurança às margens do rio.

O outro escolheu o caminho de menor resistência, acompanhou a correnteza, e tentou nadar em direção à terra. Chegando mais perto da margem, conseguiu por o pé no fundo, e se apressou para chegar à segurança. Mas, infelizmente foi em vão, pois o temível réptil que, imperceptivelmente o seguira, agarrou-o pela perna, e nunca mais foi visto.

Será, meu amigo, que a correnteza da opinião pública o pode estar levando rio abaixo, sem que o perceba? Tem certeza que está andando na direção certa? A Palavra de Deus diz: "Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte" (Pv 14.12).

A "geração perversa" não vê nenhum mal, não sente nenhum mal, e por isto acusa o cristão vigilante de ser extremista ou fanático.

A "geração perversa" faz piada sobre o mal, o pecado, e a injustiça. Tentam tirar toda a vergonha do pecado. No seu conceito, despiram o pecado de qualquer conseqüência séria. Fazem a transgressão parecer atraente e respeitável.

Este mundo balança à beira da ruína. A maior batalha da sua vida hoje é continuar no Espírito. Todo o mundo precisa trabalhar, todos precisam lutar até para sobreviver, e o inimigo fará tudo para que vivamos sob a maior pressão possível, a fim de estrangular o último fôlego de vida espiritual que ainda resta em nós. Alguns ainda estão lutando para redescobrir aquele elemento que há muito tempo nasceu no seu coração, que era a alegria do céu. Talvez você já o tenha buscado, para sentir sua força pulsando outra vez dentro do seu peito. Tenho boas notícias para você: essa alegria vai inundar sua alma outra vez, quando se dispuser a cair de joelhos e a buscar a Deus com intensidade, com humildade, e com fé.

O apóstolo Pedro exortou as pessoas a viverem retamente num ambiente corrupto. Exortou-as a serem puras no meio de condições impuras, a terem uma mente voltada para alvos elevados no meio de circunstâncias que as puxam para baixo. Não podemos evitar o fato de estarmos neste mundo, mas podemos evitar de nos tornarmos parte desta "geração perversa". Se nos salvarmos desta geração, poderemos ajudar a salvar outros também.

"Salvai-vos desta geração perversa", Pedro advertiu. Você está preso no refluxo deste mundo?

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, número 3

Cristãos Alegres na Igreja Sofredora - Johan Companjen

Há muitos conceitos errados em relação à Igreja Sofredora:
• Nós (a igreja do mundo livre) somos privilegiados – eles é que são privados.
• Nós é que temos muitos motivos de gratidão – eles só podem orar.
• Nós temos alegria – eles só têm tristeza.

Se avaliarmos o valor da vida somente por padrões materiais, estas observações provavelmente estejam corretas. O povo perseguido realmente tem falta de muitas coisas que tornam nossas vidas mais agradáveis. E além disso, precisam lidar com muita tristeza. Enfrentam oposição e discriminação.

Mas Jesus nos ensinou que a vida consiste de muito mais que o pão. Um bom carro, uma bela casa e bastante dinheiro não nos tornam necessariamente mais felizes! Há muitos exemplos disso à nossa volta.

Grande parte dos nossos irmãos e irmãs perseguidos tem pouquíssimos tesouros aqui na terra. Mas têm tesouros no céu. E Jesus nos disse em Mateus 6.21 que onde estiver nosso tesouro, lá estará nosso coração também. Riqueza espiritual não depende de riqueza material. Nossas vidas aqui na terra são muito curtas em comparação com a eternidade.

Não resta dúvida que passar falta das coisas materiais pode ser muito duro, especialmente quando se trata de alimento. Mas muitas pessoas neste lado do mundo morrem espiritualmente por causa de ter excesso de riquezas materiais.

A alegria que a Igreja Sofredora experimenta no meio da sua tristeza não é baseada em coisas passageiras. Não esperam honra nem reconhecimento do seu ambiente hostil. Têm pouquíssimas possessões materiais. Mas com seus olhos fixos em Jesus, de fato experimentam a alegria que a Bíblia promete.

É a alegria que permanece, mesmo quando problemas vêm em nosso caminho. É a alegria que Jesus prometeu aos seus discípulos, pouco antes de ir para a cruz. Ele sabia que seria difícil para seus seguidores. Sofreriam muito. Seriam perseguidos, assim como ele foi. Entretanto, prometeu-lhes uma alegria que ninguém conseguiria tirar deles (Jo 16.22).

Esta alegria não é baseada na ausência de tristeza, mas na presença de Jesus nas nossas vidas. Paulo conhecia esta alegria. De outra forma, como poderia ter cantado na sua cela de prisão em Filipos? E nos exortou, escrevendo de outra cela, a "regozijar-nos no Senhor" (Fp 3.1).
Pedro conhecia esta alegria, do contrário não poderia ter falado com os crentes primitivos para se regozijarem por serem perseguidos (1 Pe 4.13).

Davi conhecia esta alegria. Todas as vezes que enfrentava uma situação desesperadora na sua vida, buscava a face de Deus e era transformado. "Na tua presença há plenitude de alegria", testificou (Sl 16.11).

Jesus prometeu alegria a todos seus seguidores, não somente à Igreja Sofredora. Prometeu-a a você e a mim. Não depende das circunstâncias, mas da presença dele na nossa vida. Há alegria na presença de Jesus. Sorria!

Johan Companjen é da Missão Portas Abertas. Maiores informações sobre o seu trabalho e a Igreja Sofredora no site: www.portasabertas.org.br

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, número 3

O Que Temos a Temer? - James N. Jidov

Leitura Bíblica: Daniel 3.1-19

O texto acima é um estudo maravilhoso do crente destemido. Ao meditarmos sobre esta porção da Palavra de Deus, e examinarmos o comportamento destes três homens piedosos, Sadraque, Mesaque, e Abednego, aprenderemos muito sobre o que pode livrar o filho de Deus do temor, mesmo em momentos de extremo perigo.

Como é o perfil do filho de Deus que vive uma vida isenta de temor? É importante lembrar que todas as coisas, quaisquer que sejam, que o filho de Deus buscar nesta vida, devem ser para a glória do seu Deus. Deve haver uma prioridade santa na vida do cristão. A vida cristã normal – não a vida cristã comum – é aquela que busca intensamente, não o conforto, nem a tranqüilidade, e nem a segurança, mas o próprio Deus. É uma vida, que mesmo durante tempos de grande aflição e dificuldades, busca auxílio e livramento, não por amor a si mesma, mas por amor a Deus.

O salmista disse: "Assiste-nos, ó Deus e Salvador nosso, pela glória do teu nome; livra-nos e perdoa-nos os pecados, por amor do teu nome" (Sl 79.9). Nossa própria salvação nos foi dada, não por nossa causa, mas causa dele. Estamos neste planeta por uma só razão, que é viver para a glória do seu nome.

Não existe dúvida alguma de que estes três homens da história de Daniel trouxeram glória para Deus pela forma como se conduziram diante do rei Nabucodonosor. Uma das maneiras em que o verdadeiro filho de Deus glorifica o seu Deus, o verdadeiro Deus, é quando se recusa a adorar falsos deuses. Vemos isto claramente em Daniel 3.18, onde disseram: "... não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro..."

Precisamos sempre ser examinados pela verdade da santa Palavra de Deus. Será que posso estar servindo a outros deuses na minha vida tanto quanto sirvo ao Senhor Deus Jeová, ou até mais? Examine-se a si mesmo, junto comigo. Como você está em relação ao deus do dinheiro, ou das possessões, ou do sucesso, ou do reconhecimento, mesmo que este venha por causa do nosso serviço em favor do Deus verdadeiro? E os deuses da família ou dos amigos? Será que estamos colocando criaturas antes do Criador?

Isaías 26.13 diz assim: "Ó Senhor, Deus nosso, outros senhores têm tido domínio sobre nós..." Algo sempre tem o poder ou o direito de nos governar e controlar. Algo sempre terá autoridade soberana na minha vida. "Ó Senhor Deus nosso", ou seja, "Ó Senhor, o único verdadeiro Deus, o soberano Deus, o Deus que deveria ter completo e soberano controle sobre minha vida – outros senhores além de ti tiveram autoridade soberana sobre mim! E não quero que seja mais assim!"
Uma das evidências de que você pertence a Deus é o fato de ter, nas profundezas mais íntimas do seu coração, um anseio por Deus, uma enorme sede para que ele ocupe este lugar na sua vida!

Reação à Ameaça de Morte
Na passagem de Daniel que estamos examinando, Sadraque, Mesaque e Abednego receberam a ameaça do rei Nabucodonosor de serem mortos na fornalha – e notamos que esta ameaça praticamente não os intimidou. Logo após a pergunta do rei no versículo 15: "E quem é o deus que vos poderá livrar das minhas mãos?", sem hesitar por um instante, veio a resposta: "Ó Nabucodonosor, quanto a isto não necessitamos de te responder". Existe uma admirável indiferença na sua reação à pergunta ameaçadora do rei Nabucodonosor. Foi uma indiferença que nasceu de sua profunda confiança em Deus Jeová.

"Porque o Senhor será a tua segurança e guardará os teus pés de serem presos" (Pv 3.26). Esta indiferença tranqüila revela como o crente destemido, o santo corajoso, pensa. "Ó Nabucodonosor, quanto a isto não necessitamos de te responder." Em linguagem mais moderna, poderíamos dizer assim: "Sr. Nabucodonosor, realmente isto não é uma grande decisão para nós. Tudo o que sabemos é que servimos ao verdadeiro Deus vivo, que é capaz de nos livrar, se assim ele quiser... ou de não nos livrar. Somos dele, prontos para viver ou morrer, conforme ele determinar."

"Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor" (Rm 14.8).

O cristão destemido não se preocupa com conseqüências ou resultados. Sua única preocupação é obedecer e glorificar seu Deus. Estes três moços hebreus tinham tanto temor de Deus que não temiam a nenhum homem, nem que fosse um homem tão poderoso como o rei. "Afastai-vos, pois, do homem cujo fôlego está no seu nariz. Pois em que é ele estimado?" (Is 2.22). Quanto maior for nosso temor de Deus, menor será nosso temor dos homens. Quanto mais nos espantarmos com a presença de Deus, menos nos espantaremos com a presença do homem. Não se pode espantar com Deus e com o homem ao mesmo tempo!

"...porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei. Assim, afirmemos confiantemente: O Senhor é o meu auxílio, não temerei; que me poderá fazer o homem? (Hb 13.5,6).

O santo destemido não teme ao homem. E também não procura ser uma ameaça aos outros. Observe que mesmo sob ameaça de morte, Sadraque, Mesaque e Abednego não demonstraram a menor insinuação de chamar o juízo de Deus sobre o rei. Não os ouvimos dizer: "Escute, Sr. Rei, por acaso o senhor sabe quem é nosso Deus? É melhor não nos colocar naquela fornalha, senão um dia será jogado em uma que é muito pior! Clamaremos a Deus, e ele o julgará!"
Não falaram isto, certo? "Pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente" (1 Pe 2.23). Este versículo refere-se, evidentemente, ao nosso bendito Salvador, o Senhor Jesus. Sua reação ao tratamento injusto recebido das mãos dos homens foi a mesma que vimos nos três jovens hebreus, no momento do seu grande perigo e necessidade. Não reagiram agressivamente à agressão do rei. Simplesmente se entregaram àquele que "julga retamente", ao Senhor Jeová, seu Deus.

Há uma outra coisa no comportamento destes três hebreus diante do perigo que queremos notar. Será que estes homens foram valentes e corajosos porque os três coincidentemente tinham este tipo de disposição e temperamento? Estamos vendo aqui uma mera coincidência de três pessoas que possuíam uma tendência natural de coragem e destemor?

Quando se trata das coisas do Espírito, traços de personalidade nada têm a ver com a ausência ou presença de temor na vida do filho de Deus! O crente destemido, entregue a Deus, não está acima do temor por causa de si mesmo, nem por causa do seu temperamento. Seu destemor não vem dele, nem da composição da sua personalidade. O homem espiritual não encontra coragem olhando para dentro de si, mas olhando para cima! A pessoa que é entregue a Deus, centrada em Cristo, não é forte – é fraca! O santo que anda com Deus sabe que a força que tem em todas as provações da vida não vem de si mesmo.

Pelo contrário, sabe muito bem que não possui força ou coragem alguma no seu interior. E sabendo disto, lança-se inteiramente na dependência do seu todo-poderoso e onipotente Deus. "Cobrir-te-á com as suas penas, e, sob suas asas, estarás seguro" (Sl 91.4).

Quando Moisés estava comissionando Josué para tomar seu lugar como líder dos israelitas, e levá-los para o outro lado do rio Jordão, à Canaã, a Terra Prometida, ele disse: "Sê forte e corajoso". E quando pensamos na tarefa que estava diante de Josué, dá uma vontade imensa de bradar: "Moisés, por que motivo Josué deveria ser forte e corajoso?"

Porque "...o Senhor é quem vai adiante de ti; ele será contigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas, nem te atemorizes" (Dt 31.8). A força e a coragem de Josué estavam no seu Senhor, não em si mesmo! A base para um cristão ser destemido tem nada a ver com o próprio cristão, e tudo a ver com o seu Deus, e o fato de simplesmente se apoiar nele. O santo que é totalmente fraco em si mesmo, que morreu para si, que não procura fazer coisa alguma em defesa própria, como vimos no exemplo de Sadraque, Mesaque e Abednego, e que simplesmente se lança sobre seu Deus fiel, este é o crente destemido!

Não há dúvida de que Sadraque, Mesaque e Abednego estavam humanamente em grandes apuros. Quanto mais aquecia o furor do rei, mais era aquecida a fornalha! Neste ponto, humanamente falando outra vez, estes três moços hebreus não sabiam qual seria o resultado final. Não sabiam se tudo daria certo. Certamente tinha toda aparência de ser o contrário. Mas não precisavam saber se tudo daria certo. Sabe por quê?

"Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é a minha fortaleza..." (Hc 3.17-19).

A mesma verdade é transmitida em Salmo 50.15: "Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás". Nós o glorificamos primeiro... antes mesmo do pedido ou do livramento realmente acontecer.
S
adraque, Mesaque e Abednego eram filhos de Deus e o amavam. Claramente, o que lhes dava coragem inabalável, diante da perspectiva de entrar numa sepultura em chamas ardentes, era o fato de estar com os olhos fixos em Deus... não em si mesmos, nem em suas vidas "perfeitas" (pois ninguém pode ter esta confiança em si, já que ninguém foi, é, ou será perfeito além do nosso bendito Salvador). Também não estavam confiando no fato de que Daniel, nesta época, já tinha uma posição elevada no reino de Nabucodonosor, e possivelmente poderia convencer o rei a mudar de intenção. Nenhuma dessas coisas serviria de base para sua coragem! Antes, era que seus olhos estavam fixos no Deus a quem serviam: "... eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, pode nos livrar da fornalha..." (Dn 3.17). Nenhum temor! Nenhum vacilo! Somente confiança!

Estou convencido de que Deus estava sempre no foco dos seus pensamentos. Não resolveram fazer uma reunião de oração, e pedir para Deus manifestar sua presença no meio da sua crise. "Ó Senhor, ouve nossa oração, suplicamos que venhas para o nosso meio, e te manifestes a nós neste momento de crise..."

Não havia tempo para isto. Não havia necessidade para isto! Deus lhes era real, não só no tempo de perigo, ou de ameaças – mas sempre. Temos o registro de alguns entre os mártires cristãos de séculos passados, que, ao serem encobertos pelas chamas que começavam a consumir seus corpos, clamavam: "Não sinto dor! Só vejo a face do meu amado Salvador em cuja presença estou entrando!"

Ó santo e fiel companheiro, como pode um filho de Deus, você ou eu, sentir algum temor enquanto nosso olhar estiver cravado em Jesus? Não podemos fixar nosso olhar nele, e sentir temor ao mesmo tempo. São atividades mutuamente excludentes – ou se olha para Jesus, ou se experimenta temor carnal.

A Paz Que Deus Dá
A paz que permanece só porque existem circunstâncias agradáveis não é a paz que Deus dá. Esta é a paz que o mundo dá, uma paz que existe somente enquanto perdurarem as condições favoráveis, enquanto todas as necessidades físicas forem supridas, enquanto houver saúde, enquanto não houver ameaça de perigo, enquanto não houver uma guerra no horizonte, enquanto todas as contas forem pagas, e assim por diante. Mas se Deus na sua soberania retirar estas circunstâncias favoráveis, a pessoa que tem sua vida baseada no mundo imediatamente cai num abismo de temor, consternação, apreensão, e ansiedade.

Mas este não deve ser o caso do cristão! Jesus o disse claramente: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo" (Jo 14.27). A paz que o mundo dá é uma coisa. A paz que Deus dá é algo totalmente diferente!

Nem por um instante, tenho intenção de tirar do verdadeiro crente a paz e alegria que possui, em muitas ocasiões, por Deus o ter abençoado tanto com circunstâncias favoráveis como com bens materiais. Tudo isto vem dele! As bênçãos de Deus podem trazer circunstâncias de paz, e posses materiais.

Mas a mensagem é que, em primeiro lugar, nenhuma destas bênçãos se torne senhor falso ou deus falso da nossa vida. E segundo, que estejamos tão arrebatados com nosso Salvador, tão sedentos por ele em todo tempo, tão focados nele, que quando a crise chegar, a presença de Cristo será real e a crise será recebida das mãos de um Deus fiel, sem temor.
Davi disse: "Louvarei o teu nome, ó Senhor... pois me livrou de todas as tribulações... Dar-te-ei graças para sempre, porque assim o fizeste" (Salmo 54.6,7; 52.9).

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, número 3

O Mistério do Sofrimento - Paul E. Bilheimer

Amor é a norma do universo
Deus está chamando e preparando uma companheira eterna chamada a Noiva, que deve sentar-se com seu Filho no trono, na qualidade de co-regente nos séculos por vir (Ap 3.21). A fim de qualificar-se para esta exaltada posição, os que fazem parte da Noiva devem assemelhar-se ao Filho, tanto quanto for possível o finito tornar-se parecido com o infinito. Se quiserem qualificar-se para seus elevados deveres, devem partilhar do caráter do próprio Deus, que é amor ágape. Esta é a norma do universo, o ideal que Deus está trabalhando para implantar na ordem social eterna. Mas essa virtude de caráter não pode ser desenvolvida na humanidade decaída sem sofrimento.

Glória e Sofrimento
Isto explica a revelação inspirada de Paulo: "Se sofrermos, também com ele reinaremos" (2 Tm 2.12 – Ed. Revista e Corrigida). De acordo com Romanos 5.3-5, sofrimento resulta em caráter (amor ágape), e caráter é requisito indispensável ao governo. Visto como não há desenvolvimento do caráter sem sofrimento, todos aqueles que Deus está preparando para reinar junto com seu Filho terão de passar pelo sofrimento.

O Profundo Dano da Queda
Deus declarou que Adão antes do pecado era "muito bom", mas a Queda provocou danos fundamentais a Adão e à sua descendência. Deixou a raça centrada em si mesma. A centralidade do eu é a própria essência de todo pecado e miséria, e resulta em autodestruição. É o âmago da hostilidade, e a hostilidade é o âmago do inferno, sua essência e marca característica. A centralidade do eu é a antítese da santidade ou do amor ágape, marca característica e essência do céu.

A Necessidade de Descentralização
A fim de trazer o indivíduo à semelhança de seu Filho, Deus precisa primeiro descentralizá-lo. A descentralização começa na crise de justificação e no novo nascimento, e continua na crise de santificação ou plenitude do Espírito Santo.
Necessariamente, não termina aí. Essas são apenas experiências iniciais, semelhantes a um vestíbulo, que é um bom lugar para se entrar, mas um pobre lugar para se permanecer. A obra de santificação pela qual se descentraliza o eu é instantânea e ao mesmo tempo progressiva. É uma crise e também um processo que continua pela vida toda. "Eu tenho certeza de que Deus, que começou a boa obra em vocês, continuará ajudando-os a crescer em sua graça até quando sua tarefa em vocês estiver finalmente terminada naquele dia quando Jesus Cristo voltar" ( Fp 1.6).

A Obra da Tribulação
Se o propósito de Deus em salvar o homem fosse apenas levá-lo para o céu, provavelmente ele o levaria à glória de imediato após sua conversão. Mas Deus deseja prepará-lo para sua função de governo num universo infinito que requer caráter. O progresso na santificação, no desenvolvimento do caráter de Deus, e no amor ágape, é impossível sem tribulação e disciplina.
"E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado" (Rm 5.3-5).
"Meu filho, não fique irado quando o Senhor castigar você. Não fique desanimado quando ele lhe mostrar em que você está errado. Quando ele castiga você, isso prova que ele o ama. Quando ele o açoita, isso prova que você é verdadeiramente filho dele. Permitam que Deus eduque vocês, pois ele está fazendo o que qualquer pai amoroso faz com seus filhos. Pois quem já ouviu falar de um filho que nunca foi corrigido? Se Deus não os castiga quando é preciso, como outros pais castigam seus filhos, então isso significa que afinal de contas vocês não são realmente filhos de Deus – e que vocês, na verdade, não pertencem à sua família... Nossos pais terrenos nos educaram por uns poucos e curtos anos, fazendo por nós o melhor que eles sabiam fazer, porém a correção de Deus é sempre boa e para o nosso maior bem, a fim de podermos participar da santidade dele. Não é nada agradável ser castigado, na hora em que está acontecendo — dói mesmo! Mas depois podemos ver o resultado: um crescimento tranqüilo, em virtude e caráter" (Hb 12.5b-8, 10-11, Bíblia Viva).

Um quilômetro com o Prazer andei;
O caminho todo ele conversou,
Porém, tudo quanto disse,
Mais sábio não me deixou.

Um quilômetro com a Tristeza andei,
Sem uma palavra ao menos dizer;
Mas, ah, quanta coisa eu aprendi
Quando a Tristeza comigo andou.
Castigo e Treinamento de Filho

Baseado nestas e em outras passagens semelhantes da Bíblia, fica claro que a tristeza, o sofrimento, a tribulação e a dor que acontecem ao crente não constituem, antes de tudo, castigo, mas treinamento de filho. Não são acontecimentos sem propósito. Os pais terrenos podem cometer erros na aplicação do castigo — e muitas vezes o fazem. Mas Deus, não. Ele está preparando o crente para participar do governo de um universo tão vasto que parece infinito.
Parece que Deus não pode descentralizar totalmente o homem, muito embora nascido de novo, santificado ou cheio do Espírito Santo, sem a colaboração do sofrimento. Watchman Nee disse que nunca aprendemos algo novo sobre Deus, a não ser por meio de adversidade. Alguns acham que seja uma afirmação exagerada, mas de fato parece que poucos buscam um andar mais profundo com Deus, a não ser sob a pressão da provação.

O Exemplo de Israel
A história de Israel esclarece este ponto. Na prosperidade, a nação abandonou a adoração pura de Jeová e se deu à prática de idolatria licenciosa. Somente pelo castigo é que foi constrangida a arrepender-se e voltar para Jeová. Durante séculos, enquanto Deus buscava obter um remanescente puro para usar como instrumento para trazer o Messias, a rotina foi a mesma: prosperidade, afastamento, apostasia; castigo, arrependimento e volta para Deus; e assim, ad infinitum ( Jz 2.11-19; 1 Sm 12. 9-10; 2 Cr 15.4; 33.12; Is 26.16).

O Exemplo do Salmista
A experiência do salmista ilustra bem: "Antes de ser afligido andava errado, mas agora guardo a tua palavra. Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos" (Sl 119.67,71). Quem de nós não conhece pessoas de formação cristã que andaram longe de Deus e foram trazidas de volta a ele por meio de um ataque cardíaco, de câncer, de um acidente trágico, ou de alguma outra severa aflição?

O Exemplo de Cristo
Um dos mais surpreendentes comentários sobre a finalidade do sofrimento na economia divina acha-se em Hebreus 2.10: "Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as cousas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse por meio de sofrimentos o Autor da salvação deles." "Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas cousas que sofreu" (Hb 5.8).
No caso de Cristo, segundo Alexandre Maclaren em sua Exposição de Hebreus (p. 234), "não foi um aperfeiçoamento de caráter moral, mas a complementação de sua preparação para a obra de Líder e Autor de nossa salvação. Antes de sofrer ele tinha a compaixão de Deus. Depois de sofrer tinha a compaixão de um homem."
O Comentário do Novo Testamento e da Bíblia de Wycliffe (p. 909), diz: "Pelo sofrimento, sua experiência humana se fez completa... Pelo fato de ter sofrido, agora está qualificado para servir como autor (archegos, capitão, líder) da salvação do homem." Se os "muitos filhos" que Cristo veio para conduzir à glória e ao governo tinham de ser preparados e aperfeiçoados para essa glória mediante o sofrimento, seu Capitão precisava abrir o caminho aperfeiçoando sua experiência humana do mesmo modo. O fato de que a experiência humana de Cristo teve de ser aperfeiçoada pelo sofrimento prova que nenhum sofrimento vem sem propósito, mas é parte essencial da economia divina.

Importância do Quebrantamento
O sofrimento de Cristo só amadureceu e aperfeiçoou sua experiência humana. Não purificou nada de sua natureza moral mesmo como homem, porque não fazia parte da humanidade decaída. Nenhuma nódoa de pecado jamais desfigurou sua humanidade. Isto não ocorre com os demais homens decaídos. Não há como formar-se nestes homens um caráter semelhante ao de Cristo sem sofrimento, porque não há outra forma de descentralizá-los. A pessoa que não quer sofrer; que resolve fugir do sofrimento; que não permite que sua vida natural e seu ego sejam levados à cruz; nesta mesma medida continuará dura, centrada em si mesma, sem quebrantamento, e portanto sem transformação à semelhança de Cristo.
"Homens intactos, inteiros, e sem quebrantamento são de pouca utilidade para Deus" (J. R. Miller). Por sua própria decisão, uma pessoa pode escapar de uma certa dimensão da dor, especialmente daquela que acompanha o sacrifício voluntário de si mesmo, mas ao fazê-lo, torna-se vítima de uma dor muito maior, que é de adorar a si mesmo. Não se pode escapar de ambas. Alguém disse: "Há coisas que o próprio Deus não pode fazer por nós, a não ser através do sofrimento".

Extraído do livro: Não Desperdice Suas Lágrimas de Paul E. Bilheimer.

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, número 3

terça-feira, 10 de junho de 2008

Geração de luz

E-mail recebido:
"Façam tudo sem queixas nem discussões, para que venham a tornar-se puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual vocês brilham como estrelas no universo."
Filipenses 2.14

Gilson Moura,
Imagine por um segundo como seria enfrentar uma falsa acusação, ser preso injustamente, condenado e, ainda assim, permanecer firme na fé sem reclamar. Alguns dos nossos irmãos da Igreja Perseguida estão conseguindo vencer esse desafio.
O missionário Manja Tamang, do Nepal, tropeçou no corpo de um homem e ao comunicar à polícia acabou acusado e condenado a 20 anos de prisão por assassinato. Ele já passou nove anos na cadeia e durante todo esse tempo o Senhor o tem usado para pregar a Palavra e discipular muitos prisioneiros (leia mais).
O pastor Dmitry Shestakov, do Uzbequistão, tem pela frente três anos de prisão em um campo de trabalhos forçados, vivendo em condições insalubres, porque manteve sua disposição de pregar o evangelho sem a aprovação do governo (leia mais).

No Iraque, a jovem adolescente Asya Ahmad Muhammad, presa porque matou, em legítima defesa, o tio que a agredia, pode sair da prisão se o presidente do Curdistão assim decidir. No passado, alguns familiares chegaram a pedir a morte da moça, mas agora concordaram em apelar por sua libertação (leia mais).

Gilson Moura, uma das maneiras de controlar o desânimo, o medo e o desapontamento em situações difíceis da vida é lembrar de pessoas como essas que, mesmo encarceradas e entristecidas, reconhecem o Senhor em todos os seus caminhos, e são luz. Que o exemplo delas possa edificar a sua vida.
Tenha uma boa semana,
Tsuli Narimatsu
Jornalista
PS: Participe da campanha de 50 Dias de Oração pela Igreja Perseguida. Ainda dá tempo! Confira os pedidos, aqui.
10 de junho de 2008
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Fone: (0--11) 5181 3330
Fax: (0--11) 5181 7525

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Jesus, o motilone - parte 11

Refém! - última parte
Por Bruce Olson, Maio 1990

Extraído do texto Rehén! (em espanhol e traduzido por mim).

Libertado!
Na manhã seguinte, fui abordado por Federico, um líder da guerrilha, e disse-me:
-- Bruce Olson, tenho boas notícias para você. Estás livre! Você é feliz?
Eu dei de ombros.
Com indiferença, repliquei - Estou preocupado com os motilones. O que será deles?
-- Sim, sim - me tranqüilizou -. Resolvemos deixar em paz os motilones, e você pode continuar o seu trabalho entre eles, como antes. Foi um erro de ter seqüestrado e espero que encontre na sua grandeza interna o necessário para nos perdoar. Você está feliz agora?
Saí a livre 19 de julho de 1989, e só então descobri que o mundo exterior estava consciente do meu cativeiro.
Os motilones e quase todas as outras tribos na Colômbia, agindo como um só povo, pela primeira vez, aderiu ao apoio de "o homem branco que é nosso irmão". Ameaçaram declarar guerra total com a guerrilha se não me libertassem. Os meios de comunicação social aderiram à sua causa, e logo todo o povo colombiano tinha concordado, denunciando a guerrilha.
O presidente da Colômbia, Virgilio Barco Vargas, congratulou-se com o meu regresso à civilização.
"Você é um símbolo nacional", disse ele. "Pela primeira vez na história, os índios têm defendido um homem branco. Sua causa uniu nosso povo e deu coragem para lutar contra o terrorismo".
Tenho seguido com grande pesar a notícia da guerra sobre as drogas na Colômbia, mas também estou muito orgulhoso. No povo colombiano, há uma nova determinação de se opor aos cartéis da droga. Por que o povo ficou determinado a lutar?
A resposta não é fácil, mas lembre-se, após o meu regresso, esperava que as pessoas nas ruas de Bogotá para me dar boas-vindas. Todos declararam: "Os motilones nos inspiraram. Já não toleraremos esses criminosos por medo de perder as nossas vidas."
Talvez o papel dos motilones não é valorizado em toda a sua grandeza por muitos, mas penso que é real e importante. Peço a Deus e continuarei a fazê-lo para sempre.

Jesus, o motilone - parte 10

Refém! - parte 7

Por Bruce Olson, Maio 1990

A "execução"

Em julho, eu estava dando aula aos guerrilheiros, quando me informaram que eu deveria me preparar para morrer. Já que eu não quis assinar uma confissão, só restava a execução.

Três dias mais tarde, depois de ter dado aulas pela última vez, me levaram para uma pequena clareira fora do acampamento. Vários guerrilheiros me amarraram as mãos, por trás das costas, em torno de uma pequena palmeira, enquanto meus executores, 18 deles armados com pistolas sub-automáticas. Eu não pensava muito sobre mim, pelo menos seria algo rápido. Centrava-me em memórias com os motilones, meus amigos.

"Apontar!" Ordenou o gerente de pelotão.

Vários homens choravam silenciosamente pelo barulho das pistolas.

"Fogo!"

Dispararam, mas não senti nada. Os homens do esquadrão me olharam com espanto e, em seguida, examinaram as armas.

"Mas tem balas!" Gritou um deles.

Esta tinha sido a última tentativa de me matar, mas eles não tinham sido bem sucedidos.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Jesus, o motilone - parte 9

Refém! - parte 6
Por Bruce Olson, Maio 1990

A canção de um Anjo
Nessa mesma noite, eu despertei com terrível dor. Desta vez, eu não poderia isolá-lo a partir de mim mesmo. Nunca tinha sentido essa angústia.
Nesta noite aconteceu uma coisa espantosa. Um pássaro que conhecia pelo nome "Mirlo" começou a cantar. Ao ouvir, percebi que esta canção teve um efeito sedativo, como uma fascinante melodia em tom menor que me era dolorosamente familiar.
Eu perdi a consciência. Quando dei por mim, a ave ainda cantava. Tratava-se de uma alucinação? Mais do que qualquer coisa, porque todos sabiam que estas aves não cantam durante a noite. No entanto, esta música reparadora real ou imaginária teve um efeito sobre o meu espírito e eu podia sentir que retornava à vida.
Então eu compreendi. O pássaro realizava uma canção em tom motilone, imitando os sons com uma fidelidade tão terrível que eu podia ver quase Kaymiyokba e outros motilones cantando as profecias da ressurreição de Cristo, no antigo estilo de sua tribo.
Naquele momento eu sabia o que tinha deixado para trás e que seria um motilone. Deus tinha usado a canção de um pássaro para trasfundirme o seu sangue cheio de vida.
Na manhã seguinte, um dos guerrilheiros que havia se convertido me abordou na minha rede.
“Te fez bem?” Ele disse suavemente. "Você teve seu concerto pessoal na noite passada?"
Ele me olhou nos olhos.
"O Mirlo", esclareceu. "nos manteve despertados toda a noite. Nós nunca tínhamos ouvido algo parecido! Os rapazes perguntaram se seria um anjo especial enviado para cantar para você."

domingo, 1 de junho de 2008