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sábado, 29 de março de 2008

Buscando o Melhor de Deus - Fred D. Jarvis

Progresso é a grande lei da vida. A maioria já experimentou tempos melhores no passado, e todos podemos ser melhores no futuro do que somos atualmente. Agora é hora de avaliarmos espiritualmente a nossa vida, de selecionar nossas prioridades, e de colocar as primeiras coisas em primeiro lugar.
A maioria de nós nem começou a experimentar a realidade do nosso chamamento. Sabemos tão pouco sobre o poder da fé e da oração. Estamos provando uma mínima porcentagem do nosso pleno potencial em Deus. No geral, não experimentamos nem as bênçãos de Deus, muito menos seus milagres.
Ser cristão não é um assunto de "meio período". Requer o nosso melhor! Como é perigoso nos tornarmos satisfeitos conosco mesmos, viver sem propósito, e sem o melhor que Deus tem! Deus quer que sejamos um povo produtivo, sempre caminhando, sempre subindo para onde ele está.
Mas, ah, que tristeza quando se tem uma vontade sem quebrantamento e uma vida inútil! Desperdiçar a vida é o pior desperdício que se pode fazer. Ser infrutífero, desocupado, preguiçoso e ignorante são condições que jamais poderiam existir na vida de um cristão. Podemos ter o melhor de Deus! Não precisamos ser cristãos inferiores, abaixo do padrão de Deus. O poder dinâmico de Deus está disponível para fluir através de nós para abençoar um mundo necessitado.
Deus está buscando hoje um povo zeloso de boas obras. Uma vida cheia do Espírito, governada pelo Espírito, e guiada pelo Espírito é a norma para todos os cristãos. A Bíblia está cheia das histórias de grandes homens e mulheres de Deus que procuraram o caminho do progresso espiritual, que pagaram o preço do poder, e que viveram vidas plenas, abundantes e apaixonadas.
Deus está procurando por tais homens e mulheres hoje, através de quem ele possa operar maravilhas, mover montanhas e realizar grandes obras. Deus deseja que aprendamos a beber profundamente do rio divino de poder espiritual. Ele quer levantar muitos outros homens e mulheres de destino e poder sobrenatural. Deus quer que nos tornemos especialistas em fazer aquilo que é impossível para nós. A palavra "impossível" não está no vocabulário de Deus.
Ir Além Custa, Mas É Ir Além Que Faz A Diferença
Pobreza de propósito é pior do que pobreza de bolso. As pegadas na areia do tempo não foram feitas por pessoas sentadas. Não deveríamos ter que sair à procura de oportunidades; deveríamos criá-las. A consciência da nossa necessidade é o primeiro passo para o progresso. Devemos nos envergonhar da nossa falta de ambição. Que Deus nos proteja de continuarmos o resto da vida, ou de chegar à sepultura, sem ganhar almas, ou realizar coisa alguma pela causa de Cristo.
Deus quer nos erguer a um novo nível e uma nova dimensão espiritual. Ele quer nos dar poder para nos conquistar a nós mesmos, lidar com nossos conflitos, lidar com nosso desespero, batalhar contra nossos temores, e vencer sobre a preocupação. Somente então é que teremos supremacia sobre nossos problemas, e poderemos viver uma vida útil, amorosa, e vitoriosa. Deus quer que sejamos ensinados pela sua Palavra, e guiados pelo seu Espírito. Somente aqueles que foram conquistados por ele conhecerão o sabor da verdadeira conquista. Não precisamos ser cristãos duros, estéreis, mofados, e derrotados.
Ganhar almas faz parte da própria essência do evangelho. Deus conclama seus filhos para cumprir sua missão no mundo. Ele quer que testemunhemos e que trabalhemos por sua causa. Os leigos inativos precisam ser lançados ao trabalho. Não ousemos nos contentar com uma faísca, quando precisamos é de uma explosão espiritual. Temos a verdade de que o mundo tanto necessita; vamos compartilhá-la com todo nosso coração com as pessoas em toda parte.
Na nossa busca pelo melhor de Deus, devemos oferecer nossos corpos como sacrifício vivo a Cristo (Rm 12.1). Enquanto não fizermos isso, não há mais nada que possamos fazer. Consagração é nosso serviço racional. "A lei do Espírito da vida em Cristo Jesus me livrou da lei do pecado e da morte" (Rm 8.2).
Podemos viver a vida abundante, a vida transformada, a vida trocada. Podemos ser cheios do Espírito Santo e ter conhecimento da sua vontade. Podemos ser cheios de toda a plenitude de Deus (Ef 3.19). Podemos andar em novidade de vida (Rm 6.4), andar no Espírito (Gl 5.16), andar em amor (Ef 5.2). Podemos andar dignos do Senhor (Ef 4.1). Podemos servir em novidade de espírito (Rm 7.6).
Devemos sempre estar abundantes na obra do Senhor (1 Co 15.58). Rios de águas vivas podem fluir do nosso interior (Jo 7.37-38). Podemos permanecer em Cristo e dar muito fruto (Jo 15.8). Nossas veredas podem brilhar mais e mais até chegar o dia perfeito (Pv 4.18). Deus pode fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos (Ef 3.20).
O Poder da Fé e da Oração
Todas nossas bênçãos e benefícios vêm pela fé. Que Deus nos conceda mais homens e mulheres de fé, ação, e desafio, que tanto são justos como fortes! Nossa fé determina nossa atitude e o resultado final da nossa vida. Não façamos planos pequenos. Façamos o que pudermos com o que temos e no lugar onde estivermos. Continuemos, e perseveremos em continuar. Tudo que vale a pena é fruto da fé. Nunca haverá milagres na vida de pessoas que não acreditem no sobrenatural.
O poder da fé e da oração é muito mais forte e dinâmico do que uma montanha de urânio. O poder da oração é mais importante do que o poder do hidrogênio. É a forma mais elevada de poder. É a máquina de realizações.
Quando fé, oração, e obediência caem da moda, a civilização cai também. Obediência é a chave para a vida abundante. É a grande falha nas nossas vidas. Como Jesus, devemos poder dizer: "A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra" (Jo 4.34). Devemos crer no coração (Rm 10.10), e obedecer de coração (Rm 6.17). "Pela fé Abraão... obedeceu" (Hb 11.8). Até Jesus aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu. Se amarmos a Jesus, obedeceremos seus mandamentos (Jo 14.15).
Os padrões da Palavra de Deus são altos. Deus quer que sejamos conformes à imagem de seu Filho (Rm 8.29). Devemos amar como ele ama (Jo 13.34), perdoar como ele perdoa (Ef 4.32), andar como ele andou (1 Jo 2.6). Devemos ser puros de coração (Mt 5.8), amar nossos inimigos (Mt 5.44), ser santos em todo nosso procedimento (1 Pe 1.15). Devemos orar sem cessar (1 Ts 5.17), ser fervorosos de espírito, servindo ao Senhor (Rm 12.11). Devemos ser zelosos de boas obras (Tt 2.14); e sempre ser abundantes na obra do Senhor (1 Co 15.58).
Não podemos alcançar estes ideais na nossa própria força, mas com a ajuda e a graça de Deus é possível. Podemos dizer com Paulo: "Tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4.13). Cristo pode viver em e através de nós; ele pode ser tudo em todos (Cl 3.11). Somos aperfeiçoados nele (Cl 2.10).
O mundo hoje está em profunda angústia, e não haverá cura sem uma visitação de Cristo e um verdadeiro derramamento de poder do alto. Somente a ação do Espírito Santo pode nos salvar do entorpecimento e falta de realidade de um cristianismo sem poder e sem vida.
Nossas igrejas estão cheias de cristãos que vivem vidas infrutíferas, e não abundantes. A maioria não tem poder, apesar das promessas de Deus. Não sabemos que somos "infelizes, miseráveis, pobres, cegos e nus". Como precisamos clamar outra vez: "Porventura não tornarás a vivificar-nos, para que em ti se regozije o teu povo?"(Sl 85.6). Oremos com persistência, até que experimentemos "tempos de refrigério da presença do Senhor".
Entrega Traz Poder
É tempo de ficar a sós com Deus, examinar nosso coração, expulsar o pecado, confessar nossa apatia espiritual, e nos entregar de maneira nova ao Salvador. Entrega incondicional sempre trará poder inconfundível. Que Deus quebre o jugo da nossa escravidão, restaure a realidade da nossa adoração e nos faça um povo sempre dinâmico, esperando a volta do nosso Salvador!
A busca pelo melhor envolve abandonar tudo e seguir a Jesus. Envolve permanecer em Cristo; envolve estar cheio do Espírito: "Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo" (Atos 1.8). Esta é a necessidade mais urgente desta hora.
Adaptado de um artigo publicado na edição internacional Herald of His Coming, em outubro de 1977. Fred D. Jarvis, que faleceu em 1990, era escritor, missionário, e conferencista.
"Para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus" (Ef 3.19) – pg 1
"Sede firmes, inabaláveis, e sempre abundantes na obra do Senhor" (1 Co 15.58) pg 2

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, número 2

O Perigo de Escolher o Bom e não o Melhor - J. Stuart Holden

"Concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma" (Sl 106.15).
O evangelho coloca diante de nós Cristo e seu Reino em contraste com o mundo e suas atrações. Insta conosco para escolher. De fato, toda sua influência é direcionada para mostrar que a escolha é inevitável. Mas quando a vontade faz sua escolha eterna, e abre sua vida ao reinado e governo do Salvador, somente o primeiro passo na vida cristã foi dado. Existe diante de nós todo um caminho de peregrinação que teremos de percorrer com paciência na companhia do nosso Senhor.
E no decorrer deste caminho, sempre rondando nossos passos, existe a cilada sutil de se escolher um bem menor. Pois a vida é uma longa série de escolhas, escolhas que precisam ser feitas diariamente entre aquilo que é supremo e superior, e aquilo que é secundário, entre o que agrada a si mesmo e o que agrada a Deus.
O perigo mais comum não é o que muitos imaginam: desviar-se e cair no pecado. É antes a tentação que aparece com freqüência alarmante de escolher o bom ao invés do melhor; de escolher algo que tem inúmeros pontos a favor, mas que não é a vontade explícita de Deus para nós.
Quando nos comprometemos a qualquer outro curso de vida, que não seja de absoluta fidelidade ao bem superior, estamos nos posicionando lamentavelmente fora de contato vivo com Deus, que às vezes pode conceder-nos nossos desejos e ao mesmo tempo deixar nossa alma definhar-se.
Israel, a quem este texto nos Salmos se refere, foi um forte exemplo disso. O propósito de Deus para a nação era que não tivesse um soberano terreno; ele mesmo seria seu Senhor e seu Rei. Israel seria um exemplo e modelo ao mundo inteiro. Mas Israel se rebelou. O povo queria ser igual, e não diferente das outras nações. Pediram um rei para guiá-los à batalha; queriam um monarca com toda sua pompa e esplendor.
Mesmo assim, Deus não os deixou para seus próprios desejos, nem os rejeitou. Com efeito, Deus disse a Samuel: "Muito bem; nomeie um rei para eles; não estão escolhendo o melhor, e vou permitir que tenham o bem inferior escolhido por eles mesmos. É a única maneira de mostrar-lhes a tolice do que estão fazendo."
A história subseqüente da nação mostrou realmente o perigo de se escolher um bem inferior. Israel tinha uma posição geográfica crucial e visada por todos os povos que levantavam impérios. Desta forma, era mais importante ainda que estivesse sob a proteção de Deus. Mas escolheu um caminho diferente, e qual foi o resultado? Desastre após desastre em guerras e conquistas por outros povos. A terra foi dilacerada por dissensões e agitações, e finalmente o povo foi retirado e levado ao cativeiro.
Se estas ilustrações de um princípio de vida puderem servir de alguma forma para nós, certamente seria para mostrar a ênfase que Deus dá nas escolhas que são feitas em cada crise moral e espiritual. É comum dizer que nossas escolhas atestam o nosso caráter, e que a direção em que a mente da pessoa vira involuntariamente mostra que tipo de pessoa é. A seriedade da vida é que cada dia somos testados a respeito dos fundamentos e inspirações vitais do nosso ser.
Há momentos quando somos tentados para seguir rumos em que ganho material e vantagem pessoal estão em primeiro lugar. Somos tentados a garantir para nós mesmos vantagens atuais, e para colocar conforto, facilidade, e prosperidade como nossos objetivos principais. Perguntamos: "Não podemos tirar proveito máximo dos dois reinos?"
O perigo é, ao tentar conciliar as duas coisas, escolhermos o bem inferior. E se isto acontecer, Deus não nos abandonará, pois ele nunca faz isso. Mas ele permite que a escolha inferior corrija nossa vontade própria, e nos conduza de volta ao lugar de obediência de todo coração ao Senhor.
A escolha de um bem inferior pode resultar no abafamento dos nossos instintos mais espirituais, na perda de uma comunhão mais íntima com Deus, e na ausência daquela divina parceria de poder em que Deus fortalece e usa as pessoas para sua glória.
É sempre um grande desafio de fé compreender o que é o melhor de Deus, mas quando o reconhecemos, traz a exigência imediata de uma resposta. Seguir a luz divina que vem para nos guiar, e submeter todas nossas escolhas à vontade de Deus, são os testes mais severos que a vida nos reserva. Mas feliz de fato é o homem cuja coragem não hesita, cujos ideais não são renegados, na hora da sua provação.
Toda nossa vida presente e o treinamento que temos aqui é apenas uma preparação para o serviço eterno. A escolha de um bem inferior sempre resultará no empobrecimento da influência presente; pois se um homem quiser exercer influência superior, ele deve viver em função das coisas superiores.
Sabemos de pais que se dizem cristãos, mas cuja escolha de um bem inferior se reflete nas vidas insatisfatórias dos seus filhos. Ao invés de buscarem primeiro o Reino de Deus, a perspectiva da sua vida no lar é influenciada em grande medida pelo mundo, pelas convenções da sociedade, e não pelas convicções do coração. E seus filhos pegaram uma medida muito inferior de Deus por causa desta imagem distorcida que os pais refletiram.
O Exemplo do Nosso Senhor
Tudo não é desalento, porém. Para nos aliviar no meio de todas estas advertências, temos sempre presente a inspiração da própria vida do Senhor – onde encontramos o mais forte apelo ao nosso coração para escolher o mais alto. Pois ao lermos o registro da sua vida, nos dias da sua carne, vemo-lo como aquele que sempre, coerentemente, escolhia o melhor de Deus. "Desci do céu, não para fazer a minha própria vontade; e, sim, a vontade daquele que me enviou" (Jo 6.38). "... o Filho do homem...não veio para ser servido, mas para servir..." (Mt 20.28).
E no fim da sua vida, quando o cálice estava cheio, amargo e pesado, ouvimo-lo no Jardim, ainda fiel ao propósito governante da sua vida redentora: "Todavia não seja o que eu quero, mas o que tu queres" (Mc 14.36). E, escolhendo o melhor de Deus, ele bebeu o cálice até o fim.
Para os homens hoje, o melhor de Deus se expressa no chamado de Cristo: Segue-me. Segui-lo corajosa, coerente, e lealmente é escolher a melhor e mais alta de todas as alternativas da vida.
"Concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma" (Sl 106.15). pg 3

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, número 2

Quando Me Buscardes de Todo o Vosso Coração - W. C. Moore

(Jeremias 29.13)
"O reino dos céus é tomado a força, e os violentos o tomam de assalto" (Mt 11.12). "Não te deixarei ir, se me não abençoares" (Gn 32.26).
Por que estas fortes afirmações estão na Bíblia, uma no Velho Testamento, e outra no Novo Testamento? Por que esta necessidade de desespero? Por que esta ênfase em resolução? Por que este apelo a viver de todo o coração?
Deus não é um Pai amoroso àqueles que chegaram a ele com arrependimento e confissão, abandonando o pecado, e aceitando sua maravilhosa salvação pela fé em Jesus, seu Filho, por meio do seu sangue derramado? Então por que esta urgência, esta absoluta necessidade de um rosto "determinado", um "firme propósito" (Lc 9.51), para se chegar a algum lugar em Deus? Deve haver uma razão para tudo isto. Deus é infinitamente sábio, tudo que faz é pleno de sabedoria e amor.
Um fato se destaca com clareza no horizonte do infinito amor de Deus pela raça humana: Nossa salvação foi comprada por um enorme preço – a agonia e morte do Filho de Deus. É uma salvação extraordinariamente preciosa, e Deus deseja que seja prezada como uma expressão incalculável e suprema do seu amor, antes de conferir este dom tremendo a alguém. Uma decisão que afete todo o propósito e toda a disposição da vida da pessoa precisa ser tomada, e isto nos leva a um outro fato tremendamente importante na maravilhosa sabedoria do plano de Deus.
"Escolhei Hoje"
Deus deu ao homem o poder de escolha. Fez com que fosse totalmente impossível que qualquer ser humano permanecesse "em cima do muro". Ou você é bom ou é mau, salvo ou perdido – não há meio termo, posição intermediária, terreno neutro, para qualquer pessoa na face da terra. "Ninguém pode servir a dois senhores" (Mt 6.24). Sua vida, seu testemunho, ou vão contribuir para levar as pessoas à salvação, ou ajudará para que sejam condenadas. Jesus diz claramente: "Quem não é por mim, é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha" (Mt 12.30). "Escolhei hoje a quem sirvais" (Js 24.15).
"Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e AS PRATICA, será comparado a um homem prudente" (Mt 7.24). "Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?" (Hb 2.3). Se deixarmos de escolher a salvação de Deus por Jesus Cristo, estaremos perdidos e caminharemos para o inferno, para o "fogo inextinguível" (Mc 9.43). "Onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga" (Mc 9.44).
Deixar de escolher a Deus significa que já escolhemos o diabo e o pecado. Cada pessoa que atinge a idade de responsabilidade precisa tomar uma decisão clara e definida se vai aproveitar os prazeres do pecado por um tempo, ou se vai sofrer aflições com o povo de Deus neste "presente século mau". Esta última escolha se faz quando se ama mais a Deus do que a si mesmo e ao mundo, e porque se busca uma pátria celestial, e se considera um estranho e peregrino na terra (Hb 11.13,25).
Deus não mudou. Ele é sempre o mesmo (Ml 3.6; Hb 13.8). Foi escrito a respeito de Ezequias, que "Deus o desamparou, para prová-lo, e fazê-lo conhecer tudo o que lhe estava no coração" (2 Cr 32.31). Estamos servindo ao Senhor porque ele nos abençoa? Este é o motivo principal do nosso serviço a ele? Seguimos a Jesus porque comemos "dos pães e nos fartamos" (Jo 6.26)? Estamos seguindo-o pelos pães e peixes, ou seguimo-lo no sol e nas trevas, nos elogios e na difamação, no meio da alegria e da tristeza – só porque o amamos tanto?
Aproveite Toda Sua Fome Por Deus
"Porque a todo o que tem se lhe dará" (Mt 25.29), Jesus disse. Cultive os mais inexpressivos anseios por Deus que você tiver, e receberá anseios maiores. Se Deus "o desamparar, para prová-lo", como fez com Ezequias – busque-o da mesma maneira. Não corra a amigos para receber consolo, mas busque ao Senhor! Amigos podem ajudar, de fato, mas busque primeiro o reino de Deus e a sua justiça. Busque a Deus, creia nele, honra a ele, e ele o honrará (1 Sm 2.30).
A Bênção do Senhor
É uma grande bênção quando temos fome pelas coisas de Deus, e devemos ser muito gratos por estes anseios dentro da nossa alma para buscar ao Senhor. Os próprios desejos de agradar a Deus vêm dele, e devemos perseverar com intensidade para conhecê-lo melhor. Oh, que nunca venhamos entristecer o Espírito Santo por negligenciar estes anseios interiores por Deus!
"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos" (Mt 5.6). "Pois dessedentou a alma sequiosa e fartou de bens a alma faminta" (Sl 107.9).
"Se alguém quer vir após mim", Jesus disse, "a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me" (Lc 9.23). A vida cristã é uma caminhada, dia após dia continuando em comunhão com o precioso Senhor. Não é uma questão de embarcar no Trem do Evangelho e de se jogar numa cadeira e ser transportado com todo o luxo para o céu. Não! A vida cristã envolve negar a si mesmo dia após dia, abandonando nossos caminhos para que possamos andar nos caminhos dele – por amarmos a ele sobre todas as coisas.
Não Ameis as Coisas do Mundo
Você escolhe o mundo ou escolhe a Deus? Não pode ter os dois. Ninguém pode servir a dois senhores. Não se enreda com as atrações do mundo.
"Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele" (1 Jo 2.15).
"Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus" (Tg 4.4).
"Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo" (Lc 14.33).
O Problema do Recém-Convertido
"Não posso entregar, este pequeno mundo que conheço, os prazeres inocentes da juventude, as coisas que prezo tanto. O coração do meu Pai é bondoso, ele não se importará se este cantinho do meu mundo ainda me encanta e me segura nos seus laços. Estas coisas pertencem à minha juventude, e são por direito dela, minhas roupas, meus passatempos, meus amigos, aqueles que são brilhantes e joviais.
"É verdade que amo ao Senhor, e quero fazer sua vontade; mas, oh, se eu pudesse tirar proveito do mundo, e ainda ser um cristão ao mesmo tempo! Entretanto, lá fora da cidade, foi lá que meu Salvador morreu. Foi o mundo que o expulsou, e contemplou enquanto o crucificaram. Não, mundo, viro-lhe minhas costas! Suas mãos são manchadas de sangue, o sangue de Jesus! Posso fazer parte daqueles que o pregaram na cruz? E onde o nome dele não é louvado, pode haver um lugar para mim?
"Não, mundo, viro minhas costas. Ainda que tenha aparência bela e bondosa, aquela sua mão de amigo estendida para mim está manchada com o sangue de Jesus. Se eu me abaixar para participar nos seus propósitos, ainda que no menor deles, sem perceber sua influência há de roubar a presença de Cristo do meu coração. Tenho saudade do sorriso do meu Salvador quando ando pelos caminhos do mundo; suas risadas abafam a voz do Espírito, e poluem as fontes do louvor."
W. C. Moore foi o fundador do Arauto da Sua Vinda, junto com sua esposa, Sarah F. Moore, em 1941. Ambos já estão com o Senhor.
"O reino dos céus é tomado a força, e os violentos o tomam de assalto" (Mt 11.12). pg 4
"Não te deixarei ir, se me não abençoares" (Gn 32.26). pg 5

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, número 2

Meditando na Palavra de Deus - Derek Prince

Você quer o melhor de Deus? Se sua resposta for positiva, a primeira coisa que terá de fazer é decidir totalmente no seu interior que é isto de fato que deseja: o melhor de Deus. Esta é a decisão básica e fundamental. Você precisa querer o melhor de Deus, e terá de decidir que não aceitará nada menos que o melhor de Deus na sua vida. Deus não nos obriga a tomar esta decisão. Depende de nós fazer a escolha...
A coisa mais importante que você pode fazer se quiser o melhor de Deus é meditar na Palavra de Deus. Encha a sua mente com a Palavra de Deus. Dê uma olhada no exemplo de Josué, e nas instruções que o Senhor lhe deu quando estava para levar Israel para sua herança:
"Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido" (Js 1.8).
Esta última parte: "farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido", é o mesmo que dizer "acharás o melhor de Deus". Quais são as condições? Há três, e todas se relacionam à Palavra de Deus.
A Palavra não deve "se apartar da tua boca" (Edição Revista e Corrigida).
Você deve meditar nela de "dia e noite" – o que significa continuamente.
Você deve observar "tudo quanto nele está escrito".
Eu costumo resumir isto em três frases simples. Se você quer o melhor de Deus, se quer fazer prosperar seu caminho, e ser bem-sucedido, estas são as três coisas que deve fazer: pensar a Palavra de Deus, falar a Palavra de Deus, e fazer a Palavra de Deus. Coloquei pensar primeiro, porque se não pensar, nunca poderá realmente falar. Se não pensar e falar, nunca conseguirá fazer. O resultado de fazer os três é sucesso, o melhor de Deus.
Você pode dizer: "Ah, mas isto foi para Josué. Como posso saber que funcionará para mim?" O primeiro Salmo tem uma promessa semelhante, e é para todo aquele que preencher as condições. Inclui a todos. Não importa quem você é; tudo que importa é que você cumpra as condições.
"Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.
"Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.
"Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem-sucedido" (Sl 1.1-3).
Observe a última frase: "Tudo quanto ele faz será bem-sucedido". Isto é achar o melhor de Deus; esta é a verdadeira prosperidade. Isto pode aplicar a qualquer pessoa que preencher as condições. Há cinco condições: as três primeiras são negativas, ou seja, são coisas que você não deve fazer:
Você não deve andar no conselho dos ímpios.
Você não deve se deter no caminho dos pecadores.
Você não deve se assentar na roda dos escarnecedores.
A questão chave aqui é onde você recebe conselho. Se você recebe o conselho da fonte errada, então toda sua vida dará errado. Depois das três condições negativas, temos duas positivas:
Seu prazer deve estar na lei do Senhor.
Você deve meditar na sua lei de dia e de noite.
Observe que as duas condições positivas falam da lei do Senhor, ou da Palavra de Deus. Primeiro, você deve ter prazer na sua lei. Segundo, deve meditar nela de dia e de noite. Observe que outra vez a meditação certa é a chave para o sucesso – meditando na Palavra de Deus de dia e de noite.
Isto não significa apenas dez minutos por dia, lendo a Bíblia; é encher sua mente de tal forma com a Bíblia que ocupe seus pensamentos durante o dia inteiro. Assim estará sempre se alimentando daquilo que é positivo, que inspira sua fé, que edifica. Pensar certo é importante, pois o que você pensa determinará a maneira como vive.
Às vezes falo que a personalidade humana é como um iceberg: sete oitavos estão debaixo da superfície. Muito pouco do iceberg aparece acima da superfície em comparação com o que está debaixo dela. Isto também ocorre com a personalidade humana.
Aquilo que uma pessoa pensa determinará o curso da sua vida. Se você medita nas coisas certas, e vive uma vida certa, então colherá os resultados que Deus prometeu: sucesso e prosperidade – ou seja, o melhor de Deus.
Dê uma olhada a uma passagem do profeta Isaías que confirma que a maneira como pensamos afeta nossa experiência. Deus está falando nesta passagem:
"Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor,
"Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.
"Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come,
"Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei" (Is 55.8-11).
Observe como Deus começa com os pensamentos, e como diz que nossos pensamentos, por natureza, não são os seus pensamentos. Como, então, podemos começar a pensar os pensamentos de Deus? Deus dá a resposta nas palavras seguintes. Os caminhos e pensamentos de Deus estão num plano celestial, e nossos caminhos e pensamentos estão num plano terreno, bem abaixo de Deus. Mas a Palavra de Deus traz seus caminhos e pensamentos lá do céu para dentro das nossas vidas e coração, produzindo os resultados que precisamos.
"Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei.
"Saireis com alegria e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas.
"Em lugar do espinheiro, crescerá o cipreste, e em lugar da sarça crescerá a murta; e será isto glória para o Senhor e memorial eterno, que jamais será extinto" (Is 55.11-13).
Este é o resultado da Palavra de Deus descer do céu, entrar no nosso coração, ocupar nossa mente, e substituir nossos caminhos e pensamentos com os caminhos e pensamentos de Deus. A Palavra de Deus traz seus caminhos e pensamentos para dentro do nosso coração e vida. À medida que nossas mentes se encherem com a Palavra de Deus, começamos a pensar os pensamentos de Deus. Nossa vida mental é transformada completamente.
Os resultados estão descritos aqui de forma muito bela: paz (em paz sereis guiados), alegria (saireis com alegria), louvor (até a natureza participará – "as árvores do campo baterão palmas"), e fecundidade (em lugar do espinheiro e da sarça crescerão o cipreste e a murta).
Isto é o que acontece na nossa vida quando a Palavra de Deus entra e a recebemos e começamos a meditar nela. Nossos próprios caminhos e pensamentos são como o espinheiro e como a sarça; são improdutivos e inúteis. Mas quando são substituídos pela Palavra de Deus, no lugar do espinheiro e da sarça, produzimos o cipreste e a murta.
Quero sugerir-lhe que considere a substituição dos caminhos e dos pensamentos de Deus no lugar dos seus caminhos e pensamentos, como sendo a chave para o sucesso. Você deve cultivar a prática de meditar na Palavra de Deus de dia e de noite. Meditar na Palavra de Deus é aprender a pensar os pensamentos de Deus através de receber sua Palavra no nosso coração e mente.

"Não se aparte da tua boca o livro desta lei" (Js 1.8) pg 5

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, número 2

Jejum é Colocar Deus em Primeiro Lugar - Gordon Cove

No início da história da igreja, o jejum era considerado uma das colunas da religião cristã. Quando a igreja tinha poder, o jejum era uma parte essencial da fé.
Jejum não é mera abstinência de alimentos ou de qualquer outro prazer, por si mesma. É abstinência com propósito.
Jejum significa que você chegou a um lugar de desespero espiritual. Significa que está determinado agora a colocar Deus em primeiro lugar a qualquer custo. Há momentos quando devemos virar as costas a tudo no mundo, até mesmo à nossa alimentação, para buscar a face de Deus. Jejum significa que estamos determinados a buscar a face de Deus e a ter respostas para nossas orações. Significa simplesmente que colocamos Deus primeiro, antes de tudo, inclusive do alimento.
Geralmente, jejuar significa abster-se do alimento, mas o mesmo espírito de desespero nos levará a nos abster de outras coisas também. Jejuar é voluntariamente abrir mão de algo que seja inofensivo em si mesmo, para o fim de crescer espiritualmente. Não se aplica necessariamente só ao alimento. Aplica-se a qualquer coisa que o homem natural possa desejar.
Então jejuar significa colocar Deus realmente em primeiro lugar quando se ora, desejar Deus mais do que se deseja comer, mais do que dormir, mais do que ter comunhão com outros, mais do que correr atrás de negócios. Como um cristão pode saber se Deus está em primeiro lugar na sua vida, se em algumas épocas ele não deixa todas as outras obrigações e prazeres para se separar inteiramente para buscar a face de Deus?
Expressão de Tristeza
O jejum também é uma expressão de tristeza. Isto é, tristeza sobre pecados pessoais, ou uma carga de intercessão pelas almas de outras pessoas. Um objetivo do jejum é mortificar o pecado. Sua mente está perturbada e mal-humorada, seu coração endurecido, sua graça enfraquecida, e a corrupção carnal dominando? Orgulho, ciúme, ódio, amor pelo mundo, ou qualquer outra imundícia da carne ou do espírito o estão vencendo?
Jejum então é seu dever. Alguns demônios não saem, a não ser através de jejum e muita oração. Quando este for o caso, o jejum é o remédio certo, e deve ser usado como o principal instrumento.
Na Bíblia há muitos exemplos de jejum. "Então apregoei ali um jejum... para nos humilharmos perante o nosso Deus", escreveu Esdras (8.21) a respeito de toda a nação de Israel. O jejum dos ninivitas, e o jejum que o profeta Joel ordenou, eram considerados elementos essenciais no arrependimento nacional. Os homens de Nínive jejuaram com pano de saco e cinzas, como símbolo de profunda tristeza nacional (Jonas 3.5-7).
Há momentos quando uma profunda experiência, uma profunda humilhação de arrependimento, nos faz rejeitar todo alimento e prazer natural. Na sua tristeza pelo pecado, ou pela profunda intercessão por almas perdidas, qualquer deleite fere a alma.
O Jejum Confere Uma Força Adicional à Oração
Oração sozinha pode ser algo muito superficial. O jejum é uma evidência da nossa sincera intensidade e do nosso fervor. Para fazer até mesmo uma oração normal, precisamos ter fé, pois é necessário que "aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe..." (Hb 11.6). Mas para jejuar é preciso ter mais fé ainda. O jejum requer um desejo maior, uma determinação e uma fé maiores, e Deus observa isto quando vê seus filhos orando e jejuando.
Jejuar é deixar de lado todo peso e embaraço (Hb 12.1). Deixar os pesos é tirar todo empecilho à oração, e uma barriga cheia é um empecilho. Experimente orar com estômago vazio, e veja o quanto é mais fácil prevalecer em oração.
Quando começamos a orar e jejuar, significa que nos separamos seriamente à questão de orar com persistência, e que não aceitaremos ser negados. Sem dúvida alguma, o povo de Deus veria muito mais respostas à oração, se deixassem mais refeições e passassem o tempo em oração. O jejum não só reforça a oração, e constitui-se uma prova de maior intensidade, mas o jejum por si só é uma oração. Jejum torna-se oração para o cristão que está voltado para Deus.
Entre outros benefícios espirituais que resultam do jejum, um dos maiores é que jejuar ajuda a gerar fé. Nossa incredulidade é muito maior do que reconhecemos. É como um inimigo invisível e poderoso. Embora pareça difícil no princípio compreender, a própria fraqueza que se sente no jejum edifica nossa fé. Quando parece que estamos perdidos no escuro durante o jejum, e talvez o diabo venha cochichar que não está adiantando nada, esta é a hora em que sua fé está se edificando, pois Paulo diz: "Quando sou fraco, então é que sou forte" (2 Co 12.10).
Jejum é um auxílio poderoso para a oração. Se suas orações não são respondidas, acrescente jejum à oração. Você não buscou ao Senhor "com todo coração" enquanto não tiver separado um tempo prolongado de oração com jejum. Muitos cristãos oram há anos a respeito de certos problemas. Às vezes estas orações não são respondidas. Mas em muitos casos onde o jejum foi acrescentado às orações, além de profunda consagração e sondagem do coração diante de Deus, a resposta tem chegado sobrenaturalmente. Quando ligada ao jejum, a oração tem um poder muito maior. Não estamos afirmando que o jejum sozinho produzirá respostas milagrosas. Mas prepara o coração através de humilhação, de uma forma que nenhum outro meio pode fazer.
Junto com o jejum virão poder e liberdade na sua ministração da Palavra, se você é um pregador. Ao manter a carne em sujeição através do jejum, o espírito é vivificado – e o oposto também é verdadeiro. A tragédia é que tantos cristãos ainda continuem no seu estado espiritual sem poder, por não querem abrir mão das suas três refeições diárias, quando está ao seu alcance a chave da solução. Certamente, é necessário ter determinação para praticar o jejum, mas Deus não nos pediria para fazê-lo se fosse algo impossível.
Em Tempos de Crise "Santificai um Jejum"
Três vezes nos primeiros dois capítulos de Joel, Deus ordena o jejum (Jl 1.14; 2.12,15). O profeta Joel afirma que quando o momento é de desespero, Deus mesmo exorta seu povo a buscar auxílio dele. "Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns..." (2.12). "Santificai (ou promulgai) um jejum" (1.14).
Isto nos ensina que é certo nestes momentos marcar um dia para que todos jejuem em conjunto. Algumas pessoas dizem que concordam em jejuar quando "o Senhor colocar o desejo no coração". Mas as outras coisas na nossa vida não funcionam assim. Não esperamos sentir o mover de Deus para comer. Não esperamos um toque do Espírito para pagar o aluguel. Que outro sentimento precisamos ter da parte de Deus, quando em tempos de crise, ele já ordenou três vezes em dois capítulos que o façamos!
"Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns..." (Joel 2.12). pg 6

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, número 2

Desce, Senhor! Ofendemos a Ti! - Roger Ellsworth


Artigos de Roger Ellsworth:
1 - Desce, Senhor! Estamos com Saudades! - Roger Ellsworth
2 - Desce, Senhor! Precisamos de Ti! - Roger Ellsworth
3 - Desce, Senhor! Esperamos Por Ti! - Roger Ellsworth4 - Desce, Senhor! Queremos Encontrar a Ti! - Roger Ellsworth
5 - Desce, Senhor! Ofendemos a Ti! - Roger Ellsworth
6 - Desce, Senhor! Pertencemos a Ti! - Roger Ellsworth
7 - Suplicamo-te – Desce, Senhor! - Roger Ellsworth

Este é o quinto artigo numa série de mensagens sobre Isaías 63 e 64.

"Sais ao encontro daquele que com alegria pratica justiça, daqueles que se lembram de ti nos teus caminhos; eis que te iraste, porque pecamos; por muito tempo temos pecado e havemos de ser salvos?

Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como um vento, nos arrebatam.

Já ninguém há que invoque o teu nome, que se desperte e te detenha; porque escondes de nós o rosto e nos consomes por causa das nossas iniqüidades" (Isaías 64.5-7).

Agora estamos chegando ao ponto essencial. Isaías vem se armando com argumentos para convencer Deus a descer e visitar seu povo. Mas por qual razão Deus se retirou do seu povo e escondeu seu rosto? Nesta parte da oração, Isaías enfrenta esta questão. Nada se ganharia por rodear o assunto, e assim ele diz sem floreios: "Pecamos" (v. 5). Um pouco depois ele acrescentou: "Escondes de nós o rosto... por causa das nossas iniqüidades" (v. 7).

Temos falado sobre sentir falta de Deus, e precisar de Deus. Temos examinado a necessidade de esperar em Deus, e até de sair ao seu encontro. Agora teremos de reconhecer que todas estas coisas estão condicionadas ao reconhecimento de pecado em nossas vidas. Esta é uma questão crucial. Podemos parar de falar sobre avivamento, se não tivermos intenção de enfrentar nossos pecados e nos afastar deles.

Nos tempos antigos, quando um rei resolvia visitar seu povo, mandava um mensageiro na frente para anunciar sua vinda. O povo se preparava para sua chegada construindo um "caminho alto". Enchiam os vales, nivelavam os lugares mais altos, removiam as pedras e raízes dos lugares ásperos. Quando o caminho estava pronto, o rei vinha.

O Senhor deseja vir nos visitar. Ele deseja encher nossas vidas e nossas igrejas com sua gloriosa presença. Mas devemos preparar o caminho. Cada membro do seu povo tem algo a fazer. Cada um de nós tem um vale de envolvimento pecaminoso que precisa ser levantado. Todos tem lugares altos de orgulho que precisam ser abaixados. Cada um tem lugares tortuosos onde sua vida se desviou da sua vontade. Todos têm um acúmulo de pedras e raízes de lascívia, ciúme, ressentimento e ganância que deve ser removido. Há trabalho para ser feito!

"Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. A glória do Senhor se manifestará, e toda a carne a verá, pois a boca do Senhor o disse" (Is 40.3,5).

Mas tratar com pecado não é um assunto fácil. Ninguém acha fácil dizer estas três palavrinhas: "Eu estava errado". Casamentos freqüentemente engasgam e morrem porque aquelas palavras ficaram atravessadas na garganta. Amizades muitas vezes criam focos de suspeita e tensão por causa da indisposição de falar estas palavras. Igrejas ficam polarizadas e paralisadas por falta destas palavras. Mas por difíceis que sejam, precisam ser ditas, e ditas de coração.

Vamos aprender com Isaías. Ele não faz rodeios. Faz uma verdadeira confissão, e ao fazê-la, mostra-nos os ingredientes do genuíno arrependimento. Em primeiro lugar, veja como sua confissão:

1. Expõe o Pecado

Em linguagem simples, sem enfeites ou floreados, Isaías expõe para que todos vejam a força do pecado. O pecado havia triunfado sobre eles, e este triunfo era evidente primeiro na imundícia geral do seu comportamento (v. 6).

Isaías examina este comportamento imundo de duas maneiras. Primeiro, considera a sua fonte – a imundícia da nossa natureza. "Todos nós somos como o imundo", ele diz. Todos nossos atos imundos procedem deste fato de sermos pecadores por natureza. A corrente é contaminada porque a nascente é contaminada.

Nada faz o homem moderno levantar sua defesa mais rápido do que falar nestes termos. É muito melhor falar sobre a bondade essencial do homem. Se ele falha, não é por causa da sua natureza pecaminosa; é simplesmente alguma deficiência na sua educação ou no seu ambiente. E a maior necessidade do homem não é ser salvo do pecado, mas de ter escolas melhores e uma sociedade mais evoluída.

Na verdade, ensinar sobre a natureza pecaminosa do homem é considerado em muitos lugares como definitivamente prejudicial ao homem. Faz com que tenha uma baixa auto-estima. Alguns já foram até o ponto de sugerir que o homem só precisa ser salvo desta baixa auto-estima, e não do pecado.

Enquanto isso, o homem continua pecando despreocupado, e continua colhendo a destruição e ruína que o pecado gera. Ao mesmo tempo que fala com entusiasmo sobre sua dignidade e seu potencial, a sociedade que construiu está desmoronando por toda parte.

Os cristãos receberam perdão dos pecados, mas a natureza pecaminosa que receberam ao nascer não foi automaticamente anulada. Ainda exerce uma poderosa influência, e temos de clamar constantemente com o apóstolo Paulo: "Miserável homem que sou!" (Rm 7.24).

Depois de fazer esta observação, Isaías passa a falar da extensão da nossa imundícia. Contamina até mesmo nosso melhor comportamento. Isaías diz: "Todas as nossas justiças, como trapo da imundícia". Esta afirmação fez Charles Spurgeon comentar: "Irmãos, se nossas justiças são tão ruins assim, imaginem nossas injustiças!"

Nossa pecaminosidade é tão profundamente arraigada que abrange e contamina tudo que fazemos. Os teólogos falavam muito sobre a "depravação total do homem". Com isto não estavam dizendo que o homem já alcançara o máximo de degeneração possível, mas que a natureza pecaminosa se manifesta em tudo que ele faz. Citando Spurgeon outra vez: "... há pecado até na nossa santidade, há incredulidade na nossa fé; há ódio no nosso próprio amor; há lama da serpente na mais bela flor do nosso jardim."

Por espantosa que seja esta descrição, é apenas a metade da história. A outra metade é exposta por Isaías nestas palavras chocantes: "Já ninguém há que invoque o teu nome, que se desperte e te detenha".

Assim, além da imundícia do seu comportamento, Isaías também confessa a frigidez dos seus corações. Não havia nenhuma necessidade maior do que deter Deus em oração, buscar seu perdão, e suplicar por suas promessas. Mas isto exige esforço. É preciso se despertar para fazer este tipo de coisa. É preciso fazer um auto-exame, ficar enojado pelo pecado que se permitiu alojar na sua vida, e determinar que não vai mais continuar desta forma. Mas era justamente isto que a geração de Isaías não estava preparada para fazer. Estavam em tal estado de sono que não podiam despertar a si mesmos.

O comentarista Albert Barnes o expressa desta forma: "Ninguém sobe ao encontro de Deus sem ser despertado; pois do contrário cai no estupor do pecado da mesma maneira que um homem sonolento volta ao sono profundo".

Este povo, então, estava preso nas pinças mortíferas de Satanás. Por um lado, estavam envolvidos em toda espécie de imundícia. E por outro, estavam frios para com o Senhor. Pecados de ação por um lado, e pecados de omissão por outro. Que combinação fatal! E é uma combinação que se repete inúmeras vezes no meio do povo de Deus hoje. Verdadeiro arrependimento não deixará de confrontar os dois lados desta combinação. Exporá os dois com igual franqueza, e não apresentará desculpa alguma.

Mas há um outro aspecto importante do verdadeiro arrependimento demonstrado pela confissão de Isaías. Veja como ele também:

2. Exonera a Deus

Por causa do predomínio do pecado na sua nação, Isaías também podia ver e confessar a presença do juízo divino. "Te iraste", diz Isaías (v. 5). Sim, ele realmente diz que Deus ficou bravo. Alguns ficam atônitos e pasmos ao ouvir isto. Deus fica irado? Sim! Vez após vez a Bíblia nos diz que Deus se opõe fundamentalmente ao pecado, e no entanto nos recusamos a acreditar nisto. Ficamos tão alucinados com o amor de Deus que nos esquecemos sobre sua santidade que exige que o pecado seja julgado. Somos tão tolos quanto a avestruz que esconde a cabeça na areia, pensando que está a salvo dos caçadores.

Talvez você diga: "Prefiro pensar de Deus como um Deus de amor". É claro que prefere. Mas esta é a "síndrome da avestruz", com toda certeza. Preferir ter um Deus de amor de maneira alguma anula o fato que ele também é um Deus que jurou exercer juízo sobre o pecado.

Depois de afirmar a ira de Deus, Isaías prossegue usando duas metáforas para descrever o juízo de Deus sobre seu povo. Uma é o vento (v. 6), e a outra é o fogo (v. 7).

Quando o povo de Deus se envolve com pecado, e se esfria para com o Senhor, começa a "murchar como a folha". Sua força espiritual começa a se secar, e depois o vento de juízo o leva embora. O vento do juízo de Deus levou o povo de Isaías embora para Babilônia! Tal foi o fruto da sua vida impiedosa. Tornaram-se uma evidência manifesta da verdade das palavras do salmista. O homem que se deleita na lei do Senhor é uma planta "cuja folha não cai" (Sl 1.3). Mas os ímpios são "semelhantes à moinha que o vento espalha" (v. 4).

Depois Isaías usa a figura do fogo. Diz que Deus "nos consome por causa da nossa iniquidade". O fogo é um símbolo comum na Bíblia para juízo. Reflete a dor e a angústia que o juízo causa. Mas o fogo do juízo também traz um elemento de esperança. É o fogo que purifica o ouro, derretendo as impurezas. Se somos povo de Deus, o fogo consumidor será em última análise o meio da nossa renovação.

O que quero mostrar aqui é que Isaías declara a ira de Deus, e usa estas metáforas para descrevê-la, mas de forma alguma discute com Deus. Simplesmente reconhece que Deus está irado, mas não acusa Deus de ser injusto. Ele não discute o direito que Deus tem de ficar irado por causa dos seus pecados. Aqui chegamos à essência do verdadeiro arrependimento. Arrependimento genuíno sempre honra a Deus; reconhece-o como Deus e reconhece seu direito como Deus. Em outras palavras, arrependimento é onde paramos de encher nossa boca de argumentos contra Deus, e tomamos nossa posição humilde de criatura diante do Criador.

Você nunca conhecerá arrependimento, nem a paz ou o gozo que este traz, enquanto estiver interessado em se defender diante de Deus. "Isto não é justo!" "Não entendo como Deus pode fazer isto." Estes são os sentimentos comuns da pessoa que não conhece arrependimento. A pessoa que os expressa apenas reflete sua ignorância desta afirmação: "Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos" (Is 55.8,9).

Aqui, então, na oração de Isaías há território que precisamos conquistar se realmente quisermos que o Senhor "desça". Devemos arrepender-nos dos nossos pecados. Não devemos passar por cima deles, mas reconhecê-los com sinceridade. E devemos reconhecer que o juízo de Deus é justo e certo. Que nossa oração hoje seja: 

"Desça, Senhor! Ofendemos a ti".


"Eis que te iraste, porque pecamos" (Is 64.5). pg 7

"Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia" (Is 64.6) pg 8




Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, número 2

Vós Sois Lavoura de Deus - F. F. Bosworth

Todo ser moral na face da terra foi "comprado por preço" (1 Co 6.20), a fim de ser o campo do Senhor, em que sua semente "incorruptível" ou imperecível deve crescer, ser cultivada e produzir suas maravilhas. Os cristãos são a "lavoura" de Deus (1 Co 3.9), seu campo, seu jardim.
Um campo pertence ao seu dono. Por isto Paulo disse: "Não sois de vós mesmos... Fostes comprados por preço" (1 Co 6.19,20). Deus está com o título do terreno. Somos totalmente dele. Pertencemos a ele por direito de criação, e por direito de preservação. Mas o maior fato é que lhe pertencemos por direito de redenção – pois comprou-nos por um preço infinitamente grande a fim de sermos "lavoura" dele.
Plantando a Semente
Paulo disse aos coríntios: "Eu plantei" (1 Co 3.6). Na parábola do semeador, Jesus disse: "A semente é a palavra de Deus" (Lc 8.11). É a semente "incorruptível". Deus produz suas maravilhosas lavouras da mesma forma que os lavradores o fazem. Jesus disse: "Eis que o semeador saiu a semear" (Mt 13.3).
É baseado na Palavra de Deus que podemos confiar na qualidade sobrenatural desta lavoura. "Fé vem pelo ouvir", por sabermos qual a vontade de Deus para nós. Por ter qualidades tão maravilhosas, Deus deseja que toda sua semente seja plantada. O propósito de Deus em criar a semente era que fosse plantada em "boa terra", onde pudesse germinar, crescer, e dar muito fruto. Por isto Paulo disse: "Eu plantei". A semente não tem poder algum para produzir fruto se não for plantada.
O preço infinito que Deus pagou pelo campo revela a importância de plantar a semente imperecível. Todas as maravilhosas obras de Deus estão presentes em potencial nesta semente. Davi disse: "Todas as suas obras são feitas com fidelidade" (Sl 33.4), isto é, com fidelidade às suas promessas. As obras de Deus são impedidas enquanto a semente não estiver em terra boa. Seu plano para nós é que gastemos nossa vida inteira para possibilitar a germinação e o crescimento da semente imperecível. Nada pode substituir a semente, nem mesmo a oração. A Palavra é a semente.
Semente Preciosa
O objetivo das promessas de Deus é alcançar o seu cumprimento. Cada uma delas nos revela uma outra coisa que Deus está ansioso para fazer por nós. O Espírito Santo, cuja tarefa é cumprir as promessas, refere-se a elas, dizendo que são "preciosas e mui grandes" (2 Pe 1.4). Sua grandeza pode ser avaliada ao constatar que são perfeitamente capazes de suprir todas nossas necessidades, e de encher todas nossas capacidades. Sua imutabilidade remove todo motivo de dúvida, e nos oferece uma base perfeita em que possamos basear nossa expectativa. Assim como sementes naturais, não podem ser mudadas. Produzem seus maravilhosos resultados em qualquer época, ou em qualquer jardim (de terra boa).
É responsabilidade do cristão provar ao mundo, através de demonstração viva, que as promessas de Deus são tão verdadeiras hoje quanto foram há dois mil anos atrás. Foram dadas para que fossem conhecidas, recebidas, e cultivadas pela oração. Devem ser semeadas e depois reivindicadas e cultivadas pela oração.
Em Romanos 4.12, Deus fala de cristãos como aqueles que "andam nas pisadas da fé que teve nosso pai Abraão". Isto significa que todos devemos tratar cada uma das promessas de Deus exatamente como Abraão o fez. Podemos aceitar que Deus seja menos real às pessoas desta dispensação do Espírito Santo do que era àquelas que viviam apenas nas "sombras" das coisas superiores?
Jesus disse a alguns dos judeus da sua época: "A minha palavra não encontra lugar em vós" (Jo 8.37). Que lugar a Palavra de Deus deve ter em nós? Eu respondo que deve alcançar e manter um lugar íntimo e prioritário nos pensamentos, na memória, na consciência, e nos sentimentos. Deve alcançar e manter em nós um lugar de honra, reverência, fé, amor, e obediência. Deve alcançar e manter em nós um lugar de confiança absoluta. Deve alcançar e manter dentro de nós um lugar de autoridade.
Milhões de pessoas cantam o conhecido hino tradicional: "Firmes nas Promessas". O fato é que grande parte do povo de Deus nunca se apropriou da maioria das suas promessas. Firme nas promessas de Deus significa vê-las se cumprirem; significa apropriar a bênção que cada promessa revela; significa fazer a "oração da fé" em favor do seu cumprimento.
Negligenciá-las é como se desfizéssemos o fruto que produziriam se deixássemos que fossem cumpridas. É a sua preciosidade que deve determinar nosso amor e estima por elas. Paulo tinha alegria em afirmar: "Eu plantei". Se todos os lavradores tratassem sua semente como milhões de cristãos tratam a semente imperecível de Deus, o mundo já teria morrido de fome.
Colhendo a Semente
Existem infinitas possibilidades dentro da semente. É por isto que todos deveriam fazer como no princípio: "E a grande multidão o ouvia com prazer" (Mc 12.37). No texto mais simples da Bíblia há uma imensidão de bênçãos, assim como numa pequena sementinha há uma árvore em potencial, um milhão de vezes maior que a semente. Um versículo da Bíblia que for germinado num coração humano pode crescer e produzir uma colheita de milhares de conversões, e trazer a glória eterna como conseqüência.
Um grão de trigo pode, com tempo, multiplicar-se até cobrir um continente e alimentar nações; os resultados de cultivar a semente imperecível são tantas vezes maiores e mais desejáveis do que as colheitas da semente natural, quanto os céus são mais altos que a terra. Somente a semente imperecível pode produzir resultados imperecíveis. A Bíblia diz: "... cuja semente estava nele, conforme a sua espécie" (Gn 1.12).
Cada promessa, através das bênçãos prometidas, revela a natureza da colheita que a semente produzirá. Verdadeiro cristianismo é um sistema de promessas cumpridas.
Regando a Semente
Paulo disse: "Eu plantei, Apolo regou". Toda a semente e todas as plantas no jardim de Deus necessitam ser regadas. Jesus disse do solo rochoso em que a semente caiu: "...secou por falta de umidade" (Lc 8.6). Também disse: "... porque não tinha raiz, secou-se" (Mt 13.6). Se quisermos que a semente cresça, a terra precisa ser regada. É por não serem regadas continuamente que muitas plantas de Deus estão secando-se ao invés de crescerem. O jardim é um lugar para crescimento.
Paulo escreveu aos tessalonicenses: "A vossa fé cresce sobremaneira" (2 Ts 1.3). Deus ordenou que todos crescessem em graça. Por isto Deus diz a cada um dos seus pequenos jardins: "Encha-se do Espírito – mantenha a terra úmida". A água é o Espírito "que Deus outorgou aos que lhe obedecem" (At 5.32). A plenitude do Espírito é a condição da perfeita liberdade de Deus para agir.
Cada um dos 176 versículos do Salmo 119 mostra a atitude do salmista para com a Palavra de Deus. Com alegria, ele reconhece seu dever de guardar os preceitos de Deus diligentemente. "Observarei os teus estatutos", ele prometeu.
"Escondi a tua palavra no meu coração", ele disse para Deus. "Mais me regozijo com o caminho dos teus testemunhos do que com todas as riquezas... Meditarei nos teus preceitos... Terei prazer nos teus decretos... não me esquecerei da tua palavra... Escolhi o caminho da verdade... Correrei pelo caminho dos teus mandamentos... Dá-me entendimento, e guardarei a tua lei e observá-la-ei de todo o coração... Também falarei dos teus testemunhos... Os teus estatutos têm sido os meus cânticos... Apressei-me e não me detive a observar os teus mandamentos...
"Para mim vale mais a lei que procede de tua boca do que milhares de ouro ou de prata... a tua lei é a minha delícia... Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu... A tua fidelidade estende-se de geração a geração... Não fosse a tua lei ter sido o meu prazer, há muito já teria eu perecido na minha angústia... Nunca me esquecerei dos teus preceitos... Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia!
"Oh! Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais doces do que o mel à minha boca... Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz para o meu caminho... Os teus testemunhos tenho eu tomado por herança para sempre, pois são o gozo do meu coração... Inclinei o meu coração a guardar os teus estatutos, para sempre, até ao fim... Aborreço a duplicidade, mas amo a tua lei...
"Amo os teus mandamentos mais do que o ouro, mais do que o ouro refinado... Por isso, tenho por, em tudo, retos os teus preceitos todos e aborreço todo caminho de falsidade... Admiráveis são os teus testemunhos; por isso, a minha alma os observa... Puríssima é a tua palavra; por isso, o teu servo a estima... A minha alma tem observado os teus testemunhos; eu os amo ardentemente... O que o meu coração teme é a tua palavra... Alegro-me nas tuas promessas, como quem acha grandes despojos."
Todas estas afirmações e muitas outras estão no Salmo 119. Mostram-nos como o salmista regava a Palavra. Paulo disse: "Ora, o que planta e o que rega são um" (1 Co 3.8). Regar a semente é tão necessário quanto plantá-la. Deus não pode fazer a semente crescer sem que seja regada.
Crescimento da Semente
E depois Paulo disse: "...mas o crescimento veio de Deus" (1 Co 3.6). Deus fez suas promessas para este único propósito. Ele sempre faz a semente crescer quando é colocada em boa terra e depois é regada. O crescimento vem depois de ser regada.
Jesus também disse: "... e deu fruto". A semente sempre dá fruto. A intensidade de qualquer desejo santo se mede pelo grau de amor divino que a pessoa possui. O desejo de Deus, portanto, é tantas vezes maior que o nosso possa ser, quanto o seu amor é maior que o nosso. Sua benevolência é tão grande que seus olhos "percorrem toda a terra", procurando continuamente oportunidades de abençoar aqueles cuja atitude de coração lhes permite ser abençoado.
O que Deus prometeu pertence a nós. A justiça de Deus requer que ele faça a semente crescer quando esta for plantada e regada. João diz que ele é "fiel e justo". A palavra "justo" significa que Deus seria injusto se retivesse de nós o que prometeu.
Temos direito àquilo que nos foi prometido. É um fato cem por cento comprovado que Deus faz crescer toda semente que for plantada e regada. Todos somos prova disso. Deus é o melhor lavrador em todo o universo. Ele nunca falha!
Sua Palavra – Sua Semente
Como a obra da semente imperecível é sobrenatural e é somente Deus que pode fazer a semente crescer, os frutos maravilhosos podem aparecer no mesmo dia do plantio. As promessas de Deus são para hoje; seu tempo é sempre hoje.
"Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações" (Hb 4.7). Se você adiar a aceitação das promessas de Deus, poderá não estar vivo amanhã. As promessas de Deus pertencem a nós hoje, e não podemos ter certeza delas para outra época.
A única maneira de estar certo das bênçãos prometidas por Deus é aceitar o seu tempo; e isto encontramos em 2 Coríntios 6.2: "Eis aqui agora o tempo aceitável". Como agora é o tempo que Deus aceita, nós também devemos aceitá-lo como nosso. Ele ordena que ouçamos sua voz hoje, e adverte que não endureçamos nossos corações por protelar.
Em Marcos 11.24, Jesus disse: "...crede que o tendes recebido". Quando? Agora, "quando pedirdes em oração". A fé afirma, antes da resposta se manifestar: "Pai, agradeço-te que já me ouviste". Quando não puder ver ou sentir, diga: "Esta é a hora de confiar".
Os resultados não se manifestarão até depois de crermos que nossa oração foi ouvida, e de continuarmos crendo.
Diga ao Senhor: "Tu agora estás agindo em resposta à minha fé. Confio na tua fidelidade". A questão sai das nossas mãos e passa para as mãos de Deus, no instante em que fazemos uma entrega definida do assunto. Paulo disse: "Ele é poderosos para guardar o meu depósito até aquele dia" (2 Tm 1.12).
Mas Deus não promete guardar algo que não lhe foi entregue. Somente quando fazemos a entrega é que podemos receber o que ele nos prometeu.
Se as dádivas de Deus fossem apenas dádivas prometidas, teríamos que esperar que aquele que prometeu cumprisse suas promessas, e a responsabilidade seria toda dele. Mas todas as bênçãos de Deus são, além de prometidas, dádivas oferecidas, e portanto precisam ser aceitas; desta forma, a responsabilidade também é nossa. Evidentemente, Deus não é responsável pela falha em transferir suas riquezas para nós.
Colhendo a Semente Regada
Qual foi o efeito da atitude de Davi para com a Palavra de Deus – de ter regado a semente? Este garoto pastor de ovelhas, ao regar a Palavra dentro dele, tornou-se mais sábio que todos seus instrutores (Sl 119.99).
Sua atitude em relação à Palavra de Deus fez dele um "homem segundo o coração de Deus". Fez dele o maior salmista de todos os tempos. Seus salmos já abençoaram a milhões de pessoas durante os séculos.
Por ter regado a semente, tornou-se um escritor divinamente inspirado. Como cada semente plantada produz ainda mais sementes, assim as palavras de Davi nos Salmos se transformaram em semente imperecível, que durante séculos tem germinado em corações humanos pelo mundo inteiro. Suas palavras serviram de texto para milhares de sermões.
Davi descobriu que a meditação é como mastigar o alimento espiritual, é extrair a doçura e o valor nutritivo da Palavra para nosso coração e vida. Meditação tem um poder digestivo, e transforma verdade em nutrição espiritual. É a Palavra de Deus que, segundo Paulo, "está operando eficazmente em vós, os que credes" (1 Ts 2.13), todas as divinas transformações de "glória em glória".
Davi disse: "Sou mais entendido que os idosos, porque guardo os teus preceitos" (Sl 119.100). Por observar no coração e na vida os preceitos do Senhor, apesar de ainda jovem, Davi passou a compreender mais do que outros anteriormente haviam aprendido em toda uma vida de experiência. Desta forma, obteve tal sabedoria e conhecimento que disseram dele que era como "um anjo de Deus" para discernir entre o bem e o mal (2 Sm 14.17). No mesmo capítulo, a sua sabedoria foi comparada à sabedoria de um anjo. Ele mesmo disse: "Tua palavra me vivifica" (Sl 119.50). Vivificou todo seu ser ao ponto da Palavra de Deus ser cumprida nele. Sua vida se encheu de louvor e ações de graça.
As possibilidades da "semente imperecível" são infinitas. Nada pode ser tão proveitoso quanto ser o campo de lavoura de Deus. Só Deus pode saber como será a colheita eterna. Lembre-se durante toda sua vida: "Você é o campo de Deus onde deve ser cultivada a lavoura de Deus!"

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, número 1

O Valor da Memorização das Escrituras - N. A. Woychuk

Vamos dar atenção a algumas razões básicas para se fazer um depósito interior das Escrituras em nosso coração e mente.
Em primeiro lugar, devemos memorizar as Escrituras porque Deus nos ordena a fazê-lo.
Deus falou ao seu povo no Monte Sinai, do meio do fogo, e o povo respondeu, dizendo: "Eis aqui o Senhor, nosso Deus, nos fez ver a sua glória e a sua grandeza, e ouvimos a sua voz do meio do fogo; hoje, vimos que Deus fala com o homem, e este permanece vivo" (Dt 5.24).
O povo percebeu que o grande e glorioso Deus se expressa em palavras que podem ser compreendidas.
Logo depois, Deus disse: "Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração" (Dt 6:6). Deus explicou ainda que deveriam dedicar o esforço necessário para colocar suas palavras no coração deles: "Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma; atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por frontal entre os olhos" (Dt 11.18).
Deus especificamente nos ordena a memorizar sua Palavra para que esta esteja no nosso coração. Esta é sua vontade e seu plano para nós. Não podemos escapar disso. Não ousamos dizer-lhe: "Não tenho tempo", ou "Não consigo memorizar".
A segunda razão por que devemos memorizar as Escrituras, é que simplesmente não podemos realmente "viver" sem isto. Em Deuteronômio 8, lemos como Deus trata com seu povo, como o disciplina, como o humilha e o exalta, a fim de que soubesse "que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor viverá o homem" (Dt 8.3).
De fato, podemos existir sem a sua palavra, mas não podemos "viver" sem ela.
Por Que Memorizar?
Já que temos a Palavra de Deus convenientemente impressa num livro que podemos carregar conosco para onde quer que formos, por que é necessário gastar todo o esforço que faz parte da memorização? De fato, lembro-me de como um pregador conhecido, certa vez, anunciou diante de uma grande audiência que não tinha costume de memorizar as Escrituras. Justificou-o, fazendo comparação ao horário de partida de uma passagem de trem.
"Por que hei de memorizar o horário do trem, quando tenho a passagem no meu bolso?", ele perguntou, cheio de razão.
Entretanto, não está escrito: "Escondi o horário do trem no meu coração, para eu não pecar contra ti"!
O horário do trem pode ser necessário para nós durante cinco minutos ou mais durante a semana, mas a palavra do Deus vivo é urgentemente necessária durante 10.080 minutos por semana, e se a tivermos no coração e na mente, nos estará acessível instantaneamente e a todo tempo.
Sim, de fato, leia a Palavra de Deus diariamente, medite nela diariamente, e seu espírito será exposto diariamente ao coração e à mente de Deus.
Ainda mais proveito será adquirido quando se pesquisa e estuda as Escrituras seguindo algum método sistemático. Martinho Lutero comparava o estudo da Bíblia a apanhar maçãs. Primeiro sacode-se a árvore inteira – ou seja, leia a Bíblia de capa a capa, como se lê qualquer outro livro. Depois sacode-se cada galho individualmente, estudando livro por livro. Em seguida, sacode-se os ramos menores, dando atenção a cada capítulo. Finalmente, sacode-se cada broto dos galhos, estudando cuidadosamente os parágrafos e frases, e há de ser grandemente recompensado aquele que olhar embaixo de cada folha, buscando o significado de cada palavra.
Ao estudar a Palavra, não estamos buscando eloqüência, e sim a verdade; não queremos argumentos sagazes, porém a vida; e acima de tudo, ansiamos encontrar a Pessoa de Cristo nas páginas sagradas.
E a maneira mais eficaz de assimilar a Palavra de Deus é pela memorização. Assim, não será um acontecimento passageiro, como um visita que passa uma hora e já vai embora para seguir seu caminho; pelo contrário, a Palavra de Deus é convidada a permanecer em nós, a se estabelecer em nós, a fazer sua morada na nossa alma interior e a habitar nos recessos mais profundos do nosso ser.
A Justificativa
Por que eu deveria memorizar a Escritura?
Há alguns anos, uma pessoa com cargo elevado numa denominação cristã escreveu-me uma carta sobre o assunto de memorização das Escrituras. Disse que muitos dos seus membros estavam sugerindo que se estimulasse mais a memorização das Escrituras, mas que ainda não tinham nem ao menos uma justificativa de motivos elaborada para isto. Perguntou se eu tinha tal justificativa e se podia passar-lhe um fundamento para memorização, do ponto de vista bíblico, educativo, e psicológico.
Fiquei bastante chocado e entristecido por ver que um líder tão proeminente de um grupo tão grande de cristãos nem soubesse dizer qual o valor ou as razões básicas por que se deve memorizar as Escrituras. Mas desde então, tenho constatado que tal situação não era um caso isolado, mas é bem mais geral do que gostaríamos de imaginar.
Orei, e ponderei bastante sobre a melhor maneira de responder a este homem, e depois de alguns dias escrevi-lhe mais ou menos assim: "Com o risco de ser um tanto simplista, posso lhe dizer que de fato temos uma justificativa para a memorização das Escrituras, e que a mesma foi estabelecida pelo próprio Deus há muito, muito tempo. É a seguinte: 1) A tua palavra – este é o ponto de vista bíblico. É a Palavra de Deus, infalível e eterna, com que estamos lidando. 2) Escondi no meu coração – esta é a parte educativa ou disciplinar da questão. Exige-se um esforço verdadeiro para guardar a Palavra de Deus na mente e no coração, mas é extremamente proveitoso. 3) Para eu não pecar contra ti (Sl 119.11) – aí está o aspecto psicológico ou espiritual da questão."
Concluí a carta dizendo: "Tua palavra – é a melhor possessão; escondi no meu coração - este é o melhor lugar; para eu não pecar contra ti – este é o melhor propósito."
Memorizamos as Escrituras porque são as palavras vivas de Deus. Desejamos ter suas palavras nas nossas mentes, a fim de saber em cada encruzilhada da nossa vida qual a sua vontade para nós.
Uma razão por que as pessoas não levam a Palavra de Deus muito a sério é que questionam a veracidade de Deus, como o fez Satanás primeiro em Gênesis 3.1: "É assim que Deus disse?".
A Bíblia é um livro milagroso! Veio sobrenaturalmente através de revelação divina (1 Co 2.10). Deus moveu sobre certos homens chamados apóstolos e profetas de um modo especial, e mostrou-lhes sua vontade e palavras. Escreveram estas palavras "...não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito" (1 Co 2.13).
Paulo nega a idéia de que os homens tenham colocado os pensamentos de Deus nas suas próprias palavras, ou em palavras sugeridas por conhecimento humano. E Pedro o confirma quando diz: "Homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo" (2 Pe 1.21). A Bíblia veio para nós da parte de Deus.
A Bíblia é superior a todos os demais escritos. Sua excelência é infinitamente superior, assim como "os céus são mais altos do que a terra" (Is 55.9). Os próprios autores inspirados se maravilhavam da sua incalculável grandeza. "Quão grandes, Senhor, são as tuas obras! Os teus pensamentos, que profundos!" (Sl 92.5).
"Como telescópio, a Bíblia alcança além das estrelas, e penetra as alturas do céu e as profundidades do inferno. Como microscópio, revela os detalhes mais minuciosos do plano e propósito de Deus, como também os segredos escondidos do coração humano" (L. S. Chafer).
Portanto, a Palavra age com eficácia quando é recebida e apropriada pessoalmente como aquilo que é: a verdadeira Palavra de Deus ( 1 Ts 2.13). Um famoso cirurgião e também defensor infatigável da Bíblia como a Palavra infalível de Deus, Dr. Howard Kelly, descreveu a realidade prática do seu ponto de vista da seguinte forma: "A Bíblia tem um atrativo especial para mim, como médico, pois é um remédio sobremodo excelente; nunca deixou de curar um paciente sequer, desde que fosse tomado fielmente de acordo com a sua receita. No campo de tratamento espiritual é precisamente aquilo que tanto gostaríamos de encontrar para nossos males físicos: um remédio universal."
A Palavra de Deus é Indispensável
Deus quer que reconheçamos que sua Palavra não só é importante, mas também totalmente indispensável em cada área da nossa vida (Dt 8.3).
Deus pretende que o crente viva pela Palavra diariamente e a cada momento. Sua vida interior deve ser sustentada por ela; suas atividades guiadas por ela. Em cada circunstância a palavra vivificadora de Deus deve ser seu conforto e consolação. Carregado de tristeza por causa das suas perdas e desilusões com os amigos, Jó encontrou consolo e sustento na Palavra de Deus, a respeito da qual ele disse: "As palavras da sua boca prezei mais do que o meu alimento" (Jó 23.12).
A Palavra de Deus é essencial para nos guardar do fracasso (Js 1.8). A revelação de Deus não deve ser apenas tratada com alta estima, mas deve estar continuamente no nosso coração e nos nossos lábios, durante todo o dia e durante as horas da noite também. O homem cujo "prazer está na lei do Senhor", de tal forma que medita nela "de dia e de noite", será como "árvore plantada junto a corrente de águas", crescendo e florescendo, e "tudo quanto ele faz será bem sucedido" (Sl 1.2,3).
"Os homens nunca são realmente habilidosos", dizia Calvino, "exceto na medida em que se permitem ser governados pela Palavra de Deus."
A Palavra de Deus é essencial para nos guardar do erro (Mt 22.29). Os saduceus erravam, Cristo dizia, por duas razões: 1) Não conheciam as Escrituras; 2) Subestimavam seriamente o poder de Deus. Sabiam argumentar e filosofar brilhantemente a respeito das questões da vida no céu, mas estavam errados porque não percebiam o significado das Escrituras do Velho Testamento.
A Palavra de Deus é essencial para nos guardar do pecado (Sl 119.11). A palavra que ilumina deve ser entesourada no nosso coração a fim de ser uma fonte de poder e vida no interior. Em outro lugar o salmista disse: "No coração, tem ele a lei do seu Deus; os seus passos não vacilarão" (Sl 37.31).
Todo dia precisamos deixar a Palavra de Deus sondar os recessos mais profundos do nosso ser, a fim de descobrir o mal escondido lá dentro, de encontrar cada falha, e de restringir cada tendência de praticar o mal. "Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar, há grande recompensa" (Sl 19.11). A Palavra de Deus constantemente na mente e no coração é a proteção mais eficaz que existe, tanto para nossas motivações como para nossas ações.
A Palavra de Deus é essencial para nos guardar de crescimento mirrado ou raquítico (1 Pe 2.2). Onde não houver um coração que anseia pelo leite divino, logo virá declínio espiritual, o que resulta em crescimento espiritual raquítico. A Palavra, como leite, é alimento nutritivo, e é gostoso ao paladar; por ela crescemos, e provamos a graciosidade de Deus.
Vivemos numa época em que Bíblias são acessíveis por todas as partes, e ao mesmo tempo, há por toda a terra, como Amós profetizou, "fome... não de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor" (Amós 8.11).
O homem parece não ouvir a bendita Palavra de Deus dirigindo-se às profundezas da sua vida; antes, vai seguindo seu próprio caminho, irrequieto, vagando de mar a mar, almejando algo novo, uma nova sensação, sem ouvidos para a voz do céu. Como é extremamente necessário para o homem aceitar a autoridade da lei de Deus, e submeter-se ao domínio soberano do Espírito Santo na sua vida!
Este é o convite e a súplica de Deus naquela chamada dramática do profeta Jeremias: "Ó terra, terra, terra! Ouve a palavra do Senhor!" (Jr 22.29).

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, número 1.

Chaves Para o Estudo da Bíblia - R. A. Torrey

Uma das condições para estudar a Bíblia com o máximo de proveito é estudá-la como a Palavra de Deus. O apóstolo Paulo, ao escrever ao tessalonicenses, dava graças incessantes a Deus por eles terem recebido a palavra anunciada "não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus" (1 Ts 2.13).
Aquele que não crê que a Bíblia é a Palavra de Deus deve ser encorajado a estudá-la. Anteriormente eu também duvidava que fosse a Palavra de Deus, mas hoje a firme confiança que tenho veio mais do estudo da própria Bíblia do que de qualquer outra fonte. Aqueles que duvidam são geralmente os que estudam sobre a Bíblia e não os que investigam e buscam dentro dos próprios ensinamentos da Bíblia.
Estudar a Bíblia como Palavra de Deus envolve quatro coisas:
1. Envolve a aceitação incondicional dos seus ensinamentos, assim que forem claramente descobertos, mesmo que pareçam ser irrazoáveis ou impossíveis. A razão exige que submetamos nosso juízo e raciocínio às declarações da sabedoria infinita. Nada é mais irracional que o racionalismo que faz da sabedoria finita o teste para avaliar a sabedoria infinita; e que submete os ensinamentos da onisciência de Deus à aprovação do juízo humano. A mente presunçosa diz: "Isto não pode ser verdade, mesmo que Deus o tenha dito, pois não é aprovado por minha razão". "Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?!" (Rm 9.20).
A verdadeira sabedoria humana, ao encontrar-se com a sabedoria infinita, curva-se diante dela e diz: "Fale o que quiser e acreditarei". Uma vez formos convencidos de que a Bíblia é a Palavra de Deus, seus ensinamentos terão de ser o fim de toda controvérsia e discussão. Um "Assim diz o Senhor" resolve toda questão. Entretanto, muitos que afirmam acreditar que a Bíblia é a Palavra de Deus balançam a cabeça e dizem: "Sim, mas eu acho assim e assim"; ou "Doutor fulano, ou Professor beltrano, ou nossa igreja ensina de outra maneira". Nesta base, há pouco proveito para o estudo da Bíblia.
2. Estudar a Bíblia como Palavra de Deus envolve total confiança em todas suas promessas, em toda sua extensão e abrangência. A pessoa que estuda a Bíblia como Palavra de Deus não descontará uma vírgula de qualquer uma de suas promessas. Ele dirá: "O Deus que não pode mentir prometeu", e não tentará fazer Deus de mentiroso, fazendo com que sua palavra signifique menos do que de fato está dizendo. Aquele que estuda a Bíblia como a Palavra de Deus estará sempre à procura das suas promessas. Ao encontrar uma, procurará verificar seu verdadeiro significado, e então colocará sua confiança total no que ela diz.
Este é um dos segredos do estudo proveitoso da Bíblia. Procure por promessas, e aproprie-se delas o mais rápido que puder, preenchendo as condições e arriscando tudo por elas. É assim que se toma posse de toda a plenitude da bênção de Deus. Esta é a chave a todos os tesouros da graça de Deus. Feliz é o homem que aprendeu a estudar a Bíblia de tal forma que está pronto para apropriar para sua vida cada promessa que encontra, e a arriscar tudo para confiar nela.
3. Estudar a Bíblia como Palavra de Deus envolve obediência imediata a todos os seus princípios. Obediência pode parecer algo duro e impossível; mas Deus a ordenou, e nada temos a fazer, senão obedecer e deixar os resultados com ele. Para ter proveito no seu estudo da Bíblia, decida que de hoje em diante se apropriará de cada promessa que lhe for revelada, e que obedecerá a cada ordem clara. Se o significado da promessa ou da ordem não for claro, procure esclarecimento e luz para entender.
4. Estudar a Bíblia como Palavra de Deus envolve estudá-la como se estivesse na presença de Deus. Quando lê um versículo da Escritura, ouça a voz do Deus vivo falando diretamente a você naquelas palavras escritas. Há um novo poder e uma nova atração na Bíblia quando se aprende a ouvir uma pessoa viva e presente – Deus, nosso Pai – conversando diretamente consigo naquelas palavras.
Uma das afirmações mais fascinantes e inspiradoras na Bíblia é: "Andou Enoque com Deus..." (Gn 5.24). Podemos ter a gloriosa companhia de Deus a qualquer momento, simplesmente abrindo sua Palavra, e deixando o Deus vivo e sempre presente falar conosco através dela. Que reverência santa, que alegria estranha e inexprimível, se sentirá quando se estuda a Bíblia desta maneira! É o céu descendo para a terra.
A Chave do Entendimento
Outra condição para o estudo bíblico proveitoso é uma atitude de oração. O salmista orou: "Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei" (Sl 119.18). Todo aquele que desejar um estudo proveitoso deve oferecer uma oração semelhante cada vez que começar a estudar a Palavra. Poucas chaves poderão abrir muitos "cofres" trancados cheios de tesouros. Poucas pistas poderão levar à solução de muitos enigmas. Poucos microscópios desvendem muitas maravilhas escondidas dos olhos do observador comum. Quanta luz nova brilha a partir de um texto conhecido quando se dobra o joelho colocando o texto diante dele em oração!
Eu acredito que se deve estudar a Bíblia freqüentemente de joelhos. Quando se lê um livro inteiro de joelhos – o que pode ser feito sem dificuldade alguma – aquele livro assume um novo significado e se torna um novo livro. Nunca se deve abrir a Bíblia sem pelo menos elevar seu coração em oração silenciosa, pedindo que a interprete e que ilumine suas páginas com a luz do seu Espírito. É um raro privilégio estudar qualquer livro sob a orientação imediata e a instrução do seu autor; no entanto este privilégio é de todos nós quando estudamos a Bíblia.
Quando chegar a uma passagem de difícil compreensão, ou difícil interpretação, ao invés de desistir, ou de correr para algum conhecido erudito, ou para algum comentário, coloque a passagem diante de Deus e peça-lhe para explicá-la. Clame baseado na promessa: "Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando..." (Tg 1.5-6).
Harry Morehouse, um destacado estudioso da Bíblia, dizia que quando encontrava uma passagem da Bíblia que não conseguia compreender, buscava por uma outra passagem que pudesse iluminá-la, e colocava-a diante de Deus em oração. Afirmou que nunca encontrou uma passagem que resistisse a este tratamento.
Alguns anos atrás, viajei pela Suíça com um amigo, e visitamos algumas das famosas cavernas zoolíticas que existem ali. Um dia fomos convidados para ver uma caverna de rara beleza e interesse, longe das trilhas turísticas mais conhecidas. O guia nos conduziu através de matas e arbustos à entrada da caverna.
Quando entramos, tudo estava escuro e escabroso. O guia fez uma longa exposição sobre a beleza da caverna, contando sobre os altares e formações fantásticas; no entanto, não podíamos ver absolutamente nada. De vez em quando, dava uma advertência para tomarmos cuidado, pois próximo aos nossos pés estava um abismo cujo fundo nunca fora alcançado. Começamos a temer que fôssemos os primeiros a descobrir aquele fundo.
Não havia nada de agradável em tudo isso. Mas logo acendeu-se um lume de magnésio, e tudo se transformou. Estalagmites subiam do solo para se encontrar com as estalactites que desciam do teto. O grande altar da natureza que a imaginação primitiva atribuía à habilidade dos religiosos da antigüidade, e as belas e fantásticas formações minerais por todos os lados, reluziam juntos com beleza mágica sob o reflexo da luz.
Comparei muitas vezes esta experiência a uma passagem das Escrituras. Os outros podem descrever sua beleza, mas você não a enxerga. Parece-lhe até escura, intricada, ameaçadora e perigosa; entretanto, quando a própria luz de Deus é acesa ali pela oração, tudo se transforma num instante. Vê-se uma beleza que linguagem não pode expressar. Somente aqueles que puderam estar ali naquela mesma luz podem apreciá-la.
Quem quiser compreender e amar sua Bíblia precisa estar em muita oração. Oração conseguirá mais do que uma formação universitária para fazer da Bíblia um livro aberto e glorioso.

Extraído de How to Study the Bible (Como Estudar a Bíblia) por R. A. Torrey.

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, número 1

Desce, Senhor! Queremos Encontrar a Ti! - Roger Ellsworth


Artigos de Roger Ellsworth:
1 - Desce, Senhor! Estamos com Saudades! - Roger Ellsworth
2 - Desce, Senhor! Precisamos de Ti! - Roger Ellsworth
3 - Desce, Senhor! Esperamos Por Ti! - Roger Ellsworth4 - Desce, Senhor! Queremos Encontrar a Ti! - Roger Ellsworth
5 - Desce, Senhor! Ofendemos a Ti! - Roger Ellsworth
6 - Desce, Senhor! Pertencemos a Ti! - Roger Ellsworth
7 - Suplicamo-te – Desce, Senhor! - Roger Ellsworth

Este é o quarto artigo numa série de mensagens sobre Isaías 63 e 64.

"Sais ao encontro daquele que com alegria pratica justiça, daqueles que se lembram de ti nos teus caminhos; eis que te iraste, porque pecamos; por muito tempo temos pecado e havemos de ser salvos?" (Isaías 64.5).

Há toda espécie de encontros ou reuniões. Alguns são calorosos e amigáveis, outros são tensos e hostis. Alguns são doces e rápidos, outros são compridos e chatos. Alguns produzem um retorno rico e compensador, outros são uma perda de tempo.

Quando temos um encontro do tipo proveitoso, temos prazer de estar na companhia daquelas pessoas; aprendemos mais sobre os outros, e mais sobre nós mesmos; somos encorajados e fortalecidos. Companheirismo, compreensão, conforto – estes são os frutos de uma boa reunião.

Nosso texto fala sobre o melhor tipo de encontro que alguém jamais possa ter – um encontro com o próprio Deus. E o que significa encontrar-se com Deus? É deleitar-se naquelas mesmas coisas que procuramos em qualquer bom encontro, e muito mais! É companheirismo, compreensão, e conforto, que saciam o mais profundo do nosso ser.

Podemos fazer desta nossa necessidade de encontrar-nos com Deus um outro argumento para persuadi-lo a descer e nos visitar. É como se tentássemos persuadir um amigo ou parente afastado a voltar a nos ver, marcando um encontro com esta pessoa em determinado lugar. Assim, façamos uma decisão de buscar um encontro com Deus.

Se quisermos nos encontrar com Deus, devemos entender que algumas condições estão incluídas, e devemos nos determinar a cumprir com essas condições. Isaías as expõe claramente. Primeiro, ele estabelece:

1. A Exigência da Justiça

Duas coisas estão envolvidas no cumprimento desta exigência. Primeiro, devemos nos alegrar na justiça; depois, devemos praticá-la. Antes de podermos fazer um ou outro, precisamos compreender o que é. Justiça é simplesmente retidão. É conformidade com a lei, a mente, e a vontade de Deus.

Nada desliga as pessoas mais rápido do que falar sobre justiça. Em primeiro lugar, nossa sociedade zomba da idéia de que exista de fato o certo e o errado. A nossa geração acredita que certo e errado não podem ser definidos. É uma questão de cada indivíduo decidir por si mesmo. O que é certo para um pode não o ser para outro. Este é o pensamento moderno.

Mas mesmo que concordemos que exista algo que se chama justiça, poucos estão preparados para aceitar a idéia de se alegrarem na justiça. Os cristãos acreditam que é possível definir o certo e o errado, mas quantos podem dizer que de fato se regozijam na justiça?

Pense em Davi, por exemplo. Este era um homem que se regozijava na justiça. Ele diz no Salmo 119.14: "Mais me regozijo com o caminho dos teus testemunhos do que com todas as riquezas". E depois no mesmo Salmo: "Amo os teus mandamentos mais do que o ouro, mais do que o ouro refinado. Por isso, tenho por, em tudo, retos os teus preceitos todos e aborreço todo caminho de falsidade" (vv. 127, 128).

Por que temos geralmente tanta dificuldade em dizer estas mesmas coisas? Por que esta linguagem nos faz sentir desconfortáveis? Por que relutamos contra colocar as leis de Deus acima das riquezas do mundo, como fazia Davi? Por que hesitamos em dizer que aborrecemos a "todo caminho de falsidade"?

A resposta é que ainda abrigamos um conceito básico muito errado sobre Deus e suas leis. Persistimos em desconfiar de Deus. Continuamos achando que Deus quer estragar nossa alegria, privar-nos de prazer. Nunca conseguimos aceitar o fato básico de que os mandamentos de Deus são benéficos e bons. Não foram designados para roubar-nos da nossa alegria, mas para garanti-la para nós. Você pode se ressentir dos mandamentos de Deus e se rebelar contra eles, e sofrerá as terríveis conseqüências de que Deus queria lhe poupar. Alguém disse com muita razão que não se pode quebrar os Dez Mandamentos; só se pode quebrar a si mesmo quando se opõe a eles!

A única maneira de superar nossa desconfiança de Deus a fim de realmente nos alegrar na justiça e de também praticá-la, é amar ao Senhor. O apóstolo João faz esta ligação na sua primeira epístola: "Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos" (1 Jo 5.3).

Mas os cristãos já não amam a Deus? Sim, mas não com amor perfeito. Nosso amor pode definhar a ponto que nem parece que amamos ao Senhor. A queixa de Jesus contra a igreja de Éfeso foi que haviam deixado seu primeiro amor (Ap 2.5). Ainda tinham uma espécie de amor, mas não era o amor fervoroso, apaixonado, que tinham no princípio.

Portanto, há uma espécie de progressão para cumprirmos esta exigência de justiça. Antes de podermos praticar justiça, precisamos nos alegrar nela; mas antes de podermos nos alegrar na justiça, precisamos amar ao Senhor que a requer. A pergunta agora é: Como podemos chegar ao ponto de amar ao Senhor como devemos? Isto nos leva à segunda exigência que Isaías nos mostra para podermos nos encontrar com Deus. Podemos chamá-la:

2. A Exigência da Lembrança

Isaías disse a Deus: "Sais ao encontro... daqueles que se lembram de ti nos teus caminhos". Vamos pensar sobre esta palavra "lembrar". Sugere um certo esforço da nossa parte. Se quisermos nos encontrar com o Senhor, e deleitar-nos na sua presença, será resultado de uma busca diligente da nossa parte.

Alexandre MacLaren escreveu: "Há tantas coisas dentro de nós que nos afastam, os deveres, as alegrias, e as tristezas da vida insistem tanto em ocupar lugar no nosso coração e pensamento, que sem dúvida, se não tomarmos uma decisão firme de continuamente abrir um espaço nesta tumultuada e barulhenta praça pública, de modo a olhar por cima e além da multidão alvoroçada, e contemplar os cumes nevados das montanhas, nunca os veremos, ainda que sejam visíveis de qualquer ponto daquele local. A menos que procuremos nos lembrar, certamente nos esqueceremos."

Notou aquelas palavras "decisão firme", e "continuamente"? São a chave para se lembrar e assim aprofundar seu amor pelo Senhor. Isto pode ser uma surpresa para você, pois geralmente não associamos o lembrar com a idéia de esforço. Achamos que é algo que simplesmente nos acontece. Não nos sentimos responsáveis por desenvolver a memória. Nos desculpamos dizendo apenas: "Tenho uma terrível memória".

Pense novamente das palavras de Jesus à igreja em Éfeso. Depois de declarar-lhes que deixaram seu primeiro amor, ele diz: "Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras" (Ap 2.5). Claramente, Jesus considerava que a memória era responsabilidade deles.

Mas não devemos parar aqui. Devemos continuar para notar o que é que deve ser lembrado. Isaías diz que devemos lembrar de Deus nos seus "caminhos". Este não é um convite para sentar e especular sobre a natureza de Deus. Estas palavras presumem que já tenhamos conhecimento de Deus, e que Deus já tenha trabalhado em nossas vidas. Todo filho de Deus tem marcas do Senhor no seu passado, às quais ele pode voltar de tempos em tempos. Se você tem anseio de se encontrar com Deus hoje, e sente dificuldade em achá-lo, volte àqueles tempos em que o encontrou no passado. Volte, e dê uma olhada em sua biografia espiritual.

Isto me faz pensar em Jacó. Seu primeiro encontro com Deus foi num lugar chamado Betel. Lá ele aprendeu que era possível ter comunhão com o Senhor. Teve uma visão do céu aberto e de uma escada que descia até a terra. Claramente, Deus quis lhe mostrar que o céu estava aberto para ele. Ele podia viver em comunhão com o Senhor. Fez um voto lá mesmo de viver para este Deus que se fez presente.

Os anos se passaram, e Jacó se envolveu em muitas coisas sórdidas. Finalmente, Deus lhe disse: "Levanta-te, sobe a Betel e habita ali; faze ali um altar ao Deus que te apareceu quando fugias da presença de Esaú, teu irmão" (Gn 35.1).

Se você conhece o Senhor como seu Salvador, existe um Betel no seu passado. Volte para lá na sua mente. Reviva aquele momento quando primeiro encontrou o Senhor, e deixe aquele momento abrir o canal entre você e Deus. Aqueça-se no amor que sentiu pelo Senhor naquela época, até que o canal seja desentupido de todo o lixo acumulado ali.

Se você não está realmente andando com Deus, não é porque ele foi embora. Ele está andando onde sempre andou – nos caminhos da justiça. Você pode ir ao seu encontro hoje, alegrando-se na justiça, e praticando-a, e refletindo sobre a doçura da comunhão que já teve com ele no passado.

Medite nestas palavras solenes: "O Senhor está convosco, enquanto vós estais com ele; se o buscardes, ele se deixará achar; porém, se o deixardes, vos deixará" (2 Cr 15.2).

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, número 1

segunda-feira, 10 de março de 2008

O sofrimento pode revelar nosso egoísmo


Carta da Mãe enlutada ao Pr Caio Fabio (nem sei de onde tirei isto, está espalhada pela rede!):



Querido pastor Caio Fábio,


Eu sou uma mãe que acaba de perder uma filha linda, maravilhosa de 26 anos, com apenas cinco meses de casada... Hoje faz sete dias que a perdemos...

Ela era poesia, cor, música e sensibilidade...
Nós somos uma família que conheceu Jesus quando as nossas três meninas tinham entre três e oito anos. Passamos por grandes lutas e desafios e congregamos na igreja presbiteriana do setor sul de Anápolis com o PR Ronaldo Cavalcante.
Caio Fabio, seguimos os seus passos todas as vezes que você esteve por aqui.
Quarta feira passada por volta das 13 horas meu marido me falou que tínhamos que ir para Goiânia porque a nossa filha do meio, a Polyanna, tinha desaparecido...a minhas pernas sumiram....mas eu levantei e entrei no carro para ir para Goiânia pois ela morava lá e estava casada e feliz.....
Apenas com 26 anos a publicitária mais conhecida da cidade por causa da sua alegria e capacidade de incentivar empresários a acreditarem em seus próprios negócios.
Os homens da família foram para a delegacia... e nós as mulheres da família ficamos 30 horas orando, clamando a deus e esperando o pedido de resgate, tendo em vista que o caro já havia sido encontrado com seus pertences dentro e o mesmo havia sido queimado para apagar provas e digitais, dificultando o trabalho da policia...

Oramos sem cessar e ouvimos, e lemos a Palavra; e tivemos a certeza de que o resgate seria pedido e esperamos que ela voltaria para nós e com sua tremenda capacidade poética e criativa e como uma menina apaixonada por Jesus ainda escreveria um livro para promover quebrantamento e conversão em muitas vidas....

A única palavra que eu queria ouvir nestas 30 horas de vigília e emoção, aflição e angustia profunda era: "a encontraram"...; ou um toque de telefone com o com o pedido de resgate...

Finalmente alguém entra naquela casa onde estávamos amigos e parentes amontoados na sala escorregando do sofá para o chão, então ouvimos: “achou”, mas foi encontrada morta com dois tiros...

Acabei de ler sobre o amor de pai que agradece a Deus por saber que seu filho, para ficar livre desse mundo, tenebroso chamado por Jesus... Não consigo neste momento ter este sentimento de gratidão porque tendo certeza de que não era esse o desejo dela também...

Nós todos estávamos fazendo uma campanha de oração e eu sei quais eram os planos dela para o futuro... Planos de paz, de criação, de crescimento, para que o mundo conhecesse o talento gratuito que deus lhe deu...

Não posso considerar que a minha não aceitação é egoísta... ela queria viver aqui com o seu querido marido a lua de mel que a esperou por 8 anos, ela queria ter filhinhos e levá-los para jogar bola com o avô que não teve meninos, só meninas, ela queria realizar sonhos comunitários.

No ano passado ela criou um site: www.amigoinedito.com.br para movimentar os internautas a fazerem boas ações e registrarem seus depoimentos neste site.

E agora... Eu entendi a resposta que deram para o “mano”, mas voltar a falar com Deus esta difícil demais...

Ainda não sabemos quem foi o sujeito que atirou nela, mas eu não posso acreditar que foi vontade de Deus... se foi o ódio do inimigo das nossas vidas eu pergunto por que Jesus deixou assassinos interromperem a caminhada de uma mensageira de Deus ???


Resposta do Pr Caio Fabio à Mãe enlutada:

Minha irmã amada: Graça e Paz!



Do meu ponto de vista..., Adão não deveria ter pecado; Caim não deveria ter matado Abel; os filhos de Caim não deveriam ter construído Babel; Cão não deveria ter “abusado” na nudez do pai, Noé; Abraão não deveria ter gerado filho de sua serva, Hagar; Jacó não deveria ter enganado Esaú e nem Esaú deveria ter trocado a “bênção” por um prato de lentilhas; os filhos de Jacó não deveriam ter traído José; Moisés deveria ter entrado na Terra de Canaã; a filha de Jefté não deveria ter sido morta pelo voto do pai; Sansão não deveria ter morrido daquele jeito; Davi não deveria ter surtado nunca; e, por isto, não deveria ter perdido nenhum filho; Isaías não deveria ter sido serrado pelo meio; a mulher de Ezequiel não deveria ter sido morta como parábola para ensinar os incrédulos; Oséias não deveria ter sido tão infeliz no casamento; os inocentes deveriam ter sido poupados em todas as chacinas; nenhuma criança deveria ter morrido pela ambição dos adultos; nenhuma mãe jamais deveria ter comido seus filhos no auge da fome; João Batista deveria ter vivido vida longa e honrada, ao invés de acabar sem cabeça em razão de uma bunda bonitinha; Jesus, O Verbo, A Palavra, não deveria ter sido morto; a Ressurreição não deveria ter sido tão discreta...; os apóstolos, como Tiago irmão de João, não deveriam ter sido mortos por nenhum capricho (e todos foram...); Paulo não deveria ter sido morto justamente quando os cristãos mais precisavam dele; milhares de testemunhas também nunca deveriam ter morrido uma morte sem sentido, banal; enquanto os maus prosperam; enquanto a injustiça foge do juízo; enquanto a verdade é pisoteada; enquanto a maldade se torna poder; enquanto gente boa some... sem explicação...

Sim, entregue a minha visão menor do que a de uma ameba e mais egoísta do que eu mesmo consigo discernir a profundidade do egoísmo, eu poderia consertar o mundo; impedir todas as injustiças; ajudar Deus a ser Deus; determinar o melhor pro mundo, pros meus filhos, pra minha vida; enfim, eu, entregue a mim mesmo, seria tão cheio de boas idéias..., que ninguém que eu amasse morreria; sim, ninguém...; e se morresse seria com meu consentimento, entendimento, compreensão e apoio a Deus na Sua soberania!...

Ah, se eu fosse o Deus do mundo ninguém morreria; ou, então, ninguém que eu gostasse; e, da minha casa, certamente ninguém morreria; não enquanto eu estivesse vivo...

Eu, todavia, há muito aceitei e vi que de fato não vejo; percebi que de fato não discirno; entendi minha limitação de entendimento; constatei que meu melhor amor é ainda por mim mesmo e por meus sonhos; aprendi que meus amores são “meus” e por “minha causa”; pois, morre o vizinho, e não sinto; morre o jovem da esquina, e logo esqueço; milhares são vitimados, e eu apenas lamento; o mundo acaba em vários lugares da terra, e eu agradeço que não seja AQUI...; e, aqui, é onde moro, vivo; e AQUI não posso conceber que aconteça o que no mundo inteiro acontece...

O que não dá é para sofrer em nome de sua filha os sofrimentos que ela não está sofrendo...

Sim, pois você queria ver a sua filha casada e feliz no casamento; tendo filhos; se realizando profissionalmente; etc... Esses são os seus sonhos e um dia foram os dela... Mas saiba: AGORA já não são (...) mais sonhos dela, mas apenas seus(...) por e para ela...

Hoje, para ela, o melhor marido é nevoa perto da Glória; a melhor lua de mel é amarga se comparada à alegria dela; os filhos mais lindos são miragens quando comparados aos encontros de amor que ela está tendo; as realizações profissionais que lhe orgulhariam, hoje, agora, para ela, são as canseiras e os enfados que cessaram...

O problema é que você não teve tempo para se realizar nela!...

É claro que a dor é indescritível... E ninguém pode dizer que não conheço tal dor... Mais de uma vez...

Todavia, é como pai que perdeu filho; como filho que perdeu pai; como irmão que perdeu irmão; como amigo que já perdeu milhares de amigos, que lhe digo que meus sentimentos seriam todos como os seus, não fosse o fato de que discerni faz tempo, que a maior dor dos enlutados é ainda egoísmo pelo outro [...] cuja alegria está plena, mas não a nós...; e, também, vi que tais sentimentos são todos o resultado de minha vontade de me ter nos meus filhos, de me reproduzir neles e assistir tal fato; ou seja: descobri com toda honestidade que minha frustração era não poder gozar a vida neles [...], nos que foram...

Entretanto, hoje, o que lhe digo parece sem coração e fácil de dizer...

Mas não é...

O que é então que me faz dizer o que digo?...

Ora, é a simples coerência com a fé que professo; é a simples coerência com Jesus; é a simples coerência com a existência que mata os homens dos quais o mundo não é digno; é coerência com João Batista, que não era inferior ao meu filho Lukas, e, mesmo assim, morreu por um capricho...

O que posso lhe dizer é que somente a transcendência da fé que se projeta para a Vida que é, sim, somente tal poder pode nos fazer vencer tal dor; a qual, por mais legitima que seja, sempre mistura amor e egoísmo; sempre mistura fé com privilegio; sempre crê que a vida eterna é uma belezinha apenas para quando a gente estiver caquético...

Leia os evangelhos e veja se é justo você pensar que a vida dos discípulos de Jesus esteja para além da calamidade!...

Sei que no momento minha resposta chega a você como vinagre na ferida... Infelizmente, no entanto, não tenho consolações vazias; e nem digo a ninguém o que Jesus jamais disse... Jesus nunca consolou ninguém dizendo “Que Pena! Tão Novinho!”...

Na realidade, ao olhar o mundo, mais creio e internalizo como verdade a declaração que diz que é preciosa aos olhos do Senhor a morte dos Seus santos!...

O que eu digo (...) você não entende agora, mas compreenderá depois!...

É justo e sadio chorar os nossos amados...

O que não é certo é perguntar por que em mundo que mata tanto todos os dias, gente que amemos também possa e venha a morrer?...

Além disso, o fato de ter sido um seqüestro seguido de assassinato, do ponto de vista de Jesus, não muda nada; posto que Lhe tenham falado das desgraças e maldades praticadas por Pilatos, ou do acidente idiota na Torre de Siloé, e, a tais narrativas, Ele não acrescentou nada em especial; visto que Dele não se tenha havido um “Oh!”; ou um “Ô”; ou um “Que coisa!”...

Não! Ele apenas disse: “Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis!”...

O fato é que Jesus não tem misericórdia e pena por ninguém que esteja partindo desse mundo para a morada do Pai!

Você teria?...

Sinto saudades... Choro... Abraço as memórias... Beijo meu filho no meu coração todos os dias... Mas não o traria de volta se pudesse... Sim, jamais desejaria a ele tal maldade de tê-lo de volta a esse mundo, uma vez que dele meu filho esteja livre para sempre...

Você acha mesmo que o sucesso Publicitário é para comparar com o nome dela publicado no Livro da Vida?...

Seu olhar está enterrado neste mundo, e, por isto, fica impossível hoje para você o alegrar-se na Glória de Deus!

Entretanto, eu lhe digo:...

Se tais “perdas” não nos projetarem para Deus pelo menos pelo afeto eternizado por filhos que já se foram para a Casa Eterna, pergunto: quando então se amará a eternidade ainda vivendo neste mundo?...

Será que um crente só deseja e celebra a eternidade quando o câncer já comeu tanto os órgãos, que a dor é tão desesperadora que a pessoa quer ir para Deus não por Deus, mas apenas para ficar livre da dor?...

É mesmo assim?...

Deus é apenas uma alternativa ao desespero da dor sem cura neste mundo?...

Ora, se é assim Deus ainda não é amado por nós!...

Chore! Chore! Chore! Pois dói demais!...

Mas chore enquanto vê sua filha em Glória; e, portanto, ao chorar, chore por você e não por ela; posto que se ela visse você lamentando a gloria dela, ela lhe diria:

“Mãe! Você não viveu para a minha felicidade?... Então, por que se entristece com minha plenitude em Deus?”

Além do que já disse, não tenho nada para dizer a ninguém e nem a você, minha amada irmã no Evangelho e no luto!...

Entretanto, sei que somente o Espírito Santo pode tornar alguém apto para discernir (...) e se consolar com tais realidades invisíveis...

Oro por você e pela sua casa... Oro pelo seu genro... Oro para que vocês se gloriem na esperança da glória de Deus, conforme se mande que seja para quem de fato crê em tudo o que confessa como fé em tempos de bonança...

Receba meu amor e minha solidariedade!

Nele, que ama nossos filhos mais do que em nosso egoísmo a gente consegue conceber o que seja amor,

Caio
30 de setembro de 2009
Lago Norte - Brasília - DF





Update: Leia o post sobre O Sofrimento e o Livramento!