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quarta-feira, 9 de julho de 2008

Daniel Nash — Prevalecendo Com Deus em Oração - J. Paul Reno

Rejeição e Quebrantamento – Preparando o Vaso

Poucos já ouviram falar deste nome. Daniel Nash viveu de 1775 a 1831, no estado de Nova York, nos E.U.A. Pastoreou uma pequena igreja no interior daquele estado por apenas seis anos. Depois viajou com um evangelista itinerante, para sustentá-lo em oração, por mais sete anos, até sua morte prematura. Até onde se sabe, ele nunca ministrou fora da região agrícola de Nova York, numa época em que a maior parte do estado ainda era pouco habitada.

Seu túmulo fica num cemitério abandonado, numa estradinha de terra, ao lado de um galpão usado para leilões de animais. A igreja que pastoreou não existe mais – só há uma pequena coluna histórica para marcar o local, no meio de um milharal. Não há livros sobre sua vida, não é possível encontrar fotos ou diários. Suas mensagens foram esquecidas. Se há descendentes, não foi possível localizá-los. Ele não escreveu nenhum livro, não fundou escolas, não iniciou um movimento e, em geral, se manteve no anonimato.

Porém, este homem viu avivamento duas vezes na igreja que pastoreava, e depois teve uma participação importante em um dos maiores avivamentos nos Estados Unidos. De certa forma, fez nos Estados Unidos o papel que John Hyde desempenhou na Índia. Deixou sua marca quase que exclusivamente por causa do seu ministério de oração.

Não há muitos registros sobre seu período de ministério pastoral. Sabe-se que foi em 1816, com 40 anos, que ele assumiu uma Igreja Presbiteriana-Congregacional, na vila de Lowville. No primeiro ano de ministério, houve um avivamento, com a conversão de pelo menos 70 pessoas. Poucos anos depois, um grupo saiu da igreja e formou outra congregação perto dali. Apesar disso, Nash conseguiu estabelecer um relacionamento pacífico com este grupo, e cooperar com eles durante o restante do seu ministério.

A igreja estava prosperando espiritualmente, tinha trabalho missionário na região, e uma Escola Bíblica aos domingos. Por motivos que talvez não foram completamente registrados, em 1822 o conselho da igreja votou para dispensar Nash, e escolher outro pastor "mais jovem".
Durante os dois anos seguintes, ele continuou pregando e ministrando ali, e houve um segundo avivamento naquela igreja. Numa vila onde havia apenas 308 casas, e uma população em torno de 2.000 pessoas, mais de 200 pessoas se converteram. Mesmo assim, não chamaram Nash de volta!

Aparentemente, esta rejeição por parte daqueles que ele tinha amado, e a quem havia ministrado, aos poucos foi arrasando sua vida, esmagando e quebrando seu coração. Ele certamente ainda não conseguia ver o que Deus estava querendo fazer através de tudo isso. Não sabia que Deus estava quebrando e preparando seu coração para um outro trabalho, que envolveria o abandono do ministério público em favor do aposento escondido de oração.
Em 1824, ele teve seu primeiro contato com o famoso evangelista, Charles Finney, pois fazia parte de um presbitério onde Finney seria examinado para receber sua licença de pregador. Finney, porém, não teve uma primeira impressão muito boa de Nash. Segundo ele, Nash parecia muito frio e, até mesmo, indiferente a Deus.

Logo depois desta reunião, Nash foi acometido de uma grave inflamação nas vistas. Durante várias semanas, foi obrigado a permanecer num quarto escuro, sem poder ler ou escrever. Durante este tempo, ele se entregou quase que exclusivamente à oração. Não sabemos muito sobre o que se passou naquele quarto escuro, somente que, nas suas próprias palavras, "houve uma revisão geral e radical de toda sua experiência cristã". Quando saiu dali, ainda usando vendas nos olhos, havia um novo ardor pelas almas, e uma liberação de tudo que o prendia.
Mas ele não se dedicou a um ministério de evangelismo pessoal, nem de pregações evangelísticas. Pelo contrário, iniciou um dos mais profundos ministérios de oração de que se tem notícia. Este pregador rejeitado e quebrantado se dedicou a um trabalho que influenciaria muitos outros intercessores, até os nossos dias.


Uma Equipe Evangelística

Charles Finney começou seus trabalhos evangelísticos em Evans Mills, Nova York, no ano de 1824. E foi ali que Daniel Nash também iniciou seu ministério de oração. Quando Nash chegou lá, Finney reconheceu nele algo diferente, e afirmou "que estava cheio do poder de oração". Os dois foram unidos pelo Espírito numa parceria que só terminaria sete anos depois, com a morte de Nash.

Os alvos desta equipe evangelística foram definidos de forma simples numa carta, escrita por Nash: "Quando Finney e eu iniciamos nossa carreira, não tínhamos idéia alguma de ir no meio de igrejas e pastores. Nossa mais alta ambição era ir onde não havia nem pastor, nem igreja, e procurar as ovelhas perdidas, aquelas pelas quais ninguém se importava. Começamos e o Senhor prosperava... Não entrávamos em território de ninguém, a menos que fôssemos convidados... Já tínhamos suficiente espaço e serviço para trabalhar."

A necessidade de oração para preparar o caminho para a evangelização era o princípio fundamental da equipe. Este conceito era tão forte que Finney geralmente mandava Nash umas três ou quatro semanas na frente, para preparar o lugar e o povo para as reuniões, através da oração.

Quando Deus dava uma direção quanto ao local onde deviam trabalhar, Nash ia sem alarde algum para lá, e procurava duas ou três pessoas para se unir com ele em uma aliança de oração. Às vezes levava consigo um outro homem, que tinha o mesmo tipo de chamamento, chamado Abel Clarey. Aí começavam a orar fervorosamente para que Deus agisse na comunidade.
Uma senhora conta a seguinte história: "Alguns dias antes de Finney chegar para pregar na cidade de Bolton, apareceram dois homens na minha humilde residência, procurando hospedagem. Fiquei atônita, pois não tinha espaço nenhum na minha casa. Finalmente, por vinte e cinco centavos por semana, os dois (Nash e Clarey) alugaram um porão escuro e úmido durante todo o tempo da campanha (umas duas semanas). Lá naquela cela voluntária, os dois parceiros de oração lutaram contra as forças das trevas."

O próprio Finney relata: "Certa vez eu estava numa cidade para começar umas reuniões, e encontrei uma senhora que dirigia uma pensão. Ela me disse: ‘Irmão Finney, você conhece um tal de Nash? Ele e mais dois homens estão na minha pensão há três dias, mas não comeram nada até agora. Abri e porta e dei uma espiada, pois os ouvi gemendo, e vi que estavam prostrados. Já faz três dias que estão lá, prostrados no chão, gemendo. Acho que algo terrível deve ter acontecido com eles. Fiquei com medo de entrar, e não sei o que fazer. Você poderia por favor ir vê-los?’ ‘Não será necessário’, respondi. ‘Eles só estão sentindo dores de parto em oração!’ "
Nash não só preparava a comunidade com antecedência, mas continuava lutando no Espírito durante a campanha. Geralmente não participava das reuniões, mas enquanto Finney pregava, Nash geralmente estava em alguma casa vizinha, prostrado no seu rosto, em agonia de oração. Com todo devido reconhecimento a Finney pela vida que tinha diante de Deus, e pela unção nas pregações, não há como negar a participação fundamental destes homens que o sustentavam em oração. As lágrimas que derramaram, os gemidos que saíam do coração, estão todos escritos nos livros de Deus.

É aqui que encontramos uma das chaves do ministério de Charles Finney. Calcula-se que 80% daqueles que foram convertidos nas suas campanhas permaneceram firmes com Deus. Mesmo D. L. Moody, com toda sua unção na pregação, possivelmente tinha apenas 50% de permanência. Talvez a explicação seja o fato de que não tinha semelhante sustento para o seu ministério em oração.

Finney nunca dependia da sua teologia, das mensagens, do seu estilo de pregação, da sua lógica, ou dos seus métodos para obter resultados na conversão das pessoas. Ele contava com forte oração, e a obra resultante do Espírito Santo para tomar conta da audiência, e trazer profunda convicção.

Oswald Smith explica a importância da oração no ministério de Finney. "Ele sempre pregava na expectativa de ver o Espírito Santo derramado. Até que isto acontecesse, pouco ou nada era realizado. Mas no momento em que o Espírito caía sobre o povo, Finney não precisava fazer mais nada, a não ser mostrar o caminho até o Cordeiro de Deus. Foi assim que viveu e trabalhou durante anos num ambiente de avivamento..."

Recentemente, um evangelista de renome, com uma obra bem financiada e organizada, comentou que ficaria plenamente satisfeito se 20% dos seus convertidos tivessem uma experiência genuína. Nesta época de números, com muitas decisões, mas poucas conversões, com muitos programas mas pouca oração, com muita organização e pouca agonia em dar à luz, poderíamos aprender valiosas lições destes homens de Deus do passado.


Uma Impressionante Resposta à Oração

Quando surgiam obstáculos ou oposição durante as campanhas, Charles Finney sempre procurava o irmão Nash, para pedir ajuda em oração. Certa vez, em Gouverneur, havia alguns jovens que se colocaram como muralha para impedir o progresso da obra.

"Nesta situação", escreveu Finney, "Nash e eu conversamos, e decidimos que não haveria vitória senão através da oração, e que não conseguiríamos nada de outra forma. Retiramo-nos, portanto, para uma pequena mata, e nos dedicamos à oração. Perseveramos até que tivemos confirmação da vitória, e a certeza que havíamos prevalecido. Sentimos confiança de que poder algum na terra ou no inferno poderia interferir, nem teria permissão de interromper o avivamento."
Há momentos em que a confiança alcançada na oração requer ação, e este era um desses momentos. O irmão Nash por natureza era muito quieto, e era sua prática não ficar em evidência, nem quase aparecer em público. Porém, a confiança na oração pode mudar isto, quando Deus assim o ordena.

Novamente, nas palavras do próprio Finney: "O salão de reuniões estava lotado. Perto do final da reunião, o irmão Nash se levantou e falou diretamente ao grupo de jovens que havia se unido para resistir ao avivamento. Aparentemente, estavam todos presentes, e estavam armados contra o Espírito de Deus. O ambiente estava muito solene para que pudessem ridicularizar o que tinham ouvido e visto; entretanto, seu semblante descarado e insolente estava visível a todos.

"O irmão Nash se dirigiu a eles com muita intensidade, e mostrou a culpa e o perigo do caminho que estavam tomando. No final do seu discurso, ele ficou extremamente acalorado, e lhes disse: ‘Agora, tomem nota, meus jovens! Deus há de romper suas fileiras em menos de uma semana, ou por meio da conversão de alguns, ou por mandar alguns para o inferno. Ele fará isto, tão certamente como o Senhor é o meu Deus!’

"Ele estava em pé, e ao falar assim, abaixou seu braço com tanta força sobre o banco que estava próximo, que deslocou-o do seu lugar. Logo em seguida, sentou-se, abaixou sua cabeça, e gemeu como se estivesse em dor.

"A casa inteira ficou em silêncio mortal, e a maioria do povo ficou cabisbaixo também. Pude notar que os jovens estavam agitados. Quanto a mim, lamentei que o irmão Nash tivesse ido tão longe. Ele se comprometera no sentido de que Deus, ou tiraria a vida de alguns enviando-os para o inferno, ou os converteria, dentro de uma semana.

"Porém, na terça-feira depois daquele domingo, o líder do grupo veio falar comigo em grande angústia de mente. Ele estava pronto para se submeter, e assim que comecei a falar, quebrantou-se como criança, confessou seus pecados e claramente se entregou a Cristo.

"Depois ele me perguntou: ‘O que devo fazer agora , Sr. Finney?’

"Respondi: ‘Vá imediatamente a todos os seus companheiros, ore com eles, e exorte-os a se voltarem ao Senhor.’

"E assim ele fez. Antes da semana terminar, todos, ou quase todos daquele grupo de jovens, haviam colocado sua esperança em Cristo."

Fonte: Arauto da Sua vinda, ano 20, n° 6

2 comentários:

  1. que o Senhor possa levantar nesses ultimos dias intercessores como DANIEL NASH, ABEL CLAREY. Verdadeiramente homens de Deus, foram pouco conhecidos , mas no reino espiritual foram uma toca ardente.

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  2. o mundo precisa de homens com disposição para buscar ao Senhor, e fz essa grande obra de evangelismo

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