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quarta-feira, 9 de julho de 2008

Daniel Nash — Características do Ministério de Oração - J. Paul Reno

Intensidade

O avivamento mais conhecido neste período do ministério de Finney foi em Rochester, Nova York. Mais de 100.000 pessoas se converteram durante aquelas reuniões em 1830. Nash e Clarey foram juntos, e convocaram outros para batalharem juntos em oração. Os dois eram muito semelhantes em sua forma de oração. Tinham tanto fervor, e tanta agonia de alma, que resultava em cenas muito raras nos dias atuais. Nossas orações calmas alcançam poucos resultados, mas também nos custam tão pouco...

Finney escreveu a respeito deles: "Nunca vi alguém suar sangue, mas conheci uma pessoa que orava, às vezes até sangrar pelo nariz. E conheci pessoas que oravam até molharem a camisa de suor, nas temperaturas mais frias do inverno. Tenho visto pessoas orando por horas, até à exaustão, por causa da agonia das suas mentes. Tais orações prevalecem com Deus. Esta agonia na oração acontecia também nos avivamentos de Jonathan Edwards."

Existem vários relatos da oração exercitada por estes dois homens durante o avivamento de Rochester. Alguns citam Nash, outros Clarey, outros os dois. Pelo que se pode apurar, ficaram juntos em oração e jejum grande parte do tempo, chorando e clamando a Deus. Às vezes ficavam prostrados, sem forças para ficar em pé. Sua preocupação com os pecadores trazia grande pressão às suas mentes e corações. Gemiam sob a carga, arriscavam a saúde, abriam mão de confortos, tudo para que a batalha nas regiões celestiais pudesse ser ganha. Por vezes, contorciam-se e gemiam em agonia por causa das almas perdidas.

Deus honrou a posição deles, e enviou avivamento. Oravam em particular, e Deus respondia publicamente. Praticamente todo o mundo na cidade se converteu. O único teatro da cidade foi transformado em estábulo, o circo em fábrica, e os bares e tavernas eram fechados.

Hoje nos recusamos a lutar com Deus desta forma, e conseqüentemente não devemos nos surpreender diante da falta do poderoso mover do seu Espírito. Não é impressionante que não temos problema com pessoas que se desgastam nos esportes por prazer, que trabalham por dinheiro, que se entregam à política para conseguir poder, ou que se dedicam a programas de caridade, mas achamos que é fanático orar desta forma em favor das almas perdidas? Podemos até morrer pela liberdade da nossa pátria, mas nunca em favor do progresso do Reino de Deus. É algum motivo de espanto testemunharmos tão pouco dos grandes feitos de Deus em nossos dias?

Nash orava até ficar de cama, totalmente debilitado e doente, por causa da pressão espiritual que sentia. O mundo não teria problema com tal dedicação, se não fosse em favor das almas perdidas. Por que a Igreja também a considera como algo tão estranho?

Novamente a respeito das orações de Nash, Finney escreveu: "Muitas vezes ele entrava em agonia, antes do pregador subir no púlpito, com receio de que sua mente estivesse anuviada, ou seu coração frio, ou que ele não tivesse unção – e assim viéssemos a perder a bênção do Senhor. Ele orava até receber convicção interior de que Deus estaria comigo na pregação. Às vezes orava até ficar doente. Vi ocasiões em que ele ficava embaixo de trevas por um tempo, enquanto o povo estava chegando. Sua mente ficava cheia de ansiedade, e saía então para orar, uma vez, duas vezes, ou mais, até que finalmente voltava para a congregação com o rosto em paz, e dizia: ‘O Senhor veio, e estará conosco’. Nunca vi um caso em que ele estivesse errado."


Poucas Palavras

Certa vez perguntaram a Finney que tipo de pessoa era este Nash. "Nunca o vemos", diziam. "Ele não participa das reuniões."

Ao que Finney respondeu: "Como qualquer pessoa que ora muito, o irmão Nash é uma pessoa muito quieta. Mostre-me alguém que fala muito, e lhe mostrarei um cristão que ora muito pouco."

A maior parte da oração, para quem deseja ser usado assim, precisa ser em particular. É preciso buscar, não os olhos ou os ouvidos humanos, mas o ouvido de Deus. É preciso buscar um canto sozinho com Deus.

Mas, embora orasse em particular, muitas vezes Nash orava com tanto fervor que outros o ouviam. Não era intencional, mas acontecia por causa da grande carga que sentia na sua alma. Os inimigos diziam que era impossível ele orar em secreto, pois orava com tal veemência que se podia ouvi-lo a mais de um quilômetro de distância. Embora isto provavelmente não fosse tão comum, um testemunho interessante mostra que realmente podia acontecer. Em uma das campanhas, Nash levantou muito cedo e foi para uma mata orar. Era uma manhã clara, de ar límpido, daquelas em que se pode ouvir sons a uma grande distância. A um quilômetro de distância um homem não convertido parou de repente ao ouvir o som da oração. Percebendo que era a voz de Nash, o Espírito Santo operou na sua vida, e ele sentiu convicção como nunca antes experimentara, e não achou alívio enquanto não acertou sua vida com Deus.


Objetividade

Muitas pessoas usam listas sistemáticas de pessoas e motivos de oração. Ser metódico e perseverante ajuda a ser mais eficaz, e também a registrar as respostas para poder oferecer louvor e agradecimento a Deus.

Nash usava este método. Ele tinha uma lista de pessoas por quem orava diariamente. As respostas a estas orações se tornam mais notáveis ainda quando se descobre que ele não colocava nomes de pessoas que já seriam prováveis candidatos à conversão, mas geralmente pessoas que eram mais obstinadas e resistentes.

Uma das questões mais importantes sobre se elaborar uma lista de oração é conhecer a vontade de Deus sobre quem deve ser colocado na lista. Ir por aparências é andar por vista e não pela fé. Para se ter uma base firme para crer em Deus pela salvação de alguém requer direção sobre quem ele quer na lista.

Finney escreve: "A verdade clara do assunto é que o Espírito leva a pessoa a orar. Se Deus leva alguém a orar, a conclusão pela Bíblia é que Deus tem um propósito de salvar aquele indivíduo. Se descobrirmos, por comparar nosso estado de mente com a Bíblia, que fomos guiados pelo Espírito a orar por alguém, temos boa evidência para crer que Deus está preparado para abençoá-lo."

Finney contou um exemplo de como Deus operou em resposta à oração de Nash. Havia um homem chamado Sr. D. numa das cidades onde Finney estava pregando. Este homem era muito violento, e um perseguidor declarado do evangelho. Ele tinha uma taverna naquela cidade, e seu prazer era de praguejar e usar linguagem suja sempre que houvesse cristãos por perto. Ele fazia todo o possível para ferir e embaraçar os cristãos. A casa dele era um ponto de encontro para as pessoas que se opunham ao evangelho.

O irmão Nash ouviu as pessoas da cidade falando a respeito do Sr. D. como um caso muito difícil, e de como um novo convertido que morava perto dele queria vender sua casa, tamanha era a perseguição que sofria. Nash ficou profundamente entristecido e angustiado em favor do Sr. D., e colocou seu nome na sua lista de oração. Este caso passou a pesar na mente de Nash quando estava acordado, e quando estava dormindo. Pensava continuamente sobre este homem ímpio, e orou vários dias em favor dele. Desta forma, o próprio Espírito guia os cristãos a orar por pessoas ou questões que normalmente não chamariam sua atenção, e assim oram de acordo com a vontade de Deus.

"Poucos dias depois", contou Finney, "estávamos numa reunião à noite, com a casa lotada, e quem entra pela porta, senão o famoso Sr. D.? A presença dele causou considerável agitação na congregação, pois as pessoas temiam que fosse criar confusão ali. O temor e o aborrecimento em relação a ele eram muito grandes por parte de todos. Tanto foi, que depois que ele entrou, alguns já se levantaram e saíram.

"Fiquei observando-o atentamente, e logo percebi que ele não viera para criar tumulto, pois estava em grande angústia de mente. Sentou-se, mas se contorcia no seu lugar, e não conseguia ficar em paz.

"Em pouco tempo, levantou-se e, tremendo, perguntou se podia falar algumas palavras. Dei-lhe permissão, e em seguida, aquele homem fez uma das confissões mais sinceras que já ouvi. Sua confissão incluiu tudo, de como tratava Deus, os outros cristãos, o avivamento, e tudo que tinha boa fama.

"Isto ajudou a ‘lavrar muita terra dura’ nos corações daquele lugar. Era o meio mais forte que Deus poderia ter usado, naquela ocasião, para dar ímpeto à sua obra. O Sr. D. confessou abertamente sua fé no Senhor, abandonou bebida e profanidade, e enquanto permaneci naquele lugar sempre havia reuniões de oração no seu bar."


Concentração no Foco

Oração forte precisa ser oração eficaz. Precisa haver um resultado definido. O efeito deve ser definido e claro para aquele que está orando. Este efeito encherá a mente do intercessor, e será um foco claro de pensamento, preocupação e oração. Orar de forma dispersa em várias direções tem pouco valor. Uma lista é um ponto de partida neste sentido, no entanto, os itens na lista precisam ser focalizados um por um, se quisermos ver resultados.

Tal oração requer um esforço definido para direcionar no alvo certo com verdadeiro envolvimento da alma. Partir de um genuíno peso de oração e alcançar fé sólida geralmente envolve passar pelo caminho de agonia da alma. Temos uma tendência muito grande de desistir por fatalismo, falta de verdadeiro interesse, ou transferência de responsabilidade para os perdidos. Pode ser necessário lutar em oração para alcançar a bênção desejada. Isto está num plano muito superior ao plano físico. Estas lutas na alma e no espírito podem produzir muito mais que exaustão no físico. Porém, a agonia do corpo é apenas o resultado de tal oração, não uma parte integral. Alguns querem imitar esta luta da alma através de manifestações físicas. Isto pode enganar o homem, mas tal hipocrisia não trará resultado algum das cortes celestiais.


Últimos Dias do Guerreiro

Nash acreditava que tinha uma responsabilidade pelo destino das almas. Sentia que Deus entregou grandes ferramentas em nossas mãos, e o uso ou desuso destas ferramentas era assunto sério, pelo qual teríamos de prestar contas a Deus. Seu ministério de oração tinha esta premissa básica.

As últimas palavras que temos registradas de Nash estão numa carta, onde ele diz: "Depois que você esteve aqui, tenho pensado na oração, especialmente em orar pela descida do Espírito Santo. Parece-me que tenho sempre limitado a Deus neste sentido. Nunca senti antes que eu pudesse pedir racionalmente para que o Espírito descesse de forma mais completa; não só sobre indivíduos, mas sobre todo um povo, região, país e no mundo. No sábado, me propus a fazer exatamente isto, e o diabo ficou muito bravo comigo. Estou convencido agora que é meu dever e privilégio, junto com todos os cristãos, orar para que o Espírito venha, como no dia de Pentecoste, e em maior poder ainda. Não sei por que não podemos pedir que o Espírito venha em plenitude, na sua totalidade, e por que se pedirmos em fé, não podemos ver a resposta. Acho que nunca pedi tão livremente que o Espírito viesse sobre toda a humanidade. Meu corpo está em dor, mas estou feliz com Deus. Tenho sentido vontade de orar para que eu pudesse ser tomado pelo Espírito Santo, morrer no processo, e ir para o céu desta forma; mas Deus sabe."
De acordo com Charles Finney, os últimos dias de Nash foram passados em oração. Ele dizia que estava morrendo por falta de forças para orar. O corpo estava esmagado, ele sentia o peso do mundo, mas como podia deixar de orar! Ele tomava o mapa do mundo, e orava, olhando para os diferentes países. Expirou no próprio quarto, orando, no dia 20 de dezembro, de 1831, com 56 anos. Verdadeiramente, era um príncipe que prevaleceu com Deus em oração!

Será que Deus encontrará pessoas na nossa geração para se entregar a ele desta forma?

Estes artigos foram extraídos do livro Daniel Nash: Prevailing Prince of Prayer (Príncipe Que Prevalece em Oração), por J. Paul Reno.

Fonte: Arauto da Sua Vinda, ano 20, n° 6

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