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sexta-feira, 30 de maio de 2008

Jesus, o motilone - parte 5

Refém! - parte 2
Por Bruce Olson, Maio 1990

Cartas de amor.
Era vigiado 24 horas por dia. A maior parte do tempo ficava com as mãos amarradas atrás das costas mesmo muito doente com malária e sofrendo intensa dor. Anos antes, o cuidado com os feridos ou doentes na selva, tinha me ensinado a isolar-me do desconforto físico. Quando se está muito longe de qualquer ajuda, com um braço perturbado, deve ir em frente: No momento eu disse para mim mesmo: "Esta dor só existe no meu corpo. Minha mente e o meu espírito estão acima desta, e não participam". Em seguida, aplicar este método para suportar alguns dos piores circunstâncias do meu cativeiro.
Pode parecer estranho, mas eu não estava preocupado com a minha sorte, porque pensei que era minha responsabilidade prestar um serviço onde eu estava e sabia que tudo estava nas mãos de Deus.
- Você é nosso preso político. Informou-me Manuel Perez, o diretor de política nacional ELN.
Anos antes Perez, um ex-padre jesuíta (surpreendentemente, grande número de líderes guerrilheiros foram padres católicos e ministros protestantes), tinha me convidou para trabalhar com ele no movimento revolucionário. Eu disse-lhe que os cristãos não devem envolver-se em guerrilhas.
- Queremos unir nossa liderança nacional. Perez disse-me nesta ocasião. "Queremos organizar os serviços sociais e de saúde, e escolas, assim como você tem feito entre os índios motilones. Caso não se junte a nós, te mataremos".
Alguns dias mais tarde, eu percebi que alguns guerrilheiros estavam com malária e febre, além de outros que mostravam sintomas de hepatite, uma vez que os seus hábitos de higiene eram medíocres e contribuíam para a propagação do vírus hepatite. Os guerrilheiros cospem constantemente, contaminando solo, água e alimentos. Mencionei este problema a um funcionário do acampamento, que chamou os responsáveis, e como que por magia todos pararam de cuspir.
Nesses dois meses, eu vivia em uma constante oscilação: um dia tratado educadamente, em outro, castigado. Evitei as discussões e tentei ajudar o melhor que podia. Ensinei aos cozinheiros a prepararem deliciosos pratos com lagartas de palmeira defumadas; fazia pão para todo o acampamento três vezes por semana, e escrevia cartas de amor que os jovens analfabetos da guerrilha enviavam para as suas namoradas. Ambos tinham uma estratégia: eles queriam entrar em minha vida e eu nas suas. E eu fui progredindo.

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