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sábado, 29 de dezembro de 2007

Um Espírito Quebrantado

Pensávamos antigamente que a vontade humana inteiramente rendido a Deus era o requisito fundamental para nos conduzir a uma vida de vitória, mas estamos percebendo agora que isto em si não é suficiente. Precisa haver também um espírito quebrantado, que nos capacitará a aceitar a vontade de Deus alegremente, sem resistência.

Uma vontade rendida a Deus e um espírito quebrantado não são a mesma coisa. A vontade está na esfera do intelecto, e corresponde à lei. O espírito está na esfera do coração, e corresponde à graça. A vontade submissa sozinha não traz poder para vencer.

Deus chamou seu povo para fora do Egito, por intermédio de Moisés. Libertou-o com poder e grandes prodígios, muitas vezes deixando-o emudecido e assombrado, como no Monte Sinai, diante de seus relâmpagos e trovões.
Quando estavam face a face com o poder de Deus, ficavam penitentes, e diziam: "Tudo o que Deus falou, faremos", mas logo que a provação passasse, a sede saciada, ou a fome satisfeita, começavam a murmurar e a se queixar de Deus e da sua maneira de agir. Mostravam desta forma que, embora a vontade estivesse de acordo, dizendo: "Nós faremos", seu espírito não estava quebrantado, e se rebelava interiormente contra os caminhos de Deus.
A nação inteira, durante quarenta anos, apesar de continuar seguindo a Deus, reclamava e questionava a Deus, até que todos com exceção de duas pessoas perecessem no deserto. A chave da vitória destas duas pessoas foi que tinham um "outro espírito", um espírito obediente e quebrantado (Nm 14.24; 32.11,12; Dt 1.36).
O Senhor me fez entender que esta falta de quebrantamento de espírito é a causa de muitas dificuldades e fracassos na experiência cristã.

Quebranta-me, Senhor!


Dobra-me!

O propósito de Deus é que nosso espírito junto com nossa vontade possam render-se a ele, trazendo desta forma todo nosso ser sob seu domínio, e tornando-o responsivo à sua vontade. A razão por que vemos tantos cristãos vivendo uma vida de luta e fracasso é que se recusaram a ser exercitados e domados pela mão disciplinadora de Deus. Estão totalmente sem quebrantamento no seu espírito.



Paulo foi um exemplo de quebrantamento de espírito. Em Atos 9, lemos sobre sua conversão, onde com um golpe de mestre do Deus Todo-Poderoso, o perseguidor e agitador Saulo foi transformado no sempre obediente e quebrantado Paulo. O que aconteceu a Paulo naquela hora precisa acontecer em algum momento a todo homem ou mulher que quiser experimentar uma vida de vitória sobre a carne.



Vemos em Atos 9.5,6: "E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que faça?" (Atos 9:5-6).



Saulo descobriu o que estava errado na sua vida. Ele estava dando coices contra Deus, mas logo que o percebeu, rendeu-se. Deus tirou o "coice" da sua vida! Ele disse: "O que queres que eu faça?" não como alguém que está aterrorizado, ou sentindo obrigação, mas por querer saber a vontade do seu Senhor.






Morto com Ele para Poder Reinar com Ele



A vontade sempre diz: "O que tenho de fazer?" Mas o espírito quebrantado diz: "O que queres que eu faça?" Vi que a rebeldia está no espírito, não na vontade.



É aqui que muitos queridos erram. Estão totalmente certos de que Deus está falando, e não têm intenção de desobedecer. Como os israelitas, dizem: "Faremos tudo", mas o fazem com um "coice" no seu espírito, o que destrói a paz e impede a bênção.



Deus me fez ver como é possível se dispor até a dar a própria vida, e ao mesmo tempo o fazer com um espírito sem nenhum quebrantamento, em contraste total com aquele que disse: "Eis-me aqui... para fazer, ó Deus, a tua vontade" (Hb 10.7). Não importava se era sucesso ou a mais amarga perseguição, era tudo igual: "Deleito-me em fazer a tua vontade" (Sl 40.8) – nada de reclamação, nada de resistir, nem questionar, apenas quebrantamento absoluto de espírito.



Se fosse diferente, a missão de Jesus na terra teria falhado. Você pode imaginar Jesus obedecendo ao Pai durante toda sua vida, mas com seu espírito amargurado, clamando a cada passo para a provação ser amenizada, para ser liberado dela, para a carga ser retirada dele, ou para mudar suas circunstâncias?



Não é apenas sua total rendição da vontade que desperta nossa admiração, mas a consciência de que todo seu ser acompanhou a vontade em alegre obediência. E assim aprendemos o que significa o Cordeiro que foi morto (Ap 5.6). E nós, sua noiva, seremos unidos a este Cordeiro. Mas como podemos ser unidos a ele, se também não tivermos passado pela morte?






O Espírito Errado



Muito já foi escrito e falado a respeito da morte do eu, e muito esforço honesto foi despendido por aqueles que buscam a vida vitoriosa. Infelizmente, todos nossos esforços ainda não nos deixaram mortos, mas mais parecidos com os profetas de Baal no Monte Carmelo, apenas retalhados e machucados até que corpo, alma e espírito ficaram feridos, doloridos e contundidos.



Qual é, então, a saída, se é que desejo e esforço honestos não nos podem levar à vitória? Percebi que algo está radicalmente errado dentro de nós, e que a raiz que estava procurando é o espírito sem quebrantamento.



É tão necessário ter um espírito certo, quanto é ter um coração limpo – um coração purificado do pecado, e um espírito quebrantado, de onde o "coice" foi removido. Como podemos obtê-lo? Descobrimos em Ezequiel 36.26: "Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo". Meu coração deu um salto de alegria quando vi que Deus já providenciou uma saída.



"Porei dentro de vós espírito novo," sem nenhum esforço meu, uma obra de Deus, como se fosse criado um novo espírito humano, substituindo o velho e duro espírito por um que saiba ceder, que seja obediente, que não se queixará, mas que será total e permanentemente um com Deus. Ó que alívio divino!






Convicção de Necessidade



O que nós temos de fazer é sentir nossa necessidade, levá-la a Deus, e fazer a troca. O que acontecerá depois? Ele nos mostra em Ezequiel 36.27: "Porei dentro de vós o meu Espírito e farei (não ajudarei) que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis".



As pessoas estão clamando por avivamento e pelo derramamento do Espírito. Vi por que não estão recebendo. Deus não quer batizar sua carne nem a minha com seu Espírito.



Ao falar do azeite sagrado, a Escritura diz: "Não se ungirá com ele o corpo do homem que não seja sacerdote". Ele não batiza nosso intelecto, mas o Espírito Santo vem sobre nosso espírito, e nos traz sabedoria por meio do coração, ao invés de ser pela cabeça. Davi viu depois do seu grande pecado que sua necessidade era de um espírito quebrantado (Sl 51.17).



É por este motivo que Deus freqüentemente escolhe alguém de pouca cultura, e pouca capacidade intelectual, como ocorreu no caso de Sammy Morris, um garoto africano, a quem Deus batizou de tal forma no Espírito, que muitos se admiraram dele.



"Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes" (1 Co 1.27). Se não fosse assim, o homem usaria a Deus, ao invés de Deus usar o homem. Ele visita graciosamente o homem com seu Espírito em ocasiões, e há verdadeiro poder pentecostal, mas como não pode confiar poder ao homem, estas manifestações intermitentes representam o melhor que Deus pode fazer através de um espírito sem quebrantamento.



Mas quando a vontade é entregue a Deus, e um novo espírito é recebido, Deus pode pôr dentro deste espírito o seu Espírito Santo, e uma vida de poder e vitória será garantida.



Enquanto lê estas linhas, entregue a Deus o velho espírito duro e sem quebrantamento, e permita que ele coloque no seu interior o espírito novo, e surgirá uma nova alegria de viver. Seja seu chamado o ministério de limpeza ou de pregação, será tudo a mesma coisa, pois como nosso Senhor, você dirá: "Deleito-me em fazer a tua vontade".



O caráter e a obra de muitos cristãos honestos trazem a etiqueta "sem quebrantamento", e por isto o Senhor permite muitas provações que estão além da nossa compreensão, além da nossa fé, e até mesmo, além da nossa capacidade de suportar. Mas tudo isso é para que não só a vontade se renda a Deus, mas para que sejamos pressionados a trocar nosso espírito humano, sempre em guerra com Deus, pelo espírito novo que nos foi prometido, que é quebrantado, tratável, humilde, e sem arrogância (2 Co 1.8-11).



Jesus nos ensina que seu jugo deve estar sobre nós, para aprendermos dele (Mt 11.28-30).



Em Ezequiel 36.37, Deus nos mostra como este coração de pedra, este espírito duro e sem quebrantamento pode ser removido. "Ainda por isso serei consultado da parte da casa de Israel, que lho faça". Se o buscarmos, e o quisermos, ele fará!
Fonte: Arauto da Sua Vinda, ano 19, nº 1

2 comentários:

  1. Maravilhoso estudo movido por um coracao quebrantado e inspirado pelo Espirito de Deus.

    Obrigada pela oportunidade de ler tao sabias e edificantes palavras.

    Que Deus continue te abencoando.

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  2. Olá Anônimo.

    A Paz do Senhor

    Não fui eu que escrevi esta ministração! Ela foi extraída da revista O Arauto da Sua Vinda, n°1, ano 19!

    Minha única participação foi disponibilizá-la aqui no blog Missões e Adoração.

    Honra ao escritor dessa mensagem (que não sei quem foi) e ao editor do jornal original em inglês (The Herald of His Comming), ao editor brasileiro que traduziu e imprimiu o jornal e disponibilizou na internet.
    A Deus toda honra e toda glória!

    Que o doce Espírito Santo continue a falar contigo! Que Ele use a internet cada dia mais como instrumento para falar aos seus!

    Gilson
    Blog Missões e Adoração
    Gilson

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